FUTEBOL MASCULINO DECADA DE 90
Botafogo: a imagem refletida em Muriqui
São quase mil metros quadrados de área onde, com muito esforço, se consegue distinguir uma quadra polivalente, uma construção bem sólida que abriga um amplo salão, alguns dormitórios espaçosos e o direito de se acordar de frente para o mar. Mas o Botafogo sequer toma conhecimento de que esta área, plantada no centro de 40 minutos do Rio de Janeiro e sua e e bastante lucrativa. O Botafogo, ao contrário de valorizar seu património, os dilapida com facilidade impressionante, ignorando até, que numa rápida, negociação, poderia obter perto de Cz$ 80 milhões pelo terreno. A crise de identidade que vive é fruto disto, da ignorância administrativa que desconhece até mesmo o potencial de património que possui. As fotos são frias e nítidas. De uma nitidez amarga, triste.
“Botafogo F . R . " inscrito no alto de um prédio de dois andares, no Centro de Muriqui, provoca impacto. Os vidros das janelas estão quebrados, o portão de ferro enferrujado e retorcido, não abre e o capim, próximo ao guichê dos cavalheiros, cresce. As primeiras informações são de que a propriedade é guardada por um senhor de nome Mariano, que há anos habita o local, mas que, nos últimos 15 dias, está internado no pequeno hospital da cidade com cirrose aguda. O velho vigia, há cerca de dois anos, prometeu que pararia de beber assim que o Botafogo conquistasse um titulo. Não conseguiu. Seus dias, segundo os vizinhos, estão contados. Mariano saiu da sede da Praia de Botafogo em pele e osso, direto para o hospital. O reflexo da decadência do Botafogo está em Muriqui.
O Muriqui Praia Clube era o mais badalado e festivo clube da cidade até que há 10 anos, durante a administração de Charles Borer, seus associados efetivos — cerca de 80 — assinaram acordo com o Botafogo doando todo o patrimonio (terreno e prédio) em troca de títulos de sócio proprietário do ainda "Glorioso" clube do Rio de Janeiro. Vítor de Carvalho, dono da barraca da praia que fica defronte ao clube, teve a idéia da fusão e a propôs a Borer, vizinho do clube, ideia Imediatamente aceita, mas que hoje traz frustração ao barraqueiro de 39 anos, botafoguense que há cinco anos não assiste a um jogo do Botafogo ao vivo. — Foi a pior besteira que nós fizemos. Eles prometeram trazer jogadores para cá, além de fazer um centro de lazer bem mais moderno do que o nosso modesto Muriqui. Nós acreditamos e, depois de uma reunião, acertamos a fusão dos clubes. Agora é isso que vocês estão vendo. Um prédio abandonado, sem qualquer utilidade, num terreno que deve valer, hoje, uns Cz$ 80 milhões mais ou menos. A frente do terreno está virada para a linha do trem e o primeiro impacto é triste. Pior quando se entra pelos fundos, que está voltado para a Praia de Muriqui, quase defronte à barraca de Vítor. No cimento do chão percebe-se as marcas de um ex-campo de futebol de salão, vôlei e basquete. Mais uma vez o "Botafogo F.R." aparece inscrito num prédio anexo, mas não com tanta nitidez quanto o da frente. Neste prédio ainda estão as roupas do vigia Mariano e além disso, ainda serve de depósito para a barraca de Vítor e os pedações de madeira em que Carlos das Carrancas entalha suas obras. Uma porta lateral dá acesso ao amplo salão. Um bar do lado direito, dois guichês para tickets de bebidas e sanduíches, um palco no canto esquerdo e o salão. Faltam telhas. No alto do salão, mais uma inscrição. Esta anteriormente refletindo uma verdade Incontestável; hoje, um engodo que ninguém consegue engolir: "Botafogo. Grande. Glorioso.Eterno. Tua estrela solitária te conduz". Uma estrela opaca, carente de uma identidade perdida no tempo.
PROMESSAS
Há aproximadamente um ano, Emil Pinheiro esteve em Muriqui. Época de campanha, prometeu, assim como Charles Borer, que se seu candidato fosse eleito, reativaria a sede da praia. Ficou na promessa. Charles Borer, no entanto, viu seu candidato (Emanuel Viveiros de Castro), perder as eleições para Juca Melo Machado e, apesar de vizinho da sede de Muriqui — tem propriedade quase colada à sede —abandonou aquilo que havia adquirido para o Botafogo. — Não sei, mas seria até interessante que o Botafogo nos devolvesse a sede e nós devolveríamos os títulos de sócio proprietário. Assim poderíamos cuidar muito melhor do Muriqui Praia Clube. Os bailes voltariam e isso aqui, no Verão, seria um foco de juventude — diz o magoado Vítor. No bar ao lado da frente que dá para a linha de trem, o proprietário (que não quis dar seu nome), diz que a área está abandonada há mais de seis anos e divaga: — Isso aqui era bom quando funcionava o baile do Muriqui. Agora tá ai jogado, abandonado. Tem um senhor que mora ai, mas está internado. Teve gente, uns tempos atrás. Falaram muito e não fizeram nada. Botafogo. Grande? Glorioso? Eterno? Estas indagações emitem outra: Tua estrela solitária te conduz?
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Jornal dos Sports de 1993
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Fogão conquista a Conmebol
Clube sofre até o final e leva o seu primeiro título internacional nos pênaltis
ALEXANDRE BITENCOURT
O Botafogo sofreu tudo o que tinha direito para conquistar o seu primeiro título internacional: a Taça Conmebol. Levou um gol no primeiro tempo, virou o jogo no segundo e deixou o Penãrol empatar no último minuto. Foi para a disputa de penaltis e Sinval perdeu a primeira cobrança. Mas já era demais e a sorte mudou, com a equipe alvinegra recuperando o rumo com uma grande defesa de William no chute de Ferreira. E aí, só deu Botafogo, com a vitória por 3 a 1 nos pénaltis. Felicidade para a torcida, que compareceu em massa, apesar de a renda só registrar 26.276 pagantes, mesmo tendo sido esgotados os 40.000 ingressos postos à venda e os portões terem sido abertos ao público. Coisas que só acontecem com o Botafogo...
Com um esquema ofensivo, o Botafogo tentou mudar no jogo logo no início. Mas o Penãrol, muito bem plantado, não deixava o time alvinegro chegar, marcando em cima de cada lance. Com isso, o Botafogo foi se perdendo em campo e começou a errar muito, não levando mínimo perigo ao goleiro Rabajda. Aos 26 minutos, a grande chance do primeiro tempo. Sinval, depois de uma boa trama do ataque, bateu de perna esquerda, com o goleiro fazendo uma boa defesa. No único ataque uruguaio, o gol de Bengoechea. A defesa alvinegra bobeou e a bola sobrou para o jogador do Penãrol colocar sem chance para William. O ataque botafoguense não conseguiu acertar e isso ficou claro aos 39 minutos. Marcelo recebeu e deu para Aléssio. O bandeira marcou impedimento, ele prosseguiu e, sozinho, ainda assim mandou na trave, em uma jogada que já estava paralisada. No segundo tempo, logo aos sete minutos, o Botafogo empatou. Eliel cobrou uma falta, a bola passou pela barreira e o goleiro Rabajda aceitou. O gol levantou o astral dos alvinegros que partiram para cima, mesmo que de qualquer maneira. Aos 22, a virada. Em uma cobrança ensaiada de falta, Sinval chutou, a bola fez uma curva e enganou o goleiro uruguaio.
Mas como há coisas que só acontecem com o Botafogo, o time continuou se mandando para a frente e deixando a defesa aberta para as entradas do Penãrol. Aos 36 minutos o técnico Torres foi expulso ao isolar a bola quando dava instruções aos jogadores. Jogando na frente, o Botafogo ainda perdeu uma grande chance através de Marcos Paulo, que entrou livre e bateu em cima do goleiro. Quando a torcida já comemorava o título, Otero entrou e marcou o gol de empate, no último minuto, tirou a camisa, e correu para a galera. Na disputa por pênaltis, o Botafogo garantiu o título. Sinval perdeu o primeiro, mas William defendeu o chute de Ferreira. A defesa do goleiro reacendeu a chama alvinegra e Suélio deu a vantagem ao time. Da Silva empatou, Perivaldo marcou com categoria e Gutiérrez chutou para fora. André fez o terceiro e De Los Santos chutou na trave. Depois, foi só os jogadores alvinegros correrem para a galera e comemorarem com a sofrida torcida. Haja coração.
ATUAÇÕES
WiLLIAN - Não acionado durante o jogo, mas acabou se tornando a principal peça nas cobranças das penalidades máximas. Nota 7 Perivaldo — Esse mostrou toda a sua garra. Apoiou o ataque quando pôde e anulou o setor esquerdo da equipe uruguaia. Nota 7 André — Foi um verdadeiro monstro. Disparado, o melhor do time. Tomou conta da área e mostrou muita categoria. Um grande guerreiro. Nota 10 Cláudio — Ao contrário do companheiro mostrou muita insegurança. Nota 5 Clei — Não vinha jogando bem, não acatava as ordens do técnico Carlos Alberto Torres, e, depois de sentir uma contusão, acabou substituído. Nota 5 Eliomar — Entrou no lugar do titular e o time acabou subindo por aquele setor. Foi outro jogador muito importante no apoio ao ataque. Nota 7 Nélson - Uma grande atuação. É um jogador extremamente técnico que sabe o que fazer com a bola. Ontem fez uma bela partida. Nota 8 Suélio — Também não, jogou mal, mas esteve abaixo do companheiro. Seu grande pecado foi ter espirrado o chute de desafogo que acabou originando o primeiro gol do Penãrol. Nota 6 Marcelo — Esse jogador é muito difícil de se entender. De promessa acabou virando uma dúvida. Ontem, mais uma vez, não esteve bem, mas mostrou raça. Nota 5 Aléssio — O pontinha paranaense não esteve ontem nos seus melhores dias. Não foi, infelizmente, aquele jogador arisco que incomoda o adversário. Nota 5 Sinval — Fez um bonito gol e tem o grande mérito de ser o artilheiro da Conmebol, com oito gois. Ontem, só errou ao perder o pênalti. Nota 7 Eliel — Não vinha tendo uma boa atuação no primeiro tempo, caindo muito pela esquerda. No segundo, melhorou e fez o gol de empate. Nota 7
Peñarol
O time do Penãrol acabou mostrando que não era assim tão ruim como lhe conferiam alguns críticos. Veio ao Maracanã, encarou o time do Botafogo de frente, abriu o marcador e depois foi buscar um heróico empate no último minuto de jogo. O goleiro Rabajda falhou no gol de Eliel. No sistema defensivo, o destaque fica para o miolo da zaga. Tanto Gutierrez, como De los Santos jogaram com firmeza. Curiosamente, depois, os dois perderam pênaltis. No meio campo o veterano Perdomo ainda mostrou alguma categoria, mas o destaque fica para Bengoechea, autor do primeiro gol e inexplicavelmente substituído. Na frente estava o destaque do time, o jovem atacante Otero. Ele empatou um jogo quando ninguém mais acreditava e com uma bela finalização. Completando o time uruguaio, o ponta Rodriguez praticamente não foi notado.
William levanta a galera
Grande Bacana. Você ontem provou que além de tudo tem também a sorte a seu lado. O Botafogo começou realmente a conquistar a Conmebol quando William, mostrando categoria, defendeu a cobrança de Ferreira. A partir daí, todos os outros cobradores do Botafogo bateram com perfeição e estilo, Bacana, por sua vez, teve a sorte como grande companheira. Nas cobranças de Gutierrez e De Los Santos, a primeira para fora, a outra na trave, William estava presente na bola e certamente defenderia se ela fosse para dentro do gol. A história de Bacana é um exemplo de persistência. Cria da casa, ele nunca teve seu valor reconhecido dentro do clube. Pelo contrário. Basta dizer que, no início desse ano, nem mesmo com o grupo ele treinava. Emprestado ao América, mesmo com o Botafogo precisando de goleiro, William voltou e fazia seus treinamentos em Marechal Hermes, isolado, enquanto o restante da equipe movimentava-se no Caio Martins. Mas, como diz o velho ditado, "o que é do homem o bicho não come", o récem-contratado, Carlão, contundiu-se com certa gravidade e o técnico Carlos Alberto Torres resolveu prestigiar William Bacana. O clube contratou Vágner, por empréstimo, ao Bangu, mas Bacana permaneceu como titular. A vida escreve mesmo certo, por linhas tortas. No jogo de ida, em Montevidéu, William foi o destaque absoluto do jogo. Ele soube suportar toda a grande pressão uruguaia durante os 90 minutos. Com isso, o Botafogo trouxe um empate importantíssimo. Ontem, ele não teve culpa nos dois gois uruguaios e foi decisivo nas cobranças de pênaltis. Valeu, Bacana. Você merece. Valeu, Carlos Alberto Torres. Você fez a escolha certa. Valeu, Fogão campeão.
Tones responde com a conquista
Terminada a dramática partida, que deu ao Botafogo seu primeiro título internacional, o técnico Carlos Alberto Torres, muito emocionado, teve de se segurar para não chorar. Um misto de orgulho pelo bom desempenho no clube alvinegro e uma resposta àqueles que criticaram seu método de trabalho, como alguns dirigentes do pró-rio Botafogo, que fazia lobby para a efetivação do técnico de juniores Dé. Não é à toa que o Capitão é tão querido pelos jogadores. Sempre abera melhor forma de o time jogar, o treinador logo conquistou a simpatia do grupo, na sua maioria formada por atletas revelados nas categorias de base do próprio clube. O meio-campo Nélson, capitão do time, disse após o jogo: — Esse título é dedicado ao professor. Quando o zagueiro uruguaio De los Santos cobrou o último pênalti na trave, o que determinou a vitória do Botafogo, Torres parecia um garoto. Correu para dentro do campo, pulando e gritando "é campeão". Abraçou e beijou um a um dos jogadores e depois, controlando-se, lembrou que o time alvinegro tem como meta, a partir de agora, reabilitar-se no Campeonato Brasileiro, competição na qual ocupa a penúltima colocação do Grupo A, com apenas um ponto em quatro partidas disputadas (tem um empate e três derrotas). — É claro que esse título é muito importante. Os garotos jogaram com muita garra e determinação, e mereceram vencer a Copa Conmebol. Mas nós temos um compromisso importante, que é lutar pela classificação para a segunda fase do Brasileiro e, depois, pelo título — disse o Capitão. No meio da euforia alvinegra, Eliel, muito emocionado, fazia o seu desabafo: "O Botafogo é um time de macho, que bota pra quebrar mesmo". O atacante, mesmo não fazendo uma boa partida, foi fundamental, marcando o gol de empate do Botafogo (1 a 1).
Sinval não quer sair da equipe
O centroavante Sinval em um dos mais eufóricos depois da partida. Afinal, começou a cumprir parte de seu objetivo no futebol carioca, conquistando o título de uma competição internacional, na qual chegou em primeiro lugar também na artilharia, com oito gois em oito jogos, com a excelente média de um gol por partida. Abraçado a seus companheiros, Sinval disse que pretende mesmo ficar no Botafogo. O passe de Sinval — fixado em 1 milhão de dólares, cerca de CR$ 125 milhões — pertence à Portuguesa de Desportos. O jogador está emprestado ao Botafogo até o fim do ano, mas a diretoria do clube já adiantou que tentará junto aos dirigentes da Lusa a redução no valor do passe, considerado absurdo até mesmo pelo próprio jogador. — Meu objetivo era vir para o Rio de Janeiro e jogar por um grande clube. Estou feliz no Botafogo e não quero sair disse o artilheiro da Conmebol.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Jornal dos Sports de 01 de julho de 1993
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Aquela quarta-feira 29 de setembro de 1993, ficará gravado para sempre na memória dos torcedores do Botafogo, porque conquistaram seu primeiro título internacional no estádio Maracanã ante um grande rival como Peñarol e num dramático encontro.
O cotejo de ida jogado uma semana antes em Montevidéu havia finalizado empatado 1-1, com as conquistas de Otero e Perivlaldo. Uma imensa expectativa fez lotar as instalações do Maracanã para a definição em que o Botafogo chegou ao deixar pelo caminho na semifinal o campeão defensor, Atlético Mineiro, enquanto que o Peñarol havia feito o próprio contra o San Lorenzo de Almagro em definição por pênaltis.
Desde o início do desquite, o time carioca atacou de forma sistemática, convertendo na figura de Gerardo Rabajda, o arqueiro rival. Em sua primeira chegada no fundo, aos 34 minutos, os visitantes abriram o placar por intermédio de Pablo Bengoechea, que aproveitou um erro da última linha.
O alívio veio aos 7 do complemento, com o empate através de Eliel, de tiro livre. 15 minutos mais tarde, o delírio se apoderou do majestso estádio, quando pela mesma via, Sinval anotou um gol espetacular desde 30 metros, que deixou impotente Rabajda. Começou a abundar o jogo brusco de ambos os lados e por seus reiterados protestos, o árbitro argentino Francisco Lamolina expulsou Carlos Alberto, técnico local e uma glória do futebol mundial.
Tudo parecia controlado por Botafogo e acariciava o troféu, até que no último minuto, os fantasmas do Mundial 1950 sobrevoaram pelo Maracanã quando Marcelo Otero fez o empate definitivo, tocando sobre a cabeça de William e enviando a definição aos pênaltis.
Ali, todo o esforço do Peñarol se derrubou por sua pouca eficácia: dos quatro que executou, só anotou Da Silva. William defendeu o de Ferreyra, enquanto que Gutiérrez e Dos Santos desviaram os seus. A glória foi para o Botafogo, já que só marcou Sinval (defendido por Rabajda) e marcaram Suelio, Perivaldo e André. Um grande time da América tinha sua merecida conquista internacional.
Botafogo: William; Perivaldo, André, Claudio, Clei (Eliomar); Nelson, Suelio, Alessio (Marcos Paulo), Marcelo; Sinval, Eliel. DT: Carlos Alberto.
Peñarol: Rabajda; Tais, Gutiérrez, De los Santos, Da Silva; Dorta, Perdomo (Ferreyra), Baltierra, Bengoechea (Rehermann); Otero, Rodríguez. DT: Gregorio Pérez
Fonte: www.conmebol.com
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O TÍTULO 21 ANOS DEPOIS
- Pouco antes do time entrar em campo, naquele histórico dia 21 de junho, o inesquecível Nilton Santos, nervoso, dentro do vestiário alvinegro , faz a premonição: "Rezei bastante para o Garrincha. Tenho certeza que ele vai inspirar o Maurício (que também usava a camisa 7) e ajudá-lo a trazer o título de volta".
Dentro de campo, o time faz de tudo para tornar reais as palavras de Nilton Santos, mas uma coisa preocupava: o Botafogo não ganhava um clássico carioca há três anos. Do outro lado, também não estava um time qualquer. Era o "Flamengo de Zico" , o grande campeão da década de 80.
Para barrar o camisa 10 rubro-negro, Valdir Espinosa ordena que Luisinho não descole do craque. Mesmo assim, além de Zico, o Flamengo também tinha Bebeto que, no começo da partida, em uma cabeçada no ângulo esquerdo, obriga Ricardo Cruz a fazer uma defesa milagrosa. Depois disso, o Botafogo percebe que esse era o dia.
Além da previsão de Nilton Santos, uma série de coincidências ocorrem para tornar real o sonho rubro-negro: no dia 21, com o placar eletrônico do Maracanã marcando 21° C, Mazolinha prepara-se para fazer o 21º cruzamento do jogo aos 12 minutos (contrário de 21) do segundo tempo. A bola está mais para o lateral Leonardo mas, em um lance malicioso, Maurício desloca-o com um leve toque de braço e emenda de primeira. No primeiro chute alvinegro ao gol, a bola estufa as redes.
Os torcedores não conseguem nem aguardar o final da partida para soltar o grito travado há 21 anos na garganta. Aos 43 minutos, começa a festa: "É campeão". Basta o juiz Válter Senra apitar o final da partida para vários jogadores botafoguenses se atirarem de joelhos no gramado. Parecia um sonho: além do campeonato, a conquista invicta, em cima do grande rival. O time: Ricardo Cruz; Josimar, Wilson Gottardo, Mauro Galvão e Marquinhos; Carlos Alberto Santos, Luisinho e Vitor (Mazolinha); Maurício , Gustavo (Jefferson) e o artilheiro Paulinho Criciúma.
No ano seguinte, além do bi, o Botafogo conseguiria outro título invicto não fosse um gol de Pião, na derrota por 1 a 0 para o América de Três Rios. Mesmo assim, a história se repete na final: derrota o Vasco, como no ano anterior, pelo placar de 1 a 0, gol de Carlos Alberto Dias. No time, algumas mudanças: Joel Martins no comando técnico, em lugar de Valdir Espinosa; Paulo Roberto e Renato Martins nas laterais; Carlos Alberto Santos e Djair no meio-campo; e Donizetti, Valdeir e Carlos Alberto Dias no ataque.
Depois disso , o time ainda consegue chegar à final do Campeonato Brasileiro de 1992, mas perde o título para o Flamengo.
Outro problema vem com a saída do presidente Emil Pinheiro que leva a maior parte dos jogadores do elenco para o América . A diretoria aperta o cinto e faz algumas contratações de menor expressão.
Mesmo assim, em 1993, o clube vence a Copa Conmebol, fato que nem o timaço das décadas de 50 e 60 conseguiu. E quem realizou a façanha foi uma equipe recheada de desconhecidos, que vinha realizando uma fraca campanha no Campeonato Brasileiro mas, "o que lhes faltava em talento, sobrava em vergonha na cara", segundo palavras do treinador alvinegro Carlos Alberto Torres.
Até chegar à decisão, o Botafogo passou por duras provas: venceu, na primeira fase o Bragantino; passou pelo Caracas da Venezuela a seguir; e, nas semifinais, derrotou o Atlético, até chegar à final contra o Peñarol.
Na partida final, depois de empatar em 1 a 1 Fogão penou até o último minuto para ficar com a taça. A galera já começava a fazer a festa quando, aos 45 minutos do segundo tempo, o ponta Otero faz o gol de empate: 2 a 2. Agora teria que ser nos pênaltis.
Enquanto os jogadores faziam uma corrente de pensamento positivo no meio campo o jovem goleiro William partiu seguro em direção ao gol. Nas suas mãos pararam os chutes de Ferreira, Gutierrez e Dos Santos, levando a inédita taça internacionalpara General Severiano.
Um time sem muitos destaques, mas com muita sede de vitória.
Em 1994, chega à presidência do clube Carlos Augusto Montenegro que, mesmo assumindo o cargo com pedidos de paciência à torcida, traz os reforços Roberto Cavalo, Wilson Gottardo e o artilheiro Túlio.
Goleador nato, Túlio Humberto Pereira da Costa, ou Túlio Maravilha, como a torcida prefere, chegou ao clube após passagens pelo Goiás e Sion da Suíça. Promessa de gols, o craque não fez por menos: de bola parada, de cabeça, com a perna direita, com a esquerda, ele os marca de qualquer maneira. Por pouco o craque não se transfere para o Japão no final do ano; mas ele tinha que ficar, e ficou.
Com a garantia da permanência de Túlio, mais as contratações de Adriano e Guga, a nova diretoria fecha o ano com chave de ouro. Se chegou em 1994 pedindo paciência, Montenegro já entra em 1995 como um dos melhores presidentes da história do Glorioso.
Agilizou o sonho antigo de retornar à sede de General Severiano e ainda conseguiu benefícios com isso: uma parceria com uma empresa que construiu o Rio Off Price Shopping na área subterrânea de General Severiano que, em troca, cede parte dos lucros ao clube, além de agilizar a construção do clube no local que contará com quadras poliesportivas, piscinas, ginásio para 1.700 pessoas, alojamento e campo de treino para os jogadores profissionais. Além disso, foi fechado um contrato de patrocínio com a Pepsi e a primeira promessa do novo parceiro do clube já foi anunciada: a vinda de Bebeto para disputar o Brasileiro pelo Fogão.
Quando presidente da República, Juscelino Kubistschek prometeu que o País o cresceria 50 anos em cinco; a nova diretoria botafoguense promete que o clube crescerá 60 anos em seis. E é com o amor que esses dirigentes têm ao clube que o Glorioso chegará novamente lá, ao topo do "Planeta Bola".
DE QUE PLANETA VEM GARRINCHA
Não se sabe ao certo o que passou pelo Botafogo no final dos anos 50 e nos 60: se um passarinho que sonhava ser jogador de futebol, ou um jogador de futebol com alma de passarinho. O certo é que os torcedores alvinegros tiveram o prazer de assistir, com a camisa do Glorioso, os maiores espetáculos que um jogador pode proporcionar em sua posição. Até o próprio Pelé admite que, fora ele, Garrincha foi o maior jogador que já viu jogar.
Nascido no vilarejo de Pau Grande, no interior do Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 1933, Manoel Francisco dos Santos (seu nome de batismo) dava a impressão que a última coisa a se esperar dele era que se tornasse jogador de futebol. Tinha a perna esquerda 6 cm. maior que a direita e, segundo se analisa hoje, justamente por isso construía sempre a mesma jogada sem que os zagueiros pudessem barrá-lo. Em seu tradicional drible para o lado direito, conseguia, devido a essa falha física, disparar centésimos de segundo à frente de seu marcador.
Assim defeituoso, tentou a sorte no Vasco, São Cristovão e Fluminense, mas sempre desistia quando via o número de pretendentes como ele.
Até que foi encaminhado a General Severiano. Em seu primeiro teste, alguém ousou dizer das arquibancadas: "As coisas estão tão ruins por aqui que até aleijado vem treinar no Botafogo". Mas foi só ele pegar a bola e tocar por entre as pernas de Nílton Santos para que fosse contratado.
Daí para frente, todos conhecem a história do craque: o show na Copa de 1958: a consagração na de 1962, substituindo Pelé que havia-se machucado, e todos demais espetáculos que ofereceu, tanto nos gramados brasileiros quanto pelo mundo. O técnico vascaíno Flávio Costa havia tentado até a famosa "fila", orientando os jogadores a permanecerem em linha para tentarem barrá-lo (daí a expressão "fazer fila"), mas parecia que nada conseguiria pará-lo, até que seus problemas físicos e as implacáveis perseguições dos adversários praticamente o inutilizam para a prática do esporte. Garrincha até tenta, mas não consegue mais o mesmo desempenho. Os dirigentes alvinegros se recusam a pagar o tratamento e ele é obrigado a mudar de clube. Vai para o Corinthians, Barranquilla da Colômbia, Flamengo e viaja à Itália para jogar em um time de açougueiros em Tor Vajanica. Na volta, tenta sorte novamente no Botafogo. Não dá mais.
Após seguidas depressões alcoólicas, Mané, a Alegria do Povo, morre em janeiro de 1983 de cirrose hepática. Em sua ficha, ao invés de Manuel Francisco dos Santos (o certo mesmo seria colocar : um dos maiores jogadores do mundo), escreveram o "anônimo Manuel da Silva". Mesmo com esse injusto fim, Mané recebe uma festa à altura de seu talento no velório que contou inclusive, com cortejo em carro aberto pelas de ruas do Rio. O Anjo das Pernas Tortas volta para o céu. Afinal, lá é lugar de passarinho.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Série Futebol nº 120 de 1995
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A MÍSTICA CAMISA 7
Mística, mágica, a camisa 7 exerce um fascínio tão intenso para os botafoguenses quanto a camisa 10 para o Santos e para a Seleção Brasileira. Não bastasse ter sido vestida por um dos maiores jogadores do futebol mundial o inesquecível e incomparável Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, de dribles desconcertantes, de gols antológicos, de jogadas que encantavam não somente os alvinegros mas tantos quantos o vissem. Este verdadeiro Charles Chaplin do futebol era um malabarista, um gênio, um fenômeno com suas pernas tortas e o talento incomum. Garrincha foi o maior de todos.
Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, o maior lateral esquerdo de todos os tempos, na primeira vez que enfrentou Garrincha, num simples treinamento, já consagrado e experiente, com o peso de duas Copas do Mundo (a de 50, realizada no Brasil, e a de 54, na Suíça), teve o dissabor de ver duas bolas passadas entre as suas pernas. Isso sem contar um sem número de dribles. Santos deixou o campo de treinamentos, em General Severiano, estupefato e convencido de que era impossível parar aquele rapaz. "Por favor, contratem logo este rapaz", - implorou Nílton Santos.
Com Garrincha, o BOTAFOGO tornou-se uma força mundial, reconhecido em todos os pontos do planeta. O Clube passou a receber convites para atuar em todos os quadrantes. Ver Garrincha em ação já significava o máximo . E quando o Brasil sagrou-se pela primeira vez Campeão Mundial, em 58, esta realidade melhorou. Afinal, no time ainda se concentravam o talentoso Didi, o "mestre da folha seca", Zagalo e Nílton Santos, todos vitoriosos na Suécia. O gênio de Garrincha - aliado a um elenco de primeira linha - levou o BOTAFOGO a três títulos no período de cinco anos. Em 57, sob o comando de João Saldanha, o alvinegro viveu seus melhores dias de Glorioso. Com uma campanha notável no decorrer do Campeonato Carioca, chegou à grande final em desvantagem. O empate favorecia o Fluminense. Nada disso abalou o BOTAFOGO, que massacrou o tricolor com uma atuação de gala. Como um rolo compressor, o BOTAFOGO não deu qualquer chance de reação para o adversário. Venceu por 6 a 2, com cinco gols do artilheiro Paulinho Valentim. Mas o dono da bola e do jogo, é claro, foi ele: Mané Garrincha, que viu outro de seus "joãos" cair aos seus pés e se curvar à sua genialidade, levando a torcida botafoguense ao delírio.
Em 61, novo título da era Garrincha. Nesta época, o BOTAFOGO já mesclava veteranos com revelações como Amarildo, "o Possesso", responsável por uma dupla infernal com Quarentinha, um dos maiores artilheiros botafoguenses. O bi Carioca, em 62, representou a chave de ouro de Mané. Pode-se dizer que ele ganhou sozinho do Flamengo, na final do campeonato. Garrincha esteve impossível. Fez dois gols e a jogada do outro, que levou Henrique, no desespero, a marcar contra. BOTAFOGO 3 a 0, na decisão. Aparentemente, um placar dilatado mas que reflete bem o que foi a superioridade. Ou melhor, que espelha com clareza o que Garrincha fez naquela tarde de domingo, no Maracanã.
Garrincha foi quem deu mais brilho à Gloriosa Estrela do BOTAFOGO. Ele tem o grande mérito, ainda, de ter mistificado a camisa 7, que tantas alegrias já dera ao BOTAFOGO. Mas, antes e depois dele, o 7 se tornou símbolo de um clube arraigado às superstições, às crendices, ao talento... O 7, para o BOTAFOGO, é o número que representa a própria alma do Clube e de todos os torcedores alvinegros. Bendito seja!
PARAGUAIO, O DESBRAVADOR
Antes de Garrincha diversos jogadores vestiram a camisa 7 alvinegra. Nenhum com a intensidade de seu brilho. Mas quando esse número se transformou no patuá botafoguense?
Quando foi que essa camisa começou a ser idolatrada e cultuada? O primeiro grande astro que vestiu o "Manto Alvinegro" de número sete foi Paraguaio, um jogador de extrema habilidade e competência. Em 1948, ele formou, juntamente com Geninho, Sílvio Pirilo, Otávio e Braguinha, um dos mais notáveis ataques da história do futebol.
Naquela temporada, o BOTAFOGO superou quase todos os adversários. Ficou com o título de forma incontestável, numa época em que a superstição se arraigou no Clube por obra do saudoso Carlito Rocha. Foi ele quem levou um vira-latas chamado Biriba para os gramados. Coube a ele a inclusão da gemada no cardápio dos jogadores antes das partidas. E este dirigente jamais deixava que as cortinas da suntuosa Sede de General Severiano permanecessem amarradas nos dias de jogos.
O time era ótimo - e venceu sem problemas o poderoso Vasco por 3 a 1, na grande final, disputada em General Severiano, resultado que até hoje os vascaínos choram. O fator primordial para a conquista do título foi a presença de Paraguaio, o primeiro talento da Camisa 7 do BOTAFOGO.
JAIRZINHO, O FURACÃO
Jair Ventura Filho, o Jairzinho, pouco vestiu a Camisa 7 do BOTAFOGO, no time principal, embora fosse essa a sua camisa, no início de sua carreira no juvenil. Na equipe profissional, jogava com a camisa 10, mas teve participação tão marcante que esteve em três Copas do Mundo. Uma das quais, a de 70, no México, inclusive sagrando-se Campeão e tornando-se o artilheiro do time, com sete gols. Jairzinho teve um prazer, o de atuar ao lado de Garrincha no Glorioso e com Mané tramar jogadas geniais. De Garrincha para Jairzinho, que seguiu os passes do mestre, levando o BOTAFOGO a conquistas memoráveis.
Que alvinegro não se lembra do bicampeonato carioca de 67/68, conquistado através do talento de jovens formados no Clube, sob o comando de Zagalo? Com este mesmo time, o BOTAFOGO conquistou o bicampeonato da Taça Guanabara. E, de quebra, ainda se tornou o único clube carioca Campeão da Taça Brasil, em 1968. Jairzinho era a estrela da companhia, que ain da contava com Paulo César Lima, Rogério, Gérson e Roberto Miranda.
O Jairzinho valente, rompedor, goleador, matador, transformou-se no Furacão da Copa de 70, símbolo da alegria, da raça, da vontade de vencer de uma geração de ouro do futebol brasileiro. Mais do que isso: símbolo da maneira de ser do nosso povo. Acima de tudo, um digno representante da estirpe botafoguense, uma elite, sem dúvida, em todos os sentidos e ocasiões. Jairzinho atuou pelo BOTAFOGO de 64 a 74, voltando a vestir a camisa gloriosa em 81.
ROGÉRIO O MALABARISTA
Depois de Garrincha, poucos jogadores tiveram a facilidade de driblar como Rogério. Rápido, habilidoso e incrivelmente perito na condução da bola, este ponta direita fazia os seus marcadores dançarem à sua ginga. Tanto que, com justiça, ganhou o apelido de Malabarista, título que carregou nas décadas de 60 e 70, em que brilhou no BOTAFOGO.
Rogério foi um dos craques do time bi-campeão estadual e bi-campeão da Taça Guanabara em 67/68. Ousado, destemido, soube manter acesa a mística da camisa 7 do BOTAFOGO. Ministro da Igreja Messianica de Copacabana, Rogério guarda com orgulho as diversas faixas de campeão que ganhou pelo BOTAFOGO, junto à camisa de campeão estadual de 89, que não ganhou em campo mas na torcida e nas vibrações.
ZEQUINHA, O CRAQUE
Feliz iniciativa do BOTAFOGO. Como fizera com Sílvio Pirilo, em 48, quase 20 anos depois, o GLORIOSO trouxe do Flamengo um dos seus principais valores. Ao trocar Zélio por Zequinha, o alvinegro fez uma jogada de mestre. Conquistou um dos mais talentosos e habilidosos pontas-direitas do final da década de 60 e início dos anos 70.
Zequinha infernizava a vida dos adversários. Com dribles. Com gols. Com uma habilidade poucas vezes vista. Craque, na concepção da palavra, só não foi justiçado na Seleção Brasileira, para a qual foi convocado apenas em 71. Afinal, para seu azar, a canarinho número 7 quem vestia era seu companheiro de muitas conquistas, Jairzinho. Só lhe restava, então, aguardar a oportunidade. Zequinha defendeu o BOTAFOGO nas décadas de 60 e 70, sempre com talento incomum.
BÚFALO GIL
Depois de Zequinha, houve um hiato na seqüência dos grandes jogadores que fizeram a mística da camisa 7 alvinegra. A história foi retomada com Gil, o ponta-direita impetuoso, valente, goleador, que defendeu o alvinegro de 77 a 80.
Gil, também conhecido como BUFALO GIL - devido a seu estilo que lembrava um animal destemido e sem medo de nada, marcou época no Clube pela raça que sempre teve quando vestiu a camisa do BOTAFOGO. Ele jamais acreditou em bola perdida, ia em todas as divididas e foi um dos principais goleadores do time nos três anos em que esteve no Glorioso. Seu nome, na realidade, entrou na galeria dos grandes da Camisa 7 que o alvinegro teve. Tanto que, com carinho, todos o receberam como treina dor da equipe, em 92, ano em que o BOTAFOGO chegou à final do Campeonato Brasileiro, sob seu comando. Gil foi titular da Seleção Brasileira, na maioria dos jogos, da Copa de 78, na Argentina, onde o Brasil fez uma campanha invicta.
MAURÍCIO, O GRANDE HERÓI
21 de junho de 1989. Aos 12 minutos do segundo tempo, Maurício Anastácio inscreveu, definitivamente, seu nome na galeria dos notáveis jogadores que construíram a história da Camisa 7 do BOTAFOGO: marcou o gol da vitória de 1 a 0 sobre o Flamengo , o que garantiu o título de Campeão Estadual. Um título sofrido, conseguido à base de muita garra e amor, como o botafoguense gosta. Assim, Maurício integra a história deste clube com a marca de vencedor.
Maurício jamais conseguiu brilhar tanto em um clube quanto no BOTAFOGO. A Camisa 7 do BOTAFOGO parecia ter sido desenhada sob medida para ele. Destaque na campanha vitoriosa de 89, tornou-se um dos goleadores do time .
O sucesso de Maurício se confundiu com o do próprio BOTAFOGO. À medida que ele ascendia tecnicamente, a equipe acompanhava. Nos seus gols, nos dribles, na ginga e nas arrancadas, a equipe foi construindo a grande conquista. Assim, o BOTAFOGO chegou ao título estadual e Maurício à Seleção Brasileira .
TÚLIO MARAVILHA
Túlio transformou-se em Maravilha, graças aos gols que o levaram a ser artilheiro dos Campeonatos Estadual e Brasileiro, em 94. Acamado pela torcida, pela imprensa e por treinadores, rapidamente se tornou o maior ídolo alvinegro. Campeão em marketing e em poder de fogo fez com que as promessas se fizessem gols em questão de horas, de jogos...
Túlio é um profissional aplicado, chefe de família exemplar e, por isso, foi escolhido o garoto propaganda do patrocinador do Clube.
Uma das grandes promessas do futebol mundial, provavelmente envergará a camisa da Seleção Brasileira na França, em 1998. Possuidor de um forte carisma, Túlio é um ídolo de todas as gerações de botafoguenses, conquistando, inclusive, a simpatia de torcedores adversários. Exerce um fascínio especial sobre as crianças, contribuindo decisivamente para o aumento da torcida alvinegra.
Atual artilheiro do Campeonato Estadual, Túlio vem disputando os amistosos da equipe de Zagalo, destacando-se com a sua marca registrada, os gols.
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 247 de 1995
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BOTAFOGO 1 X 0 FLAMENGO
Por Luiz Felipe Carneiro de Miranda

Na tarde de domingo, 3 de junho de 1979, o Flamengo estava com a festa preparada para comemorar o recorde brasileiro de invencibilidade - 53 jogos - dessa forma suplantando o seu adversário daquele dia, o BOTAFOGO, que também detinha o recorde de 52 partidas sem perder.
Entretanto, as medalhas alusivas ao feito tiveram que ser escondidas, pois a festa rubro-negra acabou cedo, com apenas 9 minutos de jogo, quando Renato Sá acertou um chute de esquerda e o goleiro Cantarele não conseguiu defender.
A expectativa diante da partida válida pelo Campeonato Estadual de 1979, preencheu o noticiário da imprensa esportiva durante toda a semana do clássico.
Um público pagante de 139.098 pessoas foi ao Maracanã para conferir. Somente a vitória do GLORIOSO impediria que o seu tradicional adversário obtivesse a quebra do recorde.
O BOTAFOGO atuou com Borrachinha, Perivaldo, Nílson, Renê e China, Russo (Romero), Mendonça e Renato Sá, Gil, Marcelo e Ziza (Chiquinho). E o Flamengo com Cantarele, Toninho, Rondinelli, Manguito e Júnior; Carpeggiani, Adílio (Luisinho) e Zico; Reinaldo, Claudio Adão e Julio Cesar (Carlos Henrique).
A partida foi dominada, do primeiro ao último minuto, pelo nervosismo e pela emoção, havendo dois lances fundamentais para o resultado, cada um no início de um tempo: o gol de Renato Sá, completando um lençol muito bem executado sobre o lateral Toninho, dentro da área; e uma defesa extraordinária de Borrachinha, mandando a corner um chute certeiro de Zico, logo no primeiro ataque do Flamengo no segundo tempo.
Nos primeiros minutos de jogo, foi decisiva a presença de Renato Sá, ponta esquerda gaúcho, que soube posicionar se muito bem, podendo pegar a bola sempre desmarcado e em condições de organizar o contra-ataque, tornando-se efetivamente o melhor jogador em campo. Após o gol alvinegro, aos 9 minutos, o panorama da peleja continuou o mesmo. O Flamengo retinha mais a bola, mas quem aparecia na área com perigo eram os atacantes do BOTAFOGO. Marcelo e, depois, Mendonça, perderam dois gols dentro da pequena área: no primeiro, Cantarele salvou a corner e no outro, já batido, viu a bola passar caprichosamente rente a trave.
A partir dos 30 minutos de jogo, o Flamengo começou a crescer em campo e o goleiro Borrachinha passou a viver o seu período de estrela da partida. Adílio cruzou para Claudio Adão, mas Borrachinha cortou com uma ponte na pequena área. No fim do primeiro tempo, num chute à queima-roupa de Claudio Adão, nosso arqueiro mandou a bola sensacionalmente a comer.
Na segunda etapa da partida, depois de chute de Zico que Borrachinha salvou, alguns jogadores rubro-negros se desesperaram. As poucas oportunidades que o Flamengo conseguiu criar devem-se ao espírito de luta da equipe, que via a possibilidade de alcançar o tão desejado recorde tornar-se impossível.
Aos 29 minutos, houve uma falta de Perivaldo, que deu um tapa na bola. Como já havia recebido cartão amarelo, foi expulso, deixando sua equipe reduzida a apenas dez jogadores. .
Nos últimos minutos, quando o Flamengo apertou o cerco, em desespero, surgiu novamente a figura de Borrachinha, com duas difíceis defesas.
Quando o árbitro José Roberto Wright deu o apito final e o placar eletrônico do Maracanã apontava a espetacular e dramática vitória de 1x0 do BOTAFOGO sobre o Flamengo, a torcida botafoguense já encontrava-se em delírio, comemorando a grande vitória de sua equipe, que lutou contra tudo, principalmente contra as contusões de véspera e a obrigatoriedade de ganhar o jogo.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 247 de 1995
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BOTAFOGO BRILHA NOS CAMPOS DO BRASIL
A estréia do BOTAFOGO no Campeonato Brasileiro deste ano foi no dia 19 de agosto, contra o Vitória, no Estádio Manoel Barradas, o Barradão, em Salvador. O empate em 2 a 2 acabou sendo injusto para o que a equipe do técnico Paulo Autuori apresentou. O BOTAFOGO chegou a fazer 2 a 0 no primeiro tempo. Túlio Maravilha fez um golaço.
O BOTAFOGO começou melhor e saiu na frente, com gol do apoiador Jamir, aos 20 minutos, num chute longo, da intermediária. O goleiro Nilson falhou. Três minutos depois, um golaço, coroando uma jogada espetacular. Beto lançou Iranildo, que com um leve toque deixou Túlio livre. O artilheiro driblou o goleiro Nilson, esperou a chegada do zagueiro Flávio, também aplicou-lhe um drible e chutou para marcar.
No segundo tempo, porém, o Vitória voltou pressionando e teve um pênalti a seu favor. Wagner, porém, fez grande defesa. Só não teve como impedir os gols de Nei, aos 16, e Marcelo Alves, contra, aos 34.
O BOTAFOGO jogou com Wagner; Wilson Mineiro (Cláudio), Wilson Gotardo, Gonçalves e André Silva; Jamir, Moisés, Beto (Dauri) e Sérgio Manoel (Marcelo Alves); Iranildo e Túlio.
A 23 de agosto, o BOTAFOGO esteve perfeito na vitória de 3 a 1 sobre o Paysandu, no Estádio Caio Martins, em Niterói. Túlio Maravilha barbarizou. Fez todos os gols do GLORIOSO, aos 40 segundos, 34 e 37 minutos, sempre no segundo tempo. Donizete, o Pantera Negra, teve estréia avassaladora, com dribles, muito talento e velocidade impressionante. Nem parecia que estava há quase dois meses parado.
O BOTAFOGO jogou com Wagner; Eliomar, Wilson Gotardo, Gonçalves e André Silva; Jamir, Moisés (Iranildo), Beto e Sérgio Manoel; Donizete (Marcelo Alves) e Túlio.
Dia 26 de agosto, o BOTAFOGO não tomou conhecimento do Guarani de Campinas, derrotando-o-por 3 a 1, no Estádio Caio Martins, em Niterói.
O ataque Maravilha funcionou perfeitamente. Túlio fez um gol, de pênalti, e Donizete, o Pantera Negra, dois, na vitória de virada por 3 a 1 sobre o Guarani.
O BOTAFOGO começou perdendo, com gol de Fernando Diniz, aos 2 minutos de jogo. No finalzinho do primeiro tempo, o improvisado - e com ótima atuação - lateral-esquerdo Sérgio Manoel sofreu pênalti que Túlio Maravilha bateu com categoria, aos 46 minutos, empatando o jogo. No segundo tempo, atuando com mais garra e brilhantismo, o GLORIOSO garantiu a vitória com gols de Donizete aos 20 e 41 minutos.
O BOTAFOGO jogou com Wagner; Wilson Goiano (Marcelo Alves), Wilson Gotardo, Gonçalves (Eliomar) e Sérgio Manoel; Jamir, Moisés, Beto e Iranildo; Donizete (Dauri) e Túlio Maravilha.
A 30 de agosto, o BOTAFOGO teve a primeira derrota no Campeonato Brasileiro. No Estádio Marcelo Stefani, em Bragança Paulista, perdeu de 1 a 0 para o Bragantino, com esta formação: Wagner; Wilson Goiano, Wilson Gotardo, Gonçalves e André Silva; Jamir, Moisés (Marcelo Alves), Beto e Iranildo; Donizete e Túlio.
Timão foi o BOTAFOGO, que não tomou conhecimento do campeão paulista e da Copa do Brasil, Corinthians. Venceu de 2 a 1, de virada, com atuação brilhante. A estréia do meio-campo Leandro não poderia ser melhor. Ele foi ovacionado pela torcida que compareceu ao Estádio Caio Martins, em Niterói. Iranildo e Túlio Maravilha foram os autores dos gols do GLORIOSO.
No Dia da Independência, o BOTAFOGO não teve sorte. Dominou inteiramente a partida mas acabou perdendo de 2 a 1 para o Palmeiras, no Estádio Prudentão, em Presidente Prudente. Sérgio Manoel, de cabeça, fez o gol do alvinegro, que atuou com Wagner; Eliomar, Wilson Gotardo, Gonçalves e André Silva (Narcísio); Jamir, Leandro, Beto e Sérgio Manoel; Donizete e Túlio.
A 16 de setembro, Túlio teve outro dia de Maravilha. Com atuação destacadíssima e a pontaria afiadíssima, o artilheiro do Campeonato Brasileiro detonou o Grêmio, em pleno Estádio Olímpico, marcando dois gols na vitória de 3 a 2. Narcisio fez o outro, descontando Paulo Nunes e Jardel para o campeão da Taça Libertadores da América. Em Porto Alegre, o BOTAFOGO reviveu seus dias de gala. Túlio fez 2 a 0 para o BOTAFOGO logo no primeiro tempo, com gols aos 10 e 25 minutos. O Grêmio ainda esboçou reação na segunda etapa, com Paulo Nunes, aos 25 minutos, mas o Fogão estava demais. Narcísio, que substituiu o veloz e habilidoso Donizete, fez 3 a 1 para o Glorioso, aos 47 minutos e Jardel deu número finais ao jogo aos 48.
O BOTAFOGO jogou com Wagner, Wilson Goiano, Wilson Gotardo, Gonçalves e André Silva; Leandro, Jamir, Beto (Marcelo Alves) e Sérgio Manoel; Donizete (Narcísio) e Túlio.
A chuva acabou se transformando na grande vilã do BOTAFOGO no empate 0 a 0 com o Juventude, dia 20 de setembro. Com o gramado do Estádio Caio Martins encharcado, foi difícil para o time do técnico Paulo Autuori colocar em prática o toque de bola refinado. Mesmo assim, o alvinegro desperdiçou uma série de oportunidades. O BOTAFOGO jogou com Wagner, Wilson Goiano, Grotto, Gonçalves e André Silva; Leandro, Jamir (Iranildo), Beto (Narcísio) e Sérgio Manoel; Donizete e Túlio.
Foi de lavar a alma de todos os botafoguenses. A vitória de 3 a 1 sobre o Flamengo acabou sendo modesta para o excelente futebol que o BOTAFOGO apresentou no Estádio Castelão, em Fortaleza. O técnico Paulo Autuori deu uma aula tática em Washington Rodrigues. Sua equipe não deixou o time rubro-negro andar, sobretudo nos primeiros 26 minutos. Não fosse as defesas do goleiro Paulo César e o FOGÃO teria mais um dia de glória, de goleada. Túlio, Gonçalves e Marcelo Alves marcaram para o BOTAFOGO. A partida aconteceu dia 24 de setembro e o BOTAFOGO jogou com Wagner; Wilson Goiano, Wilson Gotardo, Gonçalves e André Silva; Leandro (Marcelo Alves), Jamir, Beto (Márcio Theodoro) e Sérgio Manoel; Donizete (Narcísio) e Túlio Maravilha.
OS CONTRATADOS PARA O BRASILEIRO
A Diretoria do BOTAFOGO fez grande esforço e investiu firme na formação de um elenco de primeira linha. Além de manter o artilheiro Túlio Maravilha e os selecionáveis Beto e Sérgio Manoel, prorrogou o empréstimo de Narcisio e trouxe de volta o zagueiro Wilson Gotardo. Além disso, contratou dez jogadores. Os reforços vieram das mais variados Estados e até do exterior. Repatriou, do México, o zagueiro Gonçalves e o atacante Donizete, o Pantera Negra. Eis as novas feras do FOGÃO:
1. Donizete - Após cinco anos volta ao BOTAFOGO, pelo qual foi campeão estadual, em 90. Pertence à Universidade Autônoma de Guadalajara, México. Seu empréstimo de um ano custou ao BOTAFOGO 300 mil dólares. O passe do melhor jogador do Campeonato Mexicano da temporada 93/ 94 está estipulado em 2 milhões de dólares. 2. Gonçalves - Outro campeão estadual de 90. Também veio por empréstimo - o BOTAFOGO pagou 200 mil dólares pela cessão do zagueiro - da Universidade Autônoma de Guadalajara, O passe é bem mais barato e deve ser comprado. Faz boa zaga com Wilson Gotardo. 3. Leandro - O meio-campo da seleção Brasileira chega para fortalecer o BOTAFOGO, sobretudo em termos de marcação. Ele foi trocado, por empréstimo até dezembro, pelo meio-campo Nelson e o lateral-esquerdo Jeferson, que foram para o Vasco. Seu passe está estipulado em R$ 1,2 milhão. 4. Iranildo - Jogador habilidoso, tem apenas 18 anos. Pertence ao Madureira, que o emprestou ao BOTAFOGO até dezembro. Está com o passe estipulado em 1,5 milhão de dólares. O presidente Carlos Augusto Montenegro já admitiu que deve contratá-lo em definitivo. 5. Wilson Goiano - Estava emprestado e a diretoria do BOTAFOGO resolveu comprar seu passe por R$ 300 mil ao Goiás. O seu forte são os cruzamentos e as "assistências" para o artilheiro Túlio Maravilha, amigo de longa data, quando eles ainda defendiam o Goiás 6. Wilson Mineiro - Pertence ao Democrata de Governador Valadares, vice-campeão mineiro e time revelação da competição. Aos 21 anos, é considerado um dos melhores laterais de Minas Gerais e de toda a Região Sudeste. Está emprestado até dezembro. 7. Marcelo Alves - Outra revelação do futebol mineiro. Pertence ao Democrata de Governador Valadares e fica emprestado ao BOTAFOGO até dezembro. Meio campo habilidoso, tem boas possibilidades de se destacar neste Campeonato Brasileiro. 8. Dauri - Outro meio de campo de talento. Começou no Criciúma - onde foi artilheiro e atualmente pertence ao Joinville, também de Santa Catarina. Está emprestado ao BOTAFOGO até dezembro, ou seja, até o término do Campeonato Brasileiro. 9. Nick - Meio-campo de 22 anos, foi titular da seleção de juniores do Uruguai. Jogador de forte marcação e de muita raça, já está sendo elogiado pelo técnico Paulo Autuori e pelos próprios companheiros de elenco. 10. Cláudio - Mais um meio-campo de característica defensiva. Marca bem. Defendeu o Fluminense, pelo qual disputou o Campeonato Estadual de 94. Já atuou neste Brasileiro improvisado na lateral-direita. Está emprestado até dezembro
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A NOVA COMISSÃO TÉCNICA
A brilhante participação do BOTAFOGO no Campeonato Estadual foi insuficiente para a manutenção da Comissão Técnica. Perfeccionista e sempre querendo títulos, a Diretoria alvinegra resolveu mudar radicalmente. Trocou quase todos os profissionais e montou uma equipe com a mesma competência profissional, tendo à frente o técnico Paulo Autuori, que durante nove anos trabalhou, com sucesso, no futebol português.
Poucos sabem, mas o carioca Paulo Autuori está intimamente ligado ao BOTAFOGO. Ele foi preparador físico dos juniores do Clube na década de 80, antes de seguir para as aventuras no futebol português. Até então desconhecido, em menos de um ano já tinha o valor reconhecido em terras lusitanas.
Em nove anos trabalhando em Portugal, passou a ser bem respeitado. Autuori levou o Marítimo e o União, ambos da Ilha da Madeira, e o Vitória de Guimarães à Copa da UEFA, uma das mais importantes e perseguidas competições da Europa. Por isso, tirar este treinador do velho continente não foi tarefa das mais fáceis para os dirigentes do BOTAFOGO. Foi preciso boa dose de persistência e a própria vontade de Paulo Autuori de voltar a trabalhar no Brasil, a primeira vez como treinador.
O tranquilo e competente Paulo Autuori, com a voz pausada, mantém um diálogo constante e troca de informações com seus auxiliares de Comissão Técnica. Seu estilo sóbrio e compenetrado, uma marca registraria deste treinador, pouco conhecido no Brasil mas de enorme cartaz em Portugal, transformou a rotina no BOTAFOGO.
Como auxiliar técnico, Autuori trouxe para o BOTAFOGO um ex-jogador de talento: René Weber, aquele mesmo que defendeu o Fluminense e pelo qual sagrou-se tricampeão estadual em 83, 84 e 85. René foi treinado por Paulo Autuori no Vitória de Guimarães. Agora, será o "braço direito de Autuori". Depois de rápida experiência como técnico do Arraial, de Arraial do Cabo, na Série B do futebol do Rio de Janeiro.
A preparação física está a cargo de Ronaldo Torres, zagueiro do próprio BOTAFOGO nas décadas de 70 e 80, ele é formado não apenas em Educação Física mas também em Fisiologia. Atualmente, está fazendo Pós-Graduação em Técnica de Futebol e cursando a Faculdade de Fisioterapia. Ronaldo desde janeiro do ano passado faz parte da Comissão Técnica da equipe profissional do GLORIOSO. Antes, era auxiliar técnico e de preparação física, respeitado por todos os jogadores, transformou-se numa espécie de conselheiro da maior parte deles.
O auxiliar de preparação física tem experiência em clubes brasileiros e até no exterior, onde trabalhou na Arábia Saudita. Marcelo Chirol tem sobrenome de competência profissional e capacidade incontestável. Ele foi o responsável pela preparação física dos profissionais do Fluminense no Estadual de 94. Outro auxiliar de Paulo Autuori é Neném, ex-zagueiro do Campo Grande e do Fluminense, nos anos 70 e 80.
A frente desta Comissão Técnica, um profissional competente e com raízes no BOTAFOGO: Admildo Chirol, tricampeão mundial, no México, em 1970, Chirol é supervisor técnico. Além destes profissionais, o BOTAFOGO tem outros de gabarito reconhecido dentro e fora do Clube. O chefe do Departamento Médico é o Dr. Lídio Toledo, ortopedista renomado, desde 1970 na Seleção Brasileira, com a qual no ano passado chegou ao Tetracampeonato Mundial, nos Estados Unidos. Ele está no Clube desde 1959, quando ainda era acadêmico. O Departamento Médico ainda tem o Dr. Joaquim da Mata, também da Seleção Brasileira. Trata-se de um dos mais competentes clínicos do Brasil, Os massagistas são os experientes Paulo César, o PC, Paulão e João Batista. Os roupeiros, Luíz Gonzaga, o Gonzaguinha, e Valmir.
Perfil
RONALDO TORRES
O Brasil ainda vibrava com o tricampeonato mundial, no México, quando aquele menino magro, cabelo encaracolado e bom de bola chegou à suntuosa sede de General Severiano. Com apenas 10 anos, Ronaldo se transformava em mais uma das feras da famosa escolinha do Neca, o grande descobridor de talentos do BOTAFOGO das décadas de 60 e 70. Desde então, Ronaldo se dedica ao Clube que ama e onde teve muitos momentos de glória. Por isso, com Ronaldo Torres como preparador físico da equipe profissional, há muita esperança que o time alvinegro "voe" no Campeonato Brasileiro. Pelo desempenho do BOTAFOGO nas primeiras rodadas da competição, já é possível fazer uma projeção bem positiva do rendimento da equipe no Brasileiro. O time se apresentou bem forte no aspecto físico e com grande resistência. Nada de se admirar. Ronaldo Torres é formado em Educação Física desde 91 na Universo (Universidade Salgado de Oliveira), concluiu a faculdade de fisiologia, fez pós-graduação de Treinamento Esportivo e o curso de biociência no esporte. Além disso, atualmente está cursando fisioterapia.
Pode até parecer mentira, mas Ronaldo Torres está trabalhando no GLORIOSO desde 7° de abril de 1986. Foi neste dia que ele assumiu a preparação física da equipe de juniores, que chegou à terceira colocação da Taça São Paulo. No ano seguinte, já era promovido para a Comissão Técnica dos profissionais, como auxiliar técnico e de preparação física. Desde então, desempenhou uma série de funções e teve até sucesso como técnico interino no clássico com o Vasco, no primeiro turno do Campeonato Estadual deste ano. Apesar do empate em 1)(1 (gois de Clóvis e Túlio Maravilha), o BOTAFOGO dominou inteiramente a partida, dando um verdadeiro "chocolate" no tradicional rival.
Ronaldo Torres, 36 anos, nasceu em Niterói e foi se consagrar em Botafogo e no BOTAFOGO. Aos 10 anos começou na famosa escolinha do Neca. Passou por todas as categorias, até ser profissionalizado por indicação de Zagalo, atual técnico da Seleção Brasileira e único tetracampeão mundial. "Eis um amigo e o treinador responsável pelos melhores momentos de minha carreira - ressalta Ronaldo. - Devo muito a ele. Trata-se do melhor treinador brasileiro, indubitavelmente."
Além de ter aprovado a promoção de Ronaldo, Zagalo o indicou ao Flamengo e aprovou a volta ao BOTAFOGO, na década de 80, após ter defendido, além do rubro-negro, o Americano de Campos e o Comercial de Ribeirão Preto. Mas as glórias de Ronaldo Torres não se limitam à associação a Zagalo.
Ele foi um dos destaque da equipe campeã estadual de juniores, em 77. Sob o comando de Joel Martins, o BOTAFOGO teve campanha brilhante e conquistou o título com esta escalação: Marquinhos; Beto, TIão (que anos mais tarde trabalhou como preparador físico do BOTAFOGO), Ronaldo e Sérgio Moura; Wescley, Índio e Ademir Lobo; Campos, Silva e Clóvis.
Destaque
IRANILDO: UM NOVO ASTRO ALVINEGRO
Eis uma bem sucedida investida do BOTAFOGO. Valeu acreditar no talento de um rapaz franzino, mas de futebol de gente grande. Iranildo Herminio Ferreira, um pernambucano do Recife, de 18 anos, foi uma bola dentro, da Diretoria do BOTAFOGO. O Presidente Carlos Augusto Montenegro, o Vice de Futebol, Antonio Rodrigues, e o Diretor de Futebol Edson Santana tiveram tirocínio e rapidez para trazer do Madureira uma das maiores promessas do futebol brasileiro.
O Dr. Joaquim da Mata foi quem mais contribuiu para o fortalecimento muscular e a melhor condição orgânica de Iranildo. O menino-sensação - como está sendo chamado no Caio Martins - recebeu tratamento VIP e vitaminas de todas as origens. O trabalho de super alimentação levou o habilidoso meio-campo a engordar oito quilos (de 54 para 62) no período de apenas três meses e meio, sem perder a agilidade nem o talento pouco comum até mesmo no futebol tetracampeão mundial, como o brasileiro.
Valeu apostar no futebol do jogador do Madureira - que o emprestou até dezembro, com o preço estipulado em R$ 1,5 milhão. Bastaram alguns treinos e a entrada em dois jogos para o jovem jogador se tornar unanimidade. Agora, dez entre dez torcedores do BOTAFOGO tem palavras de elogio para Iranildo. A unanimidade na confiança de grande futuro para o meio esquerda.
O senso comum em relação a lranildo se traduziu também na Comissão Técnica. Até o técnico Paulo Autuori se rendeu ao talento do novo xodó da torcida alvinegra. Acertada opção. O meio-campo encantou e comprovou que futebol tem de sobra, Com ele no time, o BOTAFOGO tornou-se mais rápido na saída de bola, perigoso nos contra-ataques, eficiente na assistência ao veloz Donizete e ao matador Túlio Maravilha. De quebra, Iranildo (de 1,75 cm) ainda se dá ao luxo de ser bom finalizador. Ronaldo, goleiro do Corinthians, sentiu na pele o drama. Bastaram 45 minutos para Iranildo infernizar a defesa campeã paulista, com dribles, deslocamentos e um chorado, mas belo gol.
Tanto talento fez o bem mais famoso Sérgio Manoel parar na lateral-esquerda. Só para Iranildo poder jogar e brilhar como toda estrela que se preze. “Devemos comprá-lo em dezembro - rende-se o Presidente Carlos Augusto Montenegro, outro dos fãs do futebol de Iranildo.”
O ELENCO PARA O BRASILEIRO DE 95
Alex - Goleiro
André Silva - Meio-campo
Big - Atacante
Guto - Lateral-esquerdo
Duda - Meio-campo
Cláudio - Cabeça-de-área
Grotto - Zagueiro
Dauri - Meio-campo
Eliomar - Lateral-direito
Batata - Atacante
Narcízio Atacante
Nick - Meio-campo
Iranildo - Meio-campo
Jamir - Meio-campo
Beto - Meio-campo
Julinho - Meio-campo
Leandro - Cabeça-de-área
Marcelo Alves- Meio-campo
Marcelo - Zagueiro
Moisés - Cabeça-de-área
Donizete - Atacante
Wagner - Goleiro
Sérgio Manoel - Meio-campo
Túlio - Atacante
Gottardo - Zagueiro
Wilson Mineiro - Lateral-direito
Wilson Goiano - Lateral-direito
Acervo particular Angelo Antonio eraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 248 de 1995
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O título brasileiro de 95 começou a ser conquistado aí. O clube contratou jogadores desconhecidos, praticamente recomeçando da estaca zero. Chegaram Sinval, Eliel, Eraldo, Perivaldo, Aléssio e o folclórico goleiro colombiano Eduardo Nino. Mas foi com esses jogadores e com Carlos Alberto Torres como treinador que o clube conquistou o primeiro título internacional oficial de sua história: a Copa Conmebol. A campanha foi heróica, com vitórias consecutivas sobre Bragantino, Caracas (Venezuela) e Atlético MG na fase semifinal. Depois de perder por 3 a 1 no Mineirão, o time precisava de três gols no Caio Martins. E conseguiu: 3 a 0, gols de Rogério, Sinval e Eliel, quase no fim do jogo.
A decisão contra o Penarol foi dramática. Em Montevidéu, Rogério foi expulso e o time conseguiu empatar em 1 a 1 (gol de Perivaldo), muito pelas defesas fantásticas do goleiro William. A torcida, que estava longe dos estádios, voltou a lotar o Maracanã para a partida de volta. Se faltava talento, não faltava garra a William, Perivaldo, André, Cláudio e Clei; Nélson e Suélio; Aléssio, Marcelo, Sinval e Bel. Carlos Alberto Torres botou o time para a frente, num ousado 4-2-4. Os uruguaios fizeram 1 a 0, mas em duas cobranças de falta, de Eliel e Sinval, o Botafogo estava na frente. O Maracanã, em festa, esperava o fim do jogo. Mas Otero empatou nos acréscimos.
A torcida não acreditava no empate. Nos pênaltis, tudo poderia acontecer. Até o artilheiro Sinval perder a primeira cobrança. Entrou em cena, porém, uma figura decisiva. William defendeu duas cobranças e garantiu a Taça, erguida no centro do campo pelo capitão Nélson. A torcida saiu às ruas para comemorar e o fez por toda a madrugada de quinta-feira.
Fonte: Revista Lance série grandes clubes edição especial 1999
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Botafogo FR Campeão da Taça Cidade Maravilhosa de 1996
Botafogo FR Bicampeão Municipal de 1951/1996O Botafogo se sagrou bicampeão muncipal de 1951/1996. A competição em 1996 ganhou o nome de Taça Cidade Maravilhosa.
O Botafogo conquistara o último Campeonato Municipal em 1951. Quarenta e cinco anos depois, o Botafogo defendeu seu título e sagrou-se bicampeão invicto.
O time-base era formado por Wagner (Carlão), Perivaldo (Silas), Wilson Gottardo,Gonçalves e Jefferson; Jamir, Uidemar, Moisés e Dauri; Bentinho (Paulo Roberto Prestes) e Túlio Maravilha. Técnico: Marinho Peres.
A foto é de Botafogo 3-0 Madureira.
A Campanha
3-1 America - n
2-0 Fluminense - n
2-0 Olaria - c
3-0 Madureira - n
5-3 Vasco da Gama - n
4-0 Bangu – n
2-2 Flamengo - n
Classificação
1º Botafogo - 19 - Campeão.
2º Madureira - 14
3º Flamengo - 13
4º Vasco da Gama - 11
5º Fluminense - 8
6º Bangu - 7
7º America - 2
8º Olaria – 2
Fonte: https://esporterio.blogspot.com
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Botafogo FR Campeão da Copa Nippon Ham de 1996
A competição foi um amistoso em Osaka (Japão), envolvendo o Cerezo Osaka (Japão) e o Botafogo.
O time campeão: Wagner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Grotto e Jefferson; Souza, Otacílio, Marcelo Alves (França) e Bentinho; Sorato (Zé Carlos) e Túlio Maravilha. Técnico: Ricardo Barreto.
Copa Nippon Ham de 1996
27/07/1996
(Japão) Cerezo Osaka 1-3 ** Botafogo
Fonte: https://esporterio.blogspot.com
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Botafogo FR Campeão do Torneio Teresa Herrera de 1996
Dezenove anos depois do título do Fluminense, foi a vez do Botafogo conquistar o título oferecido pela cidade espanhola de La Coruña (ou A Coruña em galhego).
O fato inusitado da decisão foi que após um sorteio, o Botafogo teve que jogar com a camisa do La Coruña (artigo de jornal) para não confundir com a camisa do também alvinegro Juventus. Nenhum dos dois times tinha uniformes reservas e o Botafogo perdeu o sorteio.
A final foi um jogão de bola.
O time-base do Botafogo era composto por Wagner; W. Goiano, Gottardo, Grotto, Jefferson, Souza, Otalicio, M. Alves (M. Aurelio), França (Ze Carlos), Tulio, Zorato (Mauricinho).
Os Participantes: Brasil: Botafogo; Espanha: La Coruña; Itália: Juventus; Países-Baixos: Ajax.
1ª Fase
08/08/1996
(Itália) Juventus * 6-0 Ajax (Países-Baixos)
09/08/1996
(Espanha) La Coruña 1-2 * Botafogo (Brasil)
Final 3º e 4º
10/08/1996
(Espanha) La Coruña * 2-0 Ajax (Países-Baixos)
Final
10/08/1996
(Brasil) Botafogo ** 2-2 Juventus (Itália) (2-2) (3-0)
Fonte: https://esporterio.blogspot.com
-.-.-.-.-.-.-.-Botafogo FR Campeão da Copa Internacional Presidente de Alania 1996
O Botafogo se sagrou campeão da Copa Internacional Presidente de Alania de 1996, que no Brasil também ficou conhecida como "Copa Presidente da Rússia".
A competição foi organizada pelo Alania, time da russo da cidade de Vladikavkaz.
O time-base campeão: Wagner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Grotto e Souza; Jefferson, Túlio Maravilha, Otacílio e Sorato; Marcelo Alves e Bentinho.
Os Participantes: Brasil: Botafogo; Espanha: Valencia; França: Auxerre; Rússia: Alania Vladikavkaz.
1ª Fase
03/08/1996
(Rússia) Alania Vladikavkaz 2-3 * Valencia (Espanha)
(França) Auxerre 1-3 * Botafogo
Final 3º e 4º
04/08/1996
(Rússia) Alania Vladikavkaz 1-1 * Auxerre (0-0) (2-4)
Final
04/08/1996
Botafogo ** 1-1 Valencia (Espanha) (0-0) (5-4)
Fonte: https://esporterio.blogspot.com
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Botafogo FR Campeão da Copa Rio-Brasília de 1996
O time-base campeão: Carlão; Wilson Goiano, Alemão, Jefferson e André Silva; Souza, Otacílio, Marcelo Alves e Bentinho; Mauricinho e Túlio Maravilha. Técnico: Ricardo Barreto.
Os Participantes
DF: Sobradinho.
RJ: Botafogo e Vasco da Gama.
1ª Rodada
12/07/1996
(DF) Sobradinho 1-1 Botafogo
2ª Rodada
14/07/1996
Botafogo 2-0 Vasco da Gama
3ª Rodada
16/07/1996
(DF) Sobradinho - Vasco da Gama (jogo cancelado)
Classificação
1º Botafogo - 4 - Campeão.
2º Sobradinho - 1
3º Vasco da Gama – 0
Fonte: https://esporterio.blogspot.com
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Time joga com a camisa do La Coruña e ganha o torneio pela primeira vez
Num jogo dramático o Botafogo conquistou pela primeira vez o Troféu Teresa Herrera, derrotando o Juventus, da Itália, por 3 a 0 nos pênaltis (o jogo terminou 4 a 4 no tempo normal e na prorrogação). O dado curioso da partida foi o fato de o Botafogo ter jogado com a camisa do La Coruña, para não haver confusão entre os jogadores dos dois times, já que o Juventus usava uniforme de listras alvinegras e não aceitou vestir a camisa do time espanhol. Apesar da conquista, o Botafogo não jogou bem, principalmente no primeiro tempo, quando Túlio e Sorato não pegaram na bola. Desde os primeiros minutos, a equipe se mostrava confusa. Sem Bentinho, que se contundiu no jogo contra o La Coruña, o time não conseguia fazer uma jogada de ataque, sequer. A superioridade do time italiano foi logo revertida em gol: aos 23 minutos, o centroavante Vieri, de cabeça, fez 1 a 0. No segundo tempo, o Botafogo voltou melhor. O meio de campo começou a acertar e, aos cinco minutos, Túlio, impedido, encobriu o goleiro Peruzzi e empatou a partida. Mas aos 30 minutos a defesa voltou a errar, permitindo ao Juventus fazer tabela dentro da área. Amoruso, livre, marcou. Parecia que o jogo estava decidido. Mas, um minuto e meio depois, o apoiador França aproveitou um rebote e, de fora da área, empatou novamente. Depois do gol, houve uma briga e o árbitro expulsou Otacílio e Torriccelli. Com o empate no tempo regulamentar, a partida foi para a prorrogação. Novamente, o Juventus abriu vantagem, com Amoruso, aos 2 minutos, e o Botafogo respondeu, com um gol contra de Ferrara, aos 12. Houve reclamação e Montero acabou sendo expulso.
No segundo tempo, o Botafogo levou o quarto gol, novamente Amoruso, aos 12 minutos. Só que, mais uma vez, o time brasileiro empatou: Túlio, de pênalti, aos 15. Nos pênaltis, brilhou a estrela do goleiro Vagner. Depois de Jefferson perder a primeira cobrança, ele defendeu dois pênaltis do Juventus (Amoruso e Di Livio) e ainda observou Jugovic chutar para fora. Wilson Goiano, Gottardo e Souza fizeram os gols. Para receber o troféu, o Botafogo vestiu sua camisa alvinegra. Nada mais justo. Botafogo: Vagner; Wílson Goiano, Gottardo, Grotto e Jefferson; Souza, Otacílio, Marcelo Alves (Marco Aurélio) e França (Zé Carlos); Sorato (Mauricinho) e Túlio. Juventus: Peruzzi, Ferrara, Torriccelli, Monteiro e Porrini; Jugovic, Deschamps (Ametrano), Del Piero e Padovano; Vieri (Amoruso) e Di Livio.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Jornal O Globo de 11 de agosto de 1996
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BOTAFOGO Campeão Brasileiro!
O sonho se tornou realidade. Pela segunda vez em sua gloriosa trajetória através da história, o clube alvinegro alcança o posto mais alto em termos de campeonatos nacionais. Desde a Taça Brasil de 1968 (cuja final foi realizada em outubro de 1969), não sentíamos o gostinho de sermos, de fato e de direito, os melhores do país. Mas para chegarmos a tanto, passamos por momentos difíceis, tanto antes, quanto durante a campanha. Uma campanha que será aqui relembrada em preto-e-branco, não obstante todo o colorido e felicidade que contém. Salve o BOTAFOGO, legítimo campeão e, indiscutivelmente, o melhor time do Brasil.
1º TURNO
Após o grande triunfo, em Fortaleza, contra o Flamengo, o BOTAFOGO necessitava de uma vitória contra o Cruzeiro para se manter com chances de conquistar o turno. Mas a equipe não esteve bem, e o 5x3 acabou sendo um resultado justo para um time que apresentou tantas falhas na defesa. Cumprindo tabela, o BOTAFOGO jogou e empatou com o Paraná, em zero a zero, num jogo de baixo nível técnico. A afirmação ficaria para o próximo turno.
2º TURNO
O BOTAFOGO estreou nessa fase vencendo merecidamente o São Paulo, na capital paulista, por 2x0, com dois de Túlio. A segunda partida foi em João Pessoa, contra o Inter, num insosso empate de 0x0. No jogo seguinte contra o Sport, a equipe começou a demonstrar a união que a caracterizaria até o término do campeonato. Com Túlio voltando para ajudar na marcação, vencemos por 2x1, com dois belos gols de Sérgio Manoel. O primeiro de falta e o segundo após passe milimétrico de Túlio. Surgia o favorito.
Um show da torcida alvinegra marcou a reabertura do Maracanã no jogo contra a Portuguesa. E mais uma vez Túlio foi o dono da festa: um lindo gol da entrada da área e um outro de pênalti fizeram com que os botafoguenses passassem a acreditar ainda mais no time. Era pinta de campeão.
Seguiu-se, então, uma difícil partida contra o Criciúma. Um belo gol de Donizete, logo após o gol do time da casa, sacramentou a liderança isolada do Grupo A pelo BOTAFOGO. A equipe demonstrou um impressionante espírito de solidariedade, após a expulsão do capitão Gottardo. Era alma de vencedor.
Cinco vitórias consecutivas vieram em seguida: um fácil 3x0 sobre o União e uma brilhante goleada de 5x0 sobre o Atlético, ambas no Rio, levaram a galera alvinegra ao delírio. Túlio fez a metade dos oito gols da equipe nesses dois jogos e Donizete desfilou todo o rosário de dribles e jogadas desconcertantes de seu repertório. Era o prenúncio de uma festa ainda maior.
Contra o então líder do Grupo B, o Goiás, o GLORIOSO fazia uma partida impecável no sentido defensivo, mas pecava em termos ofensivos. A entrada de Iran Ido, então, transformou o jogo. Numa de suas jogadas, o onipresente Túlio empurrou para as redes. Foi a vitória da afirmação.
Vieram as sofridas vitórias contra o Bahia e, principalmente, contra o Vasco, ambas no Maracanã, e por 2x0. Nesta última, nem a escrita conseguiu conter o ímpeto vencedor do esquadrão alvinegro. Estávamos entre os quatro melhores times do Brasil.
Restavam ainda dois jogos, importantes para se obter vantagens para os jogos decisivos. Mas uma justa derrota para o Santos (que ainda buscava sua classificação) e um empate contra o Fluminense (partida na qual jogamos sem sete titulares) vislumbravam sofrimento em dobro para os jogos finais. Seria um sinal negativo para qualquer clube, menos para nós. Sofrer faz parte da história do BOTAFOGO. Por isso somos assim, apaixonados. Se era sinal de fumaça, era sinal de FOGO.
SEMIFINAIS
Assim entramos nas semifinais. Se era verdade que o time não estava jogando mais o belo futebol de antes, era não menos real a disposição, a união, a gana de se chegar ao título. Na primeira partida, em Belo Horizonte, contra o Cruzeiro, saímos na frente com um gol de cabeça de Túlio, após cruzamento de Sérgio Manoel. A equipe, desfalcada de Beto e André Silva, entrou cautelosa e acabou por sofrer o gol de empate através de Paulinho, numa falha conjunta de Gonçalves, Wágner e Wílson Goiano. No segundo tempo, o BOTAFOGO não chutou uma bola sequer ao gol. Contando com um forte bloqueio defensivo, e com algumas boas defesas de seu goleiro, o time segurou o empate, saindo do Mineirão com a vantagem de jogar por um resultado igual para ir à decisão.
E a partida de volta no Maracanã foi um sofrimento. Jogando melhor do que seu adversário (apesar de não bem), o BOTAFOGO carimbou por três vezes a trave mineira, através de Tulio, Beto e Donizete, e quase tomou um gol em contra-ataque. Mas a sorte não poderia nos abandonar neste momento e o zero a zero se manteve até o fim. Chegávamos de forma mais do que sofrida, do nosso jeito, à decisão.
FINAIS
Para se ganhar um titulo, vencer uma decisão, são exigidas muito mais coisas do que se imagina. A Revista do Botafogo acompanhou cada detalhe, cada lance importante que aconteceu, dentro e fora das quatro linhas. E, a partir de agora, você, botafoguense, se sentirá dentro do campo, e do espírito que norteou a nossa sorte, nesses dias que culminaram com mais glórias para a história do BOTAFOGO. Prepare-se e curta, pois você também é um verdadeiro campeão. Final do jogo contra o Cruzeiro, no Maracanã. Ainda no vestiário, e bastante irritado, o capitão Gottardo extravasa dizendo que quer ser campeão, e que para isto, o time não poderia repetir a apatia demonstrada durante alguns momentos da partida recém-encerrada. Jogadores, Comissão Técnica e dirigentes do clube conversam sobre quais erros cometidos não poderiam ser repetidos contra o Fluminense. Fluminense? O Santos faz um, e, logo, dois a zero, e pela primeira vez naquela noite alguém começa a pensar numa possível programação para a semana, caso o adversário fosse o clube paulista. O técnico Paulo Autuori, então, insiste em dizer que não tem preferência entre um clube ou outro na decisão. O vestiário se esvazia por completo, o Santos ainda vence por dois gols, e todos vão para casa sem saber qual equipe será nossa adversária na final do Brasileiro.
Já na terça-feira, durante o treino em Caio Martins, o assunto mais comentado era o mole que o Fluminense havia concedido ao Santos. O Presidente Carlos Augusto Montenegro explicava à imprensa quanto à tentativa de trazer o segundo jogo contra o Santos para o Rio. Um jogo de bastidores, que servia para aumentar a responsabilidade dos jogadores paulistas de vencer a partida que fora mantida em sua casa. Assediado, Gonçalves se dizia recuperado da contusão que o havia retirado da partida contra o Cruzeiro. De resto, muita tranquilidade entre os jogadores e a Comissão Técnica, restando tempo, ainda, para uma divertida brincadeira com o "caçula" lraniIdo, que de tanto cantar uma certa música, acabou por ganhar uma Brasília amarela, na qual foi chacoalhado e obrigado a dar uma voltinha. Uma brincadeira divertida, que levantou ainda mais o astral antes do último e decisivo treino que antecedia a primeira partida contra o Santos. Palavras de otimismo, muitas; exagero, nenhum. A noite, na concentração, os jogadores chegavam aos poucos, jantavam e iam para seus quartos descansar. Alguns encontravam tempo para uma conversa, um bate-papo, antes do recolhimento. Moisés e André Silva, entre os mais jovens do elenco, ressaltavam a força e a união do grupo. Destacavam, ainda, a confiança de todos na boa fase do goleiro Wágner, a liderança de Gottardo fora e dentro de campo, o bom-humor e a graça que Donizete transmitia aos companheiros, elogiavam e falavam sobre a importância da metamorfose tática de Túlio e, principalmente, enalteciam o trabalho e a competência de Paulo Autuori. Segundo eles, com seu jeito manso e sua forma de lidar igualmente com todos, o técnico conquistou o elenco, sendo fundamental para o clube ter chegado à boa situação na qual se encontrava.
Pouco depois, Gottardo conversou sobre a campanha do time no Brasileiro. Surpreendeu ao dizer que sentira a real força do grupo, quando, ainda no São Paulo (onde permaneceu até a véspera do campeonato), soube das contratações do clube. Elogiou a vinda de Gonçalves e Donizete, e o repatriamento de Paulo Autuori (com quem trabalhou por pouco tempo em Portugal). Depois, citou vários jogos, os contra Palmeiras, Grêmio, São Paulo, Sport, Criciúma, Goiás e Vasco, que, segundo ele, por motivos diferentes, foram os mais importantes da campanha. E salientou, ainda, que a falta de atenção e concentração que haviam ocorrido contra o Cruzeiro não poderiam se repetir contra o Santos. O time teria que saber aproveitar as situações que surgissem no campo, levando em conta o lado psicológico, o regulamento, enfim, cada mínimo detalhe que acaba por se tornar máximo dentro de uma decisão. Falava a experiência.
Chegava a hora do jogo, e o semblante de todos durante o aquecimento era de confiança e respeito ao Santos. Durante a roda de jogadores no túnel que dá acesso ao campo de jogo, Gonçalves alerta sobre a importância do começo da partida. A bola tem que ser nossa, diz ele. Gottardo exige respeito ao time adversário; Moisés pede para que, nos momentos de fraqueza, os jogadores olhem para o banco de reservas e sintam a força e energia que, certamente, todos irão passar. E chegada a hora, o time surge no gramado e se emociona ao ver a torcida que é grande, e seria bem maior, ainda, caso a chuva não insistisse em cair torrencialmente há quase quatro horas. Começa o jogo.
Logo aos cinco minutos, Beto arranca pela direita e cruza. Donizete, livre, nem precisa sair do chão para cabecear. A bola passa com perigo, perto da trave esquerda de Edinho. O BOTAFOGO pressiona de leve, mas, talvez esfriado pela chuva, o jogo não tem clima de decisão. Gottardo faz a primeira falta do time aos 8'40". Ele, ao lado de Jamir, Beto e Donizete, seria o recordista de faltas da equipe durante a partida: quatro (no total foram 30, contra 19 do Santos). Aos quinze minutos, Jamir ganha na raça pela direita e cruza no peito de Túlio que chuta mal, por cima. Aos 17'40", Sérgio Manoel pega uma sobra pela esquerda e cruza buscando Túlio na área. Gallo se antecipa ao artilheiro e salva para córner. Na cobrança, Wílson cobra com efeito, Gonçalves sobe mas não alcança e Gottardo se antecipa a Gallo para cabecear para o chão e colocar o BOTAFOGO em vantagem: 1x0. Na comemoração, Beto corre até Wílson Goiano, enquanto o capitão, fortemente emocionado, e abraçado por vários jogadores, inclusive Túlio (os dois não se falam), olha para o alto, como agradecendo aos céus pelo tento marcado. Eram 18 minutos, e o FOGÃO saía na frente.
O jogo continua sem grandes emoções, e o Santos, refeito do gol, reequilibra a partida. Não há grandes chances, até que Leandro sai jogando mal com Donizete que, ao tentar matar a bola, acaba perdendo-a para Gallo. A sobra fica com Marcelo Passos que lança Giovanni, livre entre os zagueiros. Sem perdão, 38 minutos, Santos 1x1.
O BOTAFOGO reage, instantaneamente. Sérgio Manoel faz boa jogada pela esquerda e toca para Beto, que limpa o lance e chuta rente à trave direita de Edinho. Dois minutos depois, aos 43, Sérgio Manoel sofre falta na entrada da área pelo lado direito de ataque. Caído, ainda consegue tocar para Túlio que penetrava livre, cara-a-cara com o goleiro do Santos. A falta jká havia sido marcada, e, na cobrança desvio na barreira e novo escanteio. Wilson, novamente de curva, a bola bate na barriga de Giovanni e sobra, caprichosamente, para Túlio sozinho com o gol. Não tem erro. Botafogo 2x1.
No segundo tempo, o alvinegro do Rio vem com tudo, dando a impressão de estar, ainda, insatisfeito com o resultado. Aos 35 segundos Beto parte pela direita e descobre Donizete Livre na área. Este arranca, e cruza rasteiro, o próprio Beto chega atrasado e não consegue completar para o gol. Aos 5’50”, Túlio para Leandro que cruza rasteiro para Donizete que não alcança a bola. Aos 12 minutos, o grande susto: Leandro vira mal o jogo em sua própria intermediária. A bola vai no peito de Robert que avança e cruza rasteiro. Giovanni passa e Jamelli se antecipa a Wagner chutando no travessão. Na volta, Gonçalves mata a bola no peito e tira o perigo da área. Gottardo reclama, esbraveja contra a desatenção de toda a equipe.
Retomando o comando das ações, o BOTAFOGO volta ao ataque. Aos 17', Beto aproveita a sobra da tabela entre Wílson e Donizete e chuta rasteiro de fora da área, dando um susto em Edinho. Mais cinquenta segundos e Túlio recebe livre, de Sérgio Manoel, e chuta, precipitadamente, de longe. Ao contrário do lance anterior, a bola sai à esquerda do gol do Santos. Dois minutos mais tarde, e o artilheiro perde nova chance: Wílson lança Donizete, que dribla Narciso, e cruza milimetricamente para o cabeceio de Túlio. Edinho faz grande defesa.
Daí para a frente o jogo rareou em emoções. Aos 31', Autuori colocou Iranildo em campo, mas este não correspondeu. Aos 44, Donizete sente o músculo ao dar um pique e sai em seguida. Aí, começou o grande drama do BOTAFOGO que perduraria até a decisão de domingo, no Pacaembu. Terminada a partida, Gonçalves se irrita ao ver a comemoração da torcida do Santos com a derrota apertada e cobra da massa alvinegra uma resposta à altura. A resposta vem tímida, e com esse clima os jogadores desceram para o vestiário.
Aberto antes, o vestiário do Santos esbanjava otimismo. Dirigentes sorridentes abraçavam seus jogadores como se o título estivesse ganho. Todos falavam em provar que o time era, disparadamente, o melhor do país. Humildade, ali, passava longe. Mais alguns minutos, e no vestiário do BOTAFOGO o clima era inverso. Todos falavam em confiança no time, mas faziam questão de ressaltar as dificuldades do segundo jogo. Autuori sorria ao falar sobre a melhora de produção de Beto, evitando, porém, comentar sobre a insegura entrada de lraniIdo. Donizete, já com bolsa de gelo na coxa direita, se mostrava preocupado, explicando ser esta a primeira contusão muscular de sua carreira. Túlio, que minutos antes completara cem jogos com a camisa do FOGÃO, era o único que, mesmo cautelosamente, dizia que voltaria de São Paulo como campeão. O ambiente era o melhor possível. O grupo estava consciente e unido, pronto para o que desse e viesse.
Durante os treinos de quinta, sexta e sábado, no Caio Martins, nenhum jogador reclamava de qualquer coisa, ninguém contava vantagem e nem se falava mais sobre o jogo anterior. Donizete era a dúvida, a agonia. E o pivô do único problema surgido na semana da decisão. Mais uma vez, o fisioterapeuta Nílton Petrone, o Filé, era convocado às pressas para atender um jogador do clube. O Departamento Médico reagiu, e a crise durou até sábado, quando Donizete foi proibido de fazer um teste na praia, conforme queria Petrone. Aliás, o fisioterapeuta acabou não sendo incluído na delegação para a ida a São Paulo, gerando opiniões divergentes dentro do clube. O BOTAFOGO foi para a capital paulista no sábado à tarde. À noite, os jogadores jantaram longe da imprensa, e, mais tarde, alguns poucos desceram para o saguão do hotel. Entre eles, Donizete afirmava, sem muita convicção, que estaria presente na partida decisiva. Seu semblante demonstrava certo abatimento, apesar das palavras tentarem demonstrar o contrário. Mais tarde, o técnico Paulo Autuori descia para se encontrar com o maior responsável por sua ascensão no futebol: o também treinador Marinho Péres, que o levou para Portugal como auxiliar-técnico. Perguntado sobre a escalação, Autuori confessava estar receoso quanto às condições de Donizete, tendo, inclusive, medo que ele sentisse durante o jogo. E deixava claro, embora não afirmasse categoricamente, que o time seria o mesmo da partida anterior. Nada de mudanças. No dia seguinte, os jogadores acordaram tarde e alguns conversaram com a imprensa. Mas as atenções se voltavam para um suposto teste que Donizete realizaria, naquela manhã, para saber se tinha ou não condições de jogo. O teste não se realizou, Donizete já estava escalado.
Ás 16 h e 45 m, o ônibus deixava o hotel em direção ao Pacaembu. Neste, apenas os jogadores, Comissão Técnica e alguns dirigentes. Em outro ônibus, logo atrás, íamos dirigentes e jornalistas. Os jogadores exibiam semblantes tranquilos e Gonçalves fez questão de cerrar o punho e nos passar toda a confiança que levavam para o estádio.
Já no vestiário, Gonçalves falava em levar o espírito do torcedor para dentro de campo. André Silva confessava que, apesar da tranquilidade, estava com "adrenalina total". Paulão reclamava por ter sido proibido de jogar balas para a galera. Autuori dizia que o que estava "feito estava feito", e Renê Weber, seu auxiliar-técnico, destacava a necessidade do equilíbrio no começo do jogo. Donizete andava de um lado para o outro, ainda com a bolsa de gelo amarrada na coxa. Tomou uma injeção para aliviar a dor e, finalmente, foi confirmado na equipe.
Exatamente às 18:21, entra em campo o bonito troféu de campeão brasileiro. E com ele uma marca registrada do BOTAFOGO: a superstição. Afinal, o número 21 traz boas lembranças aos corações alvinegros. As 18:59, um minuto após o Santos, tendo à frente Moisés, e com Gonçalves fechando a fila, entra em campo, o glorioso BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS. O time vai até aonde está a torcida. Túlio manda beijos, Sérgio Manoel beija o escudo. A emoção está no ar.
Jogadores e Comissão Técnica se perfilam para ouvir o hino. Terminado, Gonçalves grita "Vamos lá, vamos lá", enquanto Donizete fala em Deus e mostra a coxeira que usará durante a partida. Carlinhos toca a bola para JamelIi. O jogo começa.
O BOTAFOGO ainda não havia tocado na bola quando Túlio fez falta em Narciso. Foi a primeira das 11 faltas que cometeu (o time todo cometeu 31). Donizete capengava e mostrava estar em campo apenas como arma psicológica. Narciso passava, também, a jogar no sacrifício. Somente aos 15m, Marcelo Passos daria o primeiro chute a gol da partida: fraco, em cima de Wágner. Agora são 23', e Giovanni cobra falta em sua intermediária para Narciso. Este, sem condições de jogo, toca mal e Donizete intercepta para Beto que parte até sofrer falta de Robert, mas a bola chega a Túlio que rola para Sérgio Manoel ver a subida de André Silva pela esquerda que, com garra, luta com Jamelli até sofrer falta. Sérgio Manoel ajeita e reajeita a bola. Na cobrança, Jamir dá um drible de corpo e fica sem marcação na área. Marquinhos Capixaba sai da marcação a Donizete e tenta subir com ele. Inútil: o toque de cabeça encontra Túlio livre, e impedido, para matar com a direita e chutar com a esquerda. Eram 24 minutos, e BOTAFOGO 1x0.
Dois detalhes dispensáveis para qualquer um, fundamental para os botafoguenses: do recebimento de bola de Narciso até a falta em André Silva foram, exatos, 21 segundos. Da última ajeitada de Sérgio Manoel na bola até a bola na rede foram mais 12. Números invertidos de ótima lembrança para os alvinegros.
Dois minutos depois, só se ouve a torcida alvinegra cantando o hino do clube na arquibancada. O jogo fica nervoso, Autuori segura a bola, reclama do juiz e discute com Marcos Adriano. Aos 29', Ronaldo cobra falta de longe com a bola passando perto. Aos 30' 30", Wílson cobra mal o 1º escanteio do jogo. Aos 34, é a vez do Santos ter um córner e, após o desvio de Jamelli de cabeça, Giovanni perde gol feito, ele e a baliza. Aos 39' 40", Donizete toma de Narciso, avança e chuta forte para Edinho espalmar. Na volta do lance, contra-ataque do Santos, com Marcos Adriano desperdiçando boa chance, após boa jogada de Camanducaia pela esquerda. O primeiro tempo acaba após chute sem perigo de Beto, aos 47 minutos. Vem o intervalo, e com ele a confiança e o nervosismo. Dirigentes, torcedores, jogadores não utilizados na partida, enfermeiros, seguranças e demais funcionários do BOTAFOGO unem-se na arquibancada num espetáculo jamais visto. O ex-presidente Mauro Ney Palmeiro, no alto de seus tantos e tantos anos no clube, confirma o ineditismo do fato. Guta confirma que os jogadores em campo sabem que eles estão ali, torcendo por eles. Marcelo Alves está confiante, mas confessa estar sofrendo muito. Julinho e Eliomar (este com uma faixa de Túlio bem na testa) se dizem ex-torcedores do time na arquibancada, relembrando, então, tempos passados. É uma só corrente em busca do título. As 20h e... 12m, o BOTAFOGO retorna ao campo com Moisés no lugar de André Silva, machucado. Times a postos, Túlio reza e dá a toque inicial. E com apenas 1' 40" o Santos vai ao ataque. Jamelli vira o jogo para Marquinhos na direita que dribla Sérgio Manoel, divide com Gonçalves e, com a mão, deixa Marcelo Passos em condições. O chute sai forte, sem defesa. Era o empate. O Santos cresce, e, após pressão na área, aos 6' 40", Sérgio Manoel perde a bola para Marquinhos que cruza Gottardo, que saía para fazer a linha de impedimento, retorna e, de cabeça, salva gol certo. Aos 12', Donizete arriscou de longe, encima de Edinho. Aos 17, lranildo foi para o aquecimento, sem, porém, entrar. Aos 28, falta de Jamir em Marcos Adriano, na entrada da área pela esquerda. Marcelo Passos cobra e Wágner faz grande defesa, espalmando para córner. Seis minutos mais tarde, e nova falta, dessa vez de Moisés em Camanducaia. Marcelo Passos novamente na cobrança e Camanducaia se antecipa a Leandro para cabecear para o gol. O juiz marca impedimen-o, um erro que seria evitado caso ele tivesse olhos eletrônicos. Uma falha congênita que prova que, como sempre, a culpada é a mãe do árbitro. Aliás, cabe ressaltar que, assim como no lance do gol de Túlio, não houve praticamente contestações por parte da equipe do Santos. Aos 36 minutos, o lance mais importante da partida. Cruzamento de Ronaldo para a área, e Jamelli escora de cabeça para Giovanni que cabeceia. A bola bate em Gonçalves e volta para o próprio Giovanni chutar rasteiro, de forma quase indefensável para Wágner, que estava encoberto por Gottardo e Gonçalves. Como quase não é gol, o goleiro alvinegro transforma-se em muralha e espalma para escanteio. Era a defesa do título. Aos 40, nova defesa de Wágner em falta cobrada por Marcelo Passos. Aos 42' 40", Donizete recebe de Moisés, avança e chuta. Abola, desviada por Narciso, bate na trave e vai para fora. Era o 1º escanteio do BOTAFOGO no segundo tempo.
Aos 45', o último grande susto para a galera. Falta mal marcada de Sérgio Manoel em Giovanni, na entrada da área pela direita. Marquinhos cobra mal, por cima. Delírio da torcida botafoguense presente ao Pacaembu. Torcida que sofre com os acréscimos e vibra com o apito final. Eramos campeões.
Loucura no gramado. Túlio é carregado nos braços, agarra a bola e grita:- “Nós conseguimos!”; Gonçalves agradece a torcida e explica o porque do seu desabafo, após o jogo, no Maracanã: “Sabíamos que tínhamos condições. Nós honramos, nós amamos essa camisa!”. O time faz uma ciranda em campo, recebe a taça, tenta dar a volta olímpica. Mas o que eles querem mesmo é voltar para o Rio para junto de sua amada torcida. E a mística da paixão alvinegra, o renovado amor em preto-e-branco, que ressurge juntamente com a gloriosa sede de General Severiano. E salve o Glorioso BOTAFOGO, campeão do Brasil.
OS HERÓIS DO TÍTULO
WÁGNER
Pouco acionado na 1ª partida da decisão, no Maracanã, restou a Wágner esperar o jogo do Pacaembu para poder provar o seu valor. No 1º tempo, como todo grande goleiro, contou com a sorte na incrível chance desperdiçada por Giovanni. Mas, no segundo, após tomar um gol indefensável, resolveu fechar o gol. Travou um duelo particular com Marcelo Passos, espalmando para escanteio, por duas vezes, as bolas vindas de faltas que foram cobradas com maestria. Mas a defesa mais espetacular viria após uma confusão na área alvinegra, aos 36 minutos: mesmo encoberto por Gottardo, Wágner teve a elasticidade e o reflexo necessários para espalmar a bola chutada de forma rasteira por Giovanni que, certamente, entraria no seu canto esquerdo. Após esse lance, segundo o próprio Wágner, a equipe percebeu que não perderia mais a partida, que o título estava assegurado.
WILSON GOTTARDO
Mais do que nunca, Gottardo assumiu, nos jogos finais contra o Santos, os papéis de capitão e xerife da equipe. Ele, que sempre buscou o limite de suas forças dentro de campo, se entregou de corpo e alma à busca do título brasileiro. Além de liderar o time, ele ainda encontrou tempo para fazer um belo gol na partida elo Maracanã. Eram 18 minutos da fase inicial, quando após córner cobrado por Wilson, Gottardo se antecipou ao zagueiro e cabeceou sem chances para Edinho. Mas o lance que espelha toda sua importância eascendência sobre à equipe aconteceu aos 13 minutos do 2º tempo deste mesmo jogo: após chute de Jamelli, no travessão de Wágner, o capitão gesticula, reclamando veementemente contra a falta de atenção da equipe. Resultado: o, Santos passa o resto do jogo sem chutar mais uma bola sequer ao gol alvinegro.
TÚLIO
No início do Brasileiro, Túlio declarou que abriria mão de ser o goleador máximo em troca do título da competição. Afinal, apesar de ter sido artilheiro de todos os campeonatos que disputou desde que chegara ao BOTAFOGO, não havia, ainda, sentido o gostinho de uma conquista. No começo ele parecia o mesmo: mas, a partir do segundo turno, passou a dar sua cota de sacrifício, alterando suas características ao se movimentar mais e passar a marcar a saída de bola. Nas finais, após fazer o gol da vitória no Maracanã, foi para o Pacaembu decidido a não sair de lá sem o troféu de campeão. E para comprovar sua mu dança, Túlio foi o jogador em campo que mais cometeu faltas durante a partida: onze! Porem, sem perder a fome de gols, ainda encontrou tempo para fazer o gol do título. E fez questão de levar para a casa o maior troféu, a maior amiga, aquela que por muitas vezes o procurou para ajudá-lo a tornar-se, também, o artilheiro disparado da competição: a bola.
DONIZETE: ALMA DE PANTERA
Conversar e conviver com Osmar Donizete Cândido, o Donizete do BOTAFOGO e da Seleção Brasileira, é passar horas agradáveis, é rir, se divertir com suas piadas e com seu jeito de menino moleque. Mas para chegar aonde está, ele aprendeu a conviver com a pobreza e com o sofrimento próprio de tantas e tantas famílias do interior do Brasil. Com muita determinação em Deus, Donizete aprendeu a aproveitar tudo que a vida lhe oferece, sempre com muito bom-humor e amor àquilo que faz. E o sacrifício que marcou sua vida o fez aguentar as dores da final, transformando-o no El Cid Alvinegro, ferido, mas ainda capaz de tirar da alma forças para levar o seu FOGÃO ao título.
A RECEITA DE UM CAMPEÃO
Quem é Paulo Autuori? Essa pergunta povoou a cabeça de todos que lidam com o futebol quando da chegada desse, até então, desconhecido treinador. Desconhecido aqui, pois em Portugal ele já havia conquistado crédito através de alguns grandes feitos em equipes de pequeno e médio porte (ver ficha técnica). Com muita consciência, trabalho e intelectualidade, Paulo conquistou também seu espaço no Brasil. A receita da vitória será conhecida agora.
Autuori chegou ao Brasil em julho. Apesar de ter convites de algumas equipes de Portugal, Paulo achava que tinha chegado a hora de começar a mostrar seu trabalho aqui no país. Além disso, com a morte de seu pai, em maio, achou por bem vir dar apoio a sua mãe. Veio com algumas propostas para trabalhar no interior de São Paulo, e não esconde que se surpreendeu com o convite feito pelo Botafogo, através do Vice de Futebol Antônio Rodrigues. Vislumbrou, então, a possibilidade de ter 45 dias para aprontar a equipe para o Campeonato Brasileiro. Ledo engano. Há muito tempo fora do país (mais de nove anos), Paulo havia se desacostumado com a confusão que vige no futebol daqui. Dessa forma, foi obrigado a montar o time em cima da hora, levado por problemas de renovações de contrato, indefinições quanto ao elenco, e, até mesmo, falta de campo para treinar.
Assim, não foi fácil manter o grupo fechado, imune às críticas e, principalmente, a um certo clima de pessimismo que pairava no ar. Pouco a pouco, e muito discretamente, Paulo foi conquistando a todos, jogadores e imprensa, através de muito trabalho, humildade e espírito de equipe, graças, principalmente, a sua personalidade, forte e vencedora. Apesar de ser uma pessoa muito tranquila, Autuori não deixa de tomar as decisões no momento em que são necessárias. Assim, foi moldando o grupo as suas características, não deixando que um erro sequer deixasse de ser analisado, discutido e, finalmente, corrigido. Para que tudo isso seja possível, Paulo faz questão de traçar certas diretrizes para a sua vida. Seu aprendizado começou aos 15 anos, quando foi acometido de uma doença grave, a poliomielite. Foi obrigado a deixar de lado a vaidade, numa fase do ser humano em que o egocentrismo é preponderante. Passou a conhecer a importância da solidariedade e da entre ajuda: foi a escola da vida, da onde até hoje retira ensinamentos que o auxiliam, tanto em sua vida pessoal, quanto profissional.
Uma outra característica sua é a abrangência. Autuori faz questão de estar sempre por dentro das inovações, acompanhar as mudanças, mesmo que não venha a utilizá-las no futuro. Assim, adquire a experiência, que procura utilizar sempre de forma positiva na vida. Aliando essa experiência às novidades que surgem, cria-se a motivação necessária para se iniciar um novo trabalho em outro clube, independente do sucesso obtido anteriormente.
Dessa forma, impondo seu estilo, transformou positivamente o grupo do BOTAFOGO. Mostrou a cada um a necessidade do sacrifício e da solidariedade em busca dos objetivos maiores da vida. Uniu o grupo e soube controlá-lo em todos os momentos, nos de desunião ou nos de euforia. Com humildade, e com o respaldo de uma competente comissão técnica, planejou passo a passo o caminho para o título.
E foi dessa forma que esse carioca de 39 anos, formado em Educação Física, e com Curso de Técnico de Futebol e Administração Esportiva, todos pela PUC/RJ, casado há doze anos com Rosângela e pai de Caio (20 anos), Camila (11) e Fábia (7), chegou ao primeiro título de campeão de sua curta carreira. Desde sua chegada ao BOTAFOGO, quando estava, quase que solitariamente, convicto e seguro do bom trabalho que desempenharia, até o título de Campeão Brasileiro, muita coisa mudou. Hoje, o homem que se propõe a ser um campeão da vida, a ser forte e estruturado para suportar as agruras que advirão desta, passou, também, a ser um campeão do esporte. E ninguém mais ousará não saber quem é Paulo Autuori.
NÚMEROS DO CAMPEONATO
Pontos ganhos: 51 Jogos: 27 Vitórias: 14 Empates: 9 Derrotas: 4 Gols pró: 46 Gols contra: 25
O BOTAFOGO FOI...
• O clube de maior renda: R$ 701.540,00, no jogo BOTAFOGO 2 X SANTOS 1, no Maracanã.
• O maior público, 74.174 pagantes, no jogo BOTAFOGO 3 X FLAMENGO 1, no Castelão em Fortaleza.
• O clube de maior arrecadação: R$ 6.316.996,50
• O clube de Melhor média de arrecadação: R$ 233.962,81,
• O clube de maior público: BOTAFOGO, com 624.602 pagantes
• O clube de melhor média de público, BOTAFOGO com 23.133 pagantes
• O clube com menos derrotas: BOTAFOGO, 4.
• Além do principal artilheiro, Túlio (23 gois), o BOTAFOGO ainda tem Leandro, Donizete e Paulo Autuori na seleção dos melhores da C.B.F. .
ELENCO DO BOTAFOGO CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1995
- Sebastião Wágner de Souza e Silva, goleiro, 26 anos (20/02/1969), 1,85 m, 86 kg, nasceu no Rio de Janeiro (RJ). Campeão da Copa Conmebol pelo BOTAFOGO (1993). Sua atuação na final coroou a grande performance de todo o campeonato. Destaque para as grandes defesas nos jogos contra o Goiás e Atlético-MG, além do Santos. Jogou 26 jogos e tomou 25 gois.
- Carlos Gibowiski (Carlão), goleiro, 31 anos (09/08/1964), 1,82 m, 76 Kg, nasceu em Laranjeira do sul (PR). Jogou apenas uma partida no campeonato, contra o Bahia, e se saiu bem.
- Eliomar dos Santos Rosa, lateral-direito, 22 anos (05/01/1973), 1,71 m, 71 Kg, nasceu no Rio de Janeiro (RJ). Veio das divisões de base do BOTAFOGO. Campeão da Copa Conmembol pelo BOTAFOGO (1993). Jogou quatro partidas, com destaque para a boa atuação contra o Palmeiras.
- Wilson Lopes Teixeira, Mineiro, lateral-direito, 21 anos (09/05/ 1974), 1,71, 64 Kg, nasceu em Governador Valadares. Machucou-se na primeira partida e, depois, teve poucas chances para mostrar seu verdadeiro futebol. Jogou 3 partidas.
- Wilson Pereira Carvalho, lateral-direito, 27 anos (09/11/1968), 1,70 m, 63 Kg, nasceu em Trindade (GO). Veio do Goiás. Contratado em definitivo, demorou para reeditar suas boas atuações no estadual. Cresceu na reta final como todo o time. Jogou 22 partidas e fez um gol, de pênalti, contra o Bahia.
- Wilson Roberto Gottardo, zagueiro, 32 anos (23/05/1963), 1,82 m, 77 Kg, nasceu em Santa Bárbara D'Oeste (SP). Bicampeão carioca pelo BOTAFOGO (1989/90). Capitão, xerife e paizão de muitos jogadores do elenco, usou a sua experiência para liderar a equipe durante o Nacional. Nos jogos decisivos contra o Santos foi perfeito atrás e ainda fez um gol. Jogou 23 partidas e fez um gol.
- Marcelo Gonçalves Costa Lopes, zagueiro, 29 anos (22/02/1966), 1,81 m, 74 Kg, nasceu no Rio de Janeiro (RJ). Campeão carioca pelo BOTAFOGO (1990). Voltou ao Clube para formar com Gottardo a mesma zaga eficiente e técnica da final do estadual de 1990. Fez ótimas-partidas durante o Brasileiro, sendo fundamental para passar garra e experiência à equipe. Jogou 26 partidas e fez dois gols.
- Cristiano Grotto, zagueiro, 21 anos (22/02/1973), 1,80 m, 73 Kg, nasceu no Nova Palma (RS). Foi um reserva à altura da zaga titular. Sempre que entrou deu conta do recado. Jogou 7 partidas, e fez um gol.
- Márcio Paraíso Theodoro, 27 anos (19/02/1968), 1,87 m, 74 Kg, nasceu no Rio de Janeiro (RJ). Jogou três partidas, sendo apenas uma de começo, contra o internacional, na qual teve boa atuação.
- André Silva Gomes, lateral-esquerdo, 22 anos (03/03/1973), 1,75 m, 69 Kg, nasceu em Campo Grande (RJ). Veio das divisões de base do BOTAFOGO. Grande revelação, firmou-se após um início de altos e baixos. Fez muita falta à equipe quando contundiu-se e, quando voltou, mesmo ainda sem as condições físicas ideais, tranquilizou o lado esquerdo, tanto no time quanto no peito da torcida. Jogou 19 partidas.
- Carlos Augusto Garcia Braga, o Guto, lateral-esquerdo, 22 anos (19/02/1973), 1,82 m, 71 Kg, nasceu em Barra do Piraí (RJ). Tentou superar sua pouca técnica com muita garra. Jogou 9 partidas.
- Jamir Adriano Paz Gomes, volante, 23 anos (13/051972), 1,80 m, 77 Kg, nasceu em Uruguaiana (RS). Sua regularidade durante o campeonato foi o ponto forte do meio de campo. Firmou-se de vez no time desde o primeiro jogo contra o Vitória, no qual fez seu único gol na competição. Jogou 24 partidas.
- Leandro Carona, volante, 24 anos (06/04/1971), 1,77 m, 75 Kg, nasceu em Porto Alegre (RS). Seu forte poder de marcação e sua garra em campo foram uma garantia para a equipe durante todo o campeonato. Entrou na quinta rodada contra o Corinthias e não saiu mais do time. Jogou 19 partidas.
- Moisés do Nascimento Monteiro, meia, 22 anos (19/01/1973), 1,68 m, 64 Kg, nasceu em Maceió (AL). Veio das divisões de base do BOTAFOGO. Campeão da Copa Conmebol pelo BOTAFOGO em 1993. Cresceu muito neste campeonato nas vezes em que entrou em campo (inclusive na partida decisiva contra o Santos), não deixou ninguém sentir saudade dos titulares. Jogou 17 partidas e fez um gol.
- Marcelo Alves Damasceno, meia, 24 anos (22/05/71), 1,74 m, 64 Kg, nasceu em Caratinga (MG). Após um início infeliz com um gol contra, mostrou muita personalidade para dar a volta por cima. Sua técnica e combatividade garantiram um lugar certo na equipe para o ano que vem. Jogou 14 partidas e fez um lindo gol contra o Flamengo.
- Iranildo Hermínio Ferreira, meia, 19 anos (10/10/1976), 1,65 m, 60 Kg, nasceu em Recife (PE). A maior revelação do time no campeonato. Sua entrada na equipe decidiu jogos como os contra o Goiás e o Vasco. Jogou 17 partidas e fez um gol.
- Júlio César Gouveia Vieira , Julinho meia, 21 anos (25/02/1974), 1,73 m , 67 Kg, nasceu no Rio de Janeiro. Veio das divisões de base do BOTAFOGO. Teve poucas oportunidades para demonstrar sua técnica. Jogou 3 partidas.
- Joubert Araújo Martins, Beto, meia, 20 anos (07/01/1975), 1,73 m, 72 Kg, nasceu em Cuiabá. Veio das divisões de base do BOTAFOGO. Não conseguiu reeditar suas grandes atuações no estadual, porém sua disposição tática foi de grande importância para a conquista do título. Jogou 24 partidas.
- Sergio Manoel Junior, meia, 22 anos (02/03/73), 1,75 m, 68 Kg, nasceu em Santos. O motor do time. Taticamente indispensável, ainda conseguiu decidir partidas como a contra o Sport, onde fez os dois gols da equipe. A torcida já sente saudades de seu futebol. Jogou 25 partidas e fez 3 gols.
- Osmar Donizete Cândido, atacante, 26 anos (24/10/68), 1,79 m, 76 Kg, nasceu em Prados (MG). Campeão Carioca pelo BOTAFOGO em 1990, um guerreiro durante todo o campeonato. Sua constante movimentação pelo campo, desnorteou os adversários e sua técnica apurada decidiu vários jogos importantes da campanha do título. Excelente! Jogou 24 partidas e fez 6 gols.
- Dauri de Amorim, atacante, 22 anos (31/10/1973), 1,77m, 75 Kg, nasceu Garopaba (SC). Jogou pouco mas conseguiu mostrar seus dotes de artilheiro. Bom jogador. Jogou 6 partidas e fez 1 gol.
- Túlio Humberto Pereira Costa, atacante, 26 anos (02/06/1969), 1,75 m, 70 Kg, nasceu em Goiás. O que falar de um ídolo?! Seus 23 gols durante o campeonato falam por si só, e sua maior movimentação em campo nos jogos finais fez com que o time se unir-se ainda mais em torno do título. Seus dois gols contra o Santos, nas finas, provaram que ele é um artilheiro também de decisões. Eterno! Jogou 25 partidas.
- Francisco Narcísio Abreu de Lima, 24 anos (12/07/1971), 1,78 m, 76 Kg, nasceu em Pentecostes (CE). Apesar de ter jogado pouco fez gols importantes, como o Contra o Bahia. Jogou 11 partidas e fez 4 gols.
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL CAMPEÃO DO BRASILEIRO
- Vice-Presidente de Futebol: Antonio Rodrigues da Costa.
- Diretor de Futebol Profissional: Edson Santana.
- Representante na CBF: Mauro Ney Palmeira.
- Coordenador Técnico: Ademildo Chirol
- Coordenador Administrativo: José Henriques Aux de
- Coord. de Futebol: Rodrigues Henriques
- Treinador: Paulo Autuori de Mello
- Auxiliar Técnico: René Carmo Kreuz Weber
- Chefe da Preparação Física: Ronaldo Torres de Souza
- Preparador Físico: Marcelo Barbosa Leite Chirol
- Preparador de Goleiro: Jorge Ferreira Barbosa
- Médicos: Dr. Lidio Toledo, chefia Dr. Joaquim Maximiniano da Mata Dr. Emane Lacerda Nascimento.
- Massagistas: Paulo Roberto Marcolino (Paulão) Paulo Cesar Ramos (PC) João Batista Neto
- Roupeiro: Luiz Gonzaga Lopes de Oliveira, chefia Valmir Pereira - - Motorista: José Medeiros Moreira
- Supervisor de Suprimentos: Arlindo Loureiro.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR n 249 de 1996
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GOTTARDO E GONÇALVES:
A MELHOR ZAGA DO BRASIL
Por Ricardo Linhares
O BOTAFOGO pode se orgulhar de ter em seu elenco atual vários grandes jogadores, dentre os quais se destacam dois zagueiros que já fazem parte de sua história. Wílson Gottardo e Marcelo Goncalves têm muito em comum, desde o carinho da imensa torcida alvinegra até o aguçado senso de profissionalismo que os tornaram muito mais do que simples membros, verdadeiros líderes dentro do grupo de atletas. A grande parelha de beques que tanto ajudou no título brasileiro do ano passado através de regularidade, liderança e, até mesmo, gols, traduz fielmente a mística da gloriosa camisa alvinegra que respeitam e tanto honram. Quando dentro de campo, dão tudo de si em busca do melhor para o time da Estrela Solitária.
A torcida agradece e cada vez mais eterniza em seus corações a imagem destes dois guerreiros que tanto fizeram e ainda fazem pelo BOTAFOGO. E brinda, com orgulho, por possuir, sem sombra de dúvidas, a melhor zaga do país. Conheça agora um pouco mais sobre o pensamento desses dois ídolos alvinegros: se surpreenda com a revelação de que os dois pouco se falam dentro de campo; descubra o porquê de terem alcançado tanto respeito entre torcedores e imprensa; e, por fim, saiba se realmente se consideram a melhor zaga do Brasil.
Como é o relacionamento de vocês dentro e fora de campo?
Gottardo: E muito fácil trabalhar com o Gonçalves. Ele é um jogador inteligente que procura facilitar as coisas para todos nós, principalmente para mim que jogo do seu lado. Inclusive, nós pouco nos falamos dentro de campo pela facilidade que temos de jogar um com o outro. Gonçalves (interrompendo): E a própria maturidade profissional que ajuda muito, nos facilita pela questão da experiência e vivência que acumulamos durante nossas carreiras. Já fora de campo, nossa convivência tem sido a melhor possível, apesar de não sairmos, já que o pouco tempo livre que temos nós tentamos dedicar à família.
Gottardo: Além disso, a distância também não facilita muito. Nós moramos longe um do outro, o que dificulta ainda mais nosso convívio fora de campo.
Além do Túlio, vocês são os jogadores mais aclamados pela torcida. Quais os fatores que determinaram essa condição de ídolo de dois zagueiros, fato não muito comum no futebol brasileiro?
Gonçalves: Talvez pela identificação que eu e o Gottardo temos com a torcida desde o Estadual de 1990. Isso falou alto na minha volta ao Brasil e despertou o interesse do torcedor em observar a zaga do BOTAFOGO. Nós começamos a jogar bem no Brasileiro e a liderança que exercemos sobre o grupo, por causa da nossa maior experiência, nos destacou, tornando transparente o nosso bom trabalho aos olhos da imprensa e também do torcedor. Isso se tornou um fator fundamental para que tivéssemos o carinho, a confiança e o respeito da galera alvinegra.
Que tipo de trabalho vocês costumam realizar juntamente com a comissão técnica?
Gottardo: São trabalhos sempre ligados a nossa experiência e vivência, voltados para o lado psicológico, para o emocional. Tem que haver um equilíbrio em cada situação, você tem que procurar antever determinados problemas para que chegando àquele momento você já esteja com a solução e aquilo não venha a atingir o grupo; solucionar pequenas questões que poderiam se tornar grandes e vir a prejudicar o rendimento da equipe. Tudo isso com base no respeito, respeitando a hierarquia. Caso haja questões, estaremos prontos para ajudar.
Gonçalves: O que acontece é que realmente nós temos trocado idéias sobre o time, os treinadores têm procurado sempre saber a nossa opinião, tanto minha quanto a do Gottardo. Trocamos idéias sobre a melhor forma da equipe jogar, a melhor forma de conduzir e solucionar os problemas dentro do grupo de relacionamento. Enfim, eu acho que isso é um procedimento normal. Dentro de um ambiente de trabalho, você sempre vai procurar ouvir opiniões de alguns elementos que considera ter maior experiência para poder levar esse grupo dentro da melhor forma possível. E isso foi um processo natural. Felizmente podemos dialogar tanto com o Ricardo (Barreto), quanto com o Marinho (Péres) e o (Paulo) Autuori, com outros integrantes da comissão técnica e, até mesmo, com a Diretoria. E acredito que isso venha sendo muito importante para o grupo.
Gottardo e Gonçalves estão realmente entre as melhores zagas do país?
Gonçalves: Eu acredito que sim, estamos entre as melhores, senão a melhor dupla de zaga do Brasil. Pela eficiência com que nós jogamos e orientamos o time, sinceramente eu não vejo outras zagas com a mesma capacidade. Pelo respeito e confiança que temos um pelo outro. Não é só a qualidade técnica que é determinante para se formar uma grande zaga. Outros times têm zagueiros de boa capacidade técnica mas que não se entrosam, não se completam dentro de campo. Nós mantemos, apesar de algumas derrotas do time e falhas individuais, uma regularidade reconhecida tanto pela torcida como pela imprensa. Isso é o mais importante.
Gottardo: Eu concordo com o Gonçalves, estamos realmente entre os melhores. Mas nós já sofremos muitas críticas e passamos por alguns maus momentos como, por exemplo, no primeiro turno do Campeonato Brasileiro do ano passado. Tentamos, então, mostrar que o sistema estava errado, não somente a zaga, e as coisas se acertaram. Com o time mais entrosado e consciente fica muito mais fácil dos jogadores se destacarem individualmente. Agora, sem dúvida, nós procuramos fazer o melhor, eu e o Gonçalves não somos de nos acomodar. Isso, às vezes, se torna um diferencial dentro de uma competição. Nada melhor do que uma dupla assim, com essa conduta. Há outras equipes com grandes zagueiros, que certamente passam pelas mesmas dificuldades e que talvez não tenham a mesma reação diante dos mesmos problemas. Isso nos dá um handicap a mais numa possível comparação.
O XERIFE
Fazer parte do grupo que conquistou o memorável título de 1989 bastaria para que Wílson Gottardo fosse lembrado eternamente pela história do clube. Porém, o xerife queria mais: foi capitão do bi, em 1990, e do Brasileiro do ano passado. Tudo isso ajudou para que se sentisse plenamente realizado, como atleta e como homem.
Você chegou ao Clube, em 1987, dizendo que gostava de desafios. Por tudo que você já passou e conquistou dentro do clube poderíamos dizer que o BOTAFOGO foi o maior desafio de sua carreira?
Certamente foi um dos maiores. Eu, na época, era um jogador desconhecido no mercado, vinha do interior de São Paulo e aos poucos fui mostrando meu trabalho. Foi muito difícil, mas hoje tenho certeza que agradei, não tendo mais nada a provar como atleta e como homem. Isso me deixa muito feliz, mas não faz com que eu me desmotive, pelo contrário, procuro sempre criar novas metas para minha vida, buscando, o melhor dentro de cada nova competição e também na minha vida particular.
De Marechal Hermes a General Severiano o que mudou?
Sem dúvida, o BOTAFOGO de hoje deu um passo de gigante. Saímos de Marechal onde o campo não era bom, os vestiários piores e viemos para um campo que, apesar de não ter as dimensões oficiais, é bom, tem boa acomodação. O próprio local é muito agradável. Temos, também, o Caio Martins que sempre nos foi muito importante. E um bom inicio, mas somente um início. O BOTAFOGO não pode parar por aí. Precisamos melhorar em várias coisas, como por exemplo, pensar mais nas divisões de base.
Mauro Galvão e Gonçalves estão entre os melhores jogadores com os quais você fez zaga?
Sem dúvida. Quando eu estava no Guarani tive a oportunidade de jogar com o Júlio César e quando cheguei pela primeira vez ao BOTAFOGO gostei de jogar com o Marinho. Depois Mauro Galvão e Gonçalves foram, sem dúvida, os melhores jogadores com os quais tive o prazer de atuar.
Em termos de títulos, qual foi sua maior conquista dentro do BOTAFOGO: o Estadual de 1989, o de 90 ou o Brasileiro de 95?
Foram conquistas em que eu festejei muito. Adorei participar de todas, nas quais tivemos muitas dificuldades em chegar às finais, em especial, no Brasileiro, onde temos vários clubes em condições iguais. Mas de todas as finais, de todas as conquistas, a que mais mexeu mesmo com meu lado emocional e com toda minha família foi a de 89. Agora, por que? Quase 21 anos sem dar a volta olímpica, sempre ouvindo piadinhas e chacotas, e aquilo da torcida passou para os jogadores, nós estávamos sofrendo também como eles. E 89 era o limite daquilo tudo. Reunimos um grande grupo, jogadores extremamente profissionais que, aliás, não vi ainda igual em termos de comportamento. E com isso conseguimos dar um fim naquilo tudo. O torcedor realmente teve a oportunidade de extravasar, de chorar, de rolar, e até de procurar ficar dois ou três dias longe de casa, porque tinha um grande motivo: havia sido campeão carioca. Foi inesquecível: nós, jogadores, nos sentimos como heróis, uma sensação maravilhosa que guardo com imenso carinho até os dias de hoje.
SÃO GONÇALVES
Marcelo Gonçalves chegou ao BOTAFOGO no segundo semestre de 1989 e peregrinou seu eficiente futebol em diversas posições, das duas laterais até o meio de campo, sempre demonstrando grande garra e amor. Após ter se tornado Campeão Estadual em 1990, Gonçalves saiu deixando saudades, para retornar cinco anos depois, a tempo de ajudar o alvinegro carioca a conquistar o tão almejado título brasileiro.
Foi díficil substituir o Mauro Galvão, grande ídolo da torcida, na decisão do Estadual de 1990, contra o Vasco?
Não. Foi tranquilo porque eu atravessava um bom momento e já havia conquistado a confiança do próprio torcedor e dos companheiros atuando pela lateral-esquerda. Substituir o Galvão era, sem dúvida, uma tarefa difícil, ele era um grande jogador, inclusive de Seleção Brasileira. Mas, já naquela época, eu me sentia em condições de formar com o Gottardo uma grande zaga, o que não foi possível com a minha ida para o México.
Você tinha a intenção de voltar ao BOTAFOGO quando voltou ao Brasil, no ano passado?
Sim, eu tinha o desejo de voltar ao BOTAFOGO, pois sabia que tinha o respeito e o carinho de seus torcedores, havia deixado uma boa imagem. Quando estava de férias, no Brasil, encontrava torcedores que ainda vinham me cumprimentar, falar comigo na rua e isso alimentava meu desejo de voltar a vestir a camisa do BOTAFOGO. Retornar para um ex-clube, nessas condições, torna o trabalho mais fácil. Vim com o objetivo de reconquistar a admiração total da torcida e aumentar esse carinho, e, graças a Deus, acho que consegui. Eu sabia que tinha condição de me tornar campeão novamente e isso também foi obtido.
A torcida do BOTAFOGO sempre se identificou com seu futebol. Você costuma dizer que tenta levar o espírito do torcedor para dentro de campo. Existe realmente essa estreita relação entre ambos dentro dos noventa minutos?
Sim, pois eu acho que existe uma relação afetiva emocional muito forte entre o jogador e o torcedor. Até porque o jogador sente uma forte emoção quando escuta a vibração deste que, por sua vez, se sente identificado com cada jogada que o atleta faz durante a partida. Isso é fundamental: se o jogador entrar em campo e não sentir esta vibração que os torcedores transmitem, certamente não vai estar executando bem sua profissão. Por isso eu gosto e me identifico muito com esse tipo de sentimento. Acho importante saber vivenciá-lo e até passá-lo para o grupo no momento, por exemplo, em que estamos indo pro estádio. Quando você chega e ouve os torcedores cantando dá vontade de cantar também, você realmente se sente parte de uma paixão. O futebol é paixão, os torcedores são apaixonados e você realmente faz parte disso tudo. O torcedor admira o seu trabalho e consequentemente faz com que você passe a gostar do clube. Então, pelo fato de ter sido o clube que me deu maior projeção e êxito profissional, eu tenho uma identificação muito grande com o BOTAFOGO, não somente com o clube, mas também com a sua torcida. Apesar de na infância ter sido torcedor do Vasco, já me vejo, no futuro, sentado com a minha filha, no Maracanã, torcendo para o Fogão. Essa paixão não tem mais jeito.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 250 de 1996
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CAMPEÃO CARIOCA INVICTO
Por Ricardo Linhares. Fotos Celso Pereira
O BOTAFOGO se tornou Campeão Carioca de 1996, de forma sensacional. Foram sete jogos, com seis vitórias e apenas um empate, na última partida, quando já havíamos, antecipadamente, conquistado o título. Vamos reviver a invicta campanha, cujos números comprovam que o GLORIOSO foi, sem sombra de dúvidas, o legítimo merecedor do primeiro caneco do ano.
No dia 28 de janeiro, o BOTAFOGO estreou, em São Januário, e derrotou, de virada, o América por 3 a 1. 0 time não esteve bem no primeiro tempo e foi para o intervalo perdendo por um a zero. No segundo, as coisas pareciam se complicar ainda mais com a expulsão de Jamir. Porém, nesse exato instante, o alvinegro soube demonstrar a força do atual Campeão Brasileiro. Virou a partida com um gol de Mauricinho e dois de Túlio, sempre ele, sendo que um de pênalti. A equipe formou com: Wagner, Grotto, Wílson Gottardo, Gonçalves e Jéferson (Dauri); Jamir, Moisés, Beto e Julinho (Souza); Mauricinho (Márcio Theodoro) e Túlio. O técnico, como em toda a campanha, foi Marinho Pérez.
A segunda partida, e primeiro clássico, foi contra o Fluminense, no dia 04 de fevereiro. O jogo marcou as estréias de Bentinho, recém-contratado à Portuguesa de Desportos, Uidemar e Silas. Este, ao entrar aos dez minutos da fase final, infernizou a defesa do Flu. O time esteve bem, e com um gol em cada tempo, o primeiro de Beto e o outro de Gottardo, despachou o tricolor: 2x0. A equipe: Wagner, Grotto, Wílson Gottardo, Gonçalves e Jéferson (Márcio Theodoro); Moisés, Uidemar, Beto (Silas) e Dauri; Bentinho (Mauricinho) e Túlio.
Apenas dois dias depois, o GLORIOSO voltou a campo para enfrentar, dessa vez, o Olaria. O jogo foi no Caio Martins, e o placar da partida anterior foi repetido: 2x0. Destaque para o primeiro gol de Bentinho com a camisa alvinegra, de cabeça, logo aos quinze minutos de jogo. Túlio, sempre Túlio, completaria o placar aos 34 do segundo. Foi uma vitória justa que antecederia uma maratona de partidas que o BOTAFOGO foi obrigado a enfrentar devido a um acúmulo de competições. O time jogou com: Wagner, Grotto, Wílson Gottardo, Gonçalves e Jéferson; Jamir, Moisés (Silas), Uidemar (Souza) e Dauri; Bentinho (Mauricinho) e Túlio.
Onze dias depois, no sábado de carnaval, BOTAFOGO e Vasco foram responsáveis por uma chuva de gols no Maracanã. O time alvinegro, novamente, não esteve bem no primeiro tempo, e saiu perdendo por um a zero. No segundo, em apenas dezenove minutos, Dauri, Bentinho, Túlio e Jéferson, respectivamente, viraram o jogo para quatro a um. Mas a partida se tornaria dramática quando, apenas três minutos após o quarto gol do BOTAFOGO, o placar passava a apontar 4x3. Um drama que se estendeu até os 45 minutos quando Túlio arrancou do meio-campo e fez o gol que consolidou a vitória, prenunciando um feliz carnaval para a galera alvinegra: 5x3. O time: Wagner, Grotto (Silas), Márcio Theodoro, Gonçalves e Jéferson; Jamir, Moisés, Uidemar e Dauri (Marcelo Alves); Bentinho e Túlio.
A quinta vitória consecutiva do BOTAFOGO na Taça Cidade Maravilhosa consagraria, também, mais uma façanha do nosso implacável artilheiro. Neste dia 25 de fevereiro, com sua incurável fome de gols em dia, Túlio chegou ao seu centésimo tento com a gloriosa camisa alvinegra. O palco foi Moça Bonita, a vítima o Bangu. O terceiro gol, dos quatro que fez na partida, foi assim: falta cobrada pela esquerda, cabeçada de Gonçalves para o chão e defesa parcial do goleiro André Luís; a bola então passeou vadia em busca do artilheiro. Toque manso, simples: era o gol cem. Cem bolas nas redes. Cem vezes BOTAFOGO. Cem vezes Túlio Maravilha. Com esses 4x0, e o tropeço dos adversários, bastaria ao GLORIOSO vencer o Madureira, no meio da semana, para se sagrar Campeão Carioca. O time jogou com: Wagner, Perivaldo (Grotto), Wílson Gottardo, Gonçalves e Paulo Roberto; Jamir, Moisés (Silas), Uidemar e Dauri; Bentinho (Mauricinho) e Túlio.
No dia 29 de fevereiro, em jogo adiado da quarta rodada, o BOTAFOGO enfrentou o Madureira, no Maracanã, e se sagrou Campeão Carioca, diante do expressivo público de quase 23.000 botafoguenses. No primeiro tempo, aos quinze minutos, após um chute de Jéferson na trave, Josicler fez um gol contra, que nos colocou à frente no marcador. Onze minutos depois, e um bonito chute de Dauri de fora da área nos fez sentir o gosto da Taça. Afinal, não bastasse a vantagem de dois a zero, tínhamos o empate a nosso favor. Veio, então, o segundo tempo, e aos vinte e sete minutos, Jamir, em outro belo gol de fora da área, consolidou a conquista. Foi um justo prêmio ao time que melhor se apresentou ao decorrer do campeonato. Os números não mentem: seis jogos, seis vitórias. A equipe: Wagner (Carlão), Perivaldo (Silas), Wílson Gottardo, Gonçalves e Jéferson; Jamir, Moisés, Uidemar e Dauri; Bentinho (Paulo Roberto) e Túlio.
Para cumprir tabela, enfrentamos o Flamengo, no dia três de março, no Maracanã. O BOTAFOGO saiu atrás no marcador, mas dominou inteiramente o primeiro tempo, até empatar o jogo através de Túlio. Foi o décimo gol do artilheiro máximo da competição, o dobro do segundo colocado Aílton, do Fluminense. Na fase final, e sempre mais time, o GLORIOSO virou a partida através de Dauri. Faltavam onze minutos quando o Flamengo, com um jogador a mais (Perivaldo havia sido expulso), conseguiu igualar o marcador e decretar o placar final: 2x2. Belo consolo do rubro-negro, ter sido o único que conseguiu empatar com o Campeão. Infelizmente, não foi o bastante para assegurarem o vice-campeonato, que ficou com o Madureira. O time que jogou a última partida: Wagner, Perivaldo, Wílson Gottardo, Gonçalves e Paulo Roberto; Jamir, Moisés (Silas), Uidemar e Dauri (Souza); Marcelo Alves (Mauricinho) e Túlio. Dessa forma, invicto e com cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado, com o melhor ataque e a segunda melhor defesa, com quinze gols de saldo e o artilheiro da competição, o GLORIOSO BOTAFOGO se tornou, de forma mais do que merecida, CAMPEÃO CARIOCA DE 1996.
AS DEMAIS COMPETIÇÕES:
O BOTAFOGO disputou mais três competições no primeiro semestre deste ano tendo, em todas, uma perfomance de altos e baixos. Na mais importante delas, a Taça Libertadores da América, o clube alvinegro foi eliminado nas quartas-de-final, pelo Grêmio. A partida de volta, no Olímpico (a primeira, no Maracanã, terminou empatada em um a um), marcou exatamente a melhor atuação da equipe que, infelizmente, não soube transformar as oportunidades criadas em gols. Na primeira fase, sempre em jogos de ida e volta, o GLORIOSO enfrentara o Corinthians, o Universidad do Chile e a Universidad Católica. O melhor momento foi contra este último: a goleada de 4x1 marcou um raro momento de arte e travessura quando Túlio assinalou de calcanhar o último tento da partida. Valeu o ingresso.
DERROTA NOS PÊNALTIS
Na Copa do Brasil, o BOTAFOGO estreou em Floriano, contra o Cori-Sabbá, perdendo por um a zero, com um gol no último minuto. O jogo de volta foi tranquilo. Mesmo jogando com um time reserva, reforçado por Túlio (que fez um), vencemos por 3x0. O próximo adversário foi o Parariá e a sorte não estava do nosso lado. Dois empates em zero a zero e fomos para os pênaltis, em Curitiba, local do segundo jogo. Bentinho e Jamir desperdiçaram suas cobranças e o time paranaense venceu por 4x2.
A FALTA QUE TÚLIO NOS FAZ...
Restava então o Estadual. Durante o primeiro turno o clube alvinegro acumulava partidas de outras competições que prejudicavam o desempenho da equipe. Não havia tempo nem mesmo para os treinamentos. Assim mesmo, foi uma injusta derrota para o Flamengo por 2x0 (o Fla abriu o placar aos 24 minutos do tempo inicial em seu primeiro chute à meta de Wagner e decidiu o jogo num contra-ataque quase ao final, quando o BOTAFOGO mais pressionava) que retirou definitivamente as chances de conquista da Taça Guanabara. No segundo turno, o alvinegro pintou como provável campeão, mas os inúmeros pontos perdidos para equipes pequenas (Barreira, Americano, Volta Redonda e Olaria) terminaram com quaisquer esperanças de título. Cabe ressaltar que a contusão de Túlio, logo no segundo jogo deste turno, foi determinante para a queda de rendimento do time. O artilheiro, aliás, não voltou a jogar no campeonato. Este foi o segundo grave problema médico do centroavante nestes seis meses. Sem poder contar com Túlio em dezoito das 34 partidas válidas por estas três competições, o BOTAFOGO perdeu muito em força, deixando de ter o diferencial que nos trouxe inúmeras vitórias e decidiu tantas partidas. Para o segundo semestre esperamos que Túlio esteja novamente em forma, livre de contusões, para nos ajudar a conquistar o terceiro título brasileiro de nossa história.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 250 de 1996
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Fonte: Boletim Planeta Botafogo nº 4 de outubro de 1998
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Aquela quarta-feira, dia 29 de setembro de 1993, ficará gravada para sempre na memória dos torcedores do Botafogo. Foi neste dia que o clube conquistou o seu primeiro (e até agora único) título internacional no estádio Maracanã, ante um grande rival como Peñarol e em um dramático encontro.
Antes de falar da competição, vale ressaltar que aquele segundo semestre não foi tão feliz para o time da estrela solitária, que estava indo mal no Campeonato Brasileiro. Porém, na competição sul-americana, o clube reagia e deixava para trás Bragantino (com duas vitórias, 3 a 1 e 3 a 2), Caracas ( dois triunfos, 1 a 0 e 3 a 0), e Atlético Mineiro, que era o detentor do título da Copa (derrota por 3 a 1 no Mineirão e vitória por 3 a 0 no Maracanã).
Com estes resultados, o Botafogo chegou à final da competição, onde encararia o tradicional Peñarol. Vale lembrar também que os bons resultados no torneio internacional empolgaram a equipe, que se recuperou no Campeonato Nacional.
O primeiro jogo da final foi em Montevidéu e terminou com o placar de 1 a 1, com Otero marcando para o Carbonero e Perivlaldo empatando. Uma imensa expectativa fez com que o torcedor botafoguense lotasse as instalações do Maracanã para a definição do título. E, quem diria, de um ano perdido para um título!
Desde o início do jogo, o time carioca atacou de forma sistemática, convertendo na figura de Gerardo Rabajda, o arqueiro rival, o melhor em campo. Porém, na primeira investida, aos 34 minutos, os visitantes abriram o placar por intermédio de Pablo Bengoechea, que aproveitou um erro da defesa alvinegra.
O alívio dos torcedores que lotavam o Maraca veio aos 7' da segunda etapa, com o empate através de Eliel, de falta. O delírio se apoderou no estádio, quando Sinval anotou um gol espetacular de 30 metros de distância, que deixou impotente o goleiro Rabajda. Começou a abundar o jogo brusco de ambos os lados e por seus reiterados protestos, o árbitro argentino Francisco Lamolina expulsou Carlos Alberto Torres, técnico local e uma glória do futebol mundial.
Tudo parecia controlado por Botafogo, que sentia o 'cheiro' do título, até que no último minuto, o fantasma do Mundial 1950 sobrevoou pelo Maracanã novamente, quando Marcelo Otero fez o empate definitivo, tocando sobre a cabeça de William e mandando a decisão da taça para os pênaltis.
Ali, todo o esforço do Peñarol se derrubou por sua pouca eficácia: dos quatro jogadores que bateram as penalidades, só anotou Da Silva. William defendeu o de Ferreyra, enquanto que Gutiérrez e Dos Santos chutaram para fora. A glória foi para o Botafogo, já que só Sinval perdeu (defendido por Rabajda). Suelio, Perivaldo e André deram o título ao Fogão. Um grande time da América tinha sua merecida conquista internacional.
Campanha
Oitavas de final
Botafogo 3×1 Bragantino
Botafogo 3×2 Bragantino
Quartas de final
Botafogo 1×0 Caracas (VEN)
Botafogo 3×0 Caracas (VEN)
Semifinal
Botafogo 1×3 Atlético-MG
Botafogo 3×0 Atlético-MG
Final
Botafogo 1×1 Peñarol (URU)
Botafogo 2 (3) x (1) 2 Peñarol (URU)
Fonte: ocuriosodofutebol.com.br
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JUVENIL É TETRA-CAMPEÃO DO BRASIL
Ao conquistar o XIV Torneio Estado do Rio de Janeiro de Futebol Juvenil, Copa Rio, que equivale ao Campeonato Brasileiro da categoria, em fevereiro, o BOTAFOGO sagrou-se TETRA-CAMPEÃO BRASILEIRO JUVENIL.
O BOTAFOGO ganhou o bicampeonato 1989/90, sob o comando do saudoso técnico Antoninho, e ganhou o campeonato de 1992, com o técnico Renato Trindade.
Agora, em 99, tendo à frente o técnico Luciano Mello, o BOTAFOGO fez bonito mais uma vez, conquistando o tetra-campeonato.
Reunindo 66 clubes de todo o Brasil, a competição teve um bom nível técnico, destacando-se o BOTAFOGO como um dos mais promissores celeiros de craques do futebol brasileiro. Em sua campanha, o BOTAFOGO jogou 10 vezes, venceu seis partidas, empatou 3 vezes e perdeu apenas uma vez. Para o técnico, "o sucesso do time deve-se fundamentalmente ao espí1ito de equipe e à união do grupo".
- Apesar do pouco tempo que tivemos para trabalhar, conseguimos chegar ao título. Todos, sem exceção, estão de Parabéns. E os torcedores podem ter a certeza de que o BOTAFOGO possui uma excelente base para o futuro. Dentro de algum tempo, a equipe de profissionais do BOTAFOGO será composta exclusivamente por jogadores vindos da Divisão de Base do Clube, revela.
ELENCO
01 - Roberval Lázaro de Alcântara filho
02 - Sidinei Estevão Ferreira
03 - Fabrício Brandão Santos
04 - Rafael Marques Pinto
05 - Afonso César Rodrigues
06- Arthur Matheus Zacarias da Silva
07- Ronald Albuquerque Correa (Roni)
08-Tiago Xavier Rodrigues
09 - Daniel Freire Mendes
10 - Denni Rocha dos Santos
11 - Ewerton Guerreiro de Souza
12 - Gustavo Ferraz Cardoso
13 - Carlos Eduardo Cunha de Faria
14 - Diogo Marins da Silva
15 - José Ricardo Soares B. Chichierchio
16 - Carlos Alessandro Pereira
17 - Milson Garcia Junior
18 - Anderson Monta Martins
19 - Rafael Coutinho Azariti
20 - Rodrigo Melo de Lima
21 - Henrique Victorino Francioso
22 - Rômulo Pontes Ludovic
23 - Tiago da Costa Martins
24 - Rodrigo Guedes de Barros
25 - Ricardo de Souza Braz
Lázaro, Sidinei, Fabrício, Rafael (Diogo), Arthur; Afonso, Roni (Tiago Costa), Eduardo, Rodrigo Melo, Denni e Daniel (Braz)
Artilheiro da Copa Rio, com 14 gols em 10 partidas, Daniel Freire, 18 anos, é um artilheiro nato que se orgulha de mais essa proeza:
- Graças a Deus, sempre me destaco como artilheiro nas competições que participo. Não gosto de ficar fixo na área. Sempre que é preciso, prefiro voltar para ajudar o meio de campo a criar novas situações de gol. Foi isto o que aconteceu neste torneio, mas é preciso destacar o trabalho de todos, porque foi o grupo que me deu condições de chegar a artilharia.
Segundo o pai do artilheiro, José Roberto, que se mudou com a família de São Paulo para o Rio de Janeiro, para acompanhar Daniel, o filho tem "talento,força de vontade e todo o apoio da gente, para tornar-se um dos maiores jogadores de futebol da atualidade. O sucesso depende dele", diz.
A CAMPANHA
BOTAFOGO 3x0 Duque Caxiense
BOTAFOGO 3x1 Cepe Caxias
BOTAFOGO 6x1 Bonsucesso
BOTAFOGO 1x3 Portuguesa (RJ)
BOTAFOGO 1x1 Serrano
BOTAFOGO 1x1 Americano
BOTAFOGO 1x0 Heliópolis
BOTAFOGO 4x1 Ituano
BOTAFOGO 0x0 Vasco
BOTAFOGO 2x0 Bahia
O TETRA-CAMPEONATO: 89/90/92/99
COMISSÃO TÉCNICA
Coordenador: Prof. Roberson Café
Supervisor: Prof. Ronaldo Lima dos Santos
Chefe do Depto.Técnico: Sr. Marcos Mesquita
Técnico: Prof. Luciano César Viana Melo
Preparador físico: Prof. Marcelo Estefano
Preparador de Goleiros: Prof. Leonardo Luiz da Silva
Médicos: Dr. Carlos Fernando Neves
Dr. Frederico da Rosa Machado
Dr. Fernando Marques Coimbra
Fisioterapêutas: Dr. Eduardo Fraga e Dr. João Fonseca
Massagista: Ênio Pires Cordeíro
Roupeiro: Renato de Santana
Assistente Social: Glaucia Santos Lima
Psicóloga: Márcia Custódio Nunes
Apoio: Jorge Luís Azevedo dos Santos
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 254 de 1999
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JUNIORES CONQUISTAM A TAÇA GUANABARA 99
No dia 20 de abril, o BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS sagrou-se Campeão da Taça Guanabara de Juniores de 1999, ao derrotar o Fluminense por 1 a 0. A partida foi no Maracanã, numa terça feira à tarde, portões abertos. O jogo foi decidido aos 43 min do segundo tempo, gol de Léo.
Cerca de 4 mil torcedores prestigiaram a decisão da Taça GB, sendo a maioria BOTAFOGUENSE.
Fato curioso: neste jogo, pela primeira vez em sua história, a TORCIDA JOVEM DO BOTAFOGO assistiu o jogo das cadeiras.
RESUMO DA CAMPANHA
9 Jogos
8 Vitórias
1 Derrota
27 Gols a favor
10 Gols contra
ARTILHEIROS
1º Marcelo - 10 gols
2º Nilson - 6 gols
3° Léo - 5 gols
4º Daniel - 2 gols
5° Leandro, Júnior, Renatinho e Tavares
COMISSÃO TÉCNICA
Coordenador: Roberson Café
Supervisor: Ronaldo Lima dos Santos
Depto. Técnico: Marcos Mesquita
Treinador: Dé Aranha
Preparador Físico: Nardo Siqueira
Treinador de goleiros: Jorge Ferreira
Assist. Técnico: Sebastião Leônidas
Auxiliar de Preparação Física: Edmundo
Massagista: Luiz Cláudio
Roupeiros: Joca e Geraldão
Departamento Médico:
Fernando Marques, Dr. Frederico Oertel, Dr. Carlos Fernando
Fisioterapia: Sérgio Luiz, Renato, João Bosco, Eduardo
Assist. Social: Glaucia
Psicóloga: Márcia
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 254 de 1999
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O mais otimista dos botafoguenses não poderia prever o que aconteceu no Maracanã, no dia 24 de janeiro. O BOTAFOGO, com um time renovado não se intimidou frente ao Corinthians, Campeão Brasileiro. Pelo contrário, aplicou-lhe urna goleada inesquecível: 6 a 1. Sob o comando do técnico Valdir Espinosa, o BOTAFOGO esteve soberano em campo, fez três gois em menos de meia hora. Aos dez minutos, numa jogada individual de Válber, o maestro alvinegro, que passou por dois jogadores Corinthianos e deixou Bebeto cara a cara com o goleiro Nei. Abria-se o marcador, dando início a goleada. Aos 15 minutos, outro gol. Zé Carlos sofreu pênalti do lateral Rodrigo. Sérgio Manuel cobrou com perfeição, marcando o segundo gol do BOTAFOGO.
Não demorou muito para a torcida ir ao delírio com o terceiro gol do GLORIOSO. Fábio Augusto cobrou urna falta pelo setor esquerdo, a bola bateu no poste direito (do goleiro) e sobrou para o zagueiro Bandoch, que fulminou o gol corinthiano, aos 26 minutos de jogo. A partir de uma cobrança de escanteio feita por Marcelinho Carioca , o Corinthians marcou o seu gol de honra, aos 28 min por intermédio do zagueiro Batata, de cabeça. Aos 37 minutos, o BOTAFOGO voltou a converter mais um gol. Desta vez nos pés de Zé Carlos. O lance começou num cruzamento de Paulo César, emendado por Bebeto. O goleiro Nei não conseguiu encaixar a bola, que sobrou para o oportunista Zé Carlos deixar a sua marca de artilheiro. Ainda no primeiro tempo, Fábio Augusto levou o Maracanã à loucura, entrando na área com determinação para chutar violentamente para a meta do goleiro Nei, que não pôde fazer nada. Era o quinto gol do BOTAFOGO. O último gol da partida saiu aos 29 minutos do segundo tempo e demonstrou claramente o quanto o Corinthians transtornado. Sem ter mais o que fazer para impedir outro gol botafoguense, o zagueiro Rodrigo, tirou com as mãos aquele que seria o gol de cabeça do jovem atacante Felipe. Pênalti. Bebeto cobrou. Bola para lá, goleiro para cá. Estava fechada a maior goleada do BOTAFOGO sobre o Corinthians. Parabéns, BOTAFOGO. Esse é um jogo para a História.
O TIME DO BOTAFOGO: Wagner , Paulo César (César Prates), Bandoch, Edimar e Ronildo; Reidner, Válber, Fábio Augusto e Sergio Manuel; Zé Carlos (Felipe) e Bebeto (Rodrigo). Técnico: Valdir Espinosa
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Planeta Botafogo nº 8 fevereiro 1999
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Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial Planeta Botafogo nº 9 de março de 1999
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O Botafogo na Dinamarca
João Saldanha
E de repente todos descobrem que o Botafogo tem um bom time. Não excepcional, mas creio que devemos estar convencidos de que se trata de bom.
Foi outro dia, aqui mesmo no jornal, na porta do elevador do sexto andar que o Paulinho ia saindo e batemos ligeiro papo. O treinador estava bem dentro da realidade. Um time que é seguro, mas que se bancar o afoito se estrepa.
Eu diria que todos os nossos são assim exceto, talvez, o Flamengo que mesmo tendo levado a cipoada que tomou é o único que pode mandar bala sem ter que temer muito. Boa defesa, bom meio-campo e bom ataque logo que resolver o problema das pontas.
Mas amanhã falaremos disto. Julgo importante falar sempre em nosso melhor time.
Então, o Botafogo é um time seguro que está muito bem armado e joga com um tremendo espírito de solidariedade. Deste tipo que a gente sabe no começo da competição que dá para ir até o fim e talvez ganhar. É isto ai, qualquer treinador sente no seu time o cheiro de vontade de ganhar. Sabe-se perfeitamente se o time está ou não a fim.
Pode até ser derrotado. O time com cheiro da vontade de ganhar luta sempre com modéstia. O jogador mais metido, o mais mascarado, como se dizia, não cabe no time. E tem mais: não bota manga de fora. Se fizer isto, sobra e a turma não aceita.
Mas conversamos que no Botafogo, um cracão, um jogador que nem se sabe onde deve entrar ao certo, pode fazer o Botafogo novamente de um bom time em um grande time. Nós estamos mal acostumados com o futebol brasileiro e nos tornamos os torcedores mais exigentes do mundo. Não há mal nenhum nisto. Se um time inglês, destes que estão disputando a Liga na primeira divisão, tivesse uma equipe como a do Botafogo, seus torcedores estariam falando de boca cheia. Mais fechada ainda do que os pernósticos de Cambridge ou Oxford. É que eles se satisfazem amplamente com atuações boas e firmes. Como o Botafogo está fazendo, como fez o Fluminense ou o Flamengo. Talvez condenassem a falta de espírito ofensivo do Vasco na disputa com a Ponte Preta, mas, mesmo assim, comprariam todos as assinaturas para os jogos do próximo campeonato do clube, sabendo que seria na certa candidato ao titulo e, principalmente apresentador de bons jogos. Aqui, ou o título de campeão ou nada. Não existe segundo lugar. Segundo aqui é último.
O Botafogo tem um bom time. Isto ninguém mais tira. Nem a famosa "Fla-imprensa", que senta em fila na tribuna do Maracanã. E se o Botafogo arruma o cara, quem, não sei, mas sei que um dia pinta, estará novamente com o timão. O Botafogo já tem o Rocha, um dos melhores meio-campistas do Brasil, tem Gaúcho Lima, Marcelo, Ziza, este excelente Édson, o craque baiano Perivaldo, que quando joga com sobriedade é pedra da melhor água, Eduardo, o outro Gaúcho. Não é por acaso que um time chega onde o Botafogo está. Se fosse na Dinamarca, já estaria consagrado. Aqui é mais difícil. Mas fez a torcida voltar de novo e isto é que é importante. O Botafogo bateu o recorde de renda do campeonato e bateu o recorde de renda de jogos noturnos do mesmo campeonato. Aí está o ganho. O resto é lucro.
(Transcrito do "Jornal do Brasil")
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O título brasileiro de 95 começou a ser conquistado aí. O clube contratou jogadores desconhecidos, praticamente recomeçando da estaca zero. Chegaram Sinval, Eliel, Eraldo, Perivaldo, Aléssio e o folclórico goleiro colombiano Eduardo Nino. Mas foi com esses jogadores e com Carlos Alberto Torres como treinador que o clube conquistou o primeiro título internacional oficial de sua história: a Copa Conmebol. A campanha foi heróica, com vitórias consecutivas sobre Bragantino, Caracas (Venezuela) e Atlético MG na fase semifinal. Depois de perder por 3 a 1 no Mineirão, o time precisava de três gols no Caio Martins. E conseguiu: 3 a 0, gols de Rogério, Sinval e Eliel, quase no fim do jogo.
A decisão contra o Penarol foi dramática. Em Montevidéu, Rogério foi expulso e o time conseguiu empatar em 1 a 1 (gol de Perivaldo), muito pelas defesas fantásticas do goleiro William. A torcida, que estava longe dos estádios, voltou a lotar o Maracanã para a partida de volta. Se faltava talento, não faltava garra a William, Perivaldo, André, Cláudio e Clei; Nélson e Suélio; Aléssio, Marcelo, Sinval e Bel. Carlos Alberto Torres botou o time para a frente, num ousado 4-2-4. Os uruguaios fizeram 1 a 0, mas em duas cobranças de falta, de Eliel e Sinval, o Botafogo estava na frente. O Maracanã, em festa, esperava o fim do jogo. Mas Otero empatou nos acréscimos.
A torcida não acreditava no empate. Nos pênaltis, tudo poderia acontecer. Até o artilheiro Sinval perder a primeira cobrança. Entrou em cena, porém, uma figura decisiva. William defendeu duas cobranças e garantiu a Taça, erguida no centro do campo pelo capitão Nélson. A torcida saiu às ruas para comemorar e o fez por toda a madrugada de quinta-feira.
Fonte: Revista Lance série grandes clubes edição especial 1999
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