FUTEBOL MASCULINO DECADA DE 40

  



CLASSIFICAÇÃO DO BOTAFOGO
1942 — Campeão 
1943 — Campeão 
1944 — Campeão 
1943 — 7º lugar 
1944 — 2º lugar 
1945 — 2º lugar
1946 — 2º lugar
1947 — 2º lugar 
1948 — Campeão 
1949 — 4º lugar 
1950 — 4º lugar 
1951 — 3º lugar 
1952 — 4º lugar 
1953 — 3º lugar 
1954 — 6ºlugar 
1955 — 7º lugar 
1956 — 3º lugar 
1957 — Campeão 
1958 — 3º lugar 
1959 — 2º lugar 
1960 — 3º lugar 
1961 — Campeão 
1962 — Campeão 
1963 — 3º lugar 
1964 — 3º lugar 
1965 — 3º lugar 
1966 — 4º lugar 
1967 — Campeão 
1968 — Campeão 
1969 — 3ºlugar 
1970 — 3º lugar 
1971 – 2º lugar  

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Grandes Clubes de Futebol nº 13 
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Jogo do Senta é como ficou conhecida uma partida de futebol, válida pelo Campeonato Carioca e realizada em 10 de Setembro de 1944 (um domingo), entre Botafogo e Flamengo.

Como se vê em "espn.com.br", "ge.globo.com.br", "piaui.folha.uol.com.br" e no livro "O Jogo do Senta" (tudo com fotos), o certame ganhou essa alcunha após os jogadores do Flamengo terem protestado contra a validação do quinto gol do Botafogo.

Os jogadores do Flamengo, seguindo ordens do banco e de dois dirigentes, sentaram-se em campo, aos 31 minutos do segundo tempo (momento do quinto gol) e assim ficaram até aos 45 minutos, quando se dirigiram ao vestiário.

O Flamengo recorreu à Justiça, onde a vitória do Botafogo foi obviamente confirmada pelo exato placar de 5 x 2. Por isso a partida passou à História como o "jogo do senta", a origem do "chororô".

Apesar disso, o Flamengo se sagrou o campeão daquele ano.

O Jogo

“Não queria que os jogadores se sentassem no gramado. Estava longe e não pude interferir. Aquilo foi ordem dos dirigentes.”

O primeiro tempo foi duro e terminou com vantagem de 2 a 1 para o Botafogo, gols de Heleno e Valsecchi. Na etapa final, animado por sua torcida, o Botafogo chegou a colocar 4 a 1 (Valter e Heleno), o Flamengo diminuiu para 4 a 2 (Jarbas) mas, aos 31 minutos, Geninho chutou, a bola bateu no travessão, quicou no gramado (segundo o Flamengo) ou dentro do gol (segundo o Botafogo e o árbitro) e retornou para o campo. O ponta botafoguense Lula entrou cabeceando. Ao mesmo tempo, o zagueiro rubro-negro Jayme entrou chutando bola, cabeça do Lula e o que mais estava no lance, para longe da meta. O árbitro assinalou gol.

Segundo o trecho do que está na matéria do jornal O Globo, de 11 de setembro de 1944, página 2, da edição matutina: “Geninho, ao receber o passe de Heleno, emendou a pelota, que foi em direção às redes. Devido à rapidez do lance, não se sabe ao certo o que ocorreu”.

Para o jornal Esporte Ilustrado, a bola chutada por Geninho batera na parte inferior do travessão e quicara dentro do gol para depois sair. Porém, para os jogadores e dirigentes do Flamengo, não havia dúvidas: a bola quicara fora do gol.

No dia seguinte, os jornais, no comentário sobre o juiz, garantiram que ele estava longe do lance e que não tinha condições físicas para correr os dois tempos. O fato é que a dúvida ficará para sempre, afinal, na época, nem mesmo as mais velozes máquinas fotográficas captaram o lance.

Revoltado, o vice-presidente do Flamengo, ordenou a retirada de campo, mas acabou aceitando a recusa em reiniciar o jogo. Na foto publicada nO Globo, vêem-se alguns jogadores sentados, outros de pé, aguardando o juiz apitar o final do certame. Quando o tempo se escoou, levantaram-se e retiraram-se cabisbaixos para os vestiários. Na súmula, o árbitro Mossoró anotou o gol de Geninho, exatamente aos 31 minutos, e o resultado da partida foi homologado pela Federação como 5 a 2 para o Botafogo.

Em setembro de 2013, o jornalista Marco Santos escreveu no blog Fim de jogo, na coluna "E aí é uma outra história", um relato sobre este famoso jogo.

Em setembro de 2014 foi lançado em General Severiano pela Editora Livros de Futebol o livro "Jogo do Senta, a verdadeira origem do chororô", do jornalista e professor universitário Paulo Cezar Guimarães.

Ficha Técnica

10 de Setembro de 1944 Botafogo 5 – 2 Flamengo Estádio de General Severiano, Rio de Janeiro Brasil

15h15min[2]

Heleno de Freitas Gol marcado aos 20 minutos de jogo 20' Gol marcado aos 70 minutos de jogo 70'

Valsecchi Gol marcado aos 44 minutos de jogo 44'

Valter Gol marcado aos 68 minutos de jogo 68'

Geninho Gol marcado aos 76 minutos de jogo 76' Relatório Gol marcado aos 30 minutos de jogo 30' Jaime de Almeida

Gol marcado aos 73 minutos de jogo 73' Jarbas Árbitro: Aristides "Mossoró" Figueira

Fonte: https://wikiPedia.org

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O JOGO DO SENTA


Jogadores do Flamengo sentados após a marcação do gol do Botafogo

Meu tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) detestava o "Mais Querido" e eu custei a entender a razão. Esportista - aplaudia os adversários quando entravam em campo -, não vaiava os jogadores do Botafogo e apenas ficava cabisbaixo nas derrotas. Militar, não podia admitir que um clube não soubesse perder.

Até que um dia - faz tempo isso... - me relatou o verdadeiro "mico" que o "Simpaticíssimo" pagou em General Severiano, com seus jogadores sentando em campo aos 31 minutos do segundo tempo, por ordem da diretoria, para espanto e estupor (termo que aproveitei de um cruz-maltino) de jogadores, dirigentes e torcedores do Glorioso alvinegro.


Domingos da Guia, ídolo rubrunegro, na casa alvinegra

Mas, afinal de contas, o que teria acontecido de tão marcante há tantos anos - exatas sete décadas - precisamente na tarde ensolarada de um domingo, 10 de setembro de 1944?

Em sua inexorável marcha para a conquista de seu primeiro tricampeonato, após o discutido gol de Agustín Valido (1914-1998), na Gávea, na decisão contra o Vasco da Gama, o "Mais Querido", até aquele dia, que entrou para o folclore do futebol carioca, perdera apenas dois jogos: o primeiro, diante do América, e o do final do turno, para o Vasco. Mas, na segunda rodada do returno, a tabela marcara um Botafogo x Flamengo para General Severiano.


Árbitro Aristides Figueira, popularmente conhecido como "Mossoró"

Para os alvinegros, seria a oportunidade de vingança dos 4 a 1 que sofrera na Gávea, no turno. Nos rubro-negros, já bicampeão e com Zizinho comandando o ataque, a confiança era absoluta. Otimismo em relação à conquista do terceiro título seguido. E General Severiano pegou um público extraordinário. Até Domingos da Guia, que recém deixara o Flamengo, foi prestigiar o clássico.

Com arbitragem de Aristides Figueira - o popular e obeso "Mossoró" - os times entraram em campo assim:

Botafogo - Ari, Laranjeira e Ladislau; Ivan, Papeti e Negrinhão; Lula, Geninho, Heleno de Freitas, Valsecchi e Valter

Simpaticíssimo - Jurandir, Newton e Quirino; Biguá, Bria e Jaime de Almeida (pai do técnico); Nilo, Zizinho, Pirillo (que seria campeão no Botafogo em 1948), Sanz e Jarbas. GLOBO SPORTIVO

O primeiro tempo foi duro e terminou com vantagem de 2 a 1 para o Glorioso, gols de Heleno de Freitas e Valsecchi. Na etapa final, animado por sua torcida, o Botafogo chegou a colocar 4 a 1 (Valter e Heleno), o Flamengo diminuiu para 4 a 2 (Jarbas), mas aos 31 minutos, Geninho fez o quinto gol.

Começaram então as reclamações de jogadores e dirigentes rubro-negros. Para o "Esporte Ilustrado", a bola chutada por Geninho batera na parte inferior do travessão e quicara dentro do gol para depois sair. Para Mossoró, também.

Já os jogadores do Mais Querido, Jurandir à frente, garantiam que a bola se chocara contra o travessão e voltara ao gramado. Por incrível que pareça, para muitos torcedores do Botafogo postados atrás da baliza à direita das sociais, onde mais tarde surgiriam a Avenida Pasteur e o Túnel do Pasmado, a bola explodira dentro do gol mas batera no ferro que sustentava a rede.

Formado o tumulto - com os alvinegros batendo bola à espera do reinício da partida -, os jogadores do Simpaticíssimo, obedecendo a ordens vindas do banco e dos dirigentes Marino Machado e Francisco Abreu, simplesmente sentaram-se em campo.

Quando o tempo se escoou, levantaram-se e retiraram-se para os vestiários. Na súmula, Mossoró anotou o gol de Geninho, exatamente aos 31 minutos, e o resultado da partida foi homologado pelo Tribunal de Penas da Federação Carioca, como 5 a 2 para o Botafogo.

Durante a semana, a reclamação dos responsáveis pelo departamento de futebol do Flamengo prosseguiu. E os jornais, ironicamente, passaram a chamar a partida de "O Jogo do Senta". O Simpaticíssimo perdeu o jogo e a renda do clássico, mas seria tricampeão ao final do campeonato.

É claro que com os recursos da televisão de hoje, a dúvida seria tirada um instante após o chute de Geninho. A bola moderna, com "chip" dedo-duro, daria o gol. Mas, na época, nem mesmo as mais velozes máquinas fotográficas - as SpeedGraph - captaram o lance.

O resultado é que durante muito tempo o debate seguiu acalorado.

Para o Mais Querido, porém, foi apenas um tropeço - inesperado, obviamente - na rota para o tricampeonato. Para os torcedores botafoguenses, porém, apesar da vitória de 5 a 2, ficou um travo amargo na garganta. Numa época romântica e cavalheiresca como aquela, era imperdoável o adversário não aceitar uma derrota, principalmente por tantos gols de diferença.

Talvez esteja aí a origem da rivalidade que atravessa gerações.

Jornalista botafoguense resgata história

REPRODUÇÃO

Agora em nove de setembro, no "foyer" do Salão Nobre do Botafogo, o jornalista e professor de Jornalismo, Paulo Cezar Guimarães, lança "Jogo do Senta: a verdadeira origem do chororô", onde resgata a história do tumultuado jogo.

PC, como o chamam alunos, amigos e os incontáveis repórteres esportivos que ajudou a formar, em anos de magistério, é um tremendo gozador e me convidou a escrever o prefácio do livro, o que fiz com grande prazer, seguindo a linha do meu tio Júlio - mezzo esportista, mezzo gozador.

O livro, que tem a chancela da editora LivrosdeFutebol.Com, do meu amigo César Oliveira, botafoguense como eu e que me deu a alegria de produzir meu livro "Botafogo: 101 anos de histórias, mitos e superstições", será apresentado também em parceria com o programa "Botafogo Sem Fronteiras", com o "Feijão no Fogão", presença de velhos ídolos - como Jairzinho, Túlio Maravilha, Mauricio 89, Roberto Miranda etc., fazendo a alegria da torcida do Botafogo fora do Rio de Janeiro.

Vai vender que nem banana em fim de feira. Do outro lado, vai ser contestado à larga. Afinal, era um tempo em que não havia as papeletas amarelas e os árbitros não mudavam resultados, como em recentes Botafogo x Flamengo.

Fonte: site https://espn.com.br

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 O cotejo America x Botafogo surgia, como sua  tradição, como o maior e principal da rodada de domingo. Em verdade dentre os três jogos fixados pela tabella, nenhum apresentava um passado tão longo e tão cheio de prélios de equilíbrio e renhidez, como o que reuniria alvi-negros e diabos rubros em São Januário. Alem disso havia ainda a credenciar a peleja a situação de ambos no actual campeonato: empatados no quarto logar com seis pontos perdidos cada um. O America contava desalojar da posição o seu adversário. E apresentava como base para essa pretensão o magnifico feito de sete dias atras quando quebrara, no mesmo stadium de São Januário, a invencibilidade do "leader” da tabella. O Botafogo não apresentava uma victoria anterior. Muito ao contrario, surgiu com um desejo immenso de vencer para reabilitar-se de um revés elevado soffrido um domingo antes. Alvi-negros e rubros, porem, tinham um motivo bem mais forte para esforçar-se pelo triumpho. Era o de não deixarem fugir-lhes as possibilidades ainda existentes, ao campeonato, mas que vão escapando-se-lhes gradativamente, distanciando-se cada vez mais do primeiro posto.



Nessas condições esperava-se que o prélio empolgasse pela renhidez, pela combatividade, pelo enthusiasmo, pela technica mesmo, pois nos dois quadros figuram elementos de classe indiscutível. Mas o que se viu dessas características não chegou para empolgar. A renhidez, a combatividade, o enthusiasmo ainda appareceram em campo. Em dose muito relativa, não resta duvida, mas em todo caso appareceram quanto à technica, porém, andou arredia de São Januário. A rigor não se verificaram lances de precisão,  classe, de "association" puro. As jogadas mais movimentadas tinham a sua origem no imprevisto, no atropelo de uma arrancada, no desespero de uma rebatida espectacular. Faltou, aliás, aos dois conjuntos para apresentar um football melhor, aquillo que se chama a "chave" de um team: — linha média. O trio de halvez dos rubros não foi a sombra do que actuou contra o Flamengo. Dedão não conseguiu marcar Patesko, Bolinha andou às tontas e Alcebiades, embora o mais regular dos três, também não convenceu no Botafogo, Zezé Procopio cumpriu um primeiro tempo irreconhecível. Melhorou no segundo tempo, mas mesmo assim não brilhou. Martim provou que não está ainda á altura de reassumir a posição em que já foi rei. Esteve lento e. sobretudo, desanimado. Canalli, também, ainda adoentado, esteve fraco. E assim a produção dos dois quadros no primeiro tempo foi fraca. De inicio os alvi-negros mostraram-se mais dispostos ao ataque, mas positivaram-se infelizes na conclusão das investidas. Isso permittiu ao America reanimar-se e equilibrar pugna. E até os trinta e um minutos, avantajar-se no placard com um goal de Carola, o meia esquerda rubro aproveitou-se de um momento de vacillação collectiva da defesa do Botafogo, para ageitar a bola dentro da área o mandar ás redes de Aymoré.

Para o segundo tempo o Botafogo apresentou-se disposto a desfazer a vantagem adquirida pelo America. Para isso, tomou uma medida acertada: alterar a linha média. Primeiro colocou Zezé Moreira no logar de Canalli. Depois aos dez minutos retirou Martin e passou Zezé Moreira para o centro médio fazendo entrar Pacheco para half esquerdo.

Com a nova formação da sua linha media o Botafogo melhorou consideravelmente e passou mesmo a exhibir uma certa supremacia sobre os rubros, cujo ataque passou a jogar recuado em auxilio aos seus médios. A melhoria dos alvi-negros iniciou-se com o tento de empate logo após a rerirada  de Martlm. Aos onze minutos, Patesko que foi o melhor forward botafoguense, até  ser contundido, centrou bem sobre a meta de Thadeu. Villa tentou cabecear e a bola caiu entre o keeper e Carvalho Leite, que entrava com Paschoal. Thadeu deixou o arco para segurar o couro mas o meia direita alvi-negro foi mais feliz ou mais rápido e acertou um tiro forte as redes americanas. Ficou assim igualada a contagem.

Depois do goal de empate o Botafogo accentuou a  pressão mas, em parte, pela má pontaria dos deanteiros em parte pela segurança de Thadeu e Villa essa reação não offereceu resultados positivos. O America trocou Dedão e Oscar, mas a substituição não melhorou nem peorou o conjunto.

Todavia nos minutos finaes da peleja o America emprehendeu uma reacção. Foram então cinco minutos de abafamento na defesa alvi-negra. Nelsinho escapando, atirou forte em goal e a bola batendo no peito de Ayrnoré voltou aos pés de Araraquara que afastou o perigo. Depois Pirica centrou bem e Fogueira afastou o arremate em plena pequena area, pemitindo que Gran Bell rebatesse. Poucos lances mais e a peleja chegou ao se a término com o placard de 1x1. Um resultado, sem duvida justo, pela produção escassa dos seus artilheiros. Com esse empate, os alvi-negros e os diabos rubros continuaram empatados no quinto lugar da tabella, apenas agora com mais uma companhia, a do São Christovão, também com sete pontos perdidos.

Fonte: Jornal O Globo Sportivo  nº 97 de 29 de junho de 1940.

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O crack que subiu sem cartaz 

Pela Primeira vez, Papetti vem a público para esclarecer sua posição no football carioca.

Eu me lembro pela primeira  vez que Hector Papetti apareceu no Rio. Ele não vinha de Buenos Aires  à cata de um clube, mas procedia da Baía, onde ao lado de Avelle, Bianchi, marcara uma época no football da "boa terra". Detalhe curioso: o rapaz não era mais, nem menos, pretencioso de hoje. Já andava sem gravata e usava os ternos mais simples que se pode usar numa terra e num mundo onde as aparências são os primeiros passos para se chegar ao ponto desejado. Acanhado quase  não falava. Sorria apenas. Preferia sorrir mesmo no instante que alguém lhe contava da falta de "pivots" no Rio de Janeiro. Sorria incredulamente, talvez ainda preocupado com aquilo que alguém dissera sobre sua pessoa. Que é que haviam dito dele? Não, não era nenhuma referências elogiosa. Nada que  se pudesse orgulhar ou ver transformado em letra de fôrma... para efeito de propaganda. 

A FOME EM FERIAS...

Ele sentava-se, todas as noites, à mesa do café freqüentado pelos cracks, amigos da liberdade, de critica e pensamento. Ali, sentado, fazia novos camaradas, conhecia o útil e o inutil, o agradável e desagradável do "soccer" guanabarino, meditava e podia traçar melhor os seus projetos. Sem compromissos para atuar aqui e ali, mas desejando louca e perdidamente acabar de uma vez com a inativicdade, agradecia, mas não aceitava determinados convites para treinar num ou noutro clube. A maior parte desses convites, sabia, ele que não procediam. Eram proferidos da boca para fora, para lhe ser agradável a guisa de incentivo, e so isso. Papetti sabia que tudo o que lhe diziam e acenavam não passava de gentilezas. Não tivera ele conhecimento de uma referencia feita às suas costas por um conhecido "caçador de estrelas", O "caçador de estrelas", vendo-o metido naquele terno simples e com a barba um pouco abandonada, não teve dúvida em largar uma frase humorística que absolutamente não vingou, para a infelicidade de seu autor. A frase foi esta: "Papetti dá mais impressão da fome em ferias que de jogador de football." A frase não pegou, porque, debaixo daquela barba e daquele terninho modesto, se escondia um crack de 18 quilates. 

O CARTAZ ERA NENHUM

Na realidade, Papetti não podia oferecer o que mais se exige de um jogador que almeja um contrato. Ele não tinha uma carreira de "scratchman", não era dos que podiam se orgulhar de haver pertencido a um grande clube, era, enfim, um desconhecido inclusive, que um Flamengo, por exemplo, às tontas em busca de um centro-medio lhe desse sequer uma oportunidade para treinar entre Jayme e Bigua ou Jayme e Artigas. Que seria do rubro-negro com um "pivot" sem" cartaz estrangeiro que apenas lograra êxito na Baía?

UM PRINCIPIO CHEIO DE TROPEÇOS

O principio da carreira de Papetti acusa altos e baixos. Começou em Rosário sua terra natal, aos 18 anos. Era o segundo Papetti a tentar um abraço à fama na adiantada província argentina, o outro — Emílio — já andava por cima, era titular do Caizada, um clube modesto, mas da primeira divisão, e que hoje se acha relegado à segunda. Como ele, Emílio também era half de ala, um half extraordinário. — Se ainda jogasse, seria o "ás" da família — observa o companheiro de Bianchi. Emílio desistiu muito cedo. Casou-se, foi engordando, engordando. Decidiu criar galinhas. Então, era mais interessante criar galinhas que suar 90 minutos numa cancha de football.

Quando Emílio se afastou, Hector entrou firme na luta. Era preciso fazer um brilhareco. Buenos Aires começava a sacudir a sacola cheia de "plata" para as grandes promessas do interior. Hector entrou firme, caprichou, caprichou. Aos 18 anos estava nas pontas dos cascos e ai surgiu Gynasia e Esgrima com uma proposta tentadora. Embarcou logo mas não gostou dos ventos de La Plata. 

O Gynasia, por outro lado era um clube que não se portava cavalheirescamente com seus profissionais.

Bastava perder para determinar logo a falência moral, técnica e financeira de seus defensores. Hector Papetti não esperou pela desmoralização. A primeira advertência tomou o trem de volta a Rosário. 

 A LIÇAO NAO foi DEVIDAMENTE APROVEITADA

Era de se esperar que Hector Papatti se  emendasse...

- Eu estava realmente inclinado a criar galinhas, como fez- Emílio. Já havia decidido encerrar minha carreira de footbáller quando o Platense me mandou buscar. Eu não podia dizer que não: o Gynasia me havia vendido, ao Platense como um saco de batatas. Recebeu o cobre e me mandou um "ultimatum" policial. Diante daquela intimação não tive outro recurso que embarcar. Como sucedera anteriormente no Gynasia o Platense só me proporcionou desgostos. Em todo caso resisti ora atuando na primeira ora na segunda. O joelho foi dado como incapacitado para qualquer exercício. O que fazer? Voltar machucado mancando isso não voltaria. 

A GUIANA

Quando o Esporte fechou as portas, nos ficamos no ar. Haviamos feito nome no esporte e éramos conhecidos como jogadores interessantes para qualquer equipe. Que fazer? Bianchi tinha a senhora e uma menininha para sustentar e o que recebia dividia com a minha família e Avalle era casado também. Estávamos num beco  sem saída sem esperança de apanhar o restante  das luvas porque o clube tinha sido dissolvido. Que fazer? — voltei a perguntar. Um que nos ouvia, sugeriu: Tenho um amigo na Guiana Inglesa. Lá se joga futebol e um bom footballer ganha mais que aqui. Bianchi coçou a cabeça. Avalle falou em retornar a Buenos Aires. 

- Se você arranjar contrato eu vou! Respondi convicto. Papetti sorri com todos os dentes e depois prossegue:

- Por desgraça ou não o homem nunca mais deu as caras. 

O  RIO ERA O CAMINHO DA PÁTRIA 

Com seis mil cruzeiros perdidos os tres resolveram voltar  à Argentina. Valle seguiu de vez. Papetti desceu no Rio para conhecê-lo melhor, enquanto Bianchi permanecia “na boaterra”... até ver. Com mulher e filha, a aventura não era muito aconselhável a "papai Bianchi"... Por isso ele foi ficando. Assim, sem mais  nem menos Hector Papetti estourou no Nice.

- Você pretende ficar por aqui, Papetti? — Parece que embarcarei breve para Buenos Aires, o Rio é o caminho mais fácil para a gente chegar à terra natal... 

PICABÉA PROPÕE UMA EXPERIÊNCIA ... SEM COMPROMISSO 

Picabéa caiu no café dos cracks para "matar o tempo". Ali conheceu Papetti tendo sido apresentado a ele despretensiosamente. 

- Você não devia deixar a Baia tão pronto, Hector! Era preciso deixar. Não é que eu quisesse vir. Minha saída, de lá, tornou-se imediata. Já não podia depender de tantos favores. Você está em forma? Só vendo. E você quer experimentar? Estou aqui para isto. Apareça logo mais em Figueira de Mello, mas sem compromisso. O treinador rio-platense voltou a frisar: Mas sem compromisso, ouviu. Papetti? Está bom Picabéa, "sem compromisso"... 

ERA UM CRACK 

A tarde com tudo pronto para começar, Picabéa ficou sem saber onde colocar Papetti. Porque possuía halves  mas no team reserva. E a vaga era de sobra. Havia uma no centro da linha media. Você se "arreglaria" no "pivot"? É questão de experimentar... Papetti foi para a reserva, num pasto em que nunca havia atuado, e se transformou num espetáculo. Tamanho sucesso fez que, no segundo tempo, Picabéa resolveu passa-lo ao quadro titular, como half de ala. A "fome em ferias" se transformava, assim, num "astro" de verdade. 

APARECE BIANCHI

Entrementes apareceu Bianchi. Vinha de realizar duas provas de conjunto no Botafogo. Pimenta achou-o bom, mas algo passado... Picabéa, depois de ouvir Papetti, aceitou o alvitre o decidiu dar uma oportunidade, tambem, a Dante Bianchi. Estava resolvido, destarte, o problema do " pivot", foi o que pensou o "coach" e pensou apenas, porquanto, prevaleceu mais a exibição feita por Hector no centro, no treino de estréia. De qualquer maneira, ambos vieram a ser aproveitados. Apenas, ao inverso do que sempre sucedera. Sem querer Papetti tornou-se center-half e Bianchi "asa" médio. Coisas não do destino mas do técnico dos "alvos".

 GRATO AO SAO CRISTÓVÃO. 

O que ninguém esperava, verificou-se. Papetti, o desconhecido Papetti, o cracK da roça a "fome em ferias", transformava-se na grande revelação de um campeonato metropolitano. Nem Spinelli, nem ninguém, logrou suplantá-lo no primeiro ano de actuação no esquadrão sancristovense. O milagre da força de vontade levaram-no à perfeição. Papetti assinou um contrato modesto. Como não tinha cartaz, não tinha direito a exigir. Assinou-o por um ano este mundo e o outro passe- livre. Façamos por dois? — Insistiu um dirigente alvo. Eu só assino contratos breves e com "passe" livre. Os senhores paguem-me o que quiserem. Quero ser grato ao clube que primeiro me amparou no Rio de Janeiro.

UM JOGADOR NECESSITA, TAMBÉM ZELAR PELOS SEUS PRÓPRIOS INTERESSES 

Em 43, as grandes instituições passaram a olhá-lo como uma presa magnífica. De inicio, o Vasco, depois o America, a seguir o Fluminense e por último, o Botafogo. Papetti não dizia nada. Você fica onde está ou vai? Não sei ainda. O São Cristóvão é um grande clube: é uma bela e inconfundível familia. As vezes penso que não me será facil deixá-lo, mas, penso, também que um profissional necessita, sobretudo, acima de qualquer sentimentalismo, zelar pelos seus próprios interesses. Tenho necessidade de cimentar bem o meu porvir. Devo aproveitar os bons momentos. Eles são tão curtos, duram tão pouco.

SE DEIXAR O SÃO CRISTÓVÃO INGRESSAREI NO BOTAFOGO

Há um ano do término de seu compromisso que hoje expira, procurado pelo Vasco, pelo América, pelo Fluminense e pelo Palmeiras ( a história da proposta do São Paulo só surgiu agora) Papetti nunca afirmou e4star de acordo com esta ou com aquela oferta.

Não conhecia ainda os desígnios do Botafogo sobre sua pessoa, no entanto afirmou-me: - Em deixando o São Cristóvão um único clube me entusiasma  para vestir a sua camisa e esse clube é o Botafogo.

São testemunhas Bianchi e outros amigos do crack rosarino.

CUMPRIREI MINHA PROMESSA – SEREI BOTAFOGUENSE EM 44

Na realidade não se tem ideia de caso mais sensacional e que haja emocionado tanto a torcida nesses últimos seis meses. 

O silencio mesmo de Papetti, sua teimosia em deixar que o barco corresse e sua convicção em permanecer calado, a despeito de todos falarem sobre ele, não ocultaram, por outro lado, a ânsia que todos guardamos de desvendar o caso. A reportagem do O GLOBO SPORTIVO,  num esforço extraordinário, logrou obter do famoso e disciplinado pivot" a primeira declaração sobre o discutido "aífair'. Papetti esta diante de nossa objetiva pela primeira vez vestindo a vistosa camiseta alvi-negra do "Glorioso . Ela lhe vai bem no corpo e de certo, lhe irá bem também, como a outra, no campo de jogo no aceso da luta. 

- Vemo-lo depois, de roupão, assinando uma decisão. A folhinha e o relógio marcam o dia e o instante da sua suprema deliberação. – Alguem que nos  assiste, observa que vai haver guerra na cidade. Papetti continua escrevendo "Cumprire mi palavra. Serei  botafoguense em 44" e assina Hector Papetti. Tudo muito claro, muito legível. Não pode haver dúvida. Ele está plenamente consciente do que faz. 

- Leva saudades do São Cristóvão Papetti?

-  Inúmeras. Que família maravilhosa! Deixo em cada jogador um irmão. Orgulho-me disto. 

- Algum mágoa? 

- Certamente uma só. Gritaram-me, de uma vez arquibancada que eu me havia vendido a não sei quem... 

Hector Papetti cerra os olhos e estremece. Depois conclui, Não há felicidade completa no mundo. 

Não há felicidade completa no mundo não  pode haver. 

Esta a história do crack que se fez sem ajuda de ninguém. Ficou famoso sem querer e fica encabulado sem jeito, cada vez que seu nome aparece nos jornais. Ele se  valorizou à custa de enormes sacrifícios. Foi preciso que outro clube lhe oferecessem muito para que os que o tinham em casa vissem que ele valia tanto. Mas vamos dizer que Papetti não vale apenas pelo que fez de acertado e de bonito na cancha com a pelota nos pés ou não, mas tambem pelo que é fora da cancha. Aí, sim é que se vai encontrar um homem as direitas um footballer em que se pode confiar de olhos fechados.

Fonte: Jornal O Globo Esportivo nº 291 de 31 de março de 1944

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Botafogo 3 x 0 Canto do Rio

O Botafogo e o Canto do Rio prometiam realizar uma grande partida. Um jogo cem por cento emocionante que tornasse o football mais querido ainda do público. O Botafogo como um dos lideres do certame, sem perder desde o turno: o Canto do Rio com o empate rehabilitador na partida amistosa com o Sao Paulo F. C. Dois adversários, portanto, capazes de oferecer espetáculo dos mais agradaveis na luta que iam travar. 

Realmente o principio do match serviu para comprovar a disposição dos contendores alvi-negros a alvi-anis lançaram-se com entusiasmo à disputa, procurando desde logo o goal. Os botafoguenses, servidos por melhor preparo em conjunto, trataram de controlar as ações. Em dez minutos já haviam obrigado Odair a seguidas defesas e varias oportunidades de tentos foram desperdiçadas, por questão de centímetro apenas. Valsecchi e Tovar perderam goals certos, em situações tidas como inapelaveis para os niteroienses. O Canto do Rio,  por sua vez, não se deixava dominar completamente, atacando também ao aproveitar as ligeiras brechas dos adversários. Desenrolava-se o match de forma empolgante, esperando-se a todo momento a abertura da contagem. Esta, por sinal, não demorou. Aos nove minutos Valsecchi conquistou um bonito tento, que o juiz invalidou injustamente. A pelota fora centrada por Lula da frente para trás o o meia platino emendara legalmente. Off-side descobriu o arbitro e nasceram aí os incidentes. O jogo passou a ser disputado com violência, enquanto o publico vaiava o arbitro. Estava estragada a partida. 


Até o final do tempo a contagem não foi aberta, mas o prelio perdera muito da beleza inicial. No reinicio, atrazado devido as brigas com os jogadores do Canto do Rio e também com o juiz, Lula conquistou um tento abrindo caminho para o triunfo. Daí em diante o arbitro passou a marcar apenas o team do Canto do Rio, descobrindo faltas imaginárias a favor do Botafogo. A própria torcida alvi-negra ria e vaiava o juiz pela perseguição.

O Botafogo tez mais dois goals, um, de cabeça por intermédio de Valsecchi e outro de Lula, ao cobrar um hands-penaliy de Haroldo. Ganhou assim de tres a zero e poderia ter vencido de qualquer forma pois jogou mais do que o adversário, antes do juiz começar a errar muito. Foi,  inclusive prejudicado com o hipotético impedimento de Valsecchi na primeira fase. Um triunfo liquido, que nem mesmo a arbitragem serviu para deslustrar. Mas o que ninguem pode negar que o juiz Fioravanti D'Angelo teve uma atuação lamentável. No intervalo assistiu a uma briga e chegou a levar uns empurrões. Parece que o arbitro intimidou-se com os acontecimentos e procurou corrigir o seu engano da primeira fase. O resultado foi apitar ludo contra os niteroienses no período final. Houvesse ou não faltas o apito trilava. Do descontrole do árbitro como não podia deixar de acontecer nasceu os dos jogadores. Pontapés e recursos desleais em penca, terminando em repetidos gestos de indisciplina que o Juiz Fioravante D’Angelo  fingiu não ver.  Apenas Carango foi expulso por ter protestado contra a marcação de um hands-penalty de Haroldo (o numero um) que Heleno chutou para fora. A partida acabou em meio a completa confusão em campo. Jogadores houve que abusaram da falta de energia do juiz, dando gravatas nos adversários ou chutando-os. Haroldo, Heleno, Ely, Vadinho, Ivan e Laidlaw bem como Nanati e Mileide aproveitaram a ocasião para exibir qualidades novas. Não sabemos até onde poderão chegar as medidas da entidade com respeito a péssima atuação de Fioravanti D’Angelo. Tudo dependerá dos relatórios dos representantes do Tribunal de Penas. Acreditamos, todavia, que eles venham a esclarecer os acontecimentos. 

Fonte: Jornal O Globo nº 320 de 13 de outubro de 1944

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Curiosidades Botafoguenses

 - O Botafogo figura na F.I.F.A. como tetra-campeão de futebol do Rio de Janeiro, como vencedor de 1932, 1933, 1934 e 1935; como todos sabem, o Botafogo foi campeão em 1932, disputando com todos os clubes, havendo, a seguir, cisão, que determinou o afastamento de alguns, continuando o Botafogo na entidade oficial.

- Aos 16 anos de idade, Luiz Menezes figurou, pela primeira vez no selecionado brasileiro e aos 17 tomou parte no Campeonato Sul América.

- Paulo Goulart de Oliveira, um dos maiores atacantes do Brasil, jogador cerebral por excelência, verdadeira máquina em campo, só empregava o pé direito mas foi considerado pela imprensa uruguaia o maior jogador do selecionado que venceu a Copa Rio Branco em 1932.

Trabalha atualmente na Tesouraria do Botafogo um filho do nosso saudoso e grande zagueiro José Rodrigues, campeão carioca de 1932 e que morreu em consequencia de molestia contraída por ocasião da temporada que realizamos no Rio Grande do Sul.
Paulinho é capaz de suceder o seu pai na zaga botafoguense, dentro de cinco anos.

Acervo particular: Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 43 de janeiro de 1945
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CURIOSIDADES BOTAFOGUENSES
1° O Botafogo venceu o torneio de 3ºs. quadros de 1920, com os seguintes jogadores: Haroldo Joppert, Eugenio Couto, Luiz Tourinho, João Agustinho Afonso, Vicente Caruso, Luiz Crisostomo de Oliveira, Carlos de Carvalho Filho, Alkindar Dutra de Castilhos, Fernando Murtinho Braga, Octavio Tourinho, Celso Coelho de Souza e Alarico Maciel.

 2° O Botafogo venceu o torneio de 2ºs. quadros de 1922, com estes elementos: Almir Maciel, Nestor Duque Estrada de Barros, Edmundo Ciodaro, Renato Junqueira Franco, Vicente Caruso, Antenor Maciel Rodrigues, Carlos de Carvalho Filho, Jolibel Paes Barreto, Mário Braga, Paulo Teixeira Soares, Claudionor Cruz. Tambem jogaram: Eugenio Couto, Antonio Suzarte Maciel, Teodoro Sodré, Bolivar Caldas Barreto.

 3º O Botafogo venceu o campeonato juvenil de 1920 com o seguinte team: Luiz Cabral de Menezes, Cristovão Leite de Castro, Luiz de Andrade Ramos, Jeronimo Batista Bastos, João Romeiro Neto, Gabriel de Moura Macedo, José Albuquerque Melo, Marcilio Santa Maria, Roberto Porto, Alamir Cruz Santos e Carlos de Andrade Ramos. Reservas: Luiz Siqueira e Luiz de Oliveira.

4º A primeira vez que o Botafogo enfrentou os mineiros foi em Maio de 1918, excursionando a Juiz de Fóra, abateu o Sport Clube por 8x0 goals de Menezes 4; Vadinho 2; Zé Macaco 1; e Petiot 1 e o scratch local por 4x0, goals de Zé Macaco 2, Menezes 1 e Petiot 1. O team foi este: Caruso, Americano e Osny, Monti e Police, Beheregaray, Petiot, Zé Macaco, Menezes, Vadinho. No 2º jogo, Franco jogou no lugar de Edgard Dutra.

5º Foi o América, de Belo Horizonte, o primeiro clube mineiro que veio ao Rio enfrentar o Botafogo, em 15 de novembro de 1919. Vencemos por 7x2, goals de  
Petiot 4, Menezes 1, Joppert 1 e Moacyr 1, com este quadro: Oliveira, Mont Palamoni, Franco, M. Braga e Police, Moacir, Petiot, Jopert, Menezes e Celso.

6º A primeira vez que o Botafogo enfrentou um clube campista foi o Americano, em 5 de Setembro de 1920, em Campos. Vencemos por 5 x 3, goals de Petiot. 2, Neco 2 e Nilo 1, com o quadro: Oliveira, Monti e Syla, Frat Alfredinho e Police, Riva, Petiot, Vadinho, Nilo e Néco. 

7º Em 1916, Aluizio Pinto foi o recordista de goals do campeonato, com 12 goals em 12 jogos. Em 1917 e 1918 coube a outro botafoguense Menezes, com 16 e 20 goals respectivamente em torneios de 18 jogos. 1920, foi Arlindo Pacheco, tambem Botafogo, o vencedor, com 17 goals. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 45 de abril de 1945
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CURIOSIDADES BOTAFOGUENSES 

1º — Foi o seguinte segundo quadro do Botafogo, invencivel campeão de 1910: Cesar Gonçalves, Edgard Soares Dutra e Candido Vianna, José Gonçalves Couto, Augusto Paranhos Fontenelle e Adhemar de Lamare, Nilo Rasteiro, Flavio Ramos, Carlos Hasche, Luiz de Paula e Silva e Mario Fontenelle. Jogaram também; Carlos de Pino, Oscar Cunha, Ernesto Coggin, Norman Hime, Pedro Rocha, Arthur Cezar de Andrade e Joaquim Souza Ribeiro. 

2º — A seção infantil do Botafogo foi fundado em maio de 1916, na presidencia Souza Ribeiro. Seu primeiro diretor foi Francisco Coelho, logo auxiliado por Antenor Las Casas. Em 1917, dirigiu a seção o benemérito Oldemar Murtinho. 

3º — A seção juvenil do Botafogo inaugurou-se vitoriosamente, em setembro de 1916, quando vencemos por 4x2 o Fluminense F. C. em um festival. Foi o seguinte o nosso quadro: Almir, Couto e Sylla, Luizito, Victor Flores e Ary, Leite, Rira, Celso Petiot e Antonico. Desses elementos, seis, Couto, Sylla, Leite, Petiot, Riva e Celso, atingiram  nosso 1º quadro, os quatro primeiro o selecionado carioca e os restantes, o nosso 2º quadro o que prova o valor da escola alvi- negra. 

4º — A ala direita Leite-Riva brilhou de 1916 a 1923 sucessivamente em todos quadros do Botafogo, infantil — juvenil terceiro, segundo e primeiro team. 

5º — Nilo Murtinho Braga, talvez o maior atacante que o Rio já possuiu, marcou magistralmente os dois goals brasileiros na grande vitoria do nosso scratch sobre o uruguaio (2x0), na disputa da Copa Rio Branco de 1931. 

6º - O primeiro campeonato de volley-ball foi promovido pela A. M. E. A. em 1924, tendo sido estes os jogadores que defenderam o Botafogo. Nestor D. E. de Barros, Arrio Franck, Renato Pessôa, Benito Derissans, Alfredo Durão Pereira e F. Muniz Freire, no 1º quadro e Alfredo Silva, Luiz D. E. de Barros, Henrique Teofilo Nunes, Silvio Serpa, Edgard Couto e Carlos Alberto Coelho no 2.° quadro.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Junsgstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 49 de agosto de 1945
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CUROSIDADES BOTAFGUENSES 

O grande zagueiro Osny Werner, que durante anos capitaneou o nosso quadro, foi o "rei dos trucs", constituindo a principal habilidade colocar em off-side os atacantes contrarios; destacava-se também a sua apresentação em campo: casquete alvi-negro, oculos e toalha felpuda enrolada no pescoço. 
O Botafogo possuiu duas grandes alas atacantes constituídas por irmãos: os Sodré (Mimi e Lauro) na esquerda, de 1910 a 14 e os Menezes (Luiz e Petiot), na direita, em 1920, quando jogaram no selecionado carioca. 
Um dos maiores keepers que o  Botafogo já possuiu, foi certamente Alvaro B. Carneiro de Campos, o Baby, que era possuidor de uma calma extraordinaria e brilhou nas temporadas de 1924 e 1927. 
Foi o seguinte quadro do Botafogo que em 30 de maio de 1909, em jogo de campeonato, abateu o Mangueira por 24x0, score record da cidade: Ernesto Goggin, Raul Teixeira Rodrigues e Dinorah de Assis; Roland de Lamare Luiz Martes da Rocha e Hugh Edgard Pulien; H. F. Millar, Flavio Ramos, Jack Monk, Gilberto lime e Emanuel Sodré. 
Em 1938, após abater o Bangú, Vasco e o S. Cristovão, o Botafogo levantou o torneio inicio de futebol de profissionais, com este quadro: Aimoré, Lins (Zarcy) e Pilai, Zezé Moreira Del Popolo e Canali; Pascoal, Lara, Carlos Leite Nelson e Otto. 

Acervo particular Alceu de Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial BFR nº 50 de setembro de 1945
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Nilo, Nosso Grande Campeão 


Relembrar a vida de um atleta é recordar a de seu próprio clube. Pensamos, assim, em Nilo Murtinho Braga, uma das maiores glorias do Botafogo, que foi talvez, o Freidenreich carioca, não só pelo seu jogo extraordinario, de atacante essencialmente cerebral corno pelo tempo que perdurou: 17 anos de team principal, 12 anos de scratch! Não foi sem razão que Mario Filho proclamou em "O Globo" de 21-X-32: "Ele guarda o segredo da eterna juventude. É o "crack" que perdura, desafiando o tempo, assistindo auroras e crepusculos de "cracks". Ele é o único que resta do grupo daqueles "cracks" famosos. Onde estiver está o perigo. Sempre menino. 
Sôbre o inicio de Nilo no futebol, "Rio Sportivo", de 15-4-28, publicou urna carta nossa, assinada "Fernando Rangel", pseudonimo sob o qual, durante anos, combatemos pelo Botafogo na imprensa esportiva carioca, e no qual reivindicavamos para o clube a gloria de havelo formado. Ei-lo:— Indubitavelmente, Nilo é uma "cria" botafoguense porque, apenas, jogou um ano no quadro infantil do F.F.C., como também Chico, considerado, mui justamente, um extraordinario "produto" americano. E Nilo logo ingressou no Botafogo F. C., em 1919, criança ainda. 
Foi incluido na meia esquerda do 3º team  formando ala com Arnaldo Braga e tendo como "center" seu irmão Fred. Em 1920 e 21, Nilo sempre figurou no 2º team botafoguense e, com tal sucesso, jogando de maneira tão admiravel que todos desejavam ardentemente a sua promoção a falange principal que, só não se efetuava, porque a direção desportiva alvi-negra julgava Nilo de fisico muito franzino ainda. E Nilo, jogador do 2º quadro que era, logo adquiriu um cognome glorioso, cognome este que, por completo, caiu no esquecimento: "Mimizinho" porque era, afirmavam todos, o segundo Mimi Sodré. 
Muito tem falado o "Rio Sportivo" sôbre o inconfundivel player que é Nilo Murtinho e por isso, julgo assás curioso dizer algumas palavras sôbre as primeira exibições eventuais do mesmo no 1º quadro do Botafogo, o clube em que se fez. 
Ainda me lembro com emoção da primeira aparição de Nilo em primeiros quadros. Foi no longincuo campo do Bangú em 7 de dezembro de 1919, na extrema-es-querda, ao lado do grande Menezes, que foi o idolo do B.F.C. Nilo, embora verdadeiramente infantil, brilhou esplendorosamente. O Botafogo venceu por 2x0, com pontos adquiridos por Carlito e Jappert, arrematando dois corners batidos por Nilo. E, como reminiscencia, aqui cito os quadros rivais: B.F.C.': Oliveira. Monti e Nestor; Dutra, Carlito e Police; Moacyr; Petiot, Joppert, Menezes e Nilo. — B.A.C.: Mattos, Emílio e Leitão; Anterior II, Boião e L. Antonio; Alberto, Waldemiro, Patricck, Luiz e Antenor. 
Sôbre a atuação de Nilo, disse "O Jornal", de 8-12-1919: "Jogou, pois, o Botafogo desfalcado de Palamone e Celso. Foram seus substitutos os players Nestor e Nilo, dos terceiros teams, que atuaram maravilhosamente, merecendo os maiores elogios pela bravura e coragem com que atuaram. Foram, sem favor algum, ótimos jogadores". 
Em 1920 Nilo disputou o "Initium" e o mesmo "O Jornal", de 5 de Abril, assim se referiu entusiasmado: "O Botafogo apresentou como center-forward um player liliputiano, um verdadeiro "gury": o mignon Nilo Murtinho que, porém, joga corno gente grande e que tem como forward, um futuro grandioso e promissor, pelas excepcionais qualidades ontem reveladas. Pequeno no tamanho, porém, gigante quase na atuação. 
No campeonato de 1920, Nilo atuou duas veses na meia-esquerda do primeiro quadro, com grande sucesso, contra o Mangueira (6x0) e o Flamengo (1x3). No jogo contra o Mangueira, em 8-8-920, no campo do Andarahy, Nilo marcou, em primeiros quadros, o primeiro de seus incontaveis "goals", com um tiro enviazado, recebendo centro de Menezes. 
E disse "O Paiz", de 9-8-1920: "A atuação de Nilo foi pois, excelente, e a sua inclusão definitiva no team se impõe pois, além de ser um grande jogador (embora pequeno na altura) é um alvi-negro vermelho. Ao captain do Botafogo, em nome dos botafoguenses de fato, solicitamos a promoção de Nilo ao quadro principal". No domingo seguinte, Nilo formou com Nequinho a admiravel ala-esquerda que se impoz no memoravel jogo contra o invencivel campeão do ano, o Flamengo, que, embora dominado por completo triunfou por 3x1. E sôbre sua atuação disse "O Imparcial" de 16-8-1920: "Nilo — O "mignion" plaier fez o que dele se esperava. Passou admiravelmente e foi o melhor shootador do quinteto botafoguense. Algumas vezes, o seu tamanho prejudicou o seu jogo, sendo de notar, porém, duas corajosas e magistrais entradas em Kuntz. 
Eis, pois, sr. redator, alguns dados quase ineditos sôbre os primeiros passos de um campeão. Sôbre a veracidade dos mesmo basta recorrer ás coleções dos jornais que cito. E, fica assim provado que Nilo se criou no Botafogo, onde obteve os seus primeiros triunfos e as suas primeiras glorias. E só abandonou o pavilhão alvr-negro pelo do S. C. Brasil e, após seu regresso ao clube, pelo do F.F.C., devida á política que então devorava e infelicitava o Botafogo". 
Pelas citações supra vemos que não enganou a imprensa em seus prognosticos sôbre o futuro de Nilo: de sua vida esportiva poderiamos escrever volumes. Basta porém, a seguinte sintese para realçar o nosso grande campeão: Nasceu, por assim dizer, alvi-negro, como sobrinho que é do nosso grande benemerito Oldemar Murtinho. Começou no Curupati celeiro de cracks e levado pelos companheiros, aos 13 anos, em 1916, foi campeão infantil pelo Fluminense. Em 1917-18 esteve ausente no norte do paiz, streando em 1919, aos 16 anos, no 2º team do Botafogo, sendo promovido ao 1º no final de 1921. Em 1922 jogou pelo Brasil na 2ª divisão da Liga. Em 1923 voltou ao Botafogo, cujas cores, no fim da temporada, abandonou, com a alma magoada, pelos motivos já expostos. Em 1924-25-26 jogou pelo Fluminense. Em 1927 retornou ao Botafogo para defende-lo ininterruptamente até 1937. Comemorando, por assim dizer, a sua volta ao clube do coração, Nilo obteve em 1927 a fantastica e inegualada soma de 57 goals: 30 no campeonato carioca, 12 no brasileiro e 15 na excursão do clube ao norte do país, o que fez com que "O Imparcial" de 21-7-27 frisasse, referindo-se aos 30 goals nos 18 jogos do campeonato, que a média de Nilo, sendo de 1,6, era superior a de George Camsell, o famoso recordista do campeonato inglês de 1926 (59 tentos em 37 jogos = 1,5). Em 1935, como amador que sempre foi, Nilo foi campeão em nosso team profissional com 8 jogos e 8 goals. Em 1936 disputou dois jogos no mesmo team — Vasco (0x1) e Bangu (3x1), o que motivou do "Correio da Manhã" de 28 de Julho, sobre o primeiro jogo, as seguintes palavras: "Do ataque Nilo, o veterano player carioca, agiu destacadamente. Pôde-se dizer que deu lição aos novos — os falados "cracks" (!) de hoje". Em 16 de Maio  de 1937, no campo do Olaria, disputou seu ultimo jogo, empatando por 2x2 com o clube local. Disputou pelo quadro principal do Botafogo, 148 partidas de campeonato marcando nada menos de 135 "goals" e 28 jogos interestaduais, fazendo 58 "goals"! Nilo é seis vezes campeão carioca (1924 pelo Fluminense, 1930-32-33-34 e 35 pelo Botafogo) e cinco vezes campeão brasileiro (1924-25-27-28 e 31 tendo disputado nove dos dez campeonatos brasileiro realizados entre o de 1922 (não oficial) e o de 1933. Brilhou em dois campeonatos sul-americanos, o de 1923 (Montevidéo) e o de 1925 (B. Ayres) e no mundial de 1930 (Montevidéo). Reforçou o team do America em sua excursão ao Prata, de 1929 e o do Vasco, na excursão á Europa de 1931. Nesse ultimo ano venceu a Copa Rio Branco, marcando de maneira magistral, contra os uruguaios, campeões do mundo, os dois goals da grande vitória brasileira (2x0), o que fez com que M. Filho escrevesse: "Quem não se lembra? Nazzazi viu que a pelota ia aos pés de Nilo e pos a mão na cabeça. Não fez um movimento: também não adiantava. Viu que não havia mais remedio. Assim foi. Nilo pegou a bola no ar e emendou..." 
Hoje, é membro do Conselho Deliberativo e "torce" com o mesmo entusiasmo com que outrora, nos gramados, obtinha as grandes vitorias do Botafogo e, vai brigar conosco porque falamos demais em sua pessoa, sempre modesto. 

Alceu Mendes de Oliveira Castro 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial  do BFR nº 50 de setembro de 1945
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CURIOSIDADES 

1º - O primeiro clube paulista que veio ao Rio a convite do Botafogo, foi o Germania, em 8 de setembro de 1908. Vencemos por 4x0, goals de Flavio 2, Raphael e Mini, com o seguinte quadro: Coggin, Mario Maia e Otavio Werneck, Rolando, Viveiros e Ataliba Sampaio, Millar, Flavio, Raphael Sampaio, Mimi e Emanuel. 

2º -  O Botafogo venceu o campeonato dos 2º teams em 1915, com os seguintes elementos: Homero Borges da Fonseca, Carlos Martins da Rocha e Wigand Joppert, Mario E. Leite, Carlos de Pino e Alvaro Catão; Mario Pinto Guimarães, Léo Torres da Silva, Osvaldo Pessôa, Teodoro Sodré e João de Deus Candiota. 

3º -  Um dos mais fortes segundos quadros de futebol que o Botafogo possuiu, foi este de 1920, vice-campeão: Almir Maciel, Nestor Duque Estrada de Barros e Amilcar Ferreira da Rosa; Henrique Moura Costa, Mario Braga e Jorge Martins (Coló),  J. A. Leite de Castro, Rivadavia C. Meyer; Nilo Murtinho Braga, Frederico Murtinho Braga e Paulo Teixeira Soares (Nequinho).
 
4º -  O Botafogo jogou seu primeiro jogo interestadual em Niteroi em 25 abril de 1920, abatendo o Byron por 5x0, goals de Petiot 2, Arlindo, Leite e Fernando Murtinho Braga, com o seguinte quadro: Oliveira, Monti e Silla, Baby Maciel, Alfredinho e Police, Leite, Pétiot, Fernando, Arlindo e João. 

5º -  O Botafogo venceu o torneio inicio de futebol de 1934, na Amea, com quadro: Germano, Vicente e Orlando, Afonso, Waldyr e John, Atila, Benjamin, Carvalho Leite, Jayme e Pinica.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 51 de outubro de 1945
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O Botafogo conquistou o campeonato de reservas 

Bonita campanha realizou o nosso quadro de reservas, conquistando o campeonato de sua categoria, com apenas 1 derrota, essa mesma em circunstancias anormais. 
Possuindo o Botafogo excelente quadro de jogadores, dois ou três para cada posição, colocou-se bem desde o inicio em todos os campeonatos da F.M.F., apesar dos varios acidentes sofridos por nossos defensores, conquistamos o vice-campeonato da divisão de profissionais e o bi-campeonato de reservas. 
Foi sacrificado o quadro de reservas em consequencias das varias modificações que sofreu, motivadas pelos repetidos desfalques verificados no quadro principal, para o qual foram chamados em oportunidades diferentes Laranjeira, Gerson, Papeti, Cid, Lula, Geninho e Otavio, para citar unicamente os que mais alternaram nos quadros da divisão Extra e o bi-campeão. 
Togo Renan Soares, com a sua reconhecida competencia e inexcedivel dedicação ao Botafogo, dirigiu o quadro campeão, continuando a dar ao seu clube os titulos, a que os botafoguenses já se habituaram, pois reconhecem nêle o maior conquistador de campeonatos do Rio de Janeiro e talvez do Brasil. Não se pode deixar de citar a assistenda prestada dos jogadores campeões pelo presidente Adhemar Bebiano, quer comparecendo a todos os jogos, quer interessando-se pela solução de qualquer problema pessoal ou técnico, que por acaso aparecer. A parte de preparo fisico, coube ao competente e dedicado Zezé Moreira e quanto aos juizes coube ao nosso diretor, Alfredo Escragnolle Taunay. 
Todos os clubs concorrentes do campeonato de reservas foram derrotados pelo Botafogo, conforme veremos mais adiante e foi contra o Vasco da Gama, em jogo anormal, pois atuamos desfalcados de elementos impossibilitados na hora do jogo tanto assim que Lula atuou de half e Gute na extrema, além de ficarmos privados de Waldemar, acidentado desde os primeiros lances, que sofremos a nossa unica derrota. A seguir, oferecemos aos botafoguenses alguns dados estatisticos referentes a nossa esplendida campanha. 

CAMPEONATO CARIOCA DE 1945 1ª Divisão (Reservas) 

1º Turno
 
Adversário Vencedor Score      
Bonsucesso  Botafogo 10x1
Manufatura  Botafogo   4x2   
Fluminense Botafogo   4x1
Madureira Botafogo   3x0 
Olaria Botafogo   5x1 
Vasco da Gama Vasco   2x4
Bangu Botafogo 13x1 
Flamengo        Botafogo   4x2
Andaraí          Botafogo   6x1 
S. Cristóvão --------------   1x1 
America               Botafogo   4x0

2º Turno         Vencedor Score

Adversario 

Bonsucesso Botafogo 2x1
Manufatura Botafogo 5x0 
Fluminense ------------         1x1 
Vasco da Gama Botafogo 4x3 
Madureira Botafogo 5x4 
Flamengo Botafogo 2x0 
Bangu Botafogo 6x0 
S. Cristóvão Botafogo 5x0 
América         Botafogo 3x1 
Olaria Botafogo 7x1

 Fica faltando o jogo contra o Andaraí

Jogadores que integraram a equipe Botafoguense: 
Americo Espinelli, 5 jogos — Antonio R. Laranjeiras, 5 jogos — Afonso Alves de Farias, 9 jogos se jogar no ultimo — Demostenes Cesar da Silva, 19 jogos se jogar no ultimo — Egidio Pinto da Silva, 9 jogos se jogar no ultimo — Francisco Cid Esteves 7 jogos — Gerson dos Santos 11 jogos se jogar no ultimo — Hector Papetti, 13 jogos se jogar no ultimo — Isaltino D. Nascimento, 21 se jogar no ultimo — Jamyr Sueiros 11 se jogar no ultimo — Luiz Pereira, 8 — Manuel F. Constantino, 6 se jogar no ultimo —Oswaldo Alfredo Silva, 21 se jogar no ultimo — Osvaldo Pinho de Castro, 20 se jogar no ultimo — Octavio Sergio da C. Morais, 13 jogos — Waldyr do Esp. Santo (Negrinhão), 1 -  Zarcy Morce de Morais, 21 se jogar no ultimo jogo - Antonio Gaspar, 3 jogos — Stanislau R. Filho, 1 jogo — Waldemar Ferreira, 8 jogos — João Gutemberg da Cruz, 5 jogos,— Alfredo Mattos Monteiro, 3 jogos — Helio da Costa Campos, 2 jogos — José Americo de A. Filho, 1 jogo — Ruy Ramos da Silva, 3 jogos — Henrique F. Torquato (Dunga), 5 jogos — Efigenio d. F. Baiense, 3 jogos — Walter Fazzoni, jogo. 

MARCADORES DOS GOALS 

(faltando o jogo com o Andaraí) 1º Oswaldinho, 21 goals; — 2º Isaltino. 18 goals; 3º Otavio, 15 goals; 4º Demostenes, 13 goals; 5º Lula e Limoeiro, 9 goals; 6º Gute e Geninho, 3 goals; 7º José Americo e Afonsinho -  2 goals; — 8º Zarcy e Papetti, 1 goal.
 
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 53 de dezembro de 1945
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Botafogo, Vice Campeão de Profissionais 

Pela segunda vez consecutiva, o Botafogo ,sagrou-se vice-campeão de futebol na categoria de profissionais, deixando incompleto o sonho dos botafoguenses, para cuja efetivação tanto e tanto trabalharam dirigentes e dirigidos.
Foi sem duvida alguma brilhantissima a campanha do Botafogo em 1945, com apenas a sombra do ultimo jogo contra o América, explicaval em parte por fatôres psicológicos, que atuaram irrestivelmente. 
Foi brilhante, mas não foi favorecida pela sorte a nossa campanha, bastando citar que o campeonato foi decidido em nosso desfavor, antes de seu término normal, pela derrota sofrida contra o Bonsucesso e pelo empate a zero contra o S. Cristovão, jogo esse realizado em nosso proprio campo, constituindo ambos surprezas para todos os desportistas. 
Tambem as arbitragens, não é isso "chôro", mas apenas a enunciação honesta de uma verdade incontéste, concorreram para não obtivessemos esse ano o título pelo qual lutamos lealmente, bastando citar o célebre jogo "arbitrado" por Solon Ribeiro, expulso dos desportos do Brasil em consequencia dêle. 
E si considerarmos que não tratamos aqui de casos alheios e de queixas dos outros... Perdemos no 1º turno apenas 3 pontos, oriundos da derróta frente ao Vasco (caso Spineli e expulsão de Tim), e de um empate contra o Fluminense. 
No intervalo entre os turnos, verificou-se em treino o acidente de René, seguido pela derrota contra o Bonsucesso, numa tarde em que os fados puzeram-se cem por cento contra o Botafogo. 
No jogo contra o Fluminense, sofremos o duplo desfalque de Tovar e Franquito, impossibilitados para o resto do campeonato, e assim, de um momento para outro, esfacelava-se a linha mais positiva do ano de 1945: nenhum outro clube enfrentou problema semelhante, perdendo em duas semanas três elementos, pontos altos do quadro, ao qual estavam perfeitamente ajustados. Para o lugar de René, tivemos que recorrer, no jogo contra o Bonsucesso, a Walter, ainda em precaria forma e nos demais jogos a Lula, que produziu aliás excelentes atuações, enquanto que, na esquerda, no lugar de Franquito, entrou Walter na sua verdadeira posição, mas sem ter ainda recuperado a plenitude do seu estado técnico e físico.
Possuimos excelentes reservas, perfeitamente capacitados para entrarem no quadro a qualquer momento, mas os desfalques sucessivos acabaram por ter a sua influencia, sentida principalmente no caso originado da contusão de Tovar, o nosso prodigioso meia. Recorremos então a Geninho, esse portentoso e fino jogador, verdadeira maquina pensante em campo, mas que estivera a serviço do Brasil na guerra, afastado do futebol por mais de 1 ano, em longas canseiras e exaustivas, aramaticas vigilias. 
Também Geninho contundiu-se quando voltava a exibir as suas notaveis qualidades e entrou  então Otavio, deslocado da sua posição favorita, o centro, posição essa em que cada vez mais terá possibilidades inumaras. Empatamos com o Vasco, num jogo decisivo para as nossas aspirações, e no qual tivemos contra nós a "arbitragem" de Solon Ribeiro, de triste e vergonhosa memoria. 
Perdemos as nossas ultimas possibilidades ao empatarmos por 0x0 com o S. Cristovão, num jogo que talvez tenha sido o maior fracasso do Botafogo em 1945, fracasso esse que deverá constituir para todos os botafoguenses uma lição e uma advertencia para o futuro. 
A nossa defesa foi a mais firme e vigilante do campeonato, apresentando até o ultimo jogo a cifra impressionante e sensacional de 10 goals apenas marcados em 17 jogos, aos quais acrescentamos os 4 marcados pelo America no ultimo jogo quando perdemos o concurso de Laranjeira deslocado, desde o inicio do jogo, para a estrema direita. 
14 goals em todo o campeonato: é o resultado apresentado pela nossa defesa, admiravel e segura. 
Entre os que trabalharam para o Botafogo conseguiu o seu intento, merecem citação Adhemar Bebiano, Luiz Aranha, João Saldanha e João Vaz, além do competente esforçado Italo Fratezi, o Bengala dos campos mineiros e Zezé Moreira o nosso antigo campeão, hoje professor de educação física e cem por cento dedicado ao Botafogo. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 53 de dezembro de 1945
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CURIOSIDADES BOTAFOGUENSES 
1º - O Botafogo estreou os calções negros do seu atual uniforme de futebol, na de 19 de Agosto de 1930, em que abateu por 2x1 o scratch americano que regressava do campeonato mundial de Montevideu; 
2º - Os primeiro torneios de 3º quadros de futebol foram promovidos em 1915  pelo America. O Botafogo venceu sendo que em 1916 com os seguintes jogadores: Jorge Gama e Abreu, Hugh,Edgard, Pullen e Colombo Portella; Carlos Garcia de Souza, Alvaro Werneck e Adherbal de Souza Bastos; José Carlos Mallet, Alfredo Pinto, Octavio de Campos Tourinho, José Leal Burlamaqui e Jorge Silva, além dos reservas Renato José Gurgel Dantas, Afonso Machado, Antonio Corrêia Meyer e Bruno Burlini;
3º -  Paulo Teixeira Soares (Néco) foi o melhor batedor de tiros livres que o Botafogo possuiu no futebol, pois possuidor de um shoot violentissimo, sabia colocar a bola nas rêdes rivais pela menor brecha que se apresentasse. Tornou-se inesquecivel o penalti que bateu em 1925 contra o Vasco, empatando por 2x2 o jogo, prorrogado exclusivamente para ser batida a falta; 
4º - O Botafogo venceu o torneio de 2ºs quadros de futebol em 1909 com o seguinte quadro: Alvaro Werneck, Adhemar de Lamare e Edgard Soares Dutra; Amilcar Pinto, Norman Hime e Victor Crespo; José Gonçalves do Couto, Abelardo de Lamare, João Baptista Canto, Benjamin Sodré e Lauro Sodré Filho, tendo joga-do também Candido Viana, Eurico Viveiros de Castro, Cesar Fagundes e Octavio Werneck;
5º - Maria Angélica da Costa, Maria Dulce Gazio, Olga Nunes Santos e Carmen Rodrigues da Costa são as recordistas de 4x100, novissimas, com o tempo de 5,49,3, desde 27-12-1944. 
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Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 55 de fevereiro de 1946
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Curiosidades Botafoguenses 

1º - Martim Silveira, atualmente o nosso técnico, passou  diretamente dos quadros colegiais para o 1º do Botafogo e o selecionado brasileiro, conseguindo sagrar-se campeão carioca de futebol em seu primeiro ano de atividade oficial. 
2º - Marcos de Andrade, o nosso tetra-campeão carioca de basquete, é invicto nesse desporto, pois, por vários motivos, esteve ausente, nessas quatro anos, dos 4 únicos jogos que o Botafogo perdeu, um em cada ano. 
3º - Sómente em 1945 foi que o Botafogo chegou á frente do 2º colocado em basquete 1 ponto apenas. 
4º - O Botafogo foi o único clube brasileiro que já se exibiu na América do Norte. 
5º - Antonio Francisco Ariza, campeão carioca de 1930, na extrema direita, iniciou as suas atividades na meia, ao passo que Benedito Menezes, back direito, campeão de 1930 e 1932, estreou no Botafogo na ponta esquerda, Otacilio Pinheiro Guerza, back esquerdo, campeão de 1930, começou como center-foeward e Vitor Gonçalves, keeper, campeão de 1932, iniciou .os seus passos no futebol como half esquerdo. 
6º - Ralph, o simpático desportista norte-americano, foi o maior encestador do Botafogo em 1945, com 183 pontos, obtidos em 16 jogos.
7º - O estadium do Botafogo, cuja terminação já está sendo objeto de estudos, foi inaugurado a 28 de Agosto de 1938, sob a presidência do Sérgio Darcy. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 57 de abril de 1946
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Reminiscências de 1922 


Assumindo em 1922 a direção de futebol do Botafogo, Carlos Martins da Rocha, às portas do campeonato, enfrentou um grave problema, pois o Glorioso perdeu quatro de seus melhores atacantes: o grande Petiot, que no apogeu de seu extraordinário jogo e muito jovem ainda — 22 anos — transferiu sua residência para a Bahia, deixando uma lacuna por muito tempo impreenchivel; Nilo, que desgostoso com a política que fervilhava no clube, para não deixá-lo, em definitivo, foi, prejudicando sua forma, atuar no S. C. Brasil, da 2ª divisão; Riva, cheio de afazeres e Elviro, suspenso pela Liga desde 1921. 
Assim, de nosso ataque de 21 ficaram apenas Leite, em plena forma e Vadinho, já cansado e jogando por sacrifício e amor ao nosso pavilhão. O grande Carlito não se abalou: promoveu o jovem meia Alkindar, do 2º quadro e recorreu a Celso e Arlindo, que estavam praticamente afastados do futebol, colocando o primeiro, ousadamente, no centro do ataque, onde nunca atuara, pois que até então, no primeiro team, só jogara nas extremas. No fim do ano, Carlito conseguiu a maior surpreza da temporada: a reaparição do extraordinário Mimi Sodré, que desde 1921 6não figurava em nosso quadro e que embora não possuísse mais sua incrivel agilidade antiga, ainda brilhou pela técnica incomparável de que era senhor, distribuindo aos seus companheiros um jogo perfeito. Na linha media, para o lugar do veterano Coló, que mudara-se para São Paulo, Carlito escalou Lagrequinha, do 3º quadro, também ousada decisão: Lagreca correspondeu e foi por muito tempo um de nossos melhores halves de ala. 
Pois com este quadro, que aparentemente se assemelhava a uma colcha de retalhos, Carlito fez o Botafogo brilhar esplendidamente, chegando em terceiro lugar,  a três pontos do campeão, só não sendo alcançado a meta final por ter sofrido duas imprevisiveis derrotas. 
O Botafogo entrou de pé direito, pois a 9 de abril, desfalcado de Haroldo, substitUido por Oliveira, venceu o Andaraí por 5x3, goals de Arlindo 2, Celso 2 e Alkindar 1. O quadro agradou em cheio, como se vê d'"O País": "A linha de "forwards" é muito ligeira, possuindo um trio perigoso nos tiros finais. Nequinho foi, no entanto, o mais fraco. No quadro botafoguense, salientaram-se, na defesa, Alfredinho, que foi a alma do team; Police, que jogou como nunca e Palamone. No ataque é justo destacar Leite, que atuou de modo impecável; seus centros foram dados sempre com precisão; Alkindar, o substituto do grande Petiot, portou-se muito bem, formando com Leite uma perigosa ala, Celso, na nova posição, distribuiu e shootou bem a bola e Arlindo, com seus possantes kicks, foi o terror do keeper.
A prova de fogo foi contra o fortissimo quadro bi-campeão do Flamengo e a 21 de abril, com Haroldo no goal, o Botafogo saiu-se muito bem, empatando por 0x0 em um jogo em que foi superior ao seu terrivel rival. 
Contra o Bangú, resurgiu Vadinho, na extrema, no lugar de Néco, que jogara nos dois outros encontros. Vencemos por 3x1, goals de Alkindar, Arlindo e Alfredinho, com o seguinte quadro, que foi o efetivo em quase tôda a temporada: Haroldo, Palamone e Alemão, Police, Alfredinho e Lagreca, Leite, Alkindar, Arlindo e Vadinho. 
Em seguida, o Botafogo abateu o São Cristovão por 2x0, goals de Alkindar, enfrentando, em 21 de maio, o Fluminense, seu maior rival de todos os tempos. Vencemos lindamente por 2x1, com goals magistrais do veterano Vadinho, que assim, mais uma vez, venceu a meta do grande Marcos, o que lhe era habitual. Nos minutos finais, o tricolor fez grande pressão, mas nosso formidável triângulo final resistiu impavidamente. 
Desfalcados de Celso, mal substituído por Elviro, no centro, sofremos  por 1x0, nossa primeira derrota, frente ao América, em uma tarde chuvosa. 
A 11 de junho, na rua Paissandu, o Botafogo começou o returno, empatando por 2x2 com o Flamengo, em um dos mais sensacionais jogos do ano. Perdemos por 2x0 no primeiro tempo. para na fase final, empatarmos com dois goals lindos, de Arlindo, em formidável entrada, jogando Kuntz nas redes quando procurava deter um tiro de Alkindar e de Vadinho, emendando passe de Alkindar. Entre a conquista de nossos dois goals, Haroldo defendeu otimamente um penalty batido pelo terrivel Junqueira. Sôbre o nosso quadro disse o "Jornal do Comércio": "No segundo tempo, porém, essa falha desapareceu e a ação do conjunto alvinegro foi impecável. Alkindar, apesar .de novo, foi o melhor elemento da tarde de ontem: Alfredo bem amparado pelas alas, firmou-se no segundo tempo e não deu treguas aos atacantes adversários. O triângulo fina] esteve firme, com exceção de Haroldo, que mostrou-se nervoso." 
Em Bangú, devido a um imaginário penalty de Palamone, perdemos por 2x1 para o quadro local. Seguiu-se um festival em que se enfrentaram os scratches Norte e Sul, sendo este último constituido por dez jogadores do Botafogo e por Nilo, então no Brasil. Nessa tarde é. que reapareceu o incomparável Mimi Sodré, formando ala com Nilo: foi a única vez em que jogaram juntos estes dois grandes botafoguenses. E disse "O Imparcial": "O "clou" da tarde esportiva, no campo do simpático clube alvi-negro foi, sem dúvida, o reaparecimento do querido player Mimi Sodré, nos campos cariocas. A sua atuação foi brilhante. Mimi distribuiu e shootou com muita precisão. Ao entrar na arena de combate, foi alvo de grande manifestação por parte da seleta assistência." A 2 de julho, em Figueira de Melo, o, Botafogo abateu o São Cristovão, por 2x0, goals de Leite e Alkindar, apresen-tando o quadro que brilharia nos jogos finais: Haroldo, Palamone e Alemão, Police, Alfredinho e Lagreca, Leite, Alkindar, Celsb, Mimi e Arlindo. 
No domingo seguinte, desfalcados da ala esquerda, que foi constituida por Vadinho, que despediu-se das canchas neste dia e por Néco, que brilhou e marcou dois goals, perdemos inesperadamente, para o Andaraí, por 3x2, o que anulou nossas pretensões ao campeonato (sempre o mesmo azar...).
A 16 de julho, em nosso campo, empatamos por 0x0 contra o forte quadro tricolor, tendo Haroldo Joppert desenvolvido a maior atuação de sua vida esportiva, jogando admiravelmente e detendo nada menos de 22 pelotaços bem dirigidos. 
E a 23 de julho, ainda em General Severiano, o Botafogo encerrou brilhantemente sua campanha, esmagando o América, já campeão, por 2x0, goals magnificamente marcados por Alfredinho, com belo tiro e por Alkindar, com esplêndida cabeçada. Na fase final, para "consolar" os campeões, Carlito, que foi o juiz a pedido dos próprios rubras deixou de assinalar dois goals de Alkindar e Arlindo. Foi a última vez que jogou Mimi Sodré, não tendo tido o dissabor de perder um jogo nessa sua sensacional "reentrée". 
Todo o quadro esteve admirável, destacando-se,- porém, a Parelha Palamone e Alemão, a maior que já possuiu o Glorioso: ambos de baixa estatura, mas gigantescos no gramado, Palamone, mais técnico, Alemão mais impetuoso, quase sobrehumano nessa tarde de ouro. 
Carlito completou suas proezas dando-nos, ainda, de maneira sensacional, o torneio dos segundos quadros, cujo team honrou urna vez com sua presença, atuando de back contra o Andaraí (2x0). Na rodada final, três eram os leaders : Botafogo, América e Flamengo. Abatendo o América, por 2x0, goals de Néco, Botafogo foi desempatar o torneio da série A contra o Flamengo, no campo do Andaraí, a 20 de agosto e em um jogo sensacional em que houve uma prorrogação de vinte minutos, venceu lindamente por 3x2, goals de Mario Braga 2 e Nequinho, com o seguinte quadro: Almir, Nestor e Ciodaro, Franco, Caruso e Baby, Maciel, Jolibel, Braga, Néco e Claudionor. Nessa tarde, o valoroso Renato Franco, relembrando seus velhos tempos, esteve simplesmente assombroso, tendo também Nestor e Nequinho, brilhado muito. Disse "O Imparcial": "Tiveram, eles assim, coroados o seu esforço, dirigido pela abnegação sem par de Carlito Rocha que, na direção esportiva do "glorioso", por sacrifícios incomparáveis, se tornou o mais benemérito dos beneméritos de seu clube. Apesar de desfalcado de Carlinhos (extrema direita) e Couto (back que a Liga houve por bem punir, nada esmoreceu o capricho no entraineiment e a vontade de vencer que valeram ao segundo quadro do Botafogo F. Clube,  o honroso e justo título de campeão da série A." 
A 12 de novembro, no mesmo campo, o Botafogo, com seu quadro desfalcado, abateu Por 1x0, goal de Jolibel, o forte segundo quadro do Vasco, campeão da série B, vencendo assim .o torneio de segundos quadros da 1ª Divisão, tendo sido este o team: Almir, Nestor e M. Braga, Jair, Caruso e Baby, Maciel, Jolibel, Bolivar, Néco e Claudionor.
Terminou assim a temporada que também viu campeão sul-americano o admirável Palamone.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 51 de julho de 1946
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FEÉRICA INAUGURAÇAO

Foi uma noite inesquecível a de 29 de maio, quando, em uma orgia de luz, o Botafogo inaugurou a magistral iluminação do seu estádio, obra incomparável da Emprêsa Brasileira de Engenharia que custou ao clube cerca de um milhão de cruzeiros, e que, decidida e iniciada pela administração Adhemar Bebiano, foi concluida pela atual administração.

Para festejar o grande acontecimento Botafogo instituiu a taça "Adhemar Bebiano" para ser disputada entre nossa equipe e a do valoroso Atlético Paranaense, organizando um programa festejos de grande oportunidade.

O estádio, em festa, parecia iluminado pelo próprio sol, impressão que anda mais se realçou quando, terminada a preliminar, foram extintos os refletores para ser a chave oficialmente ligada por quem mais merecia a honra inaugurá-la - Adhemar Bebiano - este grande benemérito a quem o Glorioso não sabe mais como agradecer os inestimáveis serviços e que, modestamente se ocultara nas gerais, para, anonimamente, apreciar os efeitos de sua obra magistral e furtar-se aos desejos de seus amigos e admiradores, relembrando em silencio, certamente, a saudosa figura de Vasco Bebiano, o sobrinho querido que, como dirigente da Emprêsa, tudo facilitara ao Glorioso.

No intervalo do embate principal, nova surprêsa que o gosto apurado do presidente Carlito Rocha reservara aos seus consócios, a festa pirotécnica, verdadeira maravilha, que arrancou aplausos de entusiasmo e encheu os céus de imagens encantadas e que "A Noite" assim descreveu: — "E o céu se encheu de estrelas, com a "feerie" proporcionada pelo Botafogo à cidade esportiva —Magia de luz e cores. O Botafogo F. R. ofereceu sábado aos desportistas da cidade, um feérico e inesquecível espetáculo. Inaugurando a iluminação do seu campo, abundantíssima e tecnicamente perfeita, o alvi-negro deslumbrou os que ali acorreram. E notariam os que conhecem os gramados dotados de instalações para jogos noturnos, quer no Brasil como no continente, que nenhum outro se lhe compara em intensidade e acomodação. — E o céu se encheu de estrelas. — Mas não ficou ai o clube da "Estrela Solitária", pois Carlito Rocha, amante das coisas grandiosas, helénicas, quis brindar também a cidade com uma festa pirotécnica asiática. E milhares de fógos primorosos romperam as trevas da noite, enchendo o céu de miriades de estrelas, do azul mais suave ao rubro mais vivo. Bem propalam alguns botafoguenses que êle é o Mágico de Hoz de que tanto precisavam.

E "O Jornal": — "Inicialmente apareceu bem iluminada, em fogos de artifício, a estrela solitária do clube alvi-negro e a seguir, um belíssimo "V" da Vitória, dando um aspecto verdadeiramente deslumbrante." O jogo interestadual também correspondeu aos anceios do público pois, se teve falhas técnicas, foi ardorosamente disputado, em vivíssima movimentação, terminando empatado por 0x0 e deixando, os paranaenses, bôa impressão. Verdade é que o juiz não pôde observar um tento de Octávio, que o veterano e valoroso Cajú tirou de dentro do goal — como se pôde vêr na fotografia que publicamos.

Foi o seguinte o nosso quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Marinho, e Juvenal; Nerino (Paraguaio), Geninho, Heleno, Pirilo (Octávio) e Reinaldo.

O encontro teve, inclusive, um sentimental: a despedida de Heleno de Freitas da camisa alvi-negra que, maogrado os seus tão conhecidos defeitos temperamentais, ele durante nove temporadas, defendeu, brava, delicada e brilhantemente.

Infelizmente, o segundo encontro, pois a taça "Adhemar Bebiano" será disputada em "melhor de três", programado para a noite de 1º de junho, deixou de se realizar, pois que os paranaenses, alegando acharem-se vários jogadores contundidos, preferiram regressar ao seu simpático torrão.

Não queremos terminar, tambem sem apresentar os sinceros agradecimentos do Botafogo à ilustre administração da Emprêsa Brasileira de Engenharia que conosco sempre manteve os mais corretos e cordiais entendimentos, administração constituida pelos Srs. Geraldo Martins Ourivio, Armando Rodrigues Teixeira e Celso Coelho de Souza, êstes dois últimos veteranos defensores das côres alvi-negras.

TEMPORADA DO SOUTHAMPTON

Não há a menor dúvida que, apesar certas críticas precipitadas em contrário, constituiu um verdadeiro sucesso temporada do Southampton, alcançando o Botafogo, com sua arrojada iniciativa, o principal objetivo visado que era o de um confronto entre dois padrões de jogo totalmente diversos, confronto este que felizmente foi absolutamente favorável ao nosso futebol, pois que os inglêses sómente obtiveram os grandes sucessos, quando adaptaram a marcação cerrada, aliás com uma dificuldade de adaptação notável.

Acompanhados pelo presidente Carlos Martins da Rocha, os inglêses seguiram para São Paulo a 22 de maio, estreando contra o São Paulo na noite frigida de 25, quando, embora já se exibindo bem melhor do que em suas partidas no Rio, foram vencidos por 4 x 2. Deu o kick-off do jogo o veterano Charles Miller, que foi o introdutor do futebol no Brasil e a renda somou a apreciável quantia de Cr$ 386.056,50.

O ilustre Dr. Adhemar de Barros, chefe do govêrno de São Paulo, assistiu encontro e, num gesto verdadeiramenente notável de quem sabe avaliar a grandeza da iniciativa do Botafogo, deu instruções para que a Prefeitura abrisse mão do impôsto de 10 % a que o Pacaembú tem direito, por lei.

A 29 de maio, á tarde, em prélio duríssimo os inglêses perderam por 2 x 1 para a Portuguesa (renda 156.382,00 cruzeiros), mas na noite de 2 de junho, apreendiam o público paulista com sofismável vitória, pelo mesmo score, sobre o forte esquadrão do Corinthians renda: Cr$ 170.826,00).

Verdade é que, nessa partida, pela primeira vez, o Southampton apresentou o seu extraordinário full-bak Ramsay que, como integrante do selecionado inglês excursionava pela Itália e Suiçae que chegara dias antes, de avião, tendo jogado admiravelmente, revelando-se o verdadeiro condutor do quadro.

Regressando ao Rio, com outra exibição excelente, no domingo 6 de junho, Southampton impôs-se ao valoroso quadro do Flamengo por 3x1, o que motivou a programação de um novo jogo nesta capital, contra o grande quadro campeão do Vasco da Gania, prélio êste  que efetuado na noite de 10, teve um desenrolar movimentadíssimo, findando com uma brilhante vitória brasileira por 2 x 1.

O Exmo. Sr. Prefeito do Distrito Federal, General Angelo Mendes de Moraes, prestigiando a iniciativa botafoguense, honrou-nos com a sua presença, tendo dado o kick-off do jogo, sob grandes aclamações do público. A renda do encontro com o Flamengo somou a importância de 416.300.00 cruzeiros e a do jogo com o Vasco, a de Cr$ 501.100,00. Mr. Georges Reader, o extraordinário juiz, arbitrou todos os encontros com absoluta perfeição, constituindo um verdadeiro espetáculo. Finalmente, a 13 de junho, o Southampton encerrou em Juiz de Fóra, sua temporada, empatando por 1 x 1 com a seleção local, reforçada de elementos do Atlético Mineiro, sendo o Botafogo representado nos festejos, pelo seu sócio benemérito Dr. Manuel Vargas Netto, ilustre presidente da F. M. F. e pelos diretores Drs. Alceu Mendes de Oliveira Castro, Sebastião Mótta Ribeiro de Vasconcellos e Oswaldo Guimarães Palmeira.

JOGOS INERNACIONAIS PROMOVI-DOS PELO BOTAFOGO

Foi sob a presidência Joaquim Delamare que, em 1913, para inaugurar oficialmente suas primitivas dependências de General Severiano, o Botafogo promoveu sua primeira temporada internacional, trazendo a esta capital um combinado português que aqui, de 13 a 20 de julho, preliou quatro vezes, registrando duas derrotas, um empate e uma vitória. A benemérita presidência Pino Machado trouxe-nos duas vezes o Dublin F. C., de Montevideo, formidável conjunto, verdadeiro combinado uruguaio, pois que vinha enxertado de grandes craks de outros clubes, como os assombrosos campeões Romano e Hector Scarone, que vieram das duas vezes e Urdinaran, Vanzino, Maran e Monti (êste, depois, nosso denodado defensor) que fizeram parte da segunda visita.

Na primeira temporada, realizada de 31 de dezembro de 1916 a 9 de janeiro de 1917, os uruguaios disputaram quatro jogos, vencendo três e empatando por 0x0 com a seleção nacional.

Na segunda, efetuado, entre os dias 17 e 31 de janeiro de 1918, o Dublin F. C. disputou cinco jogos, vencendo quatro e empatando por 1 x 1 com o Fluminense, sendo todos os jogos realizados em nosso campo.

Dez anos depois, o grande presidente Paulo Azeredo trouxe o famoso quadro escossês do Motherwell, que, na noite de 21 de junho empatou por 1 x 1 com o selecionado carioca, quando Oswaldinho, do América, marcou o seu célebre goal e na tarde de 24 foi fragorosamente abatido pelo scratch nacional por 5x0, goals de Feitiço 4 e De Maria, sendo os dois encontros realizados no estádio tricolor.

Em 1929, aproveitando a ida do forte conjunto uruguaio do Rampla Junior a Europa, o Botafogo promoveu, no estádio de S. Januário, três encontros, a 17 de fevereiro, contra o combinado carioca, que foi vencido por 3 x 1; a 22, contra e combinado paulista, que empatou e a 24, de manhã, contra a seleção Rio-S. Paulo, que venceu por 4 x 2, tendo Nilo marcado dois belos goals. No regresso do Rampla Junior, na noite de 20 de junho, o Botafogo promoveu um novo encontro contra a seleção carioca que, por 3x1, obteve, então, a revanche. Ainda em 1929 e aproveitando também a excursão do forte quadro italiano do Bologna ao Prata, o Botafogo exibiu-o duas vezes, na ida e na volta, a 25 de julho e 14 de agôsto, contra a seleção carioca que venceu os dois cotejos por 3 x 1, sendo ambos realizados no estádio de Alvaro Chaves.

Em 17 e 19 de agôsto de 1930, no campo do Fluminense, o Botafogo promoveu dois jogos do selecionado norte-americano que regressava do campeonato mundial de Montevidéo e que foi abatido pela seleção Rio-São Paulo e

pelo Botafogo, respectivamente, por 4 x 3 e 2 x 1, em duas lutas sensacionais.

Em março de 1934, em plena cisão esportiva, trouxe o Glorioso, o Nacional de Rosario (Argentina), que foi derrotado, em General Severiano por 4 x 1, pelo nosso quadro tendo sido todas essas temporadas, a partir de 1928, promovidas pela benemérita diretoria presidida pelo grande Paulo Azeredo.

Agora, com o Southampton, seguindo a mesma trilha, o Presidente Carlito Rocha recomeça as temporadas internacionais que tão úteis e interessantes são e que tanto elevam os desportos nacionais, merecendo, por isso o apóio integral de todos os verdadeiros desportistas.

A TRANSFERÊNCIA DE HELENO

Vem de se processar harmonicamente a transferência de Heleno de Freitas para o Boca Junior, a mais sensacional, talvez, operada na América do Sul. De acôrdo com a sua tradição, de não cercear a liberdade de ninguém, Botafogo não se opôs á transação, embora houvesse fixado para o passe um preço julgado quasi inacessível. Cr$. 600.000,00, do qual não abateu um ceitil, pois considerava o crack necessário à equipe.

Quando o Boca Junior confirmou que pagaria a importância pedida, Presidente Carlos Martins da Rocha chamou incontinente, Heleno fazendo-lhe vêr que ainda era tempo de desfazer a transação, mas Heleno confirmou sua grande vontade de atuar no futebol argentino, pelo que tudo se consumou, principalmente tendo em vista que, em abril de 49, Heleno estaria livre por Cr$ 45.000,00. Heleno enviou, então, seguinte carta à diretoria:

"Rio de Janeiro, 1 de junho de 1948. Ao Sr. Carlos Martins da Rocha, D.D. Presidente do Botafogo F.R. — Em aditamento às palestras que tive com V. S. sôbre minha transferência para o foot-ball argentino, venho confirmar que essa se processou de comum acordo com êsse club e, de minha parte por livre e espontânea vontade.

Aproveito o ensejo para reiterar a satisfação que foi para mim o longo convívio que mantive com o Botafogo, club que defendi como seu profissional, mas, peço que se me permita declarar, como verdadeiro e sincero botafoguense.

Assegurando a certeza de minha maior amizade e simpatia pelo quadro social do club e seus dignos dirigentes, sou o At.º e M.º Obr.º — Heleno de Freitas."

A Diretoria do Botafogo, como prova de reconhecimento à dedicação e a galhardia com que Heleno defendeu durante dez temporadas as côres alvi-negras, resolveu, por proposta do Dr. Luiz Carlos de Oliveira, conceder-lhe como prêmio, o reembolso da multa que recentemente sofreu, gesto que calou fundo no coração de Heleno e que teve a mais favorável repercussão.

Eis como "O Jornal" de 2 de junho descreve o acôrdo final: AOS 600 MIL CRUZEIROS O BOTAFOGO AINDA PREFERIA O JOGADOR

Em seguida, Carlito Rocha comunicou-se com Heleno, que estava em sua residência, solicitando sua presença em Wencesláu Braz. Chegando Heleno, o dirigente alvi-negro informou-lhe do que se tinha passado e acrescentou: — Falta, agora, sua palavra. O Botafogo não terá a menor dúvida em desfazer as negociações com o Boca Junior se você não estiver de acôrdo; se essa transferência não fôr de seu agrado e interesse, pois é oportuno: que você saiba que o Botafogo não tinha maior interêsse em ceder seu passe. Quando estipulou o preço de seu atestado liberatório em 600 mil cruzeiros justamente, na presunção de que não seria aceito. Interessava mais ao clube conservar seu concurso e sua colaboração na campanha deste ano do que a compensação financeira pela sua perda. Assim, se, por acaso, não quiser, você não irá.

Mas, Heleno respondeu que era do seu interêsse seguir, mesmo porque estava com sua palavra empenhada, não mais podendo recuar. — Então, neste caso, — retrucou Carlito Rocha, — foi, também, resolução da diretoria que você lhe escreva uma carta, declarando que segue por livre e espontânea vontade.

MOMENTO SENTIMENTAL

— Bem, assim sendo, — prosseguiu Carlito Rocha, — tudo resolvido, não me resta mais que, como presidente do Botafogo, desejar a você, Heleno, todas as felicidades na nova fase de sua carreira esportiva. E quero igualmente, fazer os mais ardentes e sinceros votos para que, em campos estrangeiros você eleve, ao máximo, o bom nome do foot-ball brasileiro de que você será lídimo representante.

Heleno ouviu em silêncio a peroração de Carlito Rocha. E, ao fim, não disse mais que "muito obrigado", acompanhado de um aperto de mão. Todos, porém, que presenciaram a cena compreenderam que Heleno não podia dizer mais. Era evidente o estado emocional em que se encontrava. Seus olhos estavam marejados d'água e sua voz mal se apercebia. Aliás, também CarIito Rocha sentiu as emoções do momento, do instante em que se despedia do clube um elemento que se tornara verdadeira tradição do Botafogo, tradição que formara pelo empenho, pela dedicação não raro chegando ao sacrifício, com que, durante oito anos, lutara pela defesa de suas côres. E foi justamente em função dêsses sentimentos que Heleno grangeara a parte menos favorável de sua reputação como jogador. Isto porque a irritabilidade, os gestos de contrariedade, o mau modo, enfim, que, inevitavelmente, se associa a toda evocação de seu nome, Heleno os tinha quando via seu quadro em inferioridade técnica ou numérica. Era, portanto, uma demonstração de seu amor ao clube, sentimento este que, ainda uma vez, revelou nas lágrimas que lhe assomaram aos olhos no momento da despedida, no instante em que se consumava o ato que o ia levar para longe do Botafogo."

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted

Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 70 de julho de 1948
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Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted

Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 70 de julho de 1948

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CAMPEONATO CARIOCA - 1942 

Jogos: América (11 a 0 e 6 a 2), Andaraí (9 a 1 e 17 a 1), Bangu (12 a 5 e 9 2 1), Bonsucesso (8 a 1 e 9 a 1), Canto do Rio (4 a 0 e 7 a 0), Carioca (11 a 2 e 7 a 0), Confiança (5 a 3 e 3 a 1), Flamengo (2 a 1 e 2 a 0), Fluminense (3 a 0 e 4 a 2), Ideal (4 a 0 e 15 a 1), Madureira (7 a 1 e 8 a 1), Mavilis (6 a 0 e 3 a 1), Olaria (3 a 3 e 3 a 2), River (6 a 2 e 15 a 2), Rui Barbosa (13 a 1 e 5 a 0), São Cristóvão (3 a 4 e 3 a 2), Vasco da Gama (4 a 2 e 0 a 0). Total de jogos 34, vitórias 31, empates 2, derrota 1. Gols pró 227, contra 43; saldo 184. Jogaram: Luís Paulo Neves Tovar (34), Hélio Campos (33), Renê Mendonça (33), Rui Ramos da Silva (32), Augusto (Augustinho) Willemsens (28), Francisco Cid Esteves (26), Henrique (Dunga) Torquato (25), Emérito (Mato Grosso) dos Reis (24), José Américo de Almeida Filho (20), Oto Willman (18), Hilário Rua (15), Alfredo Monteiro, (14), Armando Lopes (13), Nei Arruda Sodré (8), Emanoel Viveiros de Castro (7), Pedro (Pedrinho) Botelho (6), Eurico Viveiros de Castro (6), Pedro Cataido (4), Silvio Hildebrandt (4), Antônio (Antoninho) Gaspar (4), Afonso (Afonsinho) de Faria (4), Jaime Valente (3), Danilo Maurmann (3), Álvaro Farias (3), Álvaro Costa (2), Vítor Gonçalves (1), Carlos Fafiães (1), Valdemar Ferreira (1), lvã Espírito Santo (1), Nílton Nóbrega (1). Total 30 jogadores. Artilheiros: Augustinho (75), Renê (43), Tovar (34), Zé Américo (25), Oto (14), Viveiros (10), Marinho (5), Armando (6), Afonsinho (5), Hélio (3), Alvaro Farias (2), Cid (1), Álvaro Costa (1) e adversários (3). 

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Os grandes clubes brasileiros nº 13
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CAMPEONATO CARIOCA - 1943 

Jogos - América (4 a 1 e 2 a 2), Bangu (10 a 3 e 3 a 0), Bonsucesso (3 a 1 e 1 a 0), Flamengo (2 a 4 e 5 a 2), Fluminense (3 a 1 e 4 a 0), Madureira (4 a 0 e 4 a 2), Olaria (1 a 0 e 4 a 1), São Cristóvão (2 a 1 e 4 a 2), Vasco da Gama (2 a 1 e 0 a 0). Total de jogos 18, vitórias 16, empate 1, derrota 1. Gols pró 62, contra 21, saldo 41. Jogaram: Francisco Cid Esteves (18), Alfredo Monteiro (17), Rui da Silva (17), Hélio Campos (16), Otávio de Morais (16), Renê Mendonça (16), Estanislau (Boliviano) Rosalinski Filho (16), José Américo de Almeida Filho (12), Luís Paulo Neves Tovar (11), Henrique (Dunga) Torquato (10), Augusto (Augustinho) WIllemsens (10), Edgar Moreira (8), Miguel Ruiz (5), Mílson Coelho Xisto (4), Álvaro de Farias (4), Hilário Rua (3), Antônio Viana (3), Emanoel (Maninho) Viveiros de Castro (3), Jaime Valente (2), Armando Lopes (2), Hézio Martins (1), Sílvio Hildebrandt (1), João Castro Peixoto (1), António (Antoninho) Gaspar (1), Gastão da Mata (1), Alvaro Costa (1). Total: 26 jogadores. Artilheiros: Otávio (18), Edgar (8), Zé Américo {7), Augustinho (6), Renê (6), Tovar (4), Ruiz (4), 'Álvaro de Farias (4), Hélio (3), Maninho (2). 

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Os grandes clubes brasileiros nº 13 
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CAMPEONATO CARIOCA - 1944 

Jogos - América (2 a 2 e 6 a 0), Bangu (7 a 2 e 9 a 1), Bonsucesso (9 a 0 e 10 a 3), Flamengo (2 a 3 e 4 a 0), Fluminense (6 a 1 e 8 a 0), Madureira (6 a 2 e 3 a 3), Olaria (4 a 1 e 8 a 1), São Cristóvão (8 a 1 e 13 a 0), Vasco da Gama (1 a 0 e 3 a 1). Total de jogos 18, vitórias 15, empates 2, derrota 1. Gols pró 109, contra 21, saldo 88. Jogaram: Alfredo Monteiro (18), Francisco Cid Esteves (18), Stanislau (Boliviano) Rosalinski Fi-lho (17), Henrique (Dunga) Torquato (17), Luís Paulo Neves Tovar (17), Otávio de Morais (16), Rui Campos da Silva (14), Afonso (Afonsinho) Alves de Faria (11), João (Gute) Gutembergue da Cruz (11), Josias (Bororó) Silvino de Lima (7), Renê Mendonça (7), Edgar Moreira (6), José Américo de Almeida Filho (4), Rodolfo (Patesko) Barteczko (4), Antônio (Antoninho) Gaspar (3), Rodrigo Tovar (3), Alvaro de Farias (3), Mário Júlio de Morais (1), Mílson Coelho Xisto (1), Sílvio Hildebrándt (1), Roberto Carvalho (1), Natalino Conceição (1), Carlos (Cadinhos) Vasconcelos (1), Mauro Mattins (1), Rui Aguiar (1). Total: 26 jogadores. Artilheiros: Otávio (22), Bororó (15), Tovar (15), Renê (13), Zé Américo (12), Gute (12), Afonsinho (7), Patesko (4), Edgar (3), Hélio (3), Alfredo (2) e Dunga (1).

 Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Os grandes clubes brasileiros nº 13 
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CAMPEONATO CARIOCA -1948  

Jogos - América (1 a 0 e 2 a 1), Bangu (0 a 0 e 3 a 0), Bonsucesso (3 a 0 e 2 a 1), Canto do Rio (4 a 2 e 4 a 1 ), Flamengo (2 a 1 e 5 a 3), Fluminense (5 a 2 e 2 a 2), Madureira (6 a 0 e 2 a 0), Olaria (6 a 1 e 4 a 3), São Cristóvão (0 a 4 e 3 a 1), Vasco da Gama (2 a 1 e 3 a 1). Total de jogos 20, vitórias 17, empates 2, derrota 1. Gols pró 59, contra 24, saldo 35. Jogaram: Osvaldo (20), Juvenal (20), Paraguaio (20), Geninho (20), Otávio (20), Braguinha (20), Gérson (19), Nílton Santos (19), Ávila (19), Pirilo (19), Rubinho (17), Sarna (3), Marinho (2), Nilton (1), Zezinho (1). Total: 15 jogadores. Artilheiros: Otávio (21), Pirilo (13), Paraguaio (12), Braguinha (7), Geninho (2), Juvenal (2), Avila (1) e Nílton Santos (1). 

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Os grandes clubes brasileiros nº 13 
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Resultados do Botafogo





Acervo particular Alceu Oliveiura Castro Jungsted
Fonte: Boletim OIficial do BFR nº 73 de outubro de 1948
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Resultados  do  Botafogo

Eis os últimos resultados obtidos pelo clube nos vários torneios da F. M. F.:

BOTAFOGO  x AMERlCA - em  19 de Setembro
Profissionais: Botafogo, 1 x 0 - Quadro: Oswaldo, Marinho e Santos, Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octávio e Braguinha.
Goal: Santos 1.

Reservas: América, 2 x 1 - Quadro: Matarazzo, Rubens e Sarno, Adão; Orlando e Cid, Antonio José, Jayme, Hamilton, Demóstenes e Reinaldo. 
Goal: Hamilton 1.

Aspirantes: Botafogo, 4 x 3 - Quadro: Salvador, Jorge e Eloi, Luiz, Nascimento e ,Rob , Gaúcho, Zézinho, Vivinho, Quissamã e Baduca.
Goals: Gaúcho 2 e Zézinho 2.

Juvenis: Botafogo, 2 x 1 - Quadro: Basílio, Haroldo e Aiélo, Walter, Adalberto e Roberto, Octávio, Darcy, Dino, Binha e, Waldomiro.
Goals: Octavio 1 e Dino 1.

VASCO x BOTAFOGO - Em 24 de Setembro

Profissionais: Botafogo, 2 x 1, Quadro: Oswaddo,  Gerson  e  Santos,  Rubinho,  Avila e  Juvenal,  Paraguaio,  Geninho,  Pirilo, Octavio e Braguinha.
Goals.: Octavio 2.

Reservas : Empate, 3 x 3 - Quadro: Matarazo, Marinho e Sarno, Adão, Rodrigo e Cid, Antonio José, Jayme, Oswaldinho, Demostenes e Reinaldo.
Goals: Jayme 1, Marinho 1 e Oswadinho  1.

Aspirantes: Vasco da Gama, 3 x 0 - Quadro: Salvador, Jorge e Eloi,  Biguá, Gil e Bob, Luiz, Quissamã, Vivinho, Zezinho e Baduca.

Juvenis: Botafogo  2 x 1 - Quadro: Basílio, Aiélo e Haroldo, Octavio, Adalberto e Roberto, Walter, Darcy, Dino, Binha  e Waldomiro.
Goals: Walter 1 e Dino 1.

SÃO CRISTOVÂO x BOTAFOGO - Em 3 de Outubro
Profissionais:  Botafogo,  3  x 1  -     Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos, Sarno, Avila e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha.
Goals : Paraguaio 2 e Juvenal 1.

Reservas: Botafogo, 4 x 2 - Quadro : Matarazzo, Marinho e Adão; Orlando, Rodrigo e Cid, Zézinho, Oswaldinho, Hamilton, Demostenes e Reinaldo.
Goals ; Hamilton 2, Oswadinho1 e Zezinho 1.

Aspirantes:  S. Cristovão,  3 x 2 - Quadro:  Salvador,   Jorge  e  Eloi,  Biguá,  Luiz e Bob, Gaúcho, Quissamã, Vivinho, Nascimento e Baduca.
Goals: Vivinho 1 e Nascimento 1.
Juvenis: S. Cristovão 2 x 1 - Quadro: Basilio, Aiélo  e Haroldo,  Octavio, Adalberto e Roberto, Walter, Darcy , Dinho,Binha e Joel.
Goal: Joel 1.

BOTAFOGO X CANTO DO RIO - Em 10 de Outubro
Profissionais : Botafogo, 4 x 1 - Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos, Sarno, Avila e Juvenal, Paraguaio , Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha.
Goals: Octavio 2, Braguinha 1  e Pirilo 1.

Reservas: Botafogo, 4 x 1- Quadro: Matarazzo, Marinho e Adão, Ivan, Rodrigo e Cid, Zézinho, Antonio José, Hamil ton, Demostenes e Reinaldo.
Goals: Hamilton 3 e Demostenes 1.
NOTA: - O Canto do Rio não disputou os torneios de aspirante e juvenis.

Resoluções da Diretoria

A Diretoria do Botafogo, em sua  reunião de 29 de setembro último, por projeto do vice-presidente dr. Ibsen de Rossi, unanimemente aprovada, resolveu consignar  em  ata  de  seus trabalhos  e tornar publico, um voto de louvor e de agradecimento ao técnico Alfredo Moreira Junior, ao médico Dr. Newton  Paes Barreto e a todos os componentes de nosso valoroso quadro de profissionais, pela excepcional e brilhante campanha desenvolvida no  primeiro  turno  do  campeonato carioca de futebol.

Atuação individual de nossos jogadores no encontro  com  o Vasco da Gama
Eis como Waldir Amaral em "O Campeão", apreciou a atuação individual de nossos cracks no dia da grande vitória contra o Vasco.
Oswaldo - Calmo, firme e preciso, pegou  muito,  sobre  tudo  pelo  alto.
Gerson - Um  dos  maiores  valores  do alvinegro e do gramado. Lutou como um leão durante a fase de predomínio dos cruzmaltinos, salvando o seu arco de quedas eminentes. Está " tinindo" o zagueiro direito botafoguense.
Santos - Muito bom, suprimindo, por vezes, o lado técnico por forte dose de entusiasmo. Ao lado de Gerson e Oswaldo trabalhou com acerto.
Rubinho - Só  pela  dedicação  ás  cores que defende merece um lugar ao sol. Mesmo   contundido  fortemente  na  perna direita não abandonou a cancha e só nos minutos finais trocou de posto com Paraguaio.
Avila  - Preciso na distribuição, trabalhou muito, desdobrando-se no  trabalho de defesa e armação do seu ataque.
Juvenal -  Outra grande figura da cancha. Lançou-se com bravura no trabalho de defender e atacar, finalizando a partida como dos maiores da cancha.
Paraguaio  -  no  momento  o  maior extrema direita da cidade. Jovem, impetuoso e corajoso ,deu trabalho e muito aos defensor es de S. Januário.
Geninho - O cérebro organizador de todo  o  time.  Esteve  na  intermediária  e auxiliou o ataque em todos os momentos da contenda.
Pirilo  -   Foi    mais  meia  do  que  centroavante propriamente. De qualquer forma prestou valiosa colaboração ao triunfo .
Otavio - Um dos maior em campo. Conquistou magníficos tentos , criando sempre pânico no reduto vascaíno. Está em grande forma.
Braguinha - Fez o  que  pôde  ante  a marcação cerrada de Augusto.
Campeonato de Profissionais
JOGOS   DO   BOTAFOGO   E  OS   RESPECTIVOS JUÍZES

Returno:
1ª rodada: dia 3 de Outubro -  São Cristóvão x Botafogo. Juiz: Barrick.
2ª rodada: dia 10 de Outubro - Botafogo x Canto do  Rio.  Juiz  Gama Malcher 
3ª rodada: dia  17 de Outubro - Madureira x Botafogo. Juiz: Lowe.
4ª rodada: dia  24 de Outubro - Botafogo x Fluminense. Juiz : Devine.
5ª rodada: dia 31 de Outubro - Folga o Botafogo.
6ª rodada: dia  7  de  Novembro - Bonsucesso x  Botafogo. Juiz: Barrick.
7ª rodada: dia 14 de Novembro - Botafogo x Bangu. Juiz: Barrick.
8ª rodada: dia  21  de Novembro - Olaria x Botafogo. Juiz : Devine.
9ª rodada: dia  28 de  Novembro - Botafogo x Flamengo. Juiz : Devine.
10º rodada: dia 5 de Dezembro - América x Botafogo (Campo do Vasco) Juiz: Lowe.
11.ª Rodada: dia 12 de Dezembro Botafogo x Vasco. Juiz: Ford.

Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 74 de novembro de 1948
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O Campeonato Carioca de Futebol de 1948 foi vencido pelo Botafogo ao vencer o Vasco da Gama, apelidado à época de Expresso da Vitória, por 3-1, no Estádio de General Severiano. O Expresso da Vitória foi campeão, no mesmo ano, do Torneio dos Campeões Sulamericanos, no Chile, tornando-se o primeiro clube brasileiro a conquistar um título no exterior.




Gols de Otávio contra o Vasco final campeonato carioca de 1948

O Botafogo ao vencer o campeonato estadual, brincou: "O Botafogo tirou o "Expresso da Vitória" dos trilhos…"
Botafogo 3 x 1 Vasco

Data: 12/12/1948
Local: Estádio General Severiano
Público: 20.000 (18.321 pagantes)
Árbitro: Mário Vianna
Gols: 1° tempo: Botafogo 2 a 0, Paraguaio e Braguinha; Final: Botafogo 3 a 1, Octávio e Ávila (contra)
Botafogo: Osvaldo Baliza, Gérson e Nílton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirillo, Octávio e Braguinha. Técnico: Zezé Moreira.

Vasco: Barbosa, Augusto e Wilson; Ely, Danilo e Jorge; Friaça, Ademir Menezes, Dimas, Ipojucan e Chico. Técnico: Flávio Costa.

Fonte: WikiPédia 
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Botafogo campeão do torneio inicio de 1947 
A temporada oficial de futebol teve início em 27 de julho passado, com a realização do TORNEIO INICIO, e o Botafogo de Futebol e Regatas laureou-se nesta disputa, revelando a capacidade da sua equipe, que promete brilhar nas futuras competições. 

O Botafogo tomou parte em três partidas: contra o América, Bonsucesso e o Olaria. Este último foi um adversário espantalho no torneio, vencendo o Vasco, o Fluminense e o Madureira disputou a FINAL com o Botafogo. 
Atuaram pelo Botafogo nas três partidas: Osvaldo, Gerson e Sarno; Adão, Nilton e Juvenal; Santo Cristo, Ponce Leon, Octávio, Geninho e Reynaldo.
 Artilheiros: Reynaldo 3 goals, Octávio 2, Santo Cristo 1 e Ponce Leon 1. Reynaldo foi o artilheiro do Torneio. 
Resultados parciais 
Botafogo 1  x 0 América . Foi a quarta partida do Torneio. O goal do Botafgo foi assinalado no 2º tempo, aos 4 minutos, por intermédio de Reynaldo. O quadro do América: Osni, Domicio e Ariovaldo; Hilton, Itin e Castanheira, Maxwell, Wilton, Cesar, Lima e Esquerdinha. Juiz: Aristocilio Rocha. 
Botafogo 2 x 1 Bonsucesso: Esta foi a 9ª partida do Torneio. Os dois goals do Botafogo foram marcados por Octávio, aos 6 minutos do 1º tempo e desempatou no 8º minuto da fase complementar. O goal do Bonsucesso, marcado no 1º minuto do segundo tempo, foi de autoria de Eunápio. O quadro do Bonsucesso: Max, Hernandez e Gato; Cambuí, Mirim e Waldemar; Nerino, Zé Luiz, Jorge, Flávio e Eunápio. Juiz: José Pinto Lopes. Botafogo 4 x 1 Olaria: A final do Torneio foi disputada à luz dos refletores. O Olaria animado pelas brilhantes vitórias alcançadas e com um ardor impar, foi um adversário ardoroso, chegando a impressionar. Foi o Olaria que iniciou a marcha do placar, por intermédio de Alcides, aos 2 minutos da fase inicial. O Botafogo consegue empatar, com um goal de Reynaldo aos 18 minutos do 1º tempo. E foi com o marcador assinalando o empate de um tento a um tento que terminou o período inicial. No segundo tempo, avantajou-se o Botafogo, servindo-se de maior classe e resistência física, desempatou por intermédio de Santo Cristo, no 10º minuto. A contagem foi aumentada novamente por Reynaldo no 11º minuto, e, 4 minutos depois Ponce Leon encerra elevando para 4 o marcador. Quadro do Olaria: Zezinho, Laercio e Amaury; Spinelli, Leleco e Ananias; Alcides, Limoeiro, Roberto, Tim e Gerson. Juiz: Mario Viana.
 Foi nítida a vitória alcançada pelo Glorioso, vencendo sempre com galhardia e com diferença em goals, sem que fôsse necessário a disputa pelos penaltes. Dos 12 goals assinalados no Torneio, pelos 11 disputantes, coube ao Botafogo 7 goals. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 63 e 64 de agosto e setembro de 1947
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TETRA CAMPEÃO ANO 1947


Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonto: Boletim Oficial do BFR nº 65 de fevereiro de 1948
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Jogo realizado em La Paz no mes de maio de 1948

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 68 de maio de 1948
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Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 70 de julho de 1948
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Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 71 de agosto de 1948
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Resultados do Botafogo



Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 72 de setembro de 1948
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Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted

Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 70 de julho de 1948

Resultados do Botafogo

 Foram os seguintes os ultimos resultados verificados nos varios torneios oficiais: 

OLARIA X BOTAFOGO — EM 21 DE NOVEMBRO 
Profissionais: Botafogo, 4 x 3 — Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos, Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha. Goals: Octavio, 2, Braguinha 1 e Pirilo 1. Reservas: Botafogo, 4 x 1 — Quadro: Matarazzo, Marinho 'e Sarno, Adão, Rodrigo e Cid; Zizinho, Hamilton, Demostenes e Reinaldo. Goals: Hamilton 2, Zézinho 1 e Nerino 1. 
Aspirantes: Botafogo, 2 x 0 — Quadro: Salvador, Jorge e Eloi; Biguá, Chico e Bob; Aldo, Quissamã, Luiz, Baduca e Walter. Goals: Luiz 2. 
Juvenis: Olaria, 3 x 1 — Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo, Octavio, Adalberto e Roberto, Joel, Darei, Dino, Binha e Waldomiro. Goal: Dino 1. 
BOTAFOGO X FLAMENGO — EM 23 DE NOVEMBRO 
Profissionais: Botafogo, 5 x 3 Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos, Rubinho, Avi-la e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha. Goals. Avida 1, Octavio 1, Braguinha 1, Pirilo 1 e Paraguaio 1. Reservas: Empate, 1 x 1 — Quadro: Matarazzo, Marinho e Sarno, Adão, Rodrigo e Cid, Vivinho, Zézinho Hamilton, waldinho e Reinaldo. Goal: Zézinho 1. 
Aspirantes: Empate 1 x 1 — Quadro Salvador, Jorge e Eloi, Biguá, Chico Bob, Geraldo, Quissamã, Luis, Baduca Walter. Goal: Walter 1. Juveniss Empate, 1 x 1 — Quadro: B silio, Aiélo e Haroldo, Octavio, Adalbert e Roberto, Joel, Darei, Binha e Wald miro. Goal: Pino 1. 
AMERICA X BOTAFOGO — EM 5 DE DEZEMBRO 
Profissionais: Botafogo, 2 x 1 — Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos, Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha. Goals: Braguinha 1 e Octavio 1. 
Reservas: Botafogo, 3 x 1 — Quadro: Matarazzo, Marinho e Sarno, Adão, Rodrigo e Cid, Vivinho, Oswaldinho, Zezinho, Jayme e Demostenes. Goals: Jayme 2 e Demostenes 1.
Aspirantes: Botafogo, 2 x 1 — Quadro: Salvador, Jorge, Eloi, Biguá, Bob e Chico, Geraldo, Quissamã, Luiz, Baduca e Walter. Goals: Baduca 1 e Walter 1. 
Juvenis: Botafogo, 3 x 2 — Quadro: Aiélo e Haroldo, Octavio, Adalberto e Roberto, Joel, Darei, Pino, Binha e Waldomiro. Goals: Pino 3. 

BOTAFOGO X VASCO DA GAMA — EM 12 DE DEZEMBRO 
Profissionais: Botafogo, 3 x 1 — Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos, Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio, Geninho Pirilo, Octavio e Braguinha. Goals: Paraguaio 1, Braguinha 1, Octavio 1. Reservas: Vasco da Gama, 3 x 0 — Quadro: Matarazzo, Amauri, e Sarno, Adão, Rodrigo e Cid, Vivinho, Oswaldinho, Zézinho, Jayme e Reinaldo. 
Aspirantes: Botafogo, 4 x 2 Quadro: Salvador, Jorge e Eloi, Biguá, Bob e Chico, Geraldo, Quissamã, Wilson, Baduca e Walter. Goals: Baduca 2 e Wilson 2. 
Juvenis: Empate, 2 x 2 -- Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo, Octavio Adalberto e Roberto, Joel, Darei, Pino, Binha e Waldomiro. Goals: Joel 1 e Darci 1. 
Eis o campeonato em números: Jogos: 20. Vitórias: 17 Empates: Derrotas: 1. Goals pró: 59. Goals contra: 24. Saldo 35. 
Jogaram: Oswaldo, Juvenal, Paraguaio, Geninho, Octavio e Braguinha : 20 vezes
Gerson, Santos, Avila e Pirilo: 19 vezes
Rubinho: 16 vezes
Sarno: 3 vezes
Marinho: 2 vezes
Nilton e Zezinho: 1 vez
Total: 15 jogadores
Artilheiros:
Octvio: 21 goals
Pirilo: 13 goals
Paraguaio: 12 vezes
Braguinha: 7 vezes
Geninho: 2 vezes
Juvenal: 2 vezes
Santos: 1 vez
Avila: 1 vez
Total: 59 goals.

Paschoal de Gregorio 

Faleceu a seis de dezembro, enchendo de tristeza a todos os alvi-negros, o valoroso jogador Paschoal de Gregorio que foi, em nosso clube, um exemplo de lealdade e dedicação como profissional modelar. Tendo iniciado sua carreira no clube onde a encerrou no ano passado, o Canto do Rio, Paschoal estreou no Botafogo, em 1937, na temporada da pacificação, jogando sua primeira partida oficial como meia-direita, no quadro que a 1º de outubro empatou por 2 x 2 com o Vasco. Disputando seu ultimo encontro pelo Botafogo em 18 de setembro de 1943, quando venceu o Bonsucesso por 6 x 4. Foram pois sete longas temporadas à sombra da bandeira alvi-negra, quando Paschoal brilhou esplendidamente em todas as posições do ataque, maxime na ponta direita e no centro, onde comandou aquele inesquecível quinteto: Alvaro, C. Leite, Paschoal, Peracio e Patesco. Ligou o seu nome a algumas das maiores proezas de nosso conjunto, como o dos 5 x 1 de 1939, contra o Flamengo, na qual marcou tres goals e o de 21 de julho de 1940, quando, em S. Januário, após estar perdendo de 3 x 0, o Glorioso, em espetacular "virada" abateu o Vasco por 4 x 3, com todos os tentos magistralmente marcados por Paschoal. Voltando em 1944 ao Canto do Rio, nem por isso Paschoal deixou de ser botafoguense e ainda nesta temporada foi visto -em General Severiano, torcendo ardorosamente pelas nossas cores. A sua memória, o Conselho Deliberativo e a Diretoria do Botafogo prestaram todas as homenagens, tendo o Presidente Carlos M. da Rocha representado o clube em seus funerais.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 76 de janeiro de 1949
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Os nossos campeonatos




Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 77 de fevereiro de 1949
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Excursão a São Paulo 

Depois de quasi um mês de descanso, o Botafogo reiniciou suas atividades, seguindo para São Paulo, a convite do valoroso Santos F. C., por via aérea, a 16 de janeiro. A embaixada foi chefiada pelo Sr. Armando Barcelos, dela fazendo parte o Presidente Carlito Rocha, Zezé Moreira, Dr. Paes Barreto, Dr. Luiz Menezes, a senhora Octavio de Moraes, os funcionários Arthur e Aluizo, Macaé e o "Birita", os cracks campeões e os reservas Ary, Marinho, Sarno, Adão, Beracochéa, Osvaldinho, Hamilton e Reinaldo. O Botafogo hospedam-se no Hotel Regente, estreando no Pacaembú na noite de segunda-feira, 17 de janeiro, contra o aguerrido conjunto do Santos, vice-campeão paulista. Jogando admiravelmente e de maneira a impressionar vivamente a critica paulistana, o Botafogo impoz-se ao seu bravo adversário por 5x1, pontos marcados dois por Octavio, um por Braguinha e dois pelo zagueiro Santos, subitamente transformado em artilheiro! Seguiu a 18 o Botafogo para Santos afim de disputar o segundo encontro contra o mesmo clube, no famoso alçapão da Vila Belmiro, onde o Santos manteve-se invicto durante toda a temporada de 1948 e, hospedando-se a delegação no Hotel Bricheman, foi vitima lie estranha e violenta intoxicação que atingira quasi todos os jogadores, na noite de sexta para sábado, deixando mesmo em estado grave - Ary, Paraguaio, Braguinha e Reinaldo. 'Carlito Rocha mandou buscar, no Rio, Demostenes e o quadro jogando com uma fibra extraordinária, no domingo, 23, fazendo de fraquezas, forças e ainda privado de Pirilo, seriamente atingido nos primeiros minutos, confirmam sua vitotoria, merecendo de maneira brilhantíssima por 5x3, pontos de Octavio 4 e Hamilton, tendo Mario Viana, devido a um bandeirinha, anulado um goal licito de Octavio. No final da luta, até Marinho jogou na ponta esquerda! Este sensacional encontro levou a Santos inumeros paredros botafoguenses, COMO os Drs. Luiz Aranha, Adhemar Bebiano, Nelson Cintra e Julio Azevedo. A delegação voltou_ São Paulo a 25 e infelizmente não mais pôde contar com o seu dedicado médico - Dr, Paes Barreto - que seriamente intoxicado, voltou ao Rio, de onde seguiram as esposas de todos os nossos cracks, premio que Carlito Rocha ofereceu-lhes, em um gesto de raro cavalherismo. 
Mas a 30, desfalcado de Osvaldo e com Pirilo novamente machucado, o Botafogo perdeu a sua invencibilidade, após um imprecionante ciclo de vinte e duas partidas, caindo por 2x1, em dura luta, frente ao S. Paulo, campeão paulista, maogrado terrível reação nos ultimos momentos. 
A 6 de fevereiro, o Botafogo disputou o seu ultimo compromisso e o quadro falhou tombando por 5x0 perante o Corintians por um desses azares dos quais o futebol está cheio, pois que ninguem se entendeu em nosso bravo conjunto, onde Santos fez grande falta, ao passo que o adversário brilhou. E a 7 regressou ao Rio, com duas vitorias e duas derrotas, onze goals pró e onze contra. 
Eis os resultados gerais dos jogos: 1º — Contra o Santos - Em 17-1-49 — No Pacaembú, á noite — Botafogo, 5x1 -- Quadro: Osvaldo, Gerson (Marinho) e Santos, Rubinho (Sarno) Avila e Juvenal, Paraguaio (Reinaldo), Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha. Goals: Octavio Santos 2 e Braguinha 1. 
2º jogo — Contra o Santos — Em 23-1-49 — Na V. Belmiro — Botafogo, 5x3 — Quadro: Osvaldo, Gerson e Santos, Rubinho, Avila (Berascochéa) e Juvenal, Osvaldinho, Geninho, Pirilo (Hamilton), Octavio e Demostenes (Marinho). Goals: Octavio 4 e Hamilton 1. 
3º jogo — Contra o S. Paulo — Em 30-1-49 — No Pacaembú — S. Paulo, 2x1 — Quadro: Ary, Gerson e Santos, Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo (Osvaldinho e Hamilton), Octavio e Braguinha. Goal: Octavio 1. 
4º jogo — Contra o Corintians — Em 6-2-49 — No Pacaembú — Corintians, 5x0 — Quadro: Osvaldo, Gerson e Sarno, Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo (Osvaldinho e Hamilton), Octavio e Braguinha (Reinaldo). 
Bela vitória sobre o Atlético Mineiro 
Contrariando os desejos de inumeros desportistas, que diziam que o Botafogo devia descansar após os seus revezes em São Paulo, o nosso Presidente, mantendo o compromisso anterior, levou o quadro para Belo Horizonte e obteve magistral reabilitação, pois que o mesmo, embora desfalcado e prejudicado pela desastrada atuação do juiz Geraldo Fernandes, abateu de maneira brilhantissima, no domingo, 13 de fevereiro, o notável quadro do Atlético Mineiro por 3x1, pontos de Hamilton 2 e Octavio. O arbitro, no primeiro tempo, anulou incompreensivelmente um lindo goal de Paraguaio e no segundo, assinalou um corner inexistente de Osvaldo que, batido, redundou no unico goal do Atlético, obtido, ainda, de forma irregular, pois que houve foul.
 O nosso quadro, que jogou sem Santos e Pirilo e no qual estreou Souza, que pertenceu ao S.Cristovão, foi o seguinte: Osvaldo, Gerson e Sorno, Rubinho (Marinho), Avila (Souza) e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Hamílton,  Octavio e Braguinha. 
Interestadual Juvenil. 
Enfrentando em General Severiano, no domingo, 13 de fevereiro, o quadro juvenil do Gremio São Luiz, do colegio dos Irmãos Maristas, de Santos, o Botafogo venceu amplamente por 8x2, pontos consignados por Dino 6 e Darei 2. Foi este o quadro orientado por Nilton Cardoso: Basilio (Afonso Celso), Aiélo (Honorato) e Haroldo, Adalberto, Nascimento e Roberto, Walter, Darei, Dino, Binha, (Luiz Carlos) e Waldomiro. 

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 78 de março de 1949
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Oswaldo, campeão sul-americano e campeão carioca, recebe de Mario Filho, diretor do "Jornal dos Sports", o premio "Oscar", por ter sido o "goal-keeper" menos vazado durante o campeonato disputado em 1948
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O ARSENAL NO BRASIL 
O Arsenal E. C., um dos maiores, senão o maior clube do mundo, glória do futebol inglês, já se encontra no Rio de Janeiro e a iniciativa desse arrojado e quase inverosímil acontecimento cabe ao Botafogo e principalmente ao presidente Carlos Martins da Rocha e ao abnegado consócio Armando Barcellos que, durante cêrca de dez mêses trabalharam infatigavelmente para a concretização desse grandioso projeto. A delegação britânica chegou em dois aviões da British, em dias diversos, por exigência das companhias seguradoras, dado o elevadíssimo valor dos craks, chegando a primeira parte a 10 e a segunda a 12 de maio, com os seguintes componentes: Mr. A. F. Bone, chefe da delegação; W. R. Wall, diretor; Tom Whittaker, manager; Mr. Milne, treinador; Mr. John Thompson e senhora, jornalista do "Daily Mirror", um dos maiores jornais do mundo; Mr. Bill Dodgin, manager do Southampton e nosso grande amigo, especialmente convidado, com sua senhora; e os famosos jogadores Swindin, Scott, Smith, Roper, Rooke, Mac Pherson, Lishman, Vallance, Daniels, Lewis, Barnes, Fields, Forbet, Grimsha'w, Goring, Jones, Logie, Macaulay, Platt e Wade. Recebidas festivamente pelo presidente Carlos Martins da Rocha e outros altos paredros, entre os quais os Drs. Ademar Bebiano, Armando Barcellos, Nelson Cintra, Nova Monteiro, Julio Azevedo, Octavio Pinto Guimarães e por uma multidão de fãs, os valorosos britânicos foram hospedados no Luxar Hotel, em Copacabana, no mesmo local em que no passado foi abrigado o Southampton. Sôbre a viagem e o quadro do Arsenal, "Jornal dos Esportes" publicou a seguinte interessantíssima crônica de André Dubré: LONDRES, 13 (Por André Dubré. France-Presse) -- A direção do "Arsenal" não quis arcar com as responsabilidades e com os perigos de uma viagem aérea, e, por isso tomou suas precauções sôbre as vidas de seus jogadores que se encontram no Brasil, e que realiza uma viagem aérea até a capital brasileira. Em primeiro lugar, a viagem foi feita em duas etapas, e, em segunda lugar cada jogador recebeu um seguro de 20.000 libras esterlinas, e o seguro total se elevou a perto de 500.000 libras esterlinas. 

MAC PHERSON ERA DA "RAF" E NÃO SE ASSUSTA 

Por ocasião da ída do primeiro grupo de 10 jogadores, quando o avião tinha corrido apenas dez quilômetros, surgiu um imprevisto, em virtude da paralizaação de um dos motores. O "Avro-York" teve que retornar ao aeródromo aterrissando com apenas três motores. Para a maioria dos jogadores, essa foi experiência bastante emocionante, certamente, êles pensaram muito no trágico acidente ocorrido uma semana antes com os jogadores do Milão. Mas, Ian Mac Pherson, extrema direita do Arsenal, e ex-piloto da RAF, condecorado com a "Distinguished Flying Cross", o incidente não foi novidade. 'Estamos sobrevoando o Hipódromo de Sandowa quando nos apercebemos de que o aparelho estava voltando a Londres. Um dos motores havia parado" — declarou-nos êle no aeródromo. 
De sua parte, o "manager" Tom Whittaker mostrava-se bem calmo, e disse que não havia motivos para inquietações. 

AUSENTES TRÉS CRACKS 
Os espectadores brasileiros não terão oportunidade de ver a força máxima dos artilheiros de Highbury, uma vez que três dos principais jogadores — o centro-médio Leslie Compton e seu irmão Denis Compton, e o v terano meia-esquerda Soe Mercer, não acompanharam a embaixada, os dois primeiros por terem compromissos no Campeonato de Cricket, e o último, em virtude de seus negócios. 

SETE INTERNACIONAIS 
Todavia, não obstante a ausência dêsses três elementos internacionais, os brasileiros apreciarão sete outros jogadores internacionais britanicos: o zagueiro direito Laurie Scott, que, certamente, teria sido convocado para os compromissos internacionais da Inglaterra, se não estivesse contundido. O companheiro habitual de Scott é Wally Barnes, zagueiro esquerdo da seleção do pais de Gales. Na linha intermediária há outros dois internacionais: Archie Macaulay e Alex Forbes, ambos escosseses. Forbes não tem jogado regularmente na equipe do Arsenal, em consequência da boa forma de Mercer, mas deverá ser o médio direito número um para a temporada no Brasil. Os três outros elementos internacionais são os atacantes Ronnie Rooke e Reg Lewis, ambos centro avantes. O outro atacante internacional é Bryn Jones, que como Rooke, é um veterano. 
Os brasileiros apreciarão tôda a equipe que venceu o último jôgo da temporada, contra o Carlton. Swindin, goleiro número um dos artilheiros é um guardião dos mais espetaculares; na zaga, surgem Barnes, tendo por companheiro o jovem Lionel Smith, que ocupa um lugar na equipe, em virtude da ausência de Scott. Na linha intermediária, Macauley e Forbes terão corno centro medio o jovem Ray Daniels, que conta apenas 20 anos de idade. A linha atacante deverá formar com Mac-Pherson, Logie, Roper, Lishman e Vallance. E também êste curioso tópico: 
A CELEBRE GEMADA DO BOTAFOGO 
Carlito Rocha vem se constituindo num admirável anfitrião, pois que trata seus hóspedes com verdadeiro carinho. E após o treino, à disposição dos mesmos achavam-se no vestiário vários recipientes contendo chá, leite e aquela célebre gemada com que, dizem, o Botafogo levantou o campeonato, além de laranjas e um preparado à base de glicóse. 'Verdadeiro "dooping" para os nossos visitantes. 

Estreia impressionante 
Indescriptível, sob todos os aspectos, foi a espetacular estréia do Arsenal, na tarde fria e entrecortada de cargas dágua do dia 15 de maio, no majestoso estádio vascaino, que oferecia deslumbrante quadro, proporcionando a enorme renda de Cr$ 994.510,00, renda record no Brasil e talvez na América do Sul. Revelando uma classe extraordinária um domínio de bola absoluto, uma técnica perfeita, os pupilos de Mr. Whittaker_ o famoso sucessor do célebre e saudoso Clapman, impuzeram ao valoroso quadro Fluminense, nosso querido e leal co-irmão, um revés de 5 x 1. Mr. Barrick, auxiliado por Mario Vianna e Malchér, foi o excelente arbitro de sempre e os quadros assim se apresentaram: "ARSENAL" : Swindin, Barnes e Smith, Macaulay, Daniels e Forbes; Mc Pherson Logie, Roper, Lishman e Vallance. "FLUMINENSE": Castilho, Pindaro, Lorenzo (Rubinho); Pé de Valsa, Indio e Mario (Ismael); Santo Cristo, Carly (Didi), Silas, Orlando e Rodrigues. Os goals do Arsenal foram marcados quatro por Lishman e um por Ropper, o do FIuminense, por Orlando. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 81 de junho de 1949
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Mensagem de despedida da delegação do Arsenal 
-Ao deixarmos o Brasil sinto que é meu dever expressar em nome do "Arsenal Foot-Ball Club" nossos mais sinceros agradecimentos pela maneira por que fomos aqui recebidos. 
Quando saímos da Inglaterra sabia-mos que teríamos que jogar contra alguns dos melhores "players" do mundo e que Arsenal teria que produzir o máximo que lhe fosse possível para, talvez, vencer. 

Procurámos produzir o melhor que nos foi possível e estamos certos de que nosso esforço foi aqui bem apreciado. De nossa parte regressaremos à Inglaterra cheios de satisfação pelo modo porque as extraordinárias assistências e os torcedores de "foot-ball” acorreram e apreciaram aos jogos que realisámos, o que, também, nos facilitou levar ao povo inglés uma idéia do magnifico progresso do "fool-ball" brasileiro. 
Um agradecimento especial deve ser feito a Imprensa do Brasil. --- Ela foi mais do que generosa na publicidade dada aos nossos jogadores. E foi um prazer verificar a bondade e elevado espirito crítico com que os profissionais de imprensa apreciaram nossos jogos. 
Ao "Jornal dos Sports" muito e muito agradecemos pelo troféu com que nos aquinhoaram, ainda não conferido a um Club estrangeiro e que, por isso mesmo, será carinhosamente guardado em lugar de honra em nossa séde de "Highbug". 
Não nos foi possível vencer todos os jogos, mas bem sentimos que nós e nossos oponentes os "ganhamos" todos, já que o espirito esportivo prevaleceu sempre e os assistentes nunca, se sentiram decepcionados. Isto bem prova o grande futuro do "foot-ball" no Brasil cujo publico generoso dispensa invulgar interesse por este esporte, aqui praticado durante a nossa temporada e por todos nossos oponentes de maneira cavalheiresca, altiva e honesta. 

O Botafogo de Futebol e Regatas, tem a seu crédito os esforços dispendidos para tornar essa excursão uma realidade. O "Arsenal" havia recebido convites de todo inundo para "tournées" e não foi, assim, uma surpresa quando o sr. Armando Barcellos se dirigiu ao meu escritório de Londres levando-me, em nome do presidente Carlos M. Rocha, a idéia de visitarmos o Brasil. 
Gastámos, desde então, muitas horas na discussão de detalhes, todos os do "Arsenal" estão muito e muito felizes pela decisão tomada já agora realizada de excursionar ao Brasil. 

Ao povo do Rio e de São Paulo queremos dizer: "Muito obrigado” E por muito tempo na Inglaterra, falaremos dos magníficos jogos, magnificas assistências e da grande imprensa de ambas as cidades. Esperamos ter deste pais um novo convite após a Copa do Mundo e até lá diremos: "Até a vista! E ainda, muito obrigado por tudo—Sinceramente, 
                                                                                          Whittaker
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR$ nº 82 de julho de 1949
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A grande temporada do Arsenal 
Constituiu sucesso sem precedente a extraordinária temporada internacional promovida pelo Botafogo, fruto da visão e do arrojo do grande Presidente Carlos Martins da Rocha, que assumiu o compromisso de trazer ás nossas plagas o célebre conjunto inglês do Arsenal, o clube mais famoso do mundo, arcando com pesadissimas responsabilidades financeiras, que poucos teriam a coragem de encarar. 

Mas o público, o nosso grande público, compreendendo perfeitamente a grandeza da iniciativa, soube corresponder totalmente, indo assistir aos prélios que revolucionaram todo o Brasil desportivo, e que, no interessantíssimo confronto de padrões, deixaram bem alto o futebol brasileiro.
Após sua estréia luminosa contra o Fluminense, a 15 de maio, o Arsenal, acompanhado de nosso Presidente, seguiu para São Paulo, onde, na noite de 18 de maio, em duro prélio empatou com o Palmeiras por 1 x 1 goals de Logie e Canhotinho, tendo o Pacaembú batido a renda de São Januario com uma arrecadação de Cr$ 1.130.077,00. 
A 22 de maio, ainda no Pacaembú, o Arsenal abateu o Corinthians por 2 x0, goals de Lishman e Vallance, apresentando o seguinte quadro: Swindin, Barnes e Smith, Macauley, Daniels e Forbes, Roper, (Mac Pherson), Logic (John), Lewis (Rooke), Lishman e Vallance. A renda foi novamente enorme Cr$ .... 1.095.662,00. Regressando ao Rio ainda invicto, o Arsenal, a 25 de maio, enfrentou o Vasco em uma noite que passará a história do futebol, levando a São Januário uma multidão colossal cujas ansias provocaram incontroláveis invasões e correrias e que deixou nas bilheterias a formidável renda de Cr$ 1.146.550,00, record sul-americano. 
Após uma luta belíssima, disputada palmo a palmo, verificou-se a sensacional vitória do Vasco da Gama por 1x0, goal de Nestor, tendo assim se apresentado o Arsenal: Swindin, Barnes e Smith, Macauley, Daniels e Forbes, Mac Pherson, Logie, Rooke, Lishman e Vallance, tendo Fields substituido Daniels que retirou-se machucado aos 34 minutos do primeiro tempo. 

No domingo, 29 de maio, com uma boa arrecadação de Cr$ 968.375,00, o Arsenal enfrentou o Flamengo, sendo vencido por 3 x 1, após movimentada luta. Goring marcou o goal do Arsenal e Jair 2, Durval 1, os do Flamengo. Jogaram pela primeira vez, Goring, Way e Greenshaw sofrendo o quadro inglês necessárias modificações no decorrer da luta. 

A primeiro de junho, em São Januário, à noite, enfrentaram-se finalmente, Botafogo e Arsenal, com os seguintes quadros: BOTAFOGO: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otavio e Braguinha (Reinaldo). ARSENAL: Swindin, Scott e Barnes; Macauley, Fields e Forbes; Mac Pherson (Jones), Lewis, Roper, Lishman e Vallance (Rooke). 
O jôgo foi bastante disputado terminando com um empate de 2 x 2. A fase inicial findou com o escore de 1 x 0 favorável ao Arsenal, ponto marcado por Lewis, de cabeça, aos sete minutos. 
O segundo tempo foi todo êle favorável ao nosso esquadrão que impôs grande domínio ao seu adversário, marcando o 1º goal por intermédio de Braguinha, com um violento tiro enviezado que batendo em Fields foi às rêdes, isto aos 24 minutos. Quatro minutos após, Lewis inesperadamente marca o segundo ponto britânico; com Oswaldo fora do arco. O Glorioso reage e Paraguaio marca espetacularmente o mais belo goal da noite, injustamente anulado, em consequência de um "off-side" inexistente assinalado pelo bandeirinha Bili Martim. O Botafogo não desanima e finalmente, aos 34 minutos, passando entre os dois backs, Geninho, em linda arrancada, empata definitivamente o jôgo. No quadro inglês surgiu a grande figura do back Scott do selecionado br-tânico que, recentemente operado, ainda não atuara e que revelou sua invejável classe, brilhando também, o dinâmico Macauley, médio impressionante; o arqueiro Swindin, Forbes e Lewis. 
Mr. Barrick foi o juiz e o jôgo produziu a renda de Cr$ 534.505,04, tendo disputado com grande cordialidade. 
Já com o seu quadro bastante fatigado e desfalcado, o Arsenal encerrou temporada em São Paulo, na tarde 4 de junho, perdendo para o São por 1 x 0, gola de Teixeirinha. A grande iniciativa alvi-negra trminou, pois, com magnificos resultados tecnicos e com a formidável arrecadação total de Cr$ 6.833.653,00, merecendo seguintes interessantes comentários Vargas Netto em sua tradicional cronica do "Jornal dos Esportes" : 

O Homem não é de ferro. 
"Encerrou-se ontem no Pacaembu temporada do Arsenal no Brasil. Mais uma vez se evidenciou o ditado: "o homem não é de ferro" O "team" do Arsenal cansou. Os jogadores não eram nem sombra dos iniciaram a temporada. Também não era exigir mais de uma equipe, que dispunha apenas de cinco reservas. Os ingleses jogaram sete "matches" duros, precisando fazer fôrça do comêço ao fim dos prelios. O futebol brasileiro representa escola característica no "socer" contemporâneo, e as suas qualidades marcantes são, não resta dúvida, a velocidade e o malabarismo. Os rapazes do clube londrino precisam fazer esforços dobrados para conter os adversários brasileiros que fazem, de vez em quando, o que menos se espera, levando uma bola área dentro, dando um "shoot" de surprêsa aplicando uma finta desconcertante que altera mesmo a concepção de uma jogada ou a preparação de uma defesa. 
A equipe inglesa foi uma só, pois não havia quase substitutos, e as brasileiras eram diferentes, Além disso os britanicos recem-vinham de terminar o renhido campeonato inglês, e portanto tralhados por uma dura campanha. Agora estão exaustos. Mesmo assim o publico ainda lhes tributa o devido valor, senão o "match" com o São Paulo não teria beirado o milhão de cruzeiros. Foi o maior e o mais retumbante sucesso de quantas temporadas desportivas se tem realizado no Brasil produzindo renda que todo o campeonato sul-americano até agora realizado. 
Além disso nos trouxe a vantagem dos confrontos de padrões de jôgo para a observação antes da Copa do Mundo. Obtiveram os rapazes de jaqueta vermelha duas vitórias e dois empates, sendo derrotados por três vêzes. Ficamos, portando com saldo em vitórias. 
A maior proeza foi a do Flamengo, que venceu o Arsenal por três pontos a um. Record de renda sul-americano foi batido no "match" com o Vasco, com um milhão cento e quarenta e seis mil cruzeiros e trocados... 
São Januário foi o palco dessas façanhas que talvez não se repitam tão cêdo. Carlito Rocha está de parabens. Agora que êle é mesmo o famoso Mister Charles Rock! . " 
E de "A Noite", de 6 de junho: t
A temporada dos milhões 
A temporada do Arsenal foi propicia não apenas quanto ao lado técnico. Apesar de tudo, muita coisa se aprendeu com exibições do famoso "team", tendo a parte financeira ultrapassado a qualquer expectativa. Finda a temporada dos comandados de Tom Whittaker, que movimentou somas astronômicas, jamais atingidas na América do Sul, verifica-se que algumas rendas parceladas também representaram records continentais, sendo mais fraca de tôdas, justamente a do jogo do clube promotor da excursão, ultrapassado a casa de meio milhão de cruzeiros. Quase sete milhões foram totalizados, o que representa qualquer coisa de extraordinário, ainda mais quando haviam os adeptos do futebol, suportado a longa temporada do Sul-Americano. Estão de parabens o dinâmico Carlito Rocha, promotor da excursão e o futebol brasileiro, cujas possibilidades técnicas se altearam, ainda mais, no cotejo com o esquadrão mais famoso da Europa. 
As rendas parceladas dos jogos do Arsenal, foram as seguintes: Jogos                                             CR$
Fluminense x Arsenal               994.510,00 
Palmeiras x Arsenal               1.130.077,00 
Corintians x Arsenal               1.095.662,00 
Vasco x Arsenal           1.146.550,00 
Flamengo x Arsenal      968.365,00 
Botafogo x Arsenal      534.305,00 
São Paulo x Arsenal      964:184,00 
Total          6.833.653,00. 
A despedida do Arsenal a 10 e 14 de junho, em duas partes, regressaram a Londres, a simpatica delegação do Arsenal que conquistou merecidamente todo o nosso mundo esportivo tendo o excelente médio Greenshaw deixado aqui o seu coração, desde que, dando a nota sentimental da temporada, ficou noivo de nossa valorosa e querida atleta Glicinia Leal Carvalho. 
O centro avante do Arsenal Ronnie Rooke

A Comissão Pró-Estádio cumpre o que foi prometido Instituida em sessão de familia, a Comissão Pró Estádio, organização auxiliar do Clube, de caráter sumamente voluntário, está composta por um devotado núcleo de associados do Glorioso, e sôbre a presidência do esforçado botafoguense, major Jocelyn de Souza Lopes. 
Uma fase do jogo entre Arsenal e Botafogo

Tendo iniciado a sua ação, a Comissão concretisou seu regulamento interno, em cujas cláusulas há a determinação, da Comissão, cooperar por todos os meios ao seu alcance para a grandeza moral e material do Clube, sendo assim considerada uma fôrça auxiliar dos poderes dirigentes da entidade. Em duas realizações durante jogos do campeonato passado, a Comissão pelos seus membros, realizou duas tômbolas sendo o resultado apurado de quase Cr$ 30.000,00 entregues ao departamento financeiro, que abriu no Banco do Brasil, uma conta corrente "Pró Obras do Estádio". Continua a Comissão a traçar seu programa num ritmo de pleno apoio a Diretoria tanto mais que Carlito Rocha, o dinâmico Presidente do alvi-negro  deposita na Comissão sua confiança e esperança em grandes realizações. Numa das últimas reuniões da Comissão foram aclamados patrônos da campanha Pró Estádio, os nomes aureolados dos grandes botafoguenses Drs. Rivadavia Corrêa Meyer, Adhemar Bebiano, Paula e Silva, Ibsen De Rossi, Borges, e Waldir Niemayer. Agora na "era Arsenal", a Comissão poz-se a disposição da Diretoria, para todo o trabalho das bilheterias e portões de entrada durante os jogos. A sua ação foi bastante notada pois durante o primeiro jôgo com o Arsenal vimos em tôdas as dependências do Estádio de São Januário, em plena atividade, membros destacados da Comissão Pró Estádio, e os resultados se fizeram sentir com a surprêsa do record de renda, que foi uma prova exuberante de que a fiscalização foi plena, eficaz e rigorosa. O próprio presidente major Jocelyn Souza Lopes, acompanhado do ativo comissário Farah e diversos investigadores exerceram sua ação nas imediações do campo, evitando a ação perniciosa dos cambistas que infestam os campos, asenhorando-se das melhores localidade para vendê-las no cambio negro. Destacaram-se no serviço de fiscalização, além do presidente da Comissão, (4 prestimosos membros da mesma, Srs. Baltar Filho, Alberto Ribeiro Santos, Otavio Fernandes dos Santos, Leonal   Peixoto, Almir Suzarte, S. Sias, Abilio Cunha, Stelio Veras, Roberto Figueiredo, Tomai Landau, Antonio Caribe, Lydio Vasconcelos e D. Dias, que foram incansáveis na serviço. O resultado foi bem sensível: Cr$ 996.456.000,00 todo de fiscalização.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 82 de julho de 1949
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CAMPEONATO CARIOCA


Acervo Particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 83 de agosto de 1949
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Campeonato carioca 
Eis os resultados dos últimos encontros oficiais de nossos vários quadros: 
AMÉRICA X BOTAFOGO - Em 24 de julho. 
Profissionais: Botafogo, 4 x 0. Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Cesar, Otavio e Braguinha. Artilheiros: Otavio 2, Braguinha 1 e Cesar 1. 
Aspirantes — Empate, 0X0. Quadro: Salvador, Carlito e Jorge; Biguá, Bob e Chico; Vivinho, Wilson, Luiz, Baduca e Walter. 
Juvenis - América, 3 x 0. Quadro: Basilio; Aiélo e Haroldo; Wilson, Adalberto e Roberto; Darcy, Joel, Dino, Binha e Waldomiro. 
CANTO DO RIO X BOTAFOGO — Em 7 de agosto.  
Profissionais — Botafogo, 3 x 1. Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otavio e Braguinha. Artilheiros: Pirilo 2 e Otavio 1. 
Aspirantes — Canto do Rio, 2 x 1 - Ouadro: Salvador, Carlito e Eloi; Biguá, Bab e Chico; Vivinho, Wilson, Luiz, Pino e Walter. Artilheiro: Pino -1. 
BOTAFOGO X BANGU — Em 14 de agosto. 
Profissionais – Botafogo, 1 x 0. Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otavio e Braguinha. Artilheiro: Otavio 1. 
Aspirantes Botafogo, 1 x 0. Quadro: Salvador, Jorge e Eloi; Biguá„ Carlito e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Zezinho e Walter. Artilheiro: Vivinho 1. 
Juvenis — Botafogo, 4 x 0: Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Dino, Binha e Waldomiro. Artilheiros: Dino 3 e Darcy 1. 
Jogos amistosos 
Em 31 de julho: 
CAMPO GRANDE X BOTAFOGO — Resultado: Campo Grande, 3 x 0. Quadro: Ruy, Carlito e Jorge; Honorato, Domingos e Bob; Manequinho, Wilson, Zezinho, Baduca e Walter (Geraldo).
 CASCATINHA X BOTAFOGO — Em Petrópolis — Resultado: Cascatinha, 3 x 2. Quadro: Boliviano, Marcelo e Jaú; Ivan, Sayo e Adão; Quissamã, Baiano, Hamilton, Jayme (Demostenes) e Reinaldo. Artilheiro: Hamilton 2. 
S. C. 1º DE MAIO X BOTAFOGO Em Santanésia (E. do Rio) — Resultado: 1º de Maio, 3 x 1. Quadro: Basilio Aiélo e Haroldo; Darcy II, David e Roberto, Zeca, Darcy 1, Torós, Lyra e Waldomiro. Artilheiro: Torós 1.

Acervo particular Alceu de oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 84 de setembro de 1949
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Cédulas botafoguenses 
Continua com intenso entusiasmo a campanha organizada pela Comissão, para o lançamento das cédulas botafoguenses, estando já circulando a Série A "Escudo Alvi-Negro", com bastante êxito. Como já o "Boletim" teve oportunidade de publicar, são cinco as séries a que se referem à presente idéia, versando cada uma delas com um motivo marcante da vida do clube. Na Série A, cujo valor é de 10 cruzeiros, está representado o escudo botafoguense, conforme se pode ver no cliché desta página. A série comporta 15.000 cédulas e se todas fôssem passadas, daria um resultado de Cr$ 150.000,00; está já pronta fiara ser lançada a Série B, cujo motivo do cliché é representado pela efigie original e bastante conhecida do mascote Infatigável e intransigente, o "Biriba inconfundível". Breve sairá a 3ª série, que terão cédulas cor de ouro, tendo como principal motivo o quadro campeão de 1948. 
Está certa a Comissão Pró Estádio, que diante da aceitação que está encontrando, muito breve terá um fundo em dinheiro capaz de atender a uma melhoria considerável nas dependências do estádio, podendo assim melhor e mais comodamente alojar os inúmeros associados e suas famílias em dias de jogos. Que cada botafoguense adquira uma cédula de cada série, e o clube terá o atestado comprobatório do valor de seus associados e da grandeza moral que vive e rejuvenesce cada vez mais a alma leal e franca do verdadeiro botafoguense. 
Sugestões 
A Comissão está recebendo com bastante prazer sugestões diversas sobre naturezas e concernentes ao fim que se destina. Já se acham em estudos duas judiciosas sugestões de associados e que serão logo debatidas. 
Revista Pró Estádio 
Está se projetando a publicação de uma revista da Comissão Pró Estádio, nos moldes do "Boletim" e que por certo será mais um meio de propaganda do clube, dos trabalhos da Comissão e do desporto em geral dentro e fora do clube. Ao que parece, essa revista será custeada por um grupo de associados e terá como lema preponderante difundir o mais possível, no mundo desportivo, o nome glorioso e querido do grande clube da Estrela Solitária. 
Baile das Flores 
A Comissão de senhoritas que havia programado para o mês passado o Baile das Flores, comemorativo da entrada da primavera, resolveu por motivos de relevância, transferir êsse festival sine die. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 85 de outubro de 1949
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Campeonato Carioca 

Eis os resultados obtidos pelo Botafogo no campeonato e torneios da F.M.F.: 
Madureira x Botafogo Em 21 de agosto: 
PROFISSIONAIS Empate, 1x1. Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otavio e Demostenes. Artilheiro: Avila, 1. 
ASPIRANTES Botafogo, 3x2. Quadro: Salvador, Jorge e Eloi; Carlito e Bob; Geraldo, Chico, Walter, Baduca e Esquerdinha. Artilheiros: Geraldo 1, Baduca 1, Esquerdinha 1. 
JUVENIS -- Botafogo, 3x1. Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto, Joel, Darcy, Pino, Binha e Waldomiro Artilheiros: Joel 2, Dino 1. 

Botafogo x Fluminense — Em 21 de agosto: 
PROFISSIONAIS Fluminense, 1x0. Quadro: Oswaldo, Gerson e Jair; Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio, Souza, Cesar, Hamilton e Jayme. 
ASPIRANTES - Empate, 2x2. Quadro: Salvador, Jorge e Eloi; Biguá, Carlito e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Baduca e Walter . Artilheiros: Geraldo 1, Baduca 1. 
JUVENIS -- Botafogo, 2x1. Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Dino, Binha e Waldomiro. Artilheiros: Darcy 1, Pino 1. 

Flamengo x Botafogo --- Em 4 de setembro: 
PROFISSIONAIS — Botafogo, 2x1. Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio, Souza, Cesar, Otavio e Jayme. Artilheiros: Cesar 1, Otavio 1. 
ASPIRANTES -  Botafogo, 3x2. Quadro: Salvador, Jorge e Wilson; Bigná, Carlito e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Baduca e Walter. Artilheiro: Baduca 3. 
JUVENIS -- Flamengo, 3x0. Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Pino, Binha e Waldomiro . 

São Cristovão x Botafogo Em 11 de setembro: 
PROFISSIONAIS — Empate, 2x2. Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Richard; Paraguaio, Souza, Cesar, Otavio e Jayme. Artilheiros: Souza 1, Otavio 1. 
ASPIRANTES — Botafogo, 2x1. Quadro: Salvador, Jorge e Wilson; Biguá, Carlito e Bob; Vivinho, Chico, Zezinho, Baduca e Walter. Artilheiros : Zezinho 1, Baduca 1. 
JUVENIS Botafogo, 2x1. Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Torós, Dino, Rinha e Waldomiro. Artilheiro : Pino 2. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 85 de outubro de 1949 
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Campeonato Carioca

Eis os últimos resultados obtidos pelo Botafogo:

Botafogo x Vasco da Gama — Em 18 de setembro: Profissionais — Empate, 2x2 — Quadro: Osvaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Cesar, Jaime e Reinaldo. Artilheiro: Jaime 2.

Aspirantes — Empate, 2x2 — Quadro: Salvador, Jorge e Wilson; Biguá, Carlito e Bob, Vivinho, Chico, Zézinho, Baduca e Walter. Artilheiro: Baduca 2.

Juvenis — Botafogo, 5x2 — Quadro: Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Pino, Binha e Waldomiro. Artilheiros: Dino 2, Waldomiro 2, Darcy 1.

 Olaria x Botafogo — Em 25 de setembro: Profissionais -- Olaria, 3x1 Quadro:  Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, AviIa e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Cesar, Jaime e Braguinha,

Artilheiro: Paraguaio 1.

Aspirantes — Botafogo, 5x3 — Quadro: Salvador, Jorge e Wilson; Biguá, Carlito e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Baduca e Walter. Artilheiros: Vivinho 2, Geraldo 1, Baduca 1, Chico 1.

Juvenis - Botafogo, 3x1 — Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto, Joel, Darcy, Dino, Binha e Waldomiro. Artilheiros: Dino 1, Darcy 1, Waldomiro 1.

Bonsucesso x Botafogo -- Em 9 de outubro: Profissionais – Botafogo, 2x0 — Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Richard; Paraguaio, Geninho, Baiano, Jayme e Braguinha. Artilheiros: Braguinha 1, Baiano 1.

Aspirantes - Bonsucesso, 1x0 — Quadro: Salvador, Jorge e Wilson; Biguá. Carlito e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Baduca e Walter. Juvenis — Empate, 2x2 — Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Pino, Otavio e Waldomiro. Artilheiros: Joel 1, Dino 1.

Botafogo x Ameriça  - Em 16 de outubro: Profissionais — Botafogo, 3x0 Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Zézinho, Geninho, Hamilton, Jaime e Braguinha. Artilheiros: Jaime 1, Braguinha 1, Joel (contra) 1.

Aspirantes — Botafogo, 3x1 — Quadro: Salvador, Jorge e Eloy; Domingos, Luiz Osorio e Bob; Geraldo, Wilson, Vivinho, Gaúcho e Walter. Artilheiro: Vivinho 3.

Juvenis - America, 3x2 -- Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo, David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Dino, Binha e Waldomiro. Artilheiros: Darcy 1, Dino 1.

Vitoriosa excursão a Recife

Aproveitando unia folga na tabela do campeonato, o Botafogo resolveu subitamente excursionar a Recife, para onde embarcou de avião, na manhã de 29 de setembro, sua delegação, chefiada pelo Sr. Francisco Domingos Nastromagario e levando o técnico Zezé Moreira, o médico Dr. Paes Barreto e o jornalista Canõr Simões Coelho.

Nosso quadro, agindo com eficiência e energia, disputou e venceu duas partidas, a primeira no dia 30, à noite e a segunda, na tarde de domingo 2 de outubro, regressando ao Rio no dia seguinte. Foram estes os resultados técnicos alcançados:

1º jogo — Contra o S. C. Recife — Resultado: Botafogo, 3x0 Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Souza (Richard); Paraguaio, Geninho, Cesar (Baiano), Jayme e Braguinha. Artilheiros: Jayme 2, Braguinha 1.

2º jogo — Contra o Santa Cruz — Resultado: Botafogo, 5x0 — Quadro: Oswaldo (Ary), Gerson (Marinho) e Santos, Rubinho, Avila e Souza (Richard); Paraguaio, Geninho, Cesar (Baiano), Jayme (Hamilton) e Braguinha. Artilheiros: Jayme 4, Paraguaio 1.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini

Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 86 de novembro de 1949

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A temporada do Malmoe

Mais uma grandiosa iniciativa do Presidente Carlito Rocha é a excursão do Malmoe Fotbool Fornening, de Malmoe, um dos mais poderosos quadros da Suécia, base de sua magnifica seleção, como se depreende da cronica que mais abaixo transcrevemos. 

Para esta temporada, que se anuncia brilhantissima, o Botafogo obteve o apoio do Flamengo, Fluminense, S. Paulo, Corinthians e Palmeiras, no sistema da caixa unica. Os jogos serão efetuados inicialmente em São Paulo, a 23 de novembro contra o Palmeiras; a 26, contra o São Paulo e a 30 contra o Corinthians, tendo o Botafogo solicitado as datas de 8, 14, 18 e 21 de dezembro para os prélios a serem realizados nesta Capital.

Antes de deixar a Suécia, o Presidente do Malmoe, Sr Eric Persson, endereçou a seguinte bela saudação: "Ao deixarmos, hoje, nossa patria, lá no extremo norte da Europa, dirijo uma calorosa saudação ao nosso anfitrião: --o glorioso Botafogo de Football e Regatas, e ao Brasil que será a nossa legenda na patria querida durante as próximas cinco semanas. Deixamos um inverno rigoroso e vamos de encontro a um verão tropical. Nossos estimados colegas do Arsenal, que há um ano atrás foram hóspedes do Botafogo, nos asseguraram que vamos não só encontrar o calor do verão como tambem, e ainda mais, o calor do coração e da alma dos brasileiros, cuja hospitalidade é uma garantia para o bem estar dos visitantes. A viagem ao Brasil é para nós um sonho. Olhamos os futuros jogos com grandes esperanças e acreditem que tudo faremos para retribuir a confiança em nós depositada pelo povo brasileiro. Estamos satisfeitíssimos pela oportunidade de visitar este grande e belo pais e seu generoso povo, que com tanto brilho ocupam lugar dominante na vida internacional dos povos. 

Malmoe, 15 de Novembro de 1949. (a.) Eric Persson, Presidente do Malmoe F.F."

Sôbre o Matmoe, eis os preciosos dados que nos chegam através a "United Press": 

ESTOCOLMO (De Olle Andersonn, da United Press) — Depois de uma temporada-recorde em que obteve 18 vitórias consecutivas o Malmoe F.F. — campeão sueco e "embaixador" dos esportes suecos no Brasil — está sendo apontado pelos técnicos e fãs como o melhor clube jamais surgido na Suécia. 

O Malmoe iniciou sua série de vitórias na primavera passada, ganhando os últimos cinco jogos da temporada com um escore de 29 goals ganhos contra 1 perdido; e assim subiu do terceiro para primeiro lugar na tabela, levantando o campeonato. Na atual temporada, o Malmoe F. F. ganhou todos os 26 pontos possíveis, com 13 vitórias consecutivas, marcando 40 goals contra 17 perdidos. A 2 do corrente o Malmoe F.F. — com apenas dois de seus jogadores substituidos por elementos de outros clubes — representou à Suécia num jogo internacional contra Finlandia vencendo por 8x1. O Malmoe F.F. ganhou o campeonato da Primeira Divisão da Liga Suéca duas vezes nestes últimos seis anos — 1944 e 1949. Duas vezes chegou em segundo lugar, as outras duas em terceiro. Disputou ainda numerosos matches fora da Suécia, obtendo muitas importante, vitórias nestes últimos anos. Assim, em 1947 derrotou o Racing Club de Paris, por 7x0, e no ano passado sua vitória mais assinalada foi sobre o team suiço em Zurich, batido por 2x0. 

O Malmoe F.F.é hoje o maior clube atlético de amadores, com cêrca de 2000 membros e dividido em sete seções: futebol, hockey no gêlo, tenis, handball, badminton, boliche e bridge. Foi fundado em 1910 e durante seus primeiros 25 anos de existência só se dedicava ao futebol. 

Na atual temporada, a composição do team do Malmoe F.F. foi a seguinte: Goleiro — Heige Bengtsson, de 32 anos, ferroviário maquinista. Vem defendendo o goal do Malmoe F.F. há 8 anos. Zagueiros — Hans Malstroem e Erik Nilsson. Este último, um mecânico de 33 anos, já representou seu clube em 1944 quando conquistou o primeiro campeonato suéco, e ainda continua em plena forma. Nilsson tem jogado em várias partidas internacionais, tendo sido um dos que ganharam medalha de ouro nas Olimpiadas de 1948 em Londres. 

Halves - Kjell Rosén, Sven Hjertsson e Kjell Hertsson. Rosén, foguista de 28 anos, figurou em 19 jogos internacionais. Tendo sido machucado em principios de outono, só jogou durante um mês na presente temporada. Mas domingo atrasado reapareceu jogando de forma excelente. Sven Hjertsson figura no Malmoe F.F. há 14 anos. Começou aos 11 anos de idade no team de juniors, avançando depois para o team "A". 

Atacantes Egon Joenson, Vae Elk, Ingvar Rydell, Karl Palmér e Stellan Nilsson. 

Egon Joenson --apelidado de "Joenson secreto", porque tem o costume de marcar goals nos ultimos segundos, sendo assim a arma secreta do Malmoe um dos ponta-direitas mais rápidos da Suécia. Karl Palmér, com apenas 20 anos, jogou neste outono sua primeira temporada no team "A", e com tanto sucesso que foi indicado por duas vezes para o team internacional. Ingvar Rydell, de 27 anos, representa seu clube há cinco anos, sendo hoje considerado um dos mais destacados atacantes suecos. Também Stellan Nilsson aos seus 27 anos já figurou em vários jogos internacionais. 

Finalmente, às 20 e 10 do dia 16 de novembro, em avião da Scandnavian Airlines System, aportou ao Rio a simpática delegação do campeão suéco, condignamente recebida pelo Presidente Carlos Marfins da Rocha e assim constituida: Chefe — Erik Persson; secretário — Sven Nilssar; técnico Kaiman Konrad; jornalistas — Cari Adam Nicop, do Express de Estocolmo; Strandberg, de Malmoe e Tengner; jogadores, efetivos—Bengson, Malmotrom, Monsson, Gard, Soca Hjardson, Kall Hjadson, Filipini, Topper, Rydell, Aek e Stellan Nilsson. Reservas — Larsan, Kay Rosén e Gustav Nillseen. Não vieram os scratchmen Nillson, Rosem, Egon Joenssen e Palmer que, devendo ainda integrar a seleção suéca, chegarão somente a 24.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted

Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 87 de dezembro de 1949

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Campeonato Carioca 

Resultados botafoguenses: 

BOTAFOGO X CANTO DO RIO - Em 30 de outubro 

Profissionais: Botafogo, 7x1. Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Zézinho, Geninho. Pirilo, Octavio e Braguinha. Artilheiros: Pirilo 2, Zézinho 2, Geninho 1, Octavio 1 e Braguinha 1. 

Aspirantes: Botafogo, 1x0 --- Quadro: Salvador, Jorge e Haroldo; Domingos, Luiz Osorio e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Gaúcho e Walter. Artilheiro: Geraldo 1. 

BANGÚ X BOTAFOGO — Em 6 de novembro 

Profissionais: Empate, 1x1. Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Zézinho, Geninho, Octavio, Jayme e Braguinha. Artilheiros: Braguinha 1. 

Aspirantes: Bangú, 5x3. Quadro: Salvador, Jorge e Simões; Biguá, Luiz Osorio e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Baduca e Walter. Artilheiros: Geraldo 1, Vivinho 1, e Walter 1. 

Juvenis: Botafogo, 2x1. Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Dino. Rinha e Waldomiro. Artilheiros: Darcy 1, fino 1. 

BOTAFOGO x MADUREIRA – Em 13 de novembro

Profissionais: Botafogo, 5x2. Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha. 

Artilheiros: Geninho 2, Pirilo 2, Braguinha  1.

Aspirantes: Botafogo, 5 x 0. Quadro:  Luiz Miranda, Jorge e Simões, Chico , Luiz Osório  e Bob, Geraldo, Walter, Vitinho, Baduca e Esquerdinha.

Artilheiros: Vivinho 2, Baduca 2, Esquerdinha 1.

 Juvenis: Botafogo 10x0. Quadro: Salvador, Joel e Haroldo, David, Adalberto e Roberto, Lyra, Darcy, Dino, Binha e Waldomiro.

Artilheiros: Dino 5, Lyra 2, Darcy 1, Binha 1, Waldomiro 1.

Acervo particular Alceu de Oliveira Castro Jungsted

Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 87 de dezembro de 1949

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