FUTEBOL MASCULINO DECADA DE 40
Como se vê em "espn.com.br", "ge.globo.com.br", "piaui.folha.uol.com.br" e no livro "O Jogo do Senta" (tudo com fotos), o certame ganhou essa alcunha após os jogadores do Flamengo terem protestado contra a validação do quinto gol do Botafogo.
Os jogadores do Flamengo, seguindo ordens do banco e de dois dirigentes, sentaram-se em campo, aos 31 minutos do segundo tempo (momento do quinto gol) e assim ficaram até aos 45 minutos, quando se dirigiram ao vestiário.
O Flamengo recorreu à Justiça, onde a vitória do Botafogo foi obviamente confirmada pelo exato placar de 5 x 2. Por isso a partida passou à História como o "jogo do senta", a origem do "chororô".
Apesar disso, o Flamengo se sagrou o campeão daquele ano.
O Jogo
“ “Não queria que os jogadores se sentassem no gramado. Estava longe e não pude interferir. Aquilo foi ordem dos dirigentes.” ”
O primeiro tempo foi duro e terminou com vantagem de 2 a 1 para o Botafogo, gols de Heleno e Valsecchi. Na etapa final, animado por sua torcida, o Botafogo chegou a colocar 4 a 1 (Valter e Heleno), o Flamengo diminuiu para 4 a 2 (Jarbas) mas, aos 31 minutos, Geninho chutou, a bola bateu no travessão, quicou no gramado (segundo o Flamengo) ou dentro do gol (segundo o Botafogo e o árbitro) e retornou para o campo. O ponta botafoguense Lula entrou cabeceando. Ao mesmo tempo, o zagueiro rubro-negro Jayme entrou chutando bola, cabeça do Lula e o que mais estava no lance, para longe da meta. O árbitro assinalou gol.
Segundo o trecho do que está na matéria do jornal O Globo, de 11 de setembro de 1944, página 2, da edição matutina: “Geninho, ao receber o passe de Heleno, emendou a pelota, que foi em direção às redes. Devido à rapidez do lance, não se sabe ao certo o que ocorreu”.
Para o jornal Esporte Ilustrado, a bola chutada por Geninho batera na parte inferior do travessão e quicara dentro do gol para depois sair. Porém, para os jogadores e dirigentes do Flamengo, não havia dúvidas: a bola quicara fora do gol.
No dia seguinte, os jornais, no comentário sobre o juiz, garantiram que ele estava longe do lance e que não tinha condições físicas para correr os dois tempos. O fato é que a dúvida ficará para sempre, afinal, na época, nem mesmo as mais velozes máquinas fotográficas captaram o lance.
Revoltado, o vice-presidente do Flamengo, ordenou a retirada de campo, mas acabou aceitando a recusa em reiniciar o jogo. Na foto publicada nO Globo, vêem-se alguns jogadores sentados, outros de pé, aguardando o juiz apitar o final do certame. Quando o tempo se escoou, levantaram-se e retiraram-se cabisbaixos para os vestiários. Na súmula, o árbitro Mossoró anotou o gol de Geninho, exatamente aos 31 minutos, e o resultado da partida foi homologado pela Federação como 5 a 2 para o Botafogo.
Em setembro de 2013, o jornalista Marco Santos escreveu no blog Fim de jogo, na coluna "E aí é uma outra história", um relato sobre este famoso jogo.
Em setembro de 2014 foi lançado em General Severiano pela Editora Livros de Futebol o livro "Jogo do Senta, a verdadeira origem do chororô", do jornalista e professor universitário Paulo Cezar Guimarães.
Ficha Técnica
10 de Setembro de 1944 Botafogo 5 – 2 Flamengo Estádio de General Severiano, Rio de Janeiro Brasil
15h15min[2]
Heleno de Freitas Gol marcado aos 20 minutos de jogo 20' Gol marcado aos 70 minutos de jogo 70'
Valsecchi Gol marcado aos 44 minutos de jogo 44'
Valter Gol marcado aos 68 minutos de jogo 68'
Geninho Gol marcado aos 76 minutos de jogo 76' Relatório Gol marcado aos 30 minutos de jogo 30' Jaime de Almeida
Gol marcado aos 73 minutos de jogo 73' Jarbas Árbitro: Aristides "Mossoró" Figueira
Fonte: https://wikiPedia.org
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O JOGO DO SENTA
Meu tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) detestava o "Mais Querido" e eu custei a entender a razão. Esportista - aplaudia os adversários quando entravam em campo -, não vaiava os jogadores do Botafogo e apenas ficava cabisbaixo nas derrotas. Militar, não podia admitir que um clube não soubesse perder.
Até que um dia - faz tempo isso... - me relatou o verdadeiro "mico" que o "Simpaticíssimo" pagou em General Severiano, com seus jogadores sentando em campo aos 31 minutos do segundo tempo, por ordem da diretoria, para espanto e estupor (termo que aproveitei de um cruz-maltino) de jogadores, dirigentes e torcedores do Glorioso alvinegro.
Mas, afinal de contas, o que teria acontecido de tão marcante há tantos anos - exatas sete décadas - precisamente na tarde ensolarada de um domingo, 10 de setembro de 1944?
Em sua inexorável marcha para a conquista de seu primeiro tricampeonato, após o discutido gol de Agustín Valido (1914-1998), na Gávea, na decisão contra o Vasco da Gama, o "Mais Querido", até aquele dia, que entrou para o folclore do futebol carioca, perdera apenas dois jogos: o primeiro, diante do América, e o do final do turno, para o Vasco. Mas, na segunda rodada do returno, a tabela marcara um Botafogo x Flamengo para General Severiano.
Para os alvinegros, seria a oportunidade de vingança dos 4 a 1 que sofrera na Gávea, no turno. Nos rubro-negros, já bicampeão e com Zizinho comandando o ataque, a confiança era absoluta. Otimismo em relação à conquista do terceiro título seguido. E General Severiano pegou um público extraordinário. Até Domingos da Guia, que recém deixara o Flamengo, foi prestigiar o clássico.
Com arbitragem de Aristides Figueira - o popular e obeso "Mossoró" - os times entraram em campo assim:
Botafogo - Ari, Laranjeira e Ladislau; Ivan, Papeti e Negrinhão; Lula, Geninho, Heleno de Freitas, Valsecchi e Valter
Simpaticíssimo - Jurandir, Newton e Quirino; Biguá, Bria e Jaime de Almeida (pai do técnico); Nilo, Zizinho, Pirillo (que seria campeão no Botafogo em 1948), Sanz e Jarbas. GLOBO SPORTIVO
O primeiro tempo foi duro e terminou com vantagem de 2 a 1 para o Glorioso, gols de Heleno de Freitas e Valsecchi. Na etapa final, animado por sua torcida, o Botafogo chegou a colocar 4 a 1 (Valter e Heleno), o Flamengo diminuiu para 4 a 2 (Jarbas), mas aos 31 minutos, Geninho fez o quinto gol.
Começaram então as reclamações de jogadores e dirigentes rubro-negros. Para o "Esporte Ilustrado", a bola chutada por Geninho batera na parte inferior do travessão e quicara dentro do gol para depois sair. Para Mossoró, também.
Já os jogadores do Mais Querido, Jurandir à frente, garantiam que a bola se chocara contra o travessão e voltara ao gramado. Por incrível que pareça, para muitos torcedores do Botafogo postados atrás da baliza à direita das sociais, onde mais tarde surgiriam a Avenida Pasteur e o Túnel do Pasmado, a bola explodira dentro do gol mas batera no ferro que sustentava a rede.
Formado o tumulto - com os alvinegros batendo bola à espera do reinício da partida -, os jogadores do Simpaticíssimo, obedecendo a ordens vindas do banco e dos dirigentes Marino Machado e Francisco Abreu, simplesmente sentaram-se em campo.
Quando o tempo se escoou, levantaram-se e retiraram-se para os vestiários. Na súmula, Mossoró anotou o gol de Geninho, exatamente aos 31 minutos, e o resultado da partida foi homologado pelo Tribunal de Penas da Federação Carioca, como 5 a 2 para o Botafogo.
Durante a semana, a reclamação dos responsáveis pelo departamento de futebol do Flamengo prosseguiu. E os jornais, ironicamente, passaram a chamar a partida de "O Jogo do Senta". O Simpaticíssimo perdeu o jogo e a renda do clássico, mas seria tricampeão ao final do campeonato.
É claro que com os recursos da televisão de hoje, a dúvida seria tirada um instante após o chute de Geninho. A bola moderna, com "chip" dedo-duro, daria o gol. Mas, na época, nem mesmo as mais velozes máquinas fotográficas - as SpeedGraph - captaram o lance.
O resultado é que durante muito tempo o debate seguiu acalorado.
Para o Mais Querido, porém, foi apenas um tropeço - inesperado, obviamente - na rota para o tricampeonato. Para os torcedores botafoguenses, porém, apesar da vitória de 5 a 2, ficou um travo amargo na garganta. Numa época romântica e cavalheiresca como aquela, era imperdoável o adversário não aceitar uma derrota, principalmente por tantos gols de diferença.
Talvez esteja aí a origem da rivalidade que atravessa gerações.
Jornalista botafoguense resgata história
REPRODUÇÃOAgora em nove de setembro, no "foyer" do Salão Nobre do Botafogo, o jornalista e professor de Jornalismo, Paulo Cezar Guimarães, lança "Jogo do Senta: a verdadeira origem do chororô", onde resgata a história do tumultuado jogo.
PC, como o chamam alunos, amigos e os incontáveis repórteres esportivos que ajudou a formar, em anos de magistério, é um tremendo gozador e me convidou a escrever o prefácio do livro, o que fiz com grande prazer, seguindo a linha do meu tio Júlio - mezzo esportista, mezzo gozador.
O livro, que tem a chancela da editora LivrosdeFutebol.Com, do meu amigo César Oliveira, botafoguense como eu e que me deu a alegria de produzir meu livro "Botafogo: 101 anos de histórias, mitos e superstições", será apresentado também em parceria com o programa "Botafogo Sem Fronteiras", com o "Feijão no Fogão", presença de velhos ídolos - como Jairzinho, Túlio Maravilha, Mauricio 89, Roberto Miranda etc., fazendo a alegria da torcida do Botafogo fora do Rio de Janeiro.
Vai vender que nem banana em fim de feira. Do outro lado, vai ser contestado à larga. Afinal, era um tempo em que não havia as papeletas amarelas e os árbitros não mudavam resultados, como em recentes Botafogo x Flamengo.
Fonte: site https://espn.com.br
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O cotejo America x Botafogo surgia, como sua tradição, como o maior e principal da rodada de domingo. Em verdade dentre os três jogos fixados pela tabella, nenhum apresentava um passado tão longo e tão cheio de prélios de equilíbrio e renhidez, como o que reuniria alvi-negros e diabos rubros em São Januário. Alem disso havia ainda a credenciar a peleja a situação de ambos no actual campeonato: empatados no quarto logar com seis pontos perdidos cada um. O America contava desalojar da posição o seu adversário. E apresentava como base para essa pretensão o magnifico feito de sete dias atras quando quebrara, no mesmo stadium de São Januário, a invencibilidade do "leader” da tabella. O Botafogo não apresentava uma victoria anterior. Muito ao contrario, surgiu com um desejo immenso de vencer para reabilitar-se de um revés elevado soffrido um domingo antes. Alvi-negros e rubros, porem, tinham um motivo bem mais forte para esforçar-se pelo triumpho. Era o de não deixarem fugir-lhes as possibilidades ainda existentes, ao campeonato, mas que vão escapando-se-lhes gradativamente, distanciando-se cada vez mais do primeiro posto.
Nessas condições esperava-se que o prélio empolgasse pela renhidez, pela combatividade, pelo enthusiasmo, pela technica mesmo, pois nos dois quadros figuram elementos de classe indiscutível. Mas o que se viu dessas características não chegou para empolgar. A renhidez, a combatividade, o enthusiasmo ainda appareceram em campo. Em dose muito relativa, não resta duvida, mas em todo caso appareceram quanto à technica, porém, andou arredia de São Januário. A rigor não se verificaram lances de precisão, classe, de "association" puro. As jogadas mais movimentadas tinham a sua origem no imprevisto, no atropelo de uma arrancada, no desespero de uma rebatida espectacular. Faltou, aliás, aos dois conjuntos para apresentar um football melhor, aquillo que se chama a "chave" de um team: — linha média. O trio de halvez dos rubros não foi a sombra do que actuou contra o Flamengo. Dedão não conseguiu marcar Patesko, Bolinha andou às tontas e Alcebiades, embora o mais regular dos três, também não convenceu no Botafogo, Zezé Procopio cumpriu um primeiro tempo irreconhecível. Melhorou no segundo tempo, mas mesmo assim não brilhou. Martim provou que não está ainda á altura de reassumir a posição em que já foi rei. Esteve lento e. sobretudo, desanimado. Canalli, também, ainda adoentado, esteve fraco. E assim a produção dos dois quadros no primeiro tempo foi fraca. De inicio os alvi-negros mostraram-se mais dispostos ao ataque, mas positivaram-se infelizes na conclusão das investidas. Isso permittiu ao America reanimar-se e equilibrar pugna. E até os trinta e um minutos, avantajar-se no placard com um goal de Carola, o meia esquerda rubro aproveitou-se de um momento de vacillação collectiva da defesa do Botafogo, para ageitar a bola dentro da área o mandar ás redes de Aymoré.
Para o segundo tempo o Botafogo apresentou-se disposto a desfazer a vantagem adquirida pelo America. Para isso, tomou uma medida acertada: alterar a linha média. Primeiro colocou Zezé Moreira no logar de Canalli. Depois aos dez minutos retirou Martin e passou Zezé Moreira para o centro médio fazendo entrar Pacheco para half esquerdo.Com a nova formação da sua linha media o Botafogo melhorou consideravelmente e passou mesmo a exhibir uma certa supremacia sobre os rubros, cujo ataque passou a jogar recuado em auxilio aos seus médios. A melhoria dos alvi-negros iniciou-se com o tento de empate logo após a rerirada de Martlm. Aos onze minutos, Patesko que foi o melhor forward botafoguense, até ser contundido, centrou bem sobre a meta de Thadeu. Villa tentou cabecear e a bola caiu entre o keeper e Carvalho Leite, que entrava com Paschoal. Thadeu deixou o arco para segurar o couro mas o meia direita alvi-negro foi mais feliz ou mais rápido e acertou um tiro forte as redes americanas. Ficou assim igualada a contagem.Depois do goal de empate o Botafogo accentuou a pressão mas, em parte, pela má pontaria dos deanteiros em parte pela segurança de Thadeu e Villa essa reação não offereceu resultados positivos. O America trocou Dedão e Oscar, mas a substituição não melhorou nem peorou o conjunto.Todavia nos minutos finaes da peleja o America emprehendeu uma reacção. Foram então cinco minutos de abafamento na defesa alvi-negra. Nelsinho escapando, atirou forte em goal e a bola batendo no peito de Ayrnoré voltou aos pés de Araraquara que afastou o perigo. Depois Pirica centrou bem e Fogueira afastou o arremate em plena pequena area, pemitindo que Gran Bell rebatesse. Poucos lances mais e a peleja chegou ao se a término com o placard de 1x1. Um resultado, sem duvida justo, pela produção escassa dos seus artilheiros. Com esse empate, os alvi-negros e os diabos rubros continuaram empatados no quinto lugar da tabella, apenas agora com mais uma companhia, a do São Christovão, também com sete pontos perdidos.Fonte: Jornal O Globo Sportivo nº 97 de 29 de junho de 1940.
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Eu me lembro pela primeira vez que Hector Papetti apareceu no Rio. Ele não vinha de Buenos Aires à cata de um clube, mas procedia da Baía, onde ao lado de Avelle, Bianchi, marcara uma época no football da "boa terra". Detalhe curioso: o rapaz não era mais, nem menos, pretencioso de hoje. Já andava sem gravata e usava os ternos mais simples que se pode usar numa terra e num mundo onde as aparências são os primeiros passos para se chegar ao ponto desejado. Acanhado quase não falava. Sorria apenas. Preferia sorrir mesmo no instante que alguém lhe contava da falta de "pivots" no Rio de Janeiro. Sorria incredulamente, talvez ainda preocupado com aquilo que alguém dissera sobre sua pessoa. Que é que haviam dito dele? Não, não era nenhuma referências elogiosa. Nada que se pudesse orgulhar ou ver transformado em letra de fôrma... para efeito de propaganda.
A FOME EM FERIAS...
Ele sentava-se, todas as noites, à mesa do café freqüentado pelos cracks, amigos da liberdade, de critica e pensamento. Ali, sentado, fazia novos camaradas, conhecia o útil e o inutil, o agradável e desagradável do "soccer" guanabarino, meditava e podia traçar melhor os seus projetos. Sem compromissos para atuar aqui e ali, mas desejando louca e perdidamente acabar de uma vez com a inativicdade, agradecia, mas não aceitava determinados convites para treinar num ou noutro clube. A maior parte desses convites, sabia, ele que não procediam. Eram proferidos da boca para fora, para lhe ser agradável a guisa de incentivo, e so isso. Papetti sabia que tudo o que lhe diziam e acenavam não passava de gentilezas. Não tivera ele conhecimento de uma referencia feita às suas costas por um conhecido "caçador de estrelas", O "caçador de estrelas", vendo-o metido naquele terno simples e com a barba um pouco abandonada, não teve dúvida em largar uma frase humorística que absolutamente não vingou, para a infelicidade de seu autor. A frase foi esta: "Papetti dá mais impressão da fome em ferias que de jogador de football." A frase não pegou, porque, debaixo daquela barba e daquele terninho modesto, se escondia um crack de 18 quilates.
O CARTAZ ERA NENHUMNa realidade, Papetti não podia oferecer o que mais se exige de um jogador que almeja um contrato. Ele não tinha uma carreira de "scratchman", não era dos que podiam se orgulhar de haver pertencido a um grande clube, era, enfim, um desconhecido inclusive, que um Flamengo, por exemplo, às tontas em busca de um centro-medio lhe desse sequer uma oportunidade para treinar entre Jayme e Bigua ou Jayme e Artigas. Que seria do rubro-negro com um "pivot" sem" cartaz estrangeiro que apenas lograra êxito na Baía?
UM PRINCIPIO CHEIO DE TROPEÇOS
O principio da carreira de Papetti acusa altos e baixos. Começou em Rosário sua terra natal, aos 18 anos. Era o segundo Papetti a tentar um abraço à fama na adiantada província argentina, o outro — Emílio — já andava por cima, era titular do Caizada, um clube modesto, mas da primeira divisão, e que hoje se acha relegado à segunda. Como ele, Emílio também era half de ala, um half extraordinário. — Se ainda jogasse, seria o "ás" da família — observa o companheiro de Bianchi. Emílio desistiu muito cedo. Casou-se, foi engordando, engordando. Decidiu criar galinhas. Então, era mais interessante criar galinhas que suar 90 minutos numa cancha de football.
Quando Emílio se afastou, Hector entrou firme na luta. Era preciso fazer um brilhareco. Buenos Aires começava a sacudir a sacola cheia de "plata" para as grandes promessas do interior. Hector entrou firme, caprichou, caprichou. Aos 18 anos estava nas pontas dos cascos e ai surgiu Gynasia e Esgrima com uma proposta tentadora. Embarcou logo mas não gostou dos ventos de La Plata.
O Gynasia, por outro lado era um clube que não se portava cavalheirescamente com seus profissionais.
Bastava perder para determinar logo a falência moral, técnica e financeira de seus defensores. Hector Papetti não esperou pela desmoralização. A primeira advertência tomou o trem de volta a Rosário.
A LIÇAO NAO foi DEVIDAMENTE APROVEITADAEra de se esperar que Hector Papatti se emendasse...
- Eu estava realmente inclinado a criar galinhas, como fez- Emílio. Já havia decidido encerrar minha carreira de footbáller quando o Platense me mandou buscar. Eu não podia dizer que não: o Gynasia me havia vendido, ao Platense como um saco de batatas. Recebeu o cobre e me mandou um "ultimatum" policial. Diante daquela intimação não tive outro recurso que embarcar. Como sucedera anteriormente no Gynasia o Platense só me proporcionou desgostos. Em todo caso resisti ora atuando na primeira ora na segunda. O joelho foi dado como incapacitado para qualquer exercício. O que fazer? Voltar machucado mancando isso não voltaria.
A GUIANA
Quando o Esporte fechou as portas, nos ficamos no ar. Haviamos feito nome no esporte e éramos conhecidos como jogadores interessantes para qualquer equipe. Que fazer? Bianchi tinha a senhora e uma menininha para sustentar e o que recebia dividia com a minha família e Avalle era casado também. Estávamos num beco sem saída sem esperança de apanhar o restante das luvas porque o clube tinha sido dissolvido. Que fazer? — voltei a perguntar. Um que nos ouvia, sugeriu: Tenho um amigo na Guiana Inglesa. Lá se joga futebol e um bom footballer ganha mais que aqui. Bianchi coçou a cabeça. Avalle falou em retornar a Buenos Aires.
- Se você arranjar contrato eu vou! Respondi convicto. Papetti sorri com todos os dentes e depois prossegue:
- Por desgraça ou não o homem nunca mais deu as caras.
O RIO ERA O CAMINHO DA PÁTRIA
Com seis mil cruzeiros perdidos os tres resolveram voltar à Argentina. Valle seguiu de vez. Papetti desceu no Rio para conhecê-lo melhor, enquanto Bianchi permanecia “na boaterra”... até ver. Com mulher e filha, a aventura não era muito aconselhável a "papai Bianchi"... Por isso ele foi ficando. Assim, sem mais nem menos Hector Papetti estourou no Nice.
- Você pretende ficar por aqui, Papetti? — Parece que embarcarei breve para Buenos Aires, o Rio é o caminho mais fácil para a gente chegar à terra natal...
PICABÉA PROPÕE UMA EXPERIÊNCIA ... SEM COMPROMISSO
Picabéa caiu no café dos cracks para "matar o tempo". Ali conheceu Papetti tendo sido apresentado a ele despretensiosamente.
- Você não devia deixar a Baia tão pronto, Hector! Era preciso deixar. Não é que eu quisesse vir. Minha saída, de lá, tornou-se imediata. Já não podia depender de tantos favores. Você está em forma? Só vendo. E você quer experimentar? Estou aqui para isto. Apareça logo mais em Figueira de Mello, mas sem compromisso. O treinador rio-platense voltou a frisar: Mas sem compromisso, ouviu. Papetti? Está bom Picabéa, "sem compromisso"...
ERA UM CRACK
A tarde com tudo pronto para começar, Picabéa ficou sem saber onde colocar Papetti. Porque possuía halves mas no team reserva. E a vaga era de sobra. Havia uma no centro da linha media. Você se "arreglaria" no "pivot"? É questão de experimentar... Papetti foi para a reserva, num pasto em que nunca havia atuado, e se transformou num espetáculo. Tamanho sucesso fez que, no segundo tempo, Picabéa resolveu passa-lo ao quadro titular, como half de ala. A "fome em ferias" se transformava, assim, num "astro" de verdade.
APARECE BIANCHI
Entrementes apareceu Bianchi. Vinha de realizar duas provas de conjunto no Botafogo. Pimenta achou-o bom, mas algo passado... Picabéa, depois de ouvir Papetti, aceitou o alvitre o decidiu dar uma oportunidade, tambem, a Dante Bianchi. Estava resolvido, destarte, o problema do " pivot", foi o que pensou o "coach" e pensou apenas, porquanto, prevaleceu mais a exibição feita por Hector no centro, no treino de estréia. De qualquer maneira, ambos vieram a ser aproveitados. Apenas, ao inverso do que sempre sucedera. Sem querer Papetti tornou-se center-half e Bianchi "asa" médio. Coisas não do destino mas do técnico dos "alvos".
GRATO AO SAO CRISTÓVÃO.
O que ninguém esperava, verificou-se. Papetti, o desconhecido Papetti, o cracK da roça a "fome em ferias", transformava-se na grande revelação de um campeonato metropolitano. Nem Spinelli, nem ninguém, logrou suplantá-lo no primeiro ano de actuação no esquadrão sancristovense. O milagre da força de vontade levaram-no à perfeição. Papetti assinou um contrato modesto. Como não tinha cartaz, não tinha direito a exigir. Assinou-o por um ano este mundo e o outro passe- livre. Façamos por dois? — Insistiu um dirigente alvo. Eu só assino contratos breves e com "passe" livre. Os senhores paguem-me o que quiserem. Quero ser grato ao clube que primeiro me amparou no Rio de Janeiro.
UM JOGADOR NECESSITA, TAMBÉM ZELAR PELOS SEUS PRÓPRIOS INTERESSES
Em 43, as grandes instituições passaram a olhá-lo como uma presa magnífica. De inicio, o Vasco, depois o America, a seguir o Fluminense e por último, o Botafogo. Papetti não dizia nada. Você fica onde está ou vai? Não sei ainda. O São Cristóvão é um grande clube: é uma bela e inconfundível familia. As vezes penso que não me será facil deixá-lo, mas, penso, também que um profissional necessita, sobretudo, acima de qualquer sentimentalismo, zelar pelos seus próprios interesses. Tenho necessidade de cimentar bem o meu porvir. Devo aproveitar os bons momentos. Eles são tão curtos, duram tão pouco.
SE DEIXAR O SÃO CRISTÓVÃO INGRESSAREI NO BOTAFOGO
Há um ano do término de seu compromisso que hoje expira, procurado pelo Vasco, pelo América, pelo Fluminense e pelo Palmeiras ( a história da proposta do São Paulo só surgiu agora) Papetti nunca afirmou e4star de acordo com esta ou com aquela oferta.
Não conhecia ainda os desígnios do Botafogo sobre sua pessoa, no entanto afirmou-me: - Em deixando o São Cristóvão um único clube me entusiasma para vestir a sua camisa e esse clube é o Botafogo.
São testemunhas Bianchi e outros amigos do crack rosarino.
CUMPRIREI MINHA PROMESSA – SEREI BOTAFOGUENSE EM 44
Na realidade não se tem ideia de caso mais sensacional e que haja emocionado tanto a torcida nesses últimos seis meses.
O silencio mesmo de Papetti, sua teimosia em deixar que o barco corresse e sua convicção em permanecer calado, a despeito de todos falarem sobre ele, não ocultaram, por outro lado, a ânsia que todos guardamos de desvendar o caso. A reportagem do O GLOBO SPORTIVO, num esforço extraordinário, logrou obter do famoso e disciplinado pivot" a primeira declaração sobre o discutido "aífair'. Papetti esta diante de nossa objetiva pela primeira vez vestindo a vistosa camiseta alvi-negra do "Glorioso . Ela lhe vai bem no corpo e de certo, lhe irá bem também, como a outra, no campo de jogo no aceso da luta.
- Vemo-lo depois, de roupão, assinando uma decisão. A folhinha e o relógio marcam o dia e o instante da sua suprema deliberação. – Alguem que nos assiste, observa que vai haver guerra na cidade. Papetti continua escrevendo "Cumprire mi palavra. Serei botafoguense em 44" e assina Hector Papetti. Tudo muito claro, muito legível. Não pode haver dúvida. Ele está plenamente consciente do que faz.
- Leva saudades do São Cristóvão Papetti?
- Inúmeras. Que família maravilhosa! Deixo em cada jogador um irmão. Orgulho-me disto.
- Algum mágoa?
- Certamente uma só. Gritaram-me, de uma vez arquibancada que eu me havia vendido a não sei quem...
Hector Papetti cerra os olhos e estremece. Depois conclui, Não há felicidade completa no mundo.
Não há felicidade completa no mundo não pode haver.
Esta a história do crack que se fez sem ajuda de ninguém. Ficou famoso sem querer e fica encabulado sem jeito, cada vez que seu nome aparece nos jornais. Ele se valorizou à custa de enormes sacrifícios. Foi preciso que outro clube lhe oferecessem muito para que os que o tinham em casa vissem que ele valia tanto. Mas vamos dizer que Papetti não vale apenas pelo que fez de acertado e de bonito na cancha com a pelota nos pés ou não, mas tambem pelo que é fora da cancha. Aí, sim é que se vai encontrar um homem as direitas um footballer em que se pode confiar de olhos fechados.
Fonte: Jornal O Globo Esportivo nº 291 de 31 de março de 1944
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Botafogo 3 x 0 Canto do Rio
O Botafogo e o Canto do Rio prometiam realizar uma grande partida. Um jogo cem por cento emocionante que tornasse o football mais querido ainda do público. O Botafogo como um dos lideres do certame, sem perder desde o turno: o Canto do Rio com o empate rehabilitador na partida amistosa com o Sao Paulo F. C. Dois adversários, portanto, capazes de oferecer espetáculo dos mais agradaveis na luta que iam travar.
Realmente o principio do match serviu para comprovar a disposição dos contendores alvi-negros a alvi-anis lançaram-se com entusiasmo à disputa, procurando desde logo o goal. Os botafoguenses, servidos por melhor preparo em conjunto, trataram de controlar as ações. Em dez minutos já haviam obrigado Odair a seguidas defesas e varias oportunidades de tentos foram desperdiçadas, por questão de centímetro apenas. Valsecchi e Tovar perderam goals certos, em situações tidas como inapelaveis para os niteroienses. O Canto do Rio, por sua vez, não se deixava dominar completamente, atacando também ao aproveitar as ligeiras brechas dos adversários. Desenrolava-se o match de forma empolgante, esperando-se a todo momento a abertura da contagem. Esta, por sinal, não demorou. Aos nove minutos Valsecchi conquistou um bonito tento, que o juiz invalidou injustamente. A pelota fora centrada por Lula da frente para trás o o meia platino emendara legalmente. Off-side descobriu o arbitro e nasceram aí os incidentes. O jogo passou a ser disputado com violência, enquanto o publico vaiava o arbitro. Estava estragada a partida.
Até o final do tempo a contagem não foi aberta, mas o prelio perdera muito da beleza inicial. No reinicio, atrazado devido as brigas com os jogadores do Canto do Rio e também com o juiz, Lula conquistou um tento abrindo caminho para o triunfo. Daí em diante o arbitro passou a marcar apenas o team do Canto do Rio, descobrindo faltas imaginárias a favor do Botafogo. A própria torcida alvi-negra ria e vaiava o juiz pela perseguição.
Fonte: Jornal O Globo nº 320 de 13 de outubro de 1944
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FEÉRICA INAUGURAÇAO
Foi uma noite inesquecível a de 29 de maio, quando, em uma orgia de luz, o Botafogo inaugurou a magistral iluminação do seu estádio, obra incomparável da Emprêsa Brasileira de Engenharia que custou ao clube cerca de um milhão de cruzeiros, e que, decidida e iniciada pela administração Adhemar Bebiano, foi concluida pela atual administração.
Para festejar o grande acontecimento Botafogo instituiu a taça "Adhemar Bebiano" para ser disputada entre nossa equipe e a do valoroso Atlético Paranaense, organizando um programa festejos de grande oportunidade.
O estádio, em festa, parecia iluminado pelo próprio sol, impressão que anda mais se realçou quando, terminada a preliminar, foram extintos os refletores para ser a chave oficialmente ligada por quem mais merecia a honra inaugurá-la - Adhemar Bebiano - este grande benemérito a quem o Glorioso não sabe mais como agradecer os inestimáveis serviços e que, modestamente se ocultara nas gerais, para, anonimamente, apreciar os efeitos de sua obra magistral e furtar-se aos desejos de seus amigos e admiradores, relembrando em silencio, certamente, a saudosa figura de Vasco Bebiano, o sobrinho querido que, como dirigente da Emprêsa, tudo facilitara ao Glorioso.
No intervalo do embate principal, nova surprêsa que o gosto apurado do presidente Carlito Rocha reservara aos seus consócios, a festa pirotécnica, verdadeira maravilha, que arrancou aplausos de entusiasmo e encheu os céus de imagens encantadas e que "A Noite" assim descreveu: — "E o céu se encheu de estrelas, com a "feerie" proporcionada pelo Botafogo à cidade esportiva —Magia de luz e cores. O Botafogo F. R. ofereceu sábado aos desportistas da cidade, um feérico e inesquecível espetáculo. Inaugurando a iluminação do seu campo, abundantíssima e tecnicamente perfeita, o alvi-negro deslumbrou os que ali acorreram. E notariam os que conhecem os gramados dotados de instalações para jogos noturnos, quer no Brasil como no continente, que nenhum outro se lhe compara em intensidade e acomodação. — E o céu se encheu de estrelas. — Mas não ficou ai o clube da "Estrela Solitária", pois Carlito Rocha, amante das coisas grandiosas, helénicas, quis brindar também a cidade com uma festa pirotécnica asiática. E milhares de fógos primorosos romperam as trevas da noite, enchendo o céu de miriades de estrelas, do azul mais suave ao rubro mais vivo. Bem propalam alguns botafoguenses que êle é o Mágico de Hoz de que tanto precisavam.
E "O Jornal": — "Inicialmente apareceu bem iluminada, em fogos de artifício, a estrela solitária do clube alvi-negro e a seguir, um belíssimo "V" da Vitória, dando um aspecto verdadeiramente deslumbrante." O jogo interestadual também correspondeu aos anceios do público pois, se teve falhas técnicas, foi ardorosamente disputado, em vivíssima movimentação, terminando empatado por 0x0 e deixando, os paranaenses, bôa impressão. Verdade é que o juiz não pôde observar um tento de Octávio, que o veterano e valoroso Cajú tirou de dentro do goal — como se pôde vêr na fotografia que publicamos.
Foi o seguinte o nosso quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Marinho, e Juvenal; Nerino (Paraguaio), Geninho, Heleno, Pirilo (Octávio) e Reinaldo.
O encontro teve, inclusive, um sentimental: a despedida de Heleno de Freitas da camisa alvi-negra que, maogrado os seus tão conhecidos defeitos temperamentais, ele durante nove temporadas, defendeu, brava, delicada e brilhantemente.
Infelizmente, o segundo encontro, pois a taça "Adhemar Bebiano" será disputada em "melhor de três", programado para a noite de 1º de junho, deixou de se realizar, pois que os paranaenses, alegando acharem-se vários jogadores contundidos, preferiram regressar ao seu simpático torrão.
Não queremos terminar, tambem sem apresentar os sinceros agradecimentos do Botafogo à ilustre administração da Emprêsa Brasileira de Engenharia que conosco sempre manteve os mais corretos e cordiais entendimentos, administração constituida pelos Srs. Geraldo Martins Ourivio, Armando Rodrigues Teixeira e Celso Coelho de Souza, êstes dois últimos veteranos defensores das côres alvi-negras.
TEMPORADA DO SOUTHAMPTON
Não há a menor dúvida que, apesar certas críticas precipitadas em contrário, constituiu um verdadeiro sucesso temporada do Southampton, alcançando o Botafogo, com sua arrojada iniciativa, o principal objetivo visado que era o de um confronto entre dois padrões de jogo totalmente diversos, confronto este que felizmente foi absolutamente favorável ao nosso futebol, pois que os inglêses sómente obtiveram os grandes sucessos, quando adaptaram a marcação cerrada, aliás com uma dificuldade de adaptação notável.
Acompanhados pelo presidente Carlos Martins da Rocha, os inglêses seguiram para São Paulo a 22 de maio, estreando contra o São Paulo na noite frigida de 25, quando, embora já se exibindo bem melhor do que em suas partidas no Rio, foram vencidos por 4 x 2. Deu o kick-off do jogo o veterano Charles Miller, que foi o introdutor do futebol no Brasil e a renda somou a apreciável quantia de Cr$ 386.056,50.
O ilustre Dr. Adhemar de Barros, chefe do govêrno de São Paulo, assistiu encontro e, num gesto verdadeiramenente notável de quem sabe avaliar a grandeza da iniciativa do Botafogo, deu instruções para que a Prefeitura abrisse mão do impôsto de 10 % a que o Pacaembú tem direito, por lei.
A 29 de maio, á tarde, em prélio duríssimo os inglêses perderam por 2 x 1 para a Portuguesa (renda 156.382,00 cruzeiros), mas na noite de 2 de junho, apreendiam o público paulista com sofismável vitória, pelo mesmo score, sobre o forte esquadrão do Corinthians renda: Cr$ 170.826,00).
Verdade é que, nessa partida, pela primeira vez, o Southampton apresentou o seu extraordinário full-bak Ramsay que, como integrante do selecionado inglês excursionava pela Itália e Suiçae que chegara dias antes, de avião, tendo jogado admiravelmente, revelando-se o verdadeiro condutor do quadro.
Regressando ao Rio, com outra exibição excelente, no domingo 6 de junho, Southampton impôs-se ao valoroso quadro do Flamengo por 3x1, o que motivou a programação de um novo jogo nesta capital, contra o grande quadro campeão do Vasco da Gania, prélio êste que efetuado na noite de 10, teve um desenrolar movimentadíssimo, findando com uma brilhante vitória brasileira por 2 x 1.
O Exmo. Sr. Prefeito do Distrito Federal, General Angelo Mendes de Moraes, prestigiando a iniciativa botafoguense, honrou-nos com a sua presença, tendo dado o kick-off do jogo, sob grandes aclamações do público. A renda do encontro com o Flamengo somou a importância de 416.300.00 cruzeiros e a do jogo com o Vasco, a de Cr$ 501.100,00. Mr. Georges Reader, o extraordinário juiz, arbitrou todos os encontros com absoluta perfeição, constituindo um verdadeiro espetáculo. Finalmente, a 13 de junho, o Southampton encerrou em Juiz de Fóra, sua temporada, empatando por 1 x 1 com a seleção local, reforçada de elementos do Atlético Mineiro, sendo o Botafogo representado nos festejos, pelo seu sócio benemérito Dr. Manuel Vargas Netto, ilustre presidente da F. M. F. e pelos diretores Drs. Alceu Mendes de Oliveira Castro, Sebastião Mótta Ribeiro de Vasconcellos e Oswaldo Guimarães Palmeira.
JOGOS INERNACIONAIS PROMOVI-DOS PELO BOTAFOGO
Foi sob a presidência Joaquim Delamare que, em 1913, para inaugurar oficialmente suas primitivas dependências de General Severiano, o Botafogo promoveu sua primeira temporada internacional, trazendo a esta capital um combinado português que aqui, de 13 a 20 de julho, preliou quatro vezes, registrando duas derrotas, um empate e uma vitória. A benemérita presidência Pino Machado trouxe-nos duas vezes o Dublin F. C., de Montevideo, formidável conjunto, verdadeiro combinado uruguaio, pois que vinha enxertado de grandes craks de outros clubes, como os assombrosos campeões Romano e Hector Scarone, que vieram das duas vezes e Urdinaran, Vanzino, Maran e Monti (êste, depois, nosso denodado defensor) que fizeram parte da segunda visita.
Na primeira temporada, realizada de 31 de dezembro de 1916 a 9 de janeiro de 1917, os uruguaios disputaram quatro jogos, vencendo três e empatando por 0x0 com a seleção nacional.
Na segunda, efetuado, entre os dias 17 e 31 de janeiro de 1918, o Dublin F. C. disputou cinco jogos, vencendo quatro e empatando por 1 x 1 com o Fluminense, sendo todos os jogos realizados em nosso campo.
Dez anos depois, o grande presidente Paulo Azeredo trouxe o famoso quadro escossês do Motherwell, que, na noite de 21 de junho empatou por 1 x 1 com o selecionado carioca, quando Oswaldinho, do América, marcou o seu célebre goal e na tarde de 24 foi fragorosamente abatido pelo scratch nacional por 5x0, goals de Feitiço 4 e De Maria, sendo os dois encontros realizados no estádio tricolor.
Em 1929, aproveitando a ida do forte conjunto uruguaio do Rampla Junior a Europa, o Botafogo promoveu, no estádio de S. Januário, três encontros, a 17 de fevereiro, contra o combinado carioca, que foi vencido por 3 x 1; a 22, contra e combinado paulista, que empatou e a 24, de manhã, contra a seleção Rio-S. Paulo, que venceu por 4 x 2, tendo Nilo marcado dois belos goals. No regresso do Rampla Junior, na noite de 20 de junho, o Botafogo promoveu um novo encontro contra a seleção carioca que, por 3x1, obteve, então, a revanche. Ainda em 1929 e aproveitando também a excursão do forte quadro italiano do Bologna ao Prata, o Botafogo exibiu-o duas vezes, na ida e na volta, a 25 de julho e 14 de agôsto, contra a seleção carioca que venceu os dois cotejos por 3 x 1, sendo ambos realizados no estádio de Alvaro Chaves.
Em 17 e 19 de agôsto de 1930, no campo do Fluminense, o Botafogo promoveu dois jogos do selecionado norte-americano que regressava do campeonato mundial de Montevidéo e que foi abatido pela seleção Rio-São Paulo e
pelo Botafogo, respectivamente, por 4 x 3 e 2 x 1, em duas lutas sensacionais.
Em março de 1934, em plena cisão esportiva, trouxe o Glorioso, o Nacional de Rosario (Argentina), que foi derrotado, em General Severiano por 4 x 1, pelo nosso quadro tendo sido todas essas temporadas, a partir de 1928, promovidas pela benemérita diretoria presidida pelo grande Paulo Azeredo.
Agora, com o Southampton, seguindo a mesma trilha, o Presidente Carlito Rocha recomeça as temporadas internacionais que tão úteis e interessantes são e que tanto elevam os desportos nacionais, merecendo, por isso o apóio integral de todos os verdadeiros desportistas.
A TRANSFERÊNCIA DE HELENO
Vem de se processar harmonicamente a transferência de Heleno de Freitas para o Boca Junior, a mais sensacional, talvez, operada na América do Sul. De acôrdo com a sua tradição, de não cercear a liberdade de ninguém, Botafogo não se opôs á transação, embora houvesse fixado para o passe um preço julgado quasi inacessível. Cr$. 600.000,00, do qual não abateu um ceitil, pois considerava o crack necessário à equipe.
Quando o Boca Junior confirmou que pagaria a importância pedida, Presidente Carlos Martins da Rocha chamou incontinente, Heleno fazendo-lhe vêr que ainda era tempo de desfazer a transação, mas Heleno confirmou sua grande vontade de atuar no futebol argentino, pelo que tudo se consumou, principalmente tendo em vista que, em abril de 49, Heleno estaria livre por Cr$ 45.000,00. Heleno enviou, então, seguinte carta à diretoria:
"Rio de Janeiro, 1 de junho de 1948. Ao Sr. Carlos Martins da Rocha, D.D. Presidente do Botafogo F.R. — Em aditamento às palestras que tive com V. S. sôbre minha transferência para o foot-ball argentino, venho confirmar que essa se processou de comum acordo com êsse club e, de minha parte por livre e espontânea vontade.
Aproveito o ensejo para reiterar a satisfação que foi para mim o longo convívio que mantive com o Botafogo, club que defendi como seu profissional, mas, peço que se me permita declarar, como verdadeiro e sincero botafoguense.
Assegurando a certeza de minha maior amizade e simpatia pelo quadro social do club e seus dignos dirigentes, sou o At.º e M.º Obr.º — Heleno de Freitas."
A Diretoria do Botafogo, como prova de reconhecimento à dedicação e a galhardia com que Heleno defendeu durante dez temporadas as côres alvi-negras, resolveu, por proposta do Dr. Luiz Carlos de Oliveira, conceder-lhe como prêmio, o reembolso da multa que recentemente sofreu, gesto que calou fundo no coração de Heleno e que teve a mais favorável repercussão.
Eis como "O Jornal" de 2 de junho descreve o acôrdo final: AOS 600 MIL CRUZEIROS O BOTAFOGO AINDA PREFERIA O JOGADOR
Em seguida, Carlito Rocha comunicou-se com Heleno, que estava em sua residência, solicitando sua presença em Wencesláu Braz. Chegando Heleno, o dirigente alvi-negro informou-lhe do que se tinha passado e acrescentou: — Falta, agora, sua palavra. O Botafogo não terá a menor dúvida em desfazer as negociações com o Boca Junior se você não estiver de acôrdo; se essa transferência não fôr de seu agrado e interesse, pois é oportuno: que você saiba que o Botafogo não tinha maior interêsse em ceder seu passe. Quando estipulou o preço de seu atestado liberatório em 600 mil cruzeiros justamente, na presunção de que não seria aceito. Interessava mais ao clube conservar seu concurso e sua colaboração na campanha deste ano do que a compensação financeira pela sua perda. Assim, se, por acaso, não quiser, você não irá.
Mas, Heleno respondeu que era do seu interêsse seguir, mesmo porque estava com sua palavra empenhada, não mais podendo recuar. — Então, neste caso, — retrucou Carlito Rocha, — foi, também, resolução da diretoria que você lhe escreva uma carta, declarando que segue por livre e espontânea vontade.
MOMENTO SENTIMENTAL
— Bem, assim sendo, — prosseguiu Carlito Rocha, — tudo resolvido, não me resta mais que, como presidente do Botafogo, desejar a você, Heleno, todas as felicidades na nova fase de sua carreira esportiva. E quero igualmente, fazer os mais ardentes e sinceros votos para que, em campos estrangeiros você eleve, ao máximo, o bom nome do foot-ball brasileiro de que você será lídimo representante.
Heleno ouviu em silêncio a peroração de Carlito Rocha. E, ao fim, não disse mais que "muito obrigado", acompanhado de um aperto de mão. Todos, porém, que presenciaram a cena compreenderam que Heleno não podia dizer mais. Era evidente o estado emocional em que se encontrava. Seus olhos estavam marejados d'água e sua voz mal se apercebia. Aliás, também CarIito Rocha sentiu as emoções do momento, do instante em que se despedia do clube um elemento que se tornara verdadeira tradição do Botafogo, tradição que formara pelo empenho, pela dedicação não raro chegando ao sacrifício, com que, durante oito anos, lutara pela defesa de suas côres. E foi justamente em função dêsses sentimentos que Heleno grangeara a parte menos favorável de sua reputação como jogador. Isto porque a irritabilidade, os gestos de contrariedade, o mau modo, enfim, que, inevitavelmente, se associa a toda evocação de seu nome, Heleno os tinha quando via seu quadro em inferioridade técnica ou numérica. Era, portanto, uma demonstração de seu amor ao clube, sentimento este que, ainda uma vez, revelou nas lágrimas que lhe assomaram aos olhos no momento da despedida, no instante em que se consumava o ato que o ia levar para longe do Botafogo."
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 70 de julho de 1948
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Eis os últimos resultados obtidos pelo clube nos vários torneios da F. M. F.:
BOTAFOGO x AMERlCA - em 19 de Setembro
Profissionais: Botafogo, 1 x 0 - Quadro: Oswaldo, Marinho e Santos, Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octávio e Braguinha.
Goal: Santos 1.
Reservas: América, 2 x 1 - Quadro: Matarazzo, Rubens e Sarno, Adão; Orlando e Cid, Antonio José, Jayme, Hamilton, Demóstenes e Reinaldo.
Goal: Hamilton 1.
Aspirantes: Botafogo, 4 x 3 - Quadro: Salvador, Jorge e Eloi, Luiz, Nascimento e ,Rob , Gaúcho, Zézinho, Vivinho, Quissamã e Baduca.
Goals: Gaúcho 2 e Zézinho 2.
Juvenis: Botafogo, 2 x 1 - Quadro: Basílio, Haroldo e Aiélo, Walter, Adalberto e Roberto, Octávio, Darcy, Dino, Binha e, Waldomiro.
Goals: Octavio 1 e Dino 1.
VASCO x BOTAFOGO - Em 24 de Setembro
Profissionais: Botafogo, 2 x 1, Quadro: Oswaddo, Gerson e Santos, Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha.
Goals.: Octavio 2.
Reservas : Empate, 3 x 3 - Quadro: Matarazo, Marinho e Sarno, Adão, Rodrigo e Cid, Antonio José, Jayme, Oswaldinho, Demostenes e Reinaldo.
Goals: Jayme 1, Marinho 1 e Oswadinho 1.
Aspirantes: Vasco da Gama, 3 x 0 - Quadro: Salvador, Jorge e Eloi, Biguá, Gil e Bob, Luiz, Quissamã, Vivinho, Zezinho e Baduca.
Juvenis: Botafogo 2 x 1 - Quadro: Basílio, Aiélo e Haroldo, Octavio, Adalberto e Roberto, Walter, Darcy, Dino, Binha e Waldomiro. •
Goals: Walter 1 e Dino 1.
SÃO CRISTOVÂO x BOTAFOGO - Em 3 de Outubro
Profissionais: Botafogo, 3 x 1 - Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos, Sarno, Avila e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha.
Goals : Paraguaio 2 e Juvenal 1.
Reservas: Botafogo, 4 x 2 - Quadro : Matarazzo, Marinho e Adão; Orlando, Rodrigo e Cid, Zézinho, Oswaldinho, Hamilton, Demostenes e Reinaldo.
Goals ; Hamilton 2, Oswadinho1 e Zezinho 1.
Aspirantes: S. Cristovão, 3 x 2 - Quadro: Salvador, Jorge e Eloi, Biguá, Luiz e Bob, Gaúcho, Quissamã, Vivinho, Nascimento e Baduca.
Goals: Vivinho 1 e Nascimento 1.
Juvenis: S. Cristovão 2 x 1 - Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo, Octavio, Adalberto e Roberto, Walter, Darcy , Dinho,Binha e Joel.
Goal: Joel 1.
BOTAFOGO X CANTO DO RIO - Em 10 de Outubro
Profissionais : Botafogo, 4 x 1 - Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos, Sarno, Avila e Juvenal, Paraguaio , Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha.
Goals: Octavio 2, Braguinha 1 e Pirilo 1.
Reservas: Botafogo, 4 x 1- Quadro: Matarazzo, Marinho e Adão, Ivan, Rodrigo e Cid, Zézinho, Antonio José, Hamil ton, Demostenes e Reinaldo.
Goals: Hamilton 3 e Demostenes 1.
NOTA: - O Canto do Rio não disputou os torneios de aspirante e juvenis.
Resoluções da Diretoria
A Diretoria do Botafogo, em sua reunião de 29 de setembro último, por projeto do vice-presidente dr. Ibsen de Rossi, unanimemente aprovada, resolveu consignar em ata de seus trabalhos e tornar publico, um voto de louvor e de agradecimento ao técnico Alfredo Moreira Junior, ao médico Dr. Newton Paes Barreto e a todos os componentes de nosso valoroso quadro de profissionais, pela excepcional e brilhante campanha desenvolvida no primeiro turno do campeonato carioca de futebol.
Atuação individual de nossos jogadores no encontro com o Vasco da Gama
Eis como Waldir Amaral em "O Campeão", apreciou a atuação individual de nossos cracks no dia da grande vitória contra o Vasco.
Oswaldo - Calmo, firme e preciso, pegou muito, sobre tudo pelo alto.
Gerson - Um dos maiores valores do alvinegro e do gramado. Lutou como um leão durante a fase de predomínio dos cruzmaltinos, salvando o seu arco de quedas eminentes. Está " tinindo" o zagueiro direito botafoguense.
Santos - Muito bom, suprimindo, por vezes, o lado técnico por forte dose de entusiasmo. Ao lado de Gerson e Oswaldo trabalhou com acerto.
Rubinho - Só pela dedicação ás cores que defende merece um lugar ao sol. Mesmo contundido fortemente na perna direita não abandonou a cancha e só nos minutos finais trocou de posto com Paraguaio.
Avila - Preciso na distribuição, trabalhou muito, desdobrando-se no trabalho de defesa e armação do seu ataque.
Juvenal - Outra grande figura da cancha. Lançou-se com bravura no trabalho de defender e atacar, finalizando a partida como dos maiores da cancha.
Paraguaio - no momento o maior extrema direita da cidade. Jovem, impetuoso e corajoso ,deu trabalho e muito aos defensor es de S. Januário.
Geninho - O cérebro organizador de todo o time. Esteve na intermediária e auxiliou o ataque em todos os momentos da contenda.
Pirilo - Foi mais meia do que centroavante propriamente. De qualquer forma prestou valiosa colaboração ao triunfo .
Otavio - Um dos maior em campo. Conquistou magníficos tentos , criando sempre pânico no reduto vascaíno. Está em grande forma.
Braguinha - Fez o que pôde ante a marcação cerrada de Augusto.
Campeonato de Profissionais
JOGOS DO BOTAFOGO E OS RESPECTIVOS JUÍZES
Returno:
1ª rodada: dia 3 de Outubro - São Cristóvão x Botafogo. Juiz: Barrick.
2ª rodada: dia 10 de Outubro - Botafogo x Canto do Rio. Juiz Gama Malcher
3ª rodada: dia 17 de Outubro - Madureira x Botafogo. Juiz: Lowe.
4ª rodada: dia 24 de Outubro - Botafogo x Fluminense. Juiz : Devine.
5ª rodada: dia 31 de Outubro - Folga o Botafogo.
6ª rodada: dia 7 de Novembro - Bonsucesso x Botafogo. Juiz: Barrick.
7ª rodada: dia 14 de Novembro - Botafogo x Bangu. Juiz: Barrick.
8ª rodada: dia 21 de Novembro - Olaria x Botafogo. Juiz : Devine.
9ª rodada: dia 28 de Novembro - Botafogo x Flamengo. Juiz : Devine.
10º rodada: dia 5 de Dezembro - América x Botafogo (Campo do Vasco) Juiz: Lowe.
11.ª Rodada: dia 12 de Dezembro Botafogo x Vasco. Juiz: Ford.
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 74 de novembro de 1948

Botafogo 3 x 1 Vasco
Data: 12/12/1948
Local: Estádio General Severiano
Público: 20.000 (18.321 pagantes)
Árbitro: Mário Vianna
Gols: 1° tempo: Botafogo 2 a 0, Paraguaio e Braguinha; Final: Botafogo 3 a 1, Octávio e Ávila (contra)
Botafogo: Osvaldo Baliza, Gérson e Nílton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirillo, Octávio e Braguinha. Técnico: Zezé Moreira.
Vasco: Barbosa, Augusto e Wilson; Ely, Danilo e Jorge; Friaça, Ademir Menezes, Dimas, Ipojucan e Chico. Técnico: Flávio Costa.
Fonte: WikiPédia
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Resultados do Botafogo
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 70 de julho de 1948
Depois de quasi um mês de descanso, o Botafogo reiniciou suas atividades, seguindo para São Paulo, a convite do valoroso Santos F. C., por via aérea, a 16 de janeiro. A embaixada foi chefiada pelo Sr. Armando Barcelos, dela fazendo parte o Presidente Carlito Rocha, Zezé Moreira, Dr. Paes Barreto, Dr. Luiz Menezes, a senhora Octavio de Moraes, os funcionários Arthur e Aluizo, Macaé e o "Birita", os cracks campeões e os reservas Ary, Marinho, Sarno, Adão, Beracochéa, Osvaldinho, Hamilton e Reinaldo. O Botafogo hospedam-se no Hotel Regente, estreando no Pacaembú na noite de segunda-feira, 17 de janeiro, contra o aguerrido conjunto do Santos, vice-campeão paulista. Jogando admiravelmente e de maneira a impressionar vivamente a critica paulistana, o Botafogo impoz-se ao seu bravo adversário por 5x1, pontos marcados dois por Octavio, um por Braguinha e dois pelo zagueiro Santos, subitamente transformado em artilheiro! Seguiu a 18 o Botafogo para Santos afim de disputar o segundo encontro contra o mesmo clube, no famoso alçapão da Vila Belmiro, onde o Santos manteve-se invicto durante toda a temporada de 1948 e, hospedando-se a delegação no Hotel Bricheman, foi vitima lie estranha e violenta intoxicação que atingira quasi todos os jogadores, na noite de sexta para sábado, deixando mesmo em estado grave - Ary, Paraguaio, Braguinha e Reinaldo. 'Carlito Rocha mandou buscar, no Rio, Demostenes e o quadro jogando com uma fibra extraordinária, no domingo, 23, fazendo de fraquezas, forças e ainda privado de Pirilo, seriamente atingido nos primeiros minutos, confirmam sua vitotoria, merecendo de maneira brilhantíssima por 5x3, pontos de Octavio 4 e Hamilton, tendo Mario Viana, devido a um bandeirinha, anulado um goal licito de Octavio. No final da luta, até Marinho jogou na ponta esquerda! Este sensacional encontro levou a Santos inumeros paredros botafoguenses, COMO os Drs. Luiz Aranha, Adhemar Bebiano, Nelson Cintra e Julio Azevedo. A delegação voltou_ São Paulo a 25 e infelizmente não mais pôde contar com o seu dedicado médico - Dr, Paes Barreto - que seriamente intoxicado, voltou ao Rio, de onde seguiram as esposas de todos os nossos cracks, premio que Carlito Rocha ofereceu-lhes, em um gesto de raro cavalherismo.
Oswaldo, campeão sul-americano e campeão carioca, recebe de Mario Filho, diretor do "Jornal dos Sports", o premio "Oscar", por ter sido o "goal-keeper" menos vazado durante o campeonato disputado em 1948
Eis os últimos resultados obtidos pelo Botafogo:
Botafogo x Vasco da Gama — Em 18 de setembro: Profissionais — Empate, 2x2 — Quadro: Osvaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Cesar, Jaime e Reinaldo. Artilheiro: Jaime 2.
Aspirantes — Empate, 2x2 — Quadro: Salvador, Jorge e Wilson; Biguá, Carlito e Bob, Vivinho, Chico, Zézinho, Baduca e Walter. Artilheiro: Baduca 2.
Juvenis — Botafogo, 5x2 — Quadro: Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Pino, Binha e Waldomiro. Artilheiros: Dino 2, Waldomiro 2, Darcy 1.
Olaria x Botafogo — Em 25 de setembro: Profissionais -- Olaria, 3x1 Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, AviIa e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Cesar, Jaime e Braguinha,
Artilheiro: Paraguaio 1.
Aspirantes — Botafogo, 5x3 — Quadro: Salvador, Jorge e Wilson; Biguá, Carlito e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Baduca e Walter. Artilheiros: Vivinho 2, Geraldo 1, Baduca 1, Chico 1.
Juvenis - Botafogo, 3x1 — Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto, Joel, Darcy, Dino, Binha e Waldomiro. Artilheiros: Dino 1, Darcy 1, Waldomiro 1.
Bonsucesso x Botafogo -- Em 9 de outubro: Profissionais – Botafogo, 2x0 — Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Richard; Paraguaio, Geninho, Baiano, Jayme e Braguinha. Artilheiros: Braguinha 1, Baiano 1.
Aspirantes - Bonsucesso, 1x0 — Quadro: Salvador, Jorge e Wilson; Biguá. Carlito e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Baduca e Walter. Juvenis — Empate, 2x2 — Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Pino, Otavio e Waldomiro. Artilheiros: Joel 1, Dino 1.
Botafogo x Ameriça - Em 16 de outubro: Profissionais — Botafogo, 3x0 Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Zézinho, Geninho, Hamilton, Jaime e Braguinha. Artilheiros: Jaime 1, Braguinha 1, Joel (contra) 1.
Aspirantes — Botafogo, 3x1 — Quadro: Salvador, Jorge e Eloy; Domingos, Luiz Osorio e Bob; Geraldo, Wilson, Vivinho, Gaúcho e Walter. Artilheiro: Vivinho 3.
Juvenis - America, 3x2 -- Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo, David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Dino, Binha e Waldomiro. Artilheiros: Darcy 1, Dino 1.
Vitoriosa excursão a Recife
Aproveitando unia folga na tabela do campeonato, o Botafogo resolveu subitamente excursionar a Recife, para onde embarcou de avião, na manhã de 29 de setembro, sua delegação, chefiada pelo Sr. Francisco Domingos Nastromagario e levando o técnico Zezé Moreira, o médico Dr. Paes Barreto e o jornalista Canõr Simões Coelho.
Nosso quadro, agindo com eficiência e energia, disputou e venceu duas partidas, a primeira no dia 30, à noite e a segunda, na tarde de domingo 2 de outubro, regressando ao Rio no dia seguinte. Foram estes os resultados técnicos alcançados:
1º jogo — Contra o S. C. Recife — Resultado: Botafogo, 3x0 Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Souza (Richard); Paraguaio, Geninho, Cesar (Baiano), Jayme e Braguinha. Artilheiros: Jayme 2, Braguinha 1.
2º jogo — Contra o Santa Cruz — Resultado: Botafogo, 5x0 — Quadro: Oswaldo (Ary), Gerson (Marinho) e Santos, Rubinho, Avila e Souza (Richard); Paraguaio, Geninho, Cesar (Baiano), Jayme (Hamilton) e Braguinha. Artilheiros: Jayme 4, Paraguaio 1.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 86 de novembro de 1949
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A temporada do Malmoe
Mais uma grandiosa iniciativa do Presidente Carlito Rocha é a excursão do Malmoe Fotbool Fornening, de Malmoe, um dos mais poderosos quadros da Suécia, base de sua magnifica seleção, como se depreende da cronica que mais abaixo transcrevemos.Para esta temporada, que se anuncia brilhantissima, o Botafogo obteve o apoio do Flamengo, Fluminense, S. Paulo, Corinthians e Palmeiras, no sistema da caixa unica. Os jogos serão efetuados inicialmente em São Paulo, a 23 de novembro contra o Palmeiras; a 26, contra o São Paulo e a 30 contra o Corinthians, tendo o Botafogo solicitado as datas de 8, 14, 18 e 21 de dezembro para os prélios a serem realizados nesta Capital.
Antes de deixar a Suécia, o Presidente do Malmoe, Sr Eric Persson, endereçou a seguinte bela saudação: "Ao deixarmos, hoje, nossa patria, lá no extremo norte da Europa, dirijo uma calorosa saudação ao nosso anfitrião: --o glorioso Botafogo de Football e Regatas, e ao Brasil que será a nossa legenda na patria querida durante as próximas cinco semanas. Deixamos um inverno rigoroso e vamos de encontro a um verão tropical. Nossos estimados colegas do Arsenal, que há um ano atrás foram hóspedes do Botafogo, nos asseguraram que vamos não só encontrar o calor do verão como tambem, e ainda mais, o calor do coração e da alma dos brasileiros, cuja hospitalidade é uma garantia para o bem estar dos visitantes. A viagem ao Brasil é para nós um sonho. Olhamos os futuros jogos com grandes esperanças e acreditem que tudo faremos para retribuir a confiança em nós depositada pelo povo brasileiro. Estamos satisfeitíssimos pela oportunidade de visitar este grande e belo pais e seu generoso povo, que com tanto brilho ocupam lugar dominante na vida internacional dos povos.Malmoe, 15 de Novembro de 1949. (a.) Eric Persson, Presidente do Malmoe F.F."
Sôbre o Matmoe, eis os preciosos dados que nos chegam através a "United Press":ESTOCOLMO (De Olle Andersonn, da United Press) — Depois de uma temporada-recorde em que obteve 18 vitórias consecutivas o Malmoe F.F. — campeão sueco e "embaixador" dos esportes suecos no Brasil — está sendo apontado pelos técnicos e fãs como o melhor clube jamais surgido na Suécia.
O Malmoe iniciou sua série de vitórias na primavera passada, ganhando os últimos cinco jogos da temporada com um escore de 29 goals ganhos contra 1 perdido; e assim subiu do terceiro para primeiro lugar na tabela, levantando o campeonato. Na atual temporada, o Malmoe F. F. ganhou todos os 26 pontos possíveis, com 13 vitórias consecutivas, marcando 40 goals contra 17 perdidos. A 2 do corrente o Malmoe F.F. — com apenas dois de seus jogadores substituidos por elementos de outros clubes — representou à Suécia num jogo internacional contra Finlandia vencendo por 8x1. O Malmoe F.F. ganhou o campeonato da Primeira Divisão da Liga Suéca duas vezes nestes últimos seis anos — 1944 e 1949. Duas vezes chegou em segundo lugar, as outras duas em terceiro. Disputou ainda numerosos matches fora da Suécia, obtendo muitas importante, vitórias nestes últimos anos. Assim, em 1947 derrotou o Racing Club de Paris, por 7x0, e no ano passado sua vitória mais assinalada foi sobre o team suiço em Zurich, batido por 2x0.
O Malmoe F.F.é hoje o maior clube atlético de amadores, com cêrca de 2000 membros e dividido em sete seções: futebol, hockey no gêlo, tenis, handball, badminton, boliche e bridge. Foi fundado em 1910 e durante seus primeiros 25 anos de existência só se dedicava ao futebol.
Na atual temporada, a composição do team do Malmoe F.F. foi a seguinte: Goleiro — Heige Bengtsson, de 32 anos, ferroviário maquinista. Vem defendendo o goal do Malmoe F.F. há 8 anos. Zagueiros — Hans Malstroem e Erik Nilsson. Este último, um mecânico de 33 anos, já representou seu clube em 1944 quando conquistou o primeiro campeonato suéco, e ainda continua em plena forma. Nilsson tem jogado em várias partidas internacionais, tendo sido um dos que ganharam medalha de ouro nas Olimpiadas de 1948 em Londres.
Halves - Kjell Rosén, Sven Hjertsson e Kjell Hertsson. Rosén, foguista de 28 anos, figurou em 19 jogos internacionais. Tendo sido machucado em principios de outono, só jogou durante um mês na presente temporada. Mas domingo atrasado reapareceu jogando de forma excelente. Sven Hjertsson figura no Malmoe F.F. há 14 anos. Começou aos 11 anos de idade no team de juniors, avançando depois para o team "A".
Atacantes Egon Joenson, Vae Elk, Ingvar Rydell, Karl Palmér e Stellan Nilsson.
Egon Joenson --apelidado de "Joenson secreto", porque tem o costume de marcar goals nos ultimos segundos, sendo assim a arma secreta do Malmoe um dos ponta-direitas mais rápidos da Suécia. Karl Palmér, com apenas 20 anos, jogou neste outono sua primeira temporada no team "A", e com tanto sucesso que foi indicado por duas vezes para o team internacional. Ingvar Rydell, de 27 anos, representa seu clube há cinco anos, sendo hoje considerado um dos mais destacados atacantes suecos. Também Stellan Nilsson aos seus 27 anos já figurou em vários jogos internacionais.
Finalmente, às 20 e 10 do dia 16 de novembro, em avião da Scandnavian Airlines System, aportou ao Rio a simpática delegação do campeão suéco, condignamente recebida pelo Presidente Carlos Marfins da Rocha e assim constituida: Chefe — Erik Persson; secretário — Sven Nilssar; técnico Kaiman Konrad; jornalistas — Cari Adam Nicop, do Express de Estocolmo; Strandberg, de Malmoe e Tengner; jogadores, efetivos—Bengson, Malmotrom, Monsson, Gard, Soca Hjardson, Kall Hjadson, Filipini, Topper, Rydell, Aek e Stellan Nilsson. Reservas — Larsan, Kay Rosén e Gustav Nillseen. Não vieram os scratchmen Nillson, Rosem, Egon Joenssen e Palmer que, devendo ainda integrar a seleção suéca, chegarão somente a 24.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 87 de dezembro de 1949
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Campeonato Carioca
Resultados botafoguenses:BOTAFOGO X CANTO DO RIO - Em 30 de outubro
Profissionais: Botafogo, 7x1. Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Zézinho, Geninho. Pirilo, Octavio e Braguinha. Artilheiros: Pirilo 2, Zézinho 2, Geninho 1, Octavio 1 e Braguinha 1.
Aspirantes: Botafogo, 1x0 --- Quadro: Salvador, Jorge e Haroldo; Domingos, Luiz Osorio e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Gaúcho e Walter. Artilheiro: Geraldo 1.
BANGÚ X BOTAFOGO — Em 6 de novembro
Profissionais: Empate, 1x1. Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Zézinho, Geninho, Octavio, Jayme e Braguinha. Artilheiros: Braguinha 1.
Aspirantes: Bangú, 5x3. Quadro: Salvador, Jorge e Simões; Biguá, Luiz Osorio e Bob; Geraldo, Chico, Vivinho, Baduca e Walter. Artilheiros: Geraldo 1, Vivinho 1, e Walter 1.
Juvenis: Botafogo, 2x1. Quadro: Basilio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Darcy, Dino. Rinha e Waldomiro. Artilheiros: Darcy 1, fino 1.
BOTAFOGO x MADUREIRA – Em 13 de novembro
Profissionais: Botafogo, 5x2. Quadro: Ary, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha.
Artilheiros: Geninho 2, Pirilo 2, Braguinha 1.
Aspirantes: Botafogo, 5 x 0. Quadro: Luiz Miranda, Jorge e Simões, Chico , Luiz Osório e Bob, Geraldo, Walter, Vitinho, Baduca e Esquerdinha.
Artilheiros: Vivinho 2, Baduca 2, Esquerdinha 1.
Juvenis: Botafogo 10x0. Quadro: Salvador, Joel e Haroldo, David, Adalberto e Roberto, Lyra, Darcy, Dino, Binha e Waldomiro.
Artilheiros: Dino 5, Lyra 2, Darcy 1, Binha 1, Waldomiro 1.
Acervo particular Alceu de Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 87 de dezembro de 1949
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