FUTEBOL MASCULINO DECADA DE 50

 


Campeonato Carioca 
Eis os resultados verificados nos últimos jogos do Botafogo:
Fluminense x Botafogo — Em 20 de novembro — Profissionais: Fluminense, 2 x 1 — Quadro: Ary, Gerson e Marinho; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octavio e Braguinha. Artilheiro: Octavio 1. 
Aspirantes: Fluminense, 4 x 2 — Quadro: Salvador, Jorge e Simões; Biguá, Carlito e Bob; Geraldo, Zézinho, Vivinho, Baduca e Walter. 
Juvenis: Fluminense, 1 x 0 — Quadro: Brasílio, Aiélo e Haroldo; David, Adalberto e Roberto; Joel, Dares, Dino, Binha e Waldomiro. 
Botafogo x Flamengo — Em 27 de dezembro. Profissionais: Flamengo, 2 x 1 — Quadro: Salvador, Gerson e Marinho; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Zézinho, Octavio e Braguinha. Artilheiro: Zézinho 1. 
Aspirantes: Botafogo, 2 x 1 Quadro : Miranda, Jorge e Simões; Biguá, Carlito e Osório; Geraldo, Chico, Vivinho, Baduca e Walter. Artilheiros: Geraldo 1, Walter 1. 
Juvenis: Flamengo, 4 x 2 -- Quadro: Basilio, Frederico e Aiélo; David, Adalberto e Roberto; Torós, Lyra, Dino, Binha e Joel. Artilheiros: Torós 1, Dino 1.
 Botafogo x São Cristovão — Em 4 dezembro Profissionais: Botafogo, 2 x 0 — Quadro: Ary, Gerson e Marinho; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Jayme, Octavio e Braguinha. 
Aspirantes: Botafogo, 7 x 3 — Quadro: Miranda, Jorge e Simão; Biguá, Carlito e Bob; Geraldo, Osório, Vivinho, Baduca e Walter. Artilheiros: Vivinho 4, Osório 1, Baduca 1, Walter 1. 
Juvenis: Empate, 1 x 1 — Quadro; Basilio, David e Aiélo; Octavio, Adalberto e Roberto; Joel, Lyra, Dino, Binha e Waldomiro. Artilheiro : Dino 1.
Vasco da Gama x Botafogo - Em 11 de dezembro. Profissionais: Vasco, 2 x 1 — Quadro : Ary, Gerson e Marinho; Rubinho, Ávila e Juvenal; Zézinho, Geninho, Octavio, Jayme e Braguinha. Artilheiro: Zézinho 1. 
Aspirantes: Vasco, 2x0 - Quadro: Miranda, Jorge e Simões; Biguá, Carlito e Bob, Geraldo, Wilson, Vivinho, Baduca e Walter. Artilheiros: Dino 2, Darcy 1. 
Temporada do Malmoe 
A temporada do Malmoe, o simpático e famoso campeão sueco, não tem alcançado o sucesso das anteriores temporadas britânicas, promovidas pelo Botafogo, certamente porque o Malmoe extranhou o nosso clima . Assim, estreando em São Paulo, a 23 de novembro, em prélio que rendeu Cr$ 469.661,50, o Malmoe caiu por 5 x 0 frente ao Palmeiras, derrota que se reproduziu por 6 x 0, a 26 de novembro, frente ao São Paulo, bi-campeão paulista, com a renda de Cr$ 277.880,00. Já a 1º de dezembro, em uma noite de chuva e portanto, em terreno pesado, o Malmoe rehabilitou-se, empatando por 4 x 4 com o forte quadro do Corintians e demonstrando possuir um quadro bem melhor do que o que se pensava após os primeiros fracassos. Entrando no Rio, à 8 de dezembro, no estádio de Alvaro Chaves, em uma idêntica noite de chuva torrencial, o Malmoe, mesmo de 4 x 4, empatou com o valoroso team do Flamengo, realizando mesmo uma bonita virada quando perdia por 3 x 1, Palmar, o melhor atacante suéco, marcou dois goals, Ek e Nilson fizeram os restantes, tendo sido este o quadro visitante. Bergtssan, Maansso e Erik Nilsson; Rosen, Sven e Gaert; Joenson, Palmer, Gustav, Ek e Stelan Nilsson. 
A 14 de dezembro, em General Severiano, o Mahnoe enfrentou o Fluminense, em nova noite de chuva e, após dura luta, foi vencido por 2 x 1, demonstrando o seu quadro, onde, como, sempre, destacou-se o excelente médio Rosen, muito melhor adaptado.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 88 de janeiro de 1950
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Temporada do Malmoe

A temporada do simpático campeão sueco no Brasil, promovida pelo Botafogo, findou na segunda quinzena de dezembro último, com mais dois jogos, nos quais o Malmoe foi vencido pelo Flamengo e pelo Botafogo, por 3x0 e 7x4 respectivamente. 
O nosso jogo foi realizado em General Severiano, na noite de 21 de dezembro, tendo o Botafogo apresentado a seguinte equipe que, atuando magnificamente marcou no primeiro tempo, o score de 5x0: Ary; Marinho e Jair; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Zezinho, Octávio e Demóstenes. Para o segundo tempo, com o intuito de descansar alguns jogadores, o Botafogo colocou Salvador, Souza, Richard, Vivinho e Baiano em lugar de Ary, Avila, Juvenal, Paraguaio e Geninho respectivamente, e a produção do quadro declinou, como era natural, permitindo a contagem exdrúxula de 7x4 com a qual findou a luta, tendo sido os pontos alvi-negros consignados por Octávio 3, Geninho, Paraguaio, Zezinho e um defensor sueco contra suas cores. De qualquer forma é útil salientar que si a temporada não correspondeu técnica e financeiramente, trouxe, em compensação, o proveitoso resultado do estreitamento de relações com, um grande e admirável povo. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 89 de fevereiro de 1950
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Torneio Rio-São Paulo 
Vem alcançando grande sucesso o Torneio Rio-São Paulo, disputados por quatro clubes da capital (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco) e quatro grêmios bandeirantes (São Paulo, Corintians, Palmeiras e Portuguesa), sendo os seguintes os resultados já verificados em nossos jogos: 
S. PAULO X BOTAFOGO — Em 4-1-50. Local: Pacaembú. Resultado: São Paulo, 5x4. Quadro: Ary; Marinho e Jair; Rubinho, Avila e Juvenal; Hamilton (Vivinho) , Geninho, Zezinho, Octávio e Demóstenes (Jaime). Artilheiros: Octávio 2, Zezinho, 2. BOTAFOGO X FLUMINENSE — Em 15-1-50. Local: São Januário. Resultado: Fluminense, 2x0. Quadro: Ary; Gerson (Marinho) e Jair; Rubinho, Avila e Juvenal; Hamilton (Jaime), Geninho, Zezinho, Octávio e Demóstenes (Reinaldo). 

A despedida de Ivan 
Ivan José Macahyba Dias, o valoroso half-back que desde 1940 defende valentemente as nossas cores, tendo resolvido abandonar o futebol, enviou à diretoria a seguinte belíssima carta : "Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1949. Diretoria do Botafogo de Futebol e Regatas — Nesta. Sr. Presidente e Srs . Diretores. Impossibilitado por motivo de ordem particular de continuar a prestar minha modesta colaboração ao Clube que, por um lustro tive a honra de servir, venho, contra os meus desejos, pedir o cancelamento do registro de meu nome do quadro de profissionais do Botafogo F. R.. 
Não encontro palavras para exprimir o pesar que sinto tomando esta atitude. Tendo passado os melhores anos de minha juventude junto ao Clube, conside-ro-o há muito, um prolongamento do meu lar. Guardo do meu convívio com a botafoguense as mais gratas recordações. 
Jamais sairão de minha lembrança os momentos ai vividos. Vibrei com as vitórias e sofri com as derrotas como qualquer botafoguense de coração: a condição de profissional não me impedia de assim sentir. Não conheci a palavra esmorecimento em nenhum instante, nas em que intervi, mesmo quando se nos apresentava um resultado adverso, considerei uma vitória perder 
Vestir a camisa que glorificou amadores como Mina Sodré, Luiz Menezes e Murtinho Braga e tantos outros de saudosa memória foi para mim honra suprema e creiam ,sempre empreguei o máximo de meus esforços no sentido de não desmerecer aqueles que em outra época, foram ao sacrifício pela vitória, defendendo cores alvi-negras da nossa bandeira.
Se tivesse outra mocidade, dedicá-la-ia Botafogo! Infelizmente isso não é possível, pois ao tempo ninguém impede a marcha. Resta-me o consolo de que guardo minhas chuteiras, orgulhoso de te-las usado na defesa de um clube como Botafogo, o que sempre fiz com dedicação, cumprindo com o meu dever de atleta.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 89 de fevereiro de 1950
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Torneio Rio-São Paulo 

Em prosseguimento do interessante torneio Rio-São Paulo, o Botafogo disputou os seguintes encontros: 
BOTAFOGO X PORTUGUEZA — Em 22-1-50. Local: São Januário. Resultado: Portuguesa, 5 x 3. Quadro: Ary; Marinho e Jair; Rubinho, Avila e Juvenal; Hamilton (Baiano), Geninho (Souza), Zezinho, Octavio e Reinaldo (Demóstenes). Artilheiros : Zézinho, Octavio e Géninho. 
BOTAFOGO X PALMEIRAS — Em 29-1-50. Local: São Januário. Resultado: Botafogo, 3 x 0. Quadro: Oswaldo; Gerson e Santos (Jair); Rubinho, Avila e Juvenal (Richard), Hamilton, Geninho, Zézinho, Octavio e Jaime. Artilheiros: Zézinho, 2 e Jaime. 
BOTAFOGO X VASCO DA GAMA — Em 5-2-50. Local: São Januário. Resultado: Vasco, 3x2. Quadro : Oswaldo; Marinho e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal, Paraguaio (Hamilton, Baiano), Geninho, Zézinho, Octavio (Sousa) e Jaime. Artilheiros: Zezinho e Hamilton 
BOTAFOGO X FLAMENGO — Em 11-2-50. Local: General Severiano. Resultado: Empate, 2 x 2. Quadro : Oswaldo; Gerson (Marinho) e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Hamilton (Néca), Geninho, Zézinho, Octavio e Jaime (Reinaldo). Artilheiros: Juvenal e Octavio. 
BOTAFOGO X CORINTIANS — Em 15-2-50. Local: Pacaembú. Resultado: Empate, 1 x 1. Quadro: Oswaldo, Gerson e Santos; Rubinho, Avila e Juvenal (Richard), Zézinho, Geninho, Neca (Hamilton), Octavio e Jaime (Reinaldo). Artilheiro: Octavio. 

Proxima excursão 
Muito breve o nosso quadro de profissionais realizará interessante excursão, devendo estrear a 15 de março na Ven-zuela, onde disputará três jogos, seguindo, após, para Cuba, onde preliará outras três vêzes. Possivelmente, de Cuba, nossa delegação seguirá para o México,  ,sendo que dêste pais talvez siga para a Suécia, afim de cumprir o amável convite do Malmoe. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 90 de março de 1950
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Treinos e Excursões 

Nosso quadro vem treinando ativamente para a próxima excursão à Venezuela e dia 26 de março. Em um dos últimos ensaios assim se apresentaram os dois conjuntos: Titulares — Salvador; Gerson e índio; Rubinho, Avila e Juvenal; Zezinho, Geninho, Octavio, Néca e Braguinha. Suplentes — Oswaldo; Rubem e Jair; Adão, Souza e Richard; Hamilton, Demostenes, Cesar, Jaime e Reinaldo.
Pirilo e Paraguaio, há longo tempo contundidos, felizmente já reiniciaram os exercicios e Santos, como se sabe, foi convocado pela Federação Metropolitana de Futebol para a defesa do selecionado carioca no campeonato brasileiro. Entrementes, nossos quadros mixtos secundários, cuidando, também, de seu preparo, iniciaram suas excursões por São João Nepomuceno, onde o Botafogo se exibiu no domingo, 5 de março, vencendo o seu homonimo local por 5x2, com goals de Wilson 1 (2) (um ponta vindo da seleção fluminense de amadores), Moacyr (2) e Baduca. O dedicado consócio Mario de Oliveira Guimarães chefiou a delegação e o quadro foi o seguinte: Hugo, Jorge e Adão (Jaú); Bolinho (Adão), Souza e Brito; Wilson 1, Telê, Moacyr, Baduca e Quissamã. 
No domingo seguinte, 12 de março, nova excursão, dessa feita sob o comando do consócio Sr. Peixoto e o Barra do Pirai, onde perdemos para o Royal Esporte Clube por 2x1. Telê conquistou o nosso goal e o quadro foi êste: Hugo; Jorge e Adão (Jaú); Bolinha (Adão), Souza e Brito; Wilson 1, Telê, Moacyr, Baduca e Waldomiro. 

Reminiscências 
No momento em que se disputa a melhor de três para a decisão do campeonato brasileiro de futebol, é de todo a oportunidade relembramos a atuação de nossos cracks de outrora nos selecionados cariocas, transcrevendo as seguinte, relações: Relação dos jogadores do Botafogo que atuaram no scratch carioca contra o paulista, nos jogos das celebres taças "Correio da Manhã", "Rodrigues Alves" e "Hébe e Fuchs", disputados de 1913 a 1920: 
1913 — Rio — Empáte, 0x0 — Rolando de Lamare, Benjamin e Lauro Sodré, 
1914 — Rio — Empate, 1x1 — Rolando de Lamare, Luiz M da Rocha e Benjamin Sodré. 
1914 — S. Paulo — Paulistas, 4x2 —Rolando de Lamare e Luiz Martins da Rocha. 
1915 — S . Paulo — Paulistas, 2x1 —Rolando de Lamare, Luiz Menezes e Benjamin Sodré (1 goal). 
1915 — Rio — Cariocas, 5x2 — Rolando de Lamare, Luiz M. da Rocha, Luiz Menezes (2 goals) e Benjamin Sodré. 
1915 — S. Paulo — Paulistas, 8x0 — Rolando de Lamare, Luiz Menezes e Benjamin Sodré. 
1916 — S. Paulo — Paulistas, 5x0 —Luiz Menezes e Aluizio Pinto. 
1916 — Rio — Paulistas, 3x1 Osni Werner, Rolando de Lamare e Luiz Menezes (1 goal). 
1917 — S. Paulo — Paulistas, 9x1 —Francisco Police. 
1918 — S. Paulo — Paulistas, 4x2 — Luiz Menezes. 
1918 — Rio — Cariocas, 2x1 Benedito Santos e Luiz Menezes.
1918 — S. Paulo — Paulistas, 8x1 — Carlos de Freitas Lima e Benedito Santos.
1918 — São Paulo — Paulistas, 5x0 — Alfredo Monti, Francisco Police, Eduardo Beberegaray e Augusto Menezes. 
1919 — S .Paulo — Paulistas, 3x1 —Alfredo Monti e Luiz Menezes. 
1920 — Rio — Paulistas, 7x1 — Augusto Oliveira, Alfredo Monti, Sylla Soares, Luiz Menezes e Augusto Menezes. 
1920 — S. Paulo — Empate, 2x2 Alfredo Monti. 
Jogaram: Luiz Menezes         9
Rolando de Lamare                7
Benjamin Sodré                      5
Alfredo Monti                          4
Luiz Martins da Rocha            3
Francisco Police                      2
Benedito Santos                      2
Augusto Menezes (Petiot)       2
 Lauro Sodré Filho                   1
 Aluizio Pinto                            1
Carlos Freitas Lima (Casusa)  1 
Eduardo Beheregaray              1 
Augusto Oliveira                       1 
SyIla Soares                             1 
Osny Werner                            1 
Total: 15 jogadores. 
Goals: Luiz Menezes   3 Benjamin Sodré   1 
Relação dos jogadores do Botafogo que figuraram nos scratchs cariocas aos campeonatos brasileiros de futebol de 1922 a 1933. 
1922 -  Haroldo Joppert, 4 jogos; Luiz Palamone, 4; Joaquim A. Leite de Castro. 4; Alfredo Silva, 2. 
1923 —Luiz Palamone, 3; Silvio Serpa (Alemão), 3. 
1924 --- Eugênio Couto, 1 
1925 - Joaquim A. Leite de Castro, 1. 
1927 — Nilo Murtinho Braga, 4 (12 -goals). 
1928 — Nilo Murtinho Braga, 4 (5 goals); Rogério Braga Filho, 1 ,(3 goals); Estanislao Pamplona, 1. 
1929 — Nilo Murtinho Braga, 6 (4 "goals"). 
1931 — Marfim Macio Silveira, 3; Carlos Carvalho Leite, 3 (1 "goals"), Nilo Murtinho Braga, 2. 
1933 — Roberto Pedrosa, 2; Oswaldo Lobo (Badú), 2; Afonso de Azevedo Carneiro, 2 (1 "goals"), Ariel Nogueira, 2 — Estanislau Pamplona, 2; Atila, 2; Carlos Carvalho Leite, 2 (3 "goals"); Jayme Terra, 2. (2 "goals"); Alberto Piragibe Lemos, 1 (1 "goal"); Nilo Murtinho Braga, 1 (2 "goals"). 
Total — Jogaram: 
Nilo 17, 
Palamone 7, 
Carvalho Leite 5, 
Haroldo 4, 
Alemão 3, 
Pamplona 3, 
Marfim 3, 
Alfredo 2, Pedrosa 2, Badú 2, Afonso 2, Ariel 2, Atila 2, Jayme 2, 
Couto 1, Rogério 1, Pirica 1. 
Total: 18 jogadores. "Goals" — Nilo 23, Carvalho Leite 4, Rogério 3, Jayme 2, Afonso 1, Pirica 1. 
Total — 34 "goals". Nota — Nilo, quando afastado do club, disputou 13 jogos (13 "goals") dos campeonatos de 1922-23-24 e 25 ,o que lhe dão um total de 30 jogos e 36 "goals".

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 91 de abril de 1950
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Excursão à Venezuela 
Finalmente, após uma série de marchas e contra marchas, com a chegada de Silenio Cuello, o Botafogo decidiu sua excursão para urna série de matchs na Venezuela, Guatemala, Salvador e talvez outros países. 
O grosso de nossa delegação seguiu no avião da Aerovias Brasil das 4 horas e 55 minutos da manhã de 12 de abril, pernoitando em Belém e chegando a Caracas na tarde seguinte. 
Como chefe foi o Dr. Carlos de Carvalho Leite, seguindo os jogadores Osvaldo, Gerson, Nilton Senra, Rubinho, Avila, Richard, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octávio, Braguinha, Indio, Souza, Jaime e Zezinho, o roupeiro Aloisio e D . Olga de Moraes, esposa do crack Otávio. 
Na manhã de domingo, 16, seguiram o nosso bom amigo Paulo Medeiros, que foi o jornalista designado, e os jogadores Jair, Néca, Salvador, Hamilton e Juvenal, sendo que êste deixou de acompanhar a primeira léva porque ainda estava em tratamento de uma desagradável contusão no nariz. 
O Botafogo estreou brilhantemente no dia 16, abatendo o quadro da Universidad por 6 x 1. Segundo telegrama da United Press, Octavio marcou quatro goals e Pirilo e Geninho completaram a contagem, tendo Osvaldo defendido um penalty. 
Jogos amistosos 
Nossos quadros mixtos prosseguem em suas competições amistosas e assim, a 25 de março, uma equipe alvi-negra tomou parte com sucesso em festival da Light, abatendo, no campo do Tração, à noite, o Gás Atlético Clube por 5 x 1, pontos de Dino 2, Moacyr 1, Binho 1 e Baduca 1. 
O Botafogo recebeu cativante homenagem e conquistou uma linda taça, tendo agradecido, em belas palavras, o nosso diretor, Dr. Alberto Ribeiro dos Santos. Foi êste o quadro vitorioso: Miranda (Gilson); Aiéllo e Haroldo; Fred (Carlos), Octavio e Roberto; Wilson (Darcy), Moacyr, Dino, Binha (Baduca) e Waldomiro (Walter) . 
A 2 de abril, outro quadro botafoguense, sob a direção de Nilton Cardoso, excursionou a Campos, onde, no campo do Goitacazes, abateu o Campos A. A. por 4 x 2, pontos de Caréca 2 e Vivinho 2.
Apresentando-se assim organizado: Gilson; Jorge e Floriano; Brito (Bolinha), Carlito e Adão; Geraldo (Wilson), Caréca, Vivinho, Baduca (Moacyr) e Quissamã (Walter). 
A 16, em Nova Iguassú, vencemos a A. A. Filhos de Iguassú por 7 x 3, pontos de Baduca 3, Moacyr 2, Helcic 1 e Careca 1 e este quadro: Matarazzo (Hugo) ; Jorge e Floriano; Brito (Bolinha), Carlito e Adão (Ivan); Geraldo (Helcio), Careca, Moacyr, Baduca e Reinaldo (Walter). 
Os veteranos 
Éste ano os botafoguenses do Club dos Veteranos Cariocas estão dispostos a reaparecer nos campeonatos e torneios da saudade, que há tanto tempo não se realizavam. O Presidente Carlito Rocha, solicitado pelo Club dos Veteranos para incluir o Botafogo nas disputas, designou nosso glorioso campeão Alvaro Gonçalves da Rocha, o bravo ponta direita de 1930- 1940 para chamar seus velhos companheiros de lutas e, na manhã do domingo, 2 de abril, em General Severiano, efetuar-se o primeiro match-treino, contra o quadro do Astralo, que foi vitorioso por 2 x 1. Defenderam nossas cores: C. Lima; Mato Grosso e Dunga; Aloisio, Zézé Moreira (Waldemar) e Ruy; Alvaro, Bianco (Melinho), Carvalho Leite, Armandinho e Luiz Nobs. 
A 16, no estádio do Bangú, efetuou-se com grande sucesso, o torneio inicio, o qual foi disputado por 12 clubes: Bangú. Sampaio, Botafogo, Madureira, Portuguel-sa, Bonsucesso, América, Flamengo, Vasco, Cocotá, Nacional e São Cristovão. Nosso quadro, vencido por 1 x 0 pelo Madureira, foi o seguinte: Ney; Mato Grosso e Américo; Ruy, Aloisio e Salomão; Alvaro, Armandinho, Nelson I, Nelson II e Oto. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 92 de maio de 1950
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VOLTA AO REGIME ANTIGO
A direção técnica do Botafogo resolveu sugerir à presidência a volta do regime das concentrações cm General Severiano, já que vários jogadores vêm fugindo ao cumprimento de suas obrigações profissionais. Estudando o pedido do técnico Carvalho Leite, o presidente Carlito Rocha, resolveu, em princípio; considerar necessaria a concentração, estendendo-se contudo no rigor da medida adotada. Assim é que a partir das quintas-feiras, quando o Botafogo tiver jogos programados os seus jogadores ficarão rigorosamente concentrados na sede alvinegra sob o controle do próprio técnico Carvalho Leite. Podemos tambem adiantar que o Botafogo não transigirá na disciplina. O programa traçado por Carvalho Leite terá que ser rigorosamente cumprido pelos profissionais, que tudo recebem do club.
Assim é que o ponteiro Jaime já foi dispensado, e a mesma medida poderá ser tomada com referência a outras jogadores que não vêm correspondendo no terreno da ordem e da disciplina, fatores considerados imprescindíveis na fase de reabilitação que o Botafogo pretende empreender a partir da terceira rodada.

Fonte: Jornal A Noite nº 13567 de 17 de agosto de 1950
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No Torneio "Carlos Martins da Rocha" o BOTAFOGO no jôgo contra o Olaria, disputado em 4 de maio, venceu por 6 x 1. Em disputa com o Vasco da Gama, nosso quadro levou a melhor vencendo pelo score de 4 x 1. Ao encerrarmos esta edição faltavam ser disputados os jogos com o Bonsucesso, Canto do Rio e Fluminense, clubes êstes componentes da série "Fábio Horta". Os vencedores desta série disputarão as semifinais com os vencedores da série "Cyrilo Castex" nos dias 22 e 25 de junho e as finais no dia 29. O time do BOTAFOGO vêm desenvolvendo grande atuação frente a seus adversários, apesar da ausência de seus titulares. Que isto nos sirva de teste para uma possível renovação de valores num futuro próximo

Acervo particular: Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 92 de junho de 1952
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CAMPEÕES OS INFANTIS DO BOTAFOGO 

Nossos briosos garotos, dirigidos por Sobral e Nenem, vêm de levantar invictamente o Campeonato de Futebol dos animados Jogos Infantis, promovido pelo "Jornal dos Sports". O quadro que conquistou cinco brilhantes vitórias, estava assim constituído: Waldemar, Paulo e Otelo; Roberto, Ronald e Luiz Carlos; Placiano, Sérgio, Ivan, Adilson e Hugo. 
1ª Vitória — BOTAFOGO x Glória — BOTAFOGO, 11x0. Goals — Ivan (5), Sérgio (4) e Hugo (2). 
2ª Vitória — BOTAFOGO x Progresso — BOTAFOGO, 3x1 Goals — Sérgio (2) e Hugo (1). 
3ª Vitória — BOTAFOGO x Fluminense — BOTAFOGO, 2x1 Goals — Ronald (1) e Sérgio (1). O tempo regulamentar terminou empatado de 1x1. 
4ª Vitória — BOTAFOGO x Colúmbia BOTAFOGO, 5x0 Coals — Sérgio (3), Ronald (1) e Hugo (1). 
5ª Vitória — BOTAFOGO x Bangu BOTAFOGO, 3x0 Goals — Sérgio (2) e Hugo (1). 
Como se vê, foram cinco vitórias em cinco jogos, com 24 goals pró contra 2, tendo o notável guri Sérgio marcado nada menos do 11 pontos. Parabéns aos bravos campeões.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 94 de julho de 1952 -.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
BOTAFOGO 2 X 0 AMÉRICA

Por incrível que pareça, a verdade é que o América deu a impressão de que não queria vencer o Botafogo. Pôde ter sido apenas uma suposição do público que compareceu à tarde de domingo último ao Estádio do Maracanã para assistir ao último cotejo do ano entre os dois tradicionais clubes da cidade — mas os que viram atuar os rubros tiveram essa impressão e chegaram a essa conclusão em face, mesmo, das condições em que se desenvolveu a partida, praticamente toda favorável ao quadro da camiseta sangüínea. Aliás, no ano passado, ocorreu fato semelhante. E então poucos quiseram acreditar, porque a vitória do América então constituía um passo a mais, gigantesco, para a conquista do título. O certo, porém, é que, no ano passado, quando o América deveria vencer — forçosamente — porque era o lider e estava melhor armado, o Botafogo lhe fez todas as concessões possíveis — inclusive jogando pessimamente para que o triunfo coubesse aos adversários. 
Os rubros, entretanto, não quiseram nada (!) com a vitória — tanto que chegavam até ao arco de Osvaldo e atiravam com visível displicência. A coisa deu na vista, o público começou a vaiar — e então, forçando um pouco o jogo, o Botafogo (por motivos completamente alheios à sua vontade...) conquistou dois tentos. E venceu o jogo. Venceu o jogo e desbancou o América da liderança. 
DISPLICÊNCIA BEM VISÍVEL 
Para o América a vitória sobre o Botafogo, no match de domingo passado, só serviria para confirmar o triunfo alcançado no turno pela contagem de dois a zero. Nada mais. Para o Botafogo, entretanto, a vitória teria expressão, desde que o conservaria no terceiro posto e o deixaria com liberdade para conservar os olhos fitos em Teixeira de Castro e em Caio Martins, onde o Fluminense andava às voltas com o Bonsucesso e o Bangu cotejando com o Canto do Rio. Isso de nada adiantaria para o Botafogo desde que os tricolores triunfaram por três a um e os banguenses golearam os cantorrienses pela contagem de onze a três. De qualquer maneira a vitória interessaria mais ao clube de General Severiano do que ao grêmio de Campos Sales — nunca porém se poderia pensar que o América entregaria o jogo como entregou. Mas os rubros procuraram disfarçar empenhando-se com energia, realizando perigosas e decisivas investidas sobre a meta botafoguense.
Mas o momento culminante de arrematar era visivelmente perturbado por uma jogada falha que redundava na saída da pelota peIas linhas de fundo do campo. Jamais qualquer jogador rubro atirou com visão de gol — inclusive Godofredo cobrando um pênalti deixou claro a sua intenção de atirar de maneira que Osvaldo defendesse.

C0M0 ATUOU MAL O BOTAFOGO
O que talvez os rubros não esperavam é que o Botafogo jogasse tão mal. Porque talvez não contasse com Pirilo no comando, o ataque esteve abaixo da crítica, os seus integrantes não entendendo as jogadas de passes e falhando nas penetrações que raramente foram profundas embora tudo facilitasse a defesa rubra — não facilitado escandalosamente porque aí então seria mesmo um escândalo. Otávio, Zezinho, Braguinha e Paraguaio perderam oportunidades incríveis nos arremates — e na hora de vencer, quando o público já estava ficando impaciente, foi preciso que o médio Juvenal arriscasse a entrada na área para atirar contra a meta. Atirou fraco, rasteiro, e Osni fez a defesa em mergulho. Largou a bola e dormiu sobre os braços cruzados, enquanto a bola rolava "frouxa" para Juvenal, que então, mansamente, a mandou para o seu destino. Não foi, todavia, apenas a ofensiva botafoguense que jogou mal. A defesa, considerada a melhor da cidade, esteve sofrível — por mais que todos se esforçassem para acertar, e às vezes acertava mesmo.

Gerson e Santos andaram indecisos e rebatendo mal, e a intermediária esteve tão descuidada na marcação, falhando tanto nas suas intervenções, que os rubros nâo viam outra maneira senão penetrar, senão invadir a área contrária — e uma vez invadida a área, quando era mais fácil atirar para a frente, Maneco ou Ranulfo, ou qualquer outro, atiravam era para trás ou procuravam driblar até perder a pelota. E se atiravam para a frente, forçados nessa emergência, seria sempre para os lados dos travessões... Diga-se ainda que, encontrando o Botafogo num dia pouco inspirado, o América teve que exercer pressão e teve mesmo a seu favor um predomínio territorial absoluto — territorial e técnico. E exercendo esse predomínio, integral, no primeiro período de jogo, surgiu o pênalti de um hands de Arati, o qual foi cobrado com toda a displicência por Godofredo, facilitando a defesa de Osvaldo. E quando terminou essa primeira fase sem que a contagem fosse aberta, o público já estava dominado peia impressão de que os rubros cozinhavam os alvi-negros em "banho maria" para confirmar a tática do "tico-tico no fubá", de que têm sido eméritos... 

A VITÓRIA JÁ ESTAVA PREVISTA 
Tudo parecia mesmo preparado para que a vitória pertencesse ao Botafogo. Os aspectos proporcionados pelo jogo, os lances desenvolvidos, tudo indicava que a vitória estava antecipadamente prevista. E não se diga que o empate alcançado pelos rubros aos vinte e oito minutos do segundo tempo, quando desde os três minutos o Botafogo vencia por um a zero, tento de Zezinho, sem que fosse atropelado pela defesa rubra ou que fosse pelo menos ameaçado — deveria desfazer a impressão de que o América não queria ganhar o jogo. Absolutamente. Maneco chegou em tal situação dentro da pequena área botafoguense que não teve outro remédio senão atirar — e atirar fracamente, não esperando, possívelmente, que assim pudesse vencer a "alergia" de Osvaldo pela defesa: O que é certo, o que não se pode deixar de observar, é que o jogo, em face de haver o Botafogo atuado tão mal, esteve mais para o América do que para o Botafogo. O América teve mais vivacidade, mais movimentação, atacou mais, controlou melhor e predominou. Só não quis mesmo foi fazer alarde de gols — até com Godofredo esperdiçando um pênalti. E o tento de Juvenal foi a única coisa que restava para confirmar a impressão que o público já possuía de que a vitória do Botafogo estava prevista. Osni dormiu de tal modo escandaloso, deixando escapar a bola com Juvenal ao seu lado, que, se o médio não mandasse a bola para o arco seria um verdadeiro escândalo e a perda da última oportunidade para ganhar sem merecimento — desde que o jogo já estava em seu 39º minuto. O Botafogo numa tarde mal inspirada, jogando tão mal, ia deixando o América em palpos de aranha para ganhar uma partida que seria contra sua vontade.

Fonte: Jornal O Globo Esportivo nº 673 de 1952
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Contando com apenas 23 anos, Ruarinho tem uma vida esportiva ainda curta, mas pontilhada de ansiedades e emoções. Com o propósito de oferecê-la aos nossos leitores, fomos ao encontro do craque, para conhecer pormenorizadamente a sua história, desde a bola de meia, nas ruas de Porto Alegre, onde nasceu, até o seu ingresso no Botafogo, onde vem prestando eficiente serviço. 

RUARO — UMA FAMÍLIA DE CRAQUES 
Ao ingressar no Internacional, levado por Felix Manho, que era então o preparador do time e com quem veio a fazer sólida amizade, Rubem Sper Ruaro, o sexto de uma família de craques, deve ter sentido repousar sobre seus ombros todo o peso de um compromisso pesado: o de defender o grande prestígio que a família Ruaro havia conseguido granjear no futebol gaúcho. Antes dele, quatro irmãos seus brilharam nos campos do Rio Grande, terra de tantas glórias do futebol brasileiro. Foram eles, em ordem de aparecimento: Ruaro, do Americano, primeiro, e, posteriormente, do São José F. C; Ruarinho, que, como o nosso Ruarinho, foi também centro-médio, aliás um centro - médio de grandes recursos técnicos, que num choque casual com Ávila teve fraturado o menisco e, em conseqüência, a carreira encerrada; Ruarão, quiper do São José e do Força e Luz e que o carioca viu em 1942 no arco da seleção gaúcha que enfrentou a do Rio pelo campeonato brasileiro; e Humberto, que foi por muito tempo defensor do Cruzeiro F. C, ocupando inicialmente o comando do seu ataque, sendo, depois, por Hirsch, atualmente técnico do Penarol, atualmente transformado em médio-esquerdo.
E o segundo Ruarinho, o caçula, em nada desmereceu o bom nome esportivo da família, tendo-lhe, ao contrário, aumentado o conceito. 
UM INICIO DURO, E A VITÓRIA POR FIM 
Vamos agora passar a palavra ao craque, para sabermos como se desenrolou o período de sua existência que precedeu ao de sua vida de jogador de futebol profissional. Mal passada a meninice, período em que a bola de meia constituia as delícias de todas as horas, conheci o meu primeiro emprego, familiarizando-me muito cedo com as lutas e os problemas do existir. Por insistência de meus pais, que me não queriam ver homem sem uma formação profissional, ingressei como aprendiz de mecânico na Cia. Geral de Industria. Daí, trabalhando de dia e estudando à noite, pude conseguir um lugar nos escritórios da Wigg & Cia., como faturista. E o futebol? — perguntamos. Apesar da dureza do programa que cumpria nos decorrer da semana, no domingo estava a postos na defesa das cores do Bambala F. C, um clube que disputa o campeonato varzeano de Porto Alegre. Aí Ruarinho interrompe a narrativa para uma confissão:
O Bambala é o meu clube do coração, sabe. Foi êle formado com o concurso do pessoal lá de casa. Por êle lutaram todos os meus irmãos, inclusive um que não chegou a figurar no futebol de cima: o extrema-direita Gringo. Esse programa — prossegue Ruarinho — foi mantido até 1949, ano em que ingressei no Internacional, jogando ao lado de dois companheiros que hoje também militam no futebol do Rio — Tesourinha e Adâozinho.

DO INTERNACIONAL PARA O BOTAFOGO 
Com a queda de produção brusca de Ávila, também gaúcho,  ficou o Botafogo desarmado para a campanha de 51. Compreendendo que no caso de Ávila uma recuperação não se daria senão tardiamente, a sua direção técnica concluiu pela necessidade da contratação imediata de um bom centro-médio. Os "experts" botafoguenses voltaram, então, suas vistas para o Rio Grande, onde brilhava Ruarinho nas hostes do Internacional. E êle, como se sabe, acabou vindo para o calor dos aplausos da torcida carioca. Respondendo a uma pergunta nossa, declara o craque que se encontra satisfeitíssimo no "glorioso", perfeitamente integrado na família botafoguense. Ruarinho, e o futuro, como o encara? Tenho muito que aprender ainda, pois me considero apenas na estaca zero da minha carreira. Desejaria realizar-me dentro da profissão que abracei. Estando ainda, como disse, no inicio, sinceramente, não tenho nada concertado para o futuro. Entretanto, gostaria de poder, ao pendurar as chuteiras, contar com meios para estabelecer-me no comércio, para o qual tenho alguma inclinação. Um final tranqüilo, um lar, em última análise, é o que desejo. Assim é Ruarinho — um rapaz modesto, correto, um profissional competente, competentíssimo, não resta dúvida.
Fonte: Jornal O Globo Esportivo nº 673 de 1952
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TORNEIO EXTRA 

Foram êstes os resultado finais do Botafogo no Torneio Extra Carlos Martins da Rocha: 
Contra o Flamengo — Em 21 de Junho — campo do Fluminense — Resultado: — Flamengo 2 x 0. Quadro — Gilson, Haroldo e Floriano; Brito, Ruarinho, (Bob) e R-chard; Paraguaio, Geraldo, Dino, Zezinho e Jaime (Braguinha). 
Contra o América — Em 25 de Junho — Campo do Fluminense — Resultado: — América 2 x 0. Quadro — Gilson, Haroldo e Floriano, Rubinho (Brito), Carlito (Bob) e Richard; Paraguaio, Geraldo, Dino, Vinicius e Jaime (Jarbas). 
COMPETIÇÕES AMISTOSAS
Em São João de Meriti Contra o São Pedro — Em 1º de Maio — Resultado: Botafogo 3 x 0. Quadro — Amauri, Almir e Amaro; Tião, Brito e Paulo Silva (Joãozinho); Mangaratiba, Orlando, (Abel), Vinicius, Baduce e Walter (Jarbas). Também jogaram: Gaida e Ceci. Artilheiros: Baduca 1, Vinicius 1, Jarbas 1. m Juiz de Fora Contra o Esporte Clube — Em 8 de Junho — Resultado: Empate 2 x 2. Quadro — Gilson, Haroldo e Floriano; Rubinho (Brito), Avila e Richard; Paraguaio, Geraldo, Dino (Mituca), Zezinho e Jaime (Braguinha). Artilheiro: Paraguaio 1, Zezinho 1. 
Contra o Tupinambás Em 12 de Junho—Resultado: Botafogo 4 x 3. Quadro — Gilson, Gerson e Floriano; Arati (Brito), Ruarinho (Avila) e Richard; Paraguaio, Geraldo, Dino, Zezinho (Orlando) e Braguinha. Artilheiros: Braguinha 3, Zezinho 1. 
Contra o Tupi — Em 15 de Junho — Resultado: Botafogo 2 x 1. Quadro — Gilson, Gerson e Santos; Arati, Ruarinho e Richard, Paraguaio, Geraldo, Dino, Zezinho e Braguinha (Jaime). Artilheiro: Zezinho, 2. 
Em Pádua Contra o Paduano — Em 13 de Junho — Resultado: Botafogo 3 x 1. Quadro — Amauri, Thomé (Almir) e Jorge; Rubinho, Carlito e Bob (Calico), Mangaratiba, Pirilo, Vinicius, Baduca e Abel (Jarbas). Artilheiros: Baduca 1, Jarbas 1, Pirilo 1.
 Contra o Paduano — Em 15 de junho Resultado: Botafogo 2 x 0. Quadro — Amauri, Thomé (Almir) e Jorge; Rubinho, Carlito e Bob (Calico); Mangaratiba, Pirilo, Vinicius (Tião) e Abel (Jarbas). Artilheiros: Mangaratiba 1, Baduca 1. 
Em Campos 
Contra o Goitacaz — Em 29 de Junho — Resultado: Botafogo 5 x 1. Quadro — Oswaldo (Gilson), Gerson (Haroldo) e Santos; Arati, Ruarinho e Juvenal (Richard) ; Paraguaio (Braguinha), Geninho (Orlando), Octávio (fino), Vinicius e Braguinha (Jaime). Artilheiros: Paraguaio 1, Dino 1, Octávio 3. 
No Rio Contra o Santos — Em 3 de ju-ho — Em nosso campo — A noite. Resultado: Botafogo 3 x 0. Quadro: Oswaldo, Gerson (Haroldo) e Santos; Arati, Ruarinho e Juvenal (Carlito) ; Paraguaio (Jarbas) , Geninho, Octávio, Zezinho e Braguinha. Artilheiros: Paraguaio 1, Juvenal 1, Zezinho 1. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 95 de agosto de 1952
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A BRILHANTE EXCURSÃO DO BOTAFOGO 

Jogando dez partidas em menos de um mês, algumas com menos de vinte e quatro horas de intervalo, o Botafogo descreveu feitos heróicos em sua excursão pela Venezuela, Colombia e Curaçao, obtendo quatro vitórias, cinco empates e uma única derrota, quando atuou  já com o seu quadro desfalcado de vários elementos chaves. Manuel Maria de Paula Ramos foi o chefe exemplar da delegação que soube honrar o nome do Brasil em todos os terrenos e que nas lides esportivas obteve os seguintes resultados: 
1º jôgo — Bogotá — Em 13 de julho — Contra os Milionários. Resultado — Botafogo, 2 x 1. Equipe -- Oswaldo, Gerson e Santos; Arati, Ruarinho e Juvenal; Paraguaio (Braga), Geninho, Octavio, Zezinho e Braguinha (Jaime). Artilheiro Octavio — 2. 
2º jôgo — Bogotá — Em 16 de julho — Contra o Universidad. Resultado — Botafogo, 1 x 0. Equipe — Osvaldo, Gerson e Santos; Arati, Ruarinho (Carlito) e Juvenal; Orlando (Zezinho), Geninho, Octavio (Pirilo), Zezinho (Octavio) e Jaime. Artilheiro — Jaime — 1. 
3º jôgo — Caracas — Em 17 de julho — Contra o Lasalle. Resultado — Empate, 1 x 1. Equipe — Oswaldo, Haroldo e Santos; Arati, Ruarinho e Juvenal (Carlito) Braguinha, Geninho, Octavio (Orlando), Zezinho e Jaime. Artilheiro Zezinho — 1. 
4º jôgo — Caracas — Em 19 de julho — Contra o Real Madrid. Resultado — Empate, 2 x 2. Equipe — Oswaldo, Gerson e Santos; Arati, Ruarinho e Juvenal; Para-, guaio, Geninho, Octavio, Zezinho e Jaime. Artilheiros — Zezinho — 1 e Jaime — 1. 
5º jôgo — Caracas — Em 22 de julho — Contra os Milionários. Resultado — Botafogo, 3 x 0. Equipe — Oswaldo, Gerson (Haroldo) e Santos; Arati, Ruarinho e Juvenal (Carlito) ; Paraguaio (Jarbas), Geninho (Orlando). Octavio, Zezinho e Jaime. Artilheiros — Jaime — 2 e Octavio — 1. 
6º jôgo — Caracas — Em 24 de julho — Contra os Milionários. Resultado — Empate, 4 x 4. Equipe — Oswaldo, Gerson e Santos; Arati, Ruarinho e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Octavio (Pirilo), Zezinho e Jaime. Artilheiros — Octavio — 2, Geninho — 1 e Gerson — 1. 
7º jôgo — Caracas — Em 26 de julho — Contra o Lasalle. Resultado — Botafogo, 6 x 2. Equipe — Oswaldo (Gilson), Gerson e Santos (Floriano); Arati, Ruarinho (Carlito) e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Octavio (Jaime), Zezinho, e Braguinha. Artilheiros — Paraguaio — 2, Octavio — 1, Zezinho 1, Braguinha — 1 e adversário — 1. 
8º jôgo — Caracas — Em 29 de julho — Contra o Real Madrid. Resultado — Empate, 0 x 0. Equipe — Oswaldo, Gerson e Santos (Floriano); Arati, Ruarinho e Juvenal (Carlito) ; Paraguaio, Geninho (Orlando), Octavio, Zezinho e Jaime. 
9º jôgo — Bogotá — Em 3 de agôsto — Contra os Milionários. Resultado — Milionários, 4 x 1. Equipe -- Oswaldo (Gilson), Gerson e Floriano; Ruarinho e Carlito; Paraguaio (Jarbas), Orlando (Pirilo), Zezinho, Octavio e Braguinha (Jaime). Artilheiro — Octavio — 1. 
10º jôgo — Curaçan — Em 8 de agôsto — Contra a Seleção. Resultado — Empate, 1 x 1. Equipe — Oswaldo, Gerson e Floriano; Arati, Ruarinho e Carlito; Paraguaio, Orlando, Zezinho, Octavio e Braguinha. Artilheiro — Paraguaio — 1. 
Artilheiros da temporada.: Octavio, 7 goals; Jaime, 4; Zezinho, 3; Paraguaio, 3; Gerson, 1; Geninho, 1; Braguinha, 1; adversário, 1 o Total — 21 goals. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 97 de outubro de 1952
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Campeonato carioca 

Eis os nossos resultados: 
Contra o São Cristovão — Em 17 de agosto Campo do Botafogo. PROFISSIONAIS — Botafogo, 4 x 0. Equipe — Oswaldo, Gerson e Santos; Arati, Ruarinho e Calico; Paraguaio, Geninho, Dino, Vinicius e Braguinha. Artilheiros — Vinicus — 2, Dino — 1 e Braguinha — 1. 
ASPIRANTES — São Cristovão, 2 x 1. Equipe — Gilson, O. Maria e Floriano; Rubinho, Carlito e Richard; Jarbas, Geraldo, Orlando Vinhas, Baduca e Abel. Artilheiro — Rubinho — 1. 
JUVENIS — São Cristovão, 6 x 3. Equipe — Ary Biase, Amaral e C. Alberto; João, Ercy e Alcides, Nilton, Ary, Armando, Ronaldo e Orlando Felipe. Artilheiros — Ary — 2 e Armando — 1. 
Contra o Olaria — Em 24 de agôsto — Campo do Olaria. PROFISSIONAIS — Botafogo, 3 x 2. Equipe — Oswaldo, Gerson e Santos; Arati, Ruarinho e Calico; Paraguaio, Geninho, Dino, Vinicius e Braguinha. Artilheiros — Braguinha — 1, Vinicius — 1 e Dino — 1. 
ASPIRANTES — Botafogo, 6 x 0. Equipe — Gilson, O. Maia e Floriano; Bob, Carlito e Richard; Mangaratiba, Geraldo, Zezinho, Baduca e Jarbas. Artilheiros — Zezinho — 3, Mangaratiba — 1, Geraldo — 1, Baduca 1. 
JUVENIS — Botafogo, 4 x 1. Equipe — Amaury, C. Alberto e Alcides; Greenbalgh, Ercy e João; Nilton, Ary, Armando, Ronaldo e Duarte. Artilheiros — Duarte — 3 e Ary --1. 
Contra o Canto do Rio — Em 7 de setembro 
PROFISSIONAIS — Empate, 1 x 1. Equipe — Oswaldo, Gerson e Santos; Arati, Paraguaio, Zezinho, Dino, Vinícius e Braguinha. Artilheiro — Dino, 1. 
ASPIRANTES — Botafogo, 3 x 1. Equipe — Gilson, Tomé e Floriano; O. Maia, Richard e Calico; Mangaratiba, Geraldo, Ariosto, Baduca e Jarbas. Artilheiros — Baduca — 2 e Jarbas — 1. 
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 98 de novembro de 1952 
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O nosso reencontro com Belém do Pará 
                                                           E.S. Viveiros de Castro

A 17 de novembro de 1927, pelo «Pedro I», seguiu nossa delegação, assim constituída: Chefe, Dr. Flavio Ramos; secretário, Alarico Maciel; treinador, Platero; adido, Sylvio Bernardes; jogadores, Neiva, Baby, Clovis, Alemão, Otacílio, Orlando, Nestor, Alberto, Aguiar, Pamplóna, Rogerio, Maca-roni, Ariza, Néco, Nilo, Aché, Claudionor e Alkindar, tendo Povoa seguido depois.
A 24 chegou a delegação a Belém, onde foi delirantemente ovacionada, hospedando-se no Grande Hotel, considerada hospede oficial pelo governador Dyonisio Bentes, que foi um grande amigo dos botafoguenses, bem como o Dr. Deodoro de Mendonça, secretário geral.do Estado. 

No domingo, 27, o Glorioso fez a sua estréia em terras paraenses, abateria o bravo Club do Remo por 5x1 goals de Ariza, 2, Néco, Alkindar e Claudinor, tendo sido êste o quadro: Neiva, Alemão e Otacílio, Alberto, Aguiar Rogerio, Ariza, Néco, Alkindar, Aché Claudionor. 
Assim o historiador do Botafogo, nosso caro Alceu Mendes de Oliveira Castro, na sua esplêndida obra «O Futebol no Botafogo — de 1904 a 195: — nos dá notícia da primeira excursão do nosso clube ao Estado do Pará.  E mais quatro vezes o Botafogo atuou em Belém, obtendo três vitórias e um empate. 

EM FEVEREIRO DE 1954, VOLTAMOS 
Vinte e sete anos após a primeira excursão, voltamos a Belém do Pará. Ao invés de viajarmos pelo velho vapor «Pedro I», gastando treze dias de viagem, transportamo-nos em uma possante aeronave da Aerovias Brasil, a qual, decolando do Aeroporto Santos Dumont às seis horas da manhã do dia 12 de fevereiro do corrente ano, antes do crepúsculo aterrissava no Aeroporto de Val-de-Cans. Integravam a nossa embaixada, a qual tive a honra e o grato prazer de chefiar, o técnico Gentil Cardoso, o massagista-roupeiro --" Edgar e os jogadores Gilson, Tomé, Floriano, Orlando Maior, Araty, Bob, Ruarinho, Garrincha, Paulinho, Dino, Zézinho, Vinícius e Geninho. Logo à nossa chegada em Belém, fomos envolvidos pelo melhor carinho e pelo melhor afeto paraense, como adiante relataremos. 
OS NOSSOS DOIS JOGOS EM BELÉM 
Havendo chegado em Belém dia 12 de fevereiro, sexta-feira, descansamos sabado e domingo enfrentávamos o nosso anfitrião, o Clube do Remo. Atuamos com a seguinte constituição: Tomé e Floriano; Araty, Bob e Juvenal (depois Ruarinho); Garrincha, Geninho (depois Paulinho), Zézinho, Dino e Vinícius. Resultado final: 1x1. O nosso goal foi consignado por Vinicius e manda a verdade que se registre a boa atuação dos jogadores Clube do Remo, que foram sempre muito leais e combativos, armando as tramas. Os nossos, no primeiro tempo procuraram «tomar contato» com o terreno, e, no segundo tempo, quando se dispunham a um melhor desempenho, foram surpreendidos por violenta chuva, que prejudicou o espetáculo mas não arredou da praça de desportos um só dos milhares de assistentes. 
BOTAFQGO! 
Quarta-feira, dia 17 de fevereiro, à noite, voltamos ao campo para uma peleja desempate. Apresentamo-nos com a mesma constituição da peleja anterior. Apenas, ao invés de sair Geninho, desta feita foi substituído Zézinho, que atuava muito mal, entrando em seu lugar o excelente Paulinho, farta e justamente elogiado por toda a crítica local. E vencemos por 3x0, goals de Dino, Vinícius e Garrincha. A «Província do Pará» publicou o seguinte: «Venceu o Botafogo, com autoridade — Encerrou o Botafogo, carioca, a temporada-relâmpago que veio fazer em nossa terra, atendendo convite que lhe formulou o Clube do Remo. E a encerrou com uma esplêndida vitória, capaz de valer por uma total reabilitação para aqueles que, embalados pelo empate de domingo último, teimavam em não reconhecer maiores méritos ao onze do clube da estréla solitária do que os postos em evidência, domingo, à tarde, pelo nosso futebol, modesto, provinciano, mas capaz de façanhas como êsse um a um da peleja da estréia». E a tradicional «Folha do Norte» escreveu: «Entrou o Botafogo em campo, à noite de ontem, disposto a golear o onze azul e apagar aquela impressão duvidosa que deixou em muitos fãs. A grande assistência que lotou as dependências do estádio remista, teve ocasião de apreciar um Botafogo diferente. Movimentou-se o quadro orientado por Gentil, com muito mais vivacidade do que domingo último, e a impressão era de que o onze alvi-negro estava com a máxima vontade de agradar, massacrando impiedosamente o velho «Leão Azul». E mais adiante: «Garrincha, por exemplo, demonstrou suas grandes qualidades. Exibiu-se como o público queria vê-lo. Deu um «show na cancha». 
MAS, EXTRA-GRAMADO, FOI TUDO AINDA MUITO MELHOR 
Se, sob o ponto de vista desportivo e técnico, podemos afirmar que a nossa passagem por Belém agradou, não haverá nenhum exagêro tropical em se asseverar que, fora do campo, o comportamento da nossa turma foi irrepreensível, correspondendo, assim, ao excepcional cavalheirismo paraense. Desde os empregados do Hotel Central e do Grande Hotel, aonde estivemos hospedados, até ao Prefeito da Capital, Dr. Celso Malcher, que esteve presente aos nossos dois jogos, e ao Governador do Estado, General Zacarias Assunção, que se fez representar na nossa estréia, e inclusive Mr. Consul dos Estados Unidos da América do Norte, que nos brindou com uma acolhedora recepção-todos, em Belém, absolutamente todos, povo e autoridades, foram pródigos, com o Botafogo, em gentilezas e, mais do que gentilezas, positivas demonstrações de simpatia e amizade. O agente e os funcionários da Aerovias Brasil (principalmente o Sr. Pinho) se desdobraram para nos atender com eficiência e solicitude. Os diretores do Clube do Remo, com o Dr. Dionísio Bentes, Sr. Jorge Age e Dr. Oswaldo Trindade à frente (o. Dr. Oswaldo Trindade diz que não é diretor do Clube do Remo, mas se não é, no momento, «de direito», o é «de fato»), nos cumularam com a mais fraternal assistência. A imprensa e o rádio da terra, tão bem representados por Paulo Maranhão, Frederico Barata, Edgar Proença, Nilo Franco, Edyr Proença, foram extremamente amáveis para com o Botafogo. Os diretores da A. A. Banco do Brasil também obsequiaram tôda a embaixada com um convite muito gentil para o comparecimento à festa pré-carnavalesca. O presidente do Bancrévea, êsse simpático, inteligente e ativo Normando Wanderlei, ofereceu à chefia da embaixada um almôço tipicamente paraense — e aqui está dito tudo. Até hoje saboreamos essa lembrança, temperada com o espírito de escola do dono da casa, e não adianta o Dr. Wanderlei insistir no sentido de nos convencer que êle nasceu em Itacoatiara, no magnífico Estado do Amazonas, porque para nós êle será sempre um paraense de primeira linha, sem desfazer no Estado vizinho. O prazer de rever Silvio Bernardes, cunhado do nosso presidente Paulo Azeredo, e que em Belém se deixou ficar quando da primeira excursão do Botafogo, foi enorme. Os nossos agradecimentos, também ao Dr. Adriano Guimarães, ilustre médico paraense, que se colocou à disposição da nossa embaixada. Finalmente não podíamos encerrar êste breve relato sem mencionar os nomes do Professor Abelardo Condurú e, especialmente dos Srs. Atila Bebiano e Francisco Valente de Paula Pinheiro, ambos incansáveis na colaboração que, a todo o momento, prestaram delegação quando de nossa estada em Belém. Assim, no dia 19 de fevreiro, sexta-feira, regressamos ao Rio trazendo uma impressão realmente agradável e que bem podemos traduzir na nossa expressão de despedida ainda em Belém e já saudosa: adeus Belém do Pará! 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 102 de maio de 1954
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Vencemos o Torneio Quadrangular 
O Botafogo acaba de levantar brilhantemente o torneio quadrangular interestadual disputado com o Palmeiras, de São Paulo; Internacional, de Porto Alegre e o Fluminense, desta capital. 
Nosso valoroso esquadrão em seus três jogos disputados no Maracanã, logrou duas vitórias e um empate, assinalando nove goals contra seis. 
Estreou, o Botafogo, na tarde de 17 de abril abatendo o Palmeiras, em linda virada por 4 x 3, goals de Dino 2 e Jaime 2, jogando com Gilson (Amaury), Thomé (Orlando Maia) e Floriano. Araty, Bob Ruarinho. Garrincha, Moacyr Vinhas (Paulinho), Dino, Jaime e Vinicius. 
A 21, em disputado prélio, empatamos com o Internacional, possante esquadrão gaúcho, por 2 x 2, pontos de Dino, atuando o Botafogo, com Amaury, Orlando Maia e Floriano; Araty, Bob e Juvenal; Garrincha, Paulinho, fino, Jaime e Vinicius (Neivaldo). 
A 25, finalmente, abatendo o Fluminense por 3 x 1 o Botafogo levantou merecidamente o torneio. Assinalaram os tentos, Dino 2 e Garrincha e o quadro teve a seguinte constituição: Amaury, Thomé (Araty) e Floriano; Orlando Maia, Bob e Ruarinho; Garrincha, Paulinho, fino, Carlyle e Vinicius.

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial nº  103 de junho de 1954
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Os botafoguenses de um modo geral, andam com os nervos à flor da pele e uma expressão, sempre mais para pornográfica na ponta da língua. Da insónia, da falta de apetite, dificilmente se livram. E somente com muito esforço se furtam a um desabafo tipicamente bocageano. E resmungam e praguejam e vociferam sua ira contra tudo e contra todos. Falam do sistema como de uma atrocidade de um homem contra toda uma equipe. E garantem que não demora muito a equipe alvi-negra estará sofrendo do mesmo mal que liquidou a Traviata. E o responsável pelo sistema, sendo Zezé Moreira, sobre sua cabeça desabam as maiores pragas, as posturas mais  violentas, às vêzes, aliás, em bom vernáculo, já que grandes poetas e grandes romancistas enfrentam a mesma odisséia. Qual seja: torcem pelo Botafogo. E é um nunca mais acabar ele mau humor, de batebocas, de pé atrás, de dedo emriste. Uma grita danada por causa de Casnok que não fêz os goals que devia fazer. E manda vir Rodrigues. E Rodrigues passou pelo "placard" em "brancas nuvens”. Pau em Rodrigues. E Garrincha, mais discussão por causa do "garotão" da Raiz da Serra, que, se passa por três, quer passar por quatro e acaba perdendo a bola. E Nilton Santos, que falhou num lance. Os botafoguenses desgrenhados, não acreditam mais em ninguém. E Zezé Moreira, "cheio" de tanta "onda", "cheio" de repetir inutilmente tais e tais inutilmente tais e tais instruções, refletindo sôbre a situação toda, considerando a agitação que atordoa os craques alvinegros, chegou a seguinte conclusão: o Botafogo estava de calos quentes. E foi convocado um calista. Porque não há herói que lute, jogue com alma, com sentimento, se está torturado pela dor atroz de calos e mais calos quentes.

Fonte: Revista Manchete Esportiva nº 0002 de 1955
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Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 107 de setembro de 1955
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OS 18 JOGOS DO BOTAFOGO NA EUROPA 
                                                                              Sandro Moreira






Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 107 de setembro de 1955
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Não foi feliz o Botafogo no campeonato de 1955 a ponto de pela primeira desde que surgiu o terceiro turno não conseguir classificação para a etapa finalista. Perdendo os alvinegros 12 pontos no primeiro turno com seis derrotas e cinco vitórias e nove no segundo, com cinco vitórias três empates e três derrotas ficaram assim com o total de 21 pontos perdidos abaixo do Bonsucesso que teve 18 e do Bangu que teve 16. Deve-se reconhecer que não faltou esforço aos dirigentes alvinegros em melhorar o seu conjunto contratando um número elevado de profissionais mas sem conseguir êxito, todavia pois o “team" não acertou perdeu o Botafogo pontos preciosos com o Bonsucesso e a Portuguesa e não conseguiu derrotar os grandes a não ser uma vez o Bangu. Participaram da jornada Alvinegra de 1955 nada menos de 29 jogadores que foram os seguintes: Lugano sete jogos; Edgar 13; Gilson 1; Walter 1; Orlando Maia 22; Gerson 16; Nilton Santos 18; Tomé 5; Domício 1;  Bimba 4; Bob 17; Pampolini 16; Juvenal 8; Danilo 3; Garrincha 19; Paulinho 18; Mário 9; João Carlos 18; Alarcon 3; Baiaco 2; Casnock 3;  Gato 8; Rodrigues 11;  Wilson Moreira 3; Orlando (o pingo de ouro) 3; Neivaldo 5; Joel 3. Nesta foto em pé:  Gerson; Edgar; Nilton Santos; Orlando Maia; Pampolini e Danilo. Agachados:  Garrincha; João Carlos; Mário; Paulinho e Rodrigues.

Fonte: Revista do Sport Ilustrado de 1956
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Pela primeira vez o Botafogo alcança a «Taça Disciplina»
                                                                         Por Valed Perry 
A Federação Metropolitana de Futebol faz disputar, anualmente, um troféu que foi denominado «TAÇA DISCIPLINA» e cuja posse, temporária, confere ao detentoir o direito de mais um voto nas assembléias, além do alto valôr moral que representa. 
Na temporada de 1955, prestes a encerrrar-se, e na qual não foram felizes as côres do nosso clube que apenas conseguiu o titulo de vice-campeão de aspirantes, logramos levantar êsse troféu, numa demonstração insofismável de que mesmo na adversidade, diante das derrotas, souberam os nossos atletas manter elevado o nivel disciplinar, trazendo para o BOTAFOGO o significativo troféu. 
Através 64 partidas disputadas, entre profissionais, aspirantes e amadores, tivemos um único atleta punido pelo Tribunal de Justiça Desportiva, dois massagistas que entraram em campo, embora para prestar socorros, sem permissão do árbitro e por duas vezes fomos pilhados em atrazo de três minutos, cada um.
 Alcançamos um índice de 1,35, tendo se colocado em segundo o Madureira A.C. com 2,71 e dos clubes disputantes do terceiro turno, o mais próximo é o Fluminense que, ainda não venha a sofrer mais qualquer punição, terá obtido o índice de 3,72. 
É êste, sem dúvida, um título de que muito podem se orgulhar os botafoguenses - o de «Campeão da Disciplina» — pela primeira vez, na história do nosso clube obtido. 
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Campeõs Infanto Juvenis




Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 113 de abril de 1956
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CAMPEÃO DO INÍCIO DE AMADORES

Nossa valorosa equipe de amadores (Juvenis), levantou brilhantemente o Torneio Início de sua categoria efetuado a 14 de julho, no estádio de São Januário, enchendo de satisfação a todos os botafoguenses e principalmente aos seus dedicados dirigentes, o diretor Jersey Pinheiros Guimarães e o técnico Geninho.

Foram autores da bonita proeza Jose Carlos, Zaim e Cesario, Pedro Paulo, Medeiros e Adhemar, Garrincha II, Luiz Carlos, Bruno, Delson e Assad. 7

Derrotamos inicialmente o América, no desempate por penalties, todos aproveitados na primeira série e com 3x2 a nosso favor na segunda: seis goals de Assed.

Em seguida, tombou o Vasco da Gama, em novo desempate por penaltíes, que batidos por Assed, assinalaram 3x1.

Óltimo jogo contra o Fluminense, empatado por 1x1, goal de Luiz Carlos, no tempo regulamentar. No desempate por penalties, sempre tirados por Assad, empata na primeira série e Botafogo 2x1 na segunda. 1

Finalmente, na luta decisiva com o forte quadro do Bangu, triunfamos brilhantemente por 2x0, com belos tantos de Delson e de Garrincha II.

Acervo particular Ângelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 117 de agosto de 1956
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Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 118 de setembro de 1956
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GENINHO O NOVO TÉCNICO 

Efigenio de Freitas Bahiense, o nosso veterano Geninho, assumiu o comando técnico da equipe de profissionais. Foi o escolhido para substituir Zezé Moreira, e o que se pode dizer é que foi uma escolha Feliz do presidente Paulo Azeredo.
Há desesseis anos que Geninho está ligado ao Botafogo. Ele foi um crack de talento indiscutível e um dos mais completos que o clube já teve. Nos seus longos anos de atividade sempre revelou dotes de comandante. Era o capitão do team e exercia a função ao pé da letra, orientando os companheiros durante a luta com autoridade e competência para mudar, como muitas vezes aconteceu, os planos estabelecidos nos vestiários. 
Encerrando a carreira, Geninho ficou com a responsabilidade de treinar os juvenis do clube, tarefa que vinha executando desde o ano passado e que lhe foi de muita utilidade. Ao par desse trabalho prático, t-rava o curso de técnico no qual vem de diplomar-se. 
Inteligente, dono de forte personalidade e profundamente ligado ao clube que o conquistou ainda garoto, Geninho merece a confiança, o apoio e tóda a simpatia da torcida alvi-negra. É um técnico que começa, mas tem tudo para se tornar um vitorioso dando ao Botafogo as alegrias que proporcionou quando crack. Vamos, portanto, bater palmas a Geninho e ajudá-lo ao máximo na sua tarefa. É o que compete aos botafoguenses amigos de seu clube. Dentro de um ambiente de união e tranquilidade, fiquem certos que não será difícil a Geninho erguer o team alvi-negro. 
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COMPETIÇÕES AMISTOSAS

Sob a chefia de Joel Presidio, nossa equipe de profissionais excursionou a Bahia, onde a 1º de setembro empatou por 0x0 com o Galicia, tendo atuado Amaury, Thomé e Santos, O. Maia, Bob e Pampolini (Juvenal), Neivaldo, Wilson, Paulinho (Alarcon), Didi (Mário) e Hélio (Rodrigues). 
No dia seguinte, empatamos por 1x1, goal de Didi, com o S.C. Bahia, apresentando Natero, Thomé e Santos, O. Maia, Bob e Pampolini ( Juvenal), Neiva ldo, J. Carlos, Paulinho (Alarcon), Didi (Mário) e Hélio (Rodrigues), e, a 4, em Feira de Santana, assinalamos novo empate, de 1x1, goal de Wilson, com o Fluminense local, jogando Atnaury, Thomé e Santos, O. Maia, Bob
e Pampolini (Juvenal), Neivaldo, J. Carlos, Wilson, Didi (Mário) e Hélio (Rodrigues). 
A 7 de setembro, uma equipe mixta excursionou a Conselheiro Lafaiete, empatando por 1x1, ponto de Sergio, com o Guarani E. C. e formando com Antoninho, Gerson e Nilson, Adherbal, Camuti e Joel, Paulo, Ary, Edison, Rodrigues II e Sérgio. 
Nêsse mesmo dia, nossa equipe de amadores atuou em Barra Mansa, vencendo o Minas por 3x1. Assed assinalou dois goals e Bruno, um, atuando Zé Carlos (Lamim), Medeiros (Zaim) e Cezaro, Raul, Ronald (Medeiros) e Ney, Garrincha II, Ivan, Bruno  (Joãozinho), Delson (China) e Assed. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 119 de outubro de 1956
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AS GRANDES GOLEADAS
                                   Por Alceu Mendes de Oliveira Castro

Em uma época de penúrias de goals, como a atual, a vitória que o Flamengo obteve por 12x2 sobre o São Cristovão, causou sensação e despertou a curiosidade do público e da crônica para as grandes goleadas do passado.

Varias notícias contraditórias foram publicadas e até Olympicus, lá de São Paulo, em sua crônica para «Jornal dos Sports», entrou no assunto, frizando que o record
em jogos de campeonato pertencia certamente ao BOTAFOGO, com os seus 24x0 de 1909, sobre o extinto S.C. Mangueira.

Efetivamente, em matches oficiais de primeira categoria, no Rio de Janeiro, tal record pertence ao nosso Clube que, em seu velho campo da rua Voluntários da Pátria, assinalou-o a 30 de maio de 1909, com goals conquistados por Gilbert Hime  9 (provavelmente record, em um jogo), Flávio Ramos - 7, Monk -  2, Lulú -  2, Raul, 1, Dinorah - 1, Emanuel 1 e Henrique Teixeira - 1, tendo a equipe jogado com a seguinte constituição: Coggin, Raul e Dinorah, Rolando, Lulú e Pullen, Henrique, Flávio, Monk, Gilbert e Emanuel.

No mesmo dia, abatemos o segundo quadro do Mangueira por 12x1 (Abelardo -  4, Mimi - 3, Viveiros - 3, Lauro - 1 e Fagundes - 1 e o Fluminense, por seu segundo quadro, quase igualou o nosso resultado do primeiro, abatendo por 22x0 a segunda equipe do América.
Como curiosidade, vamos assinalar aqui as goleadas de dez para cima, obtidas pela nossa equipe principal em jogos oficiais, nestes cinquenta anos de campeonato carioca. 

Ainda em 1909, a 11 do julho, abatemos o Haddock Lobo por, 13x0, goals de Flavio - 6, Dinorah - 6 e Lulu  1 , em 1910, ano de nosso primeiro campeonato. esmagamos o Riachuelo por 15x1 Abelardo 7, Décio  3, Mimi - 3, Emanuel  1 e Rolando - e o Haddock Lobo por 11x0 (Rolando  4, Abelardo  3, Décio  2, Lulu 1 e Dinorah  1.

Em 1912, na Associação de Futebol do Rio de Janeiro, abatemos o Germania por 10x0, goals de Vilaça  3, Mimi  3, Pino  2, Lulú  1 e Oswaldo Delamare 1 e somente em 1928, a 8 de abril, fomos novamente à dezena, sobrepujando o Vila Isabel por 13x11, pontos de Benedito 5, Juca  3, Neco - 2, Aché  2 e Ariza 1.

Dez aos depois, já no regime profissional, no campeonato de 1938, a 1-1-39, abatemos o Madureira por 11x3, pontos de Paschoal  6, Peracio 3, C. Leite  1 e Alvaro 1.

Em 1946, no Torneio Municipal, a 19 de maio, derrotamos o Canto do Rio por 12x0, pontos de Heleno  6, Geninho em 2, Izaltino 2 e Nilo 2 e, no campeonato, a 14 de setembro, o Bonsucesso por 10x0, goals de Braguinha  3, Geninho 2, Izaltino 2, Heleno 2 e Juvenal 1.

Na época amadorista, nosso segundo quadro assinalou as seguintes goleadas: em 1908, com o Riachuelo 15x0; em, 1909, com o Haddock Lobo 10x0; e com o Mangueira  12x1; em 1928, com o Vila Isabel em 12x0, pontos de Alkindar 5, Jujú  4, Dutrinha 2 e Luiz 1.

O terceiro quadro, do mesmo período, marcou as seguintes contagens: em 1918, com o Mangueira, 10x0, score repetido em 1919 com o mesmo clube; em 1920, com o Palmeiras 11x2 e, em 1931 com o São Cristóvão 11x0.

Já no regime atual, a nossa equipe de amadores conseguiu resultados fantásticos
em 1940, com o Bonsucesso 10x3, e, em seu inesquecível tri-cameonato, em 1942, com o América 11x0; com o Andaraí 17x1 (Augusto Willemsens marcou 6 goals, Tovar 4, René 4, J. Americo 2 e Otto 1; com o Bangu 12x5 com o Carioca 11x2; com o Ideal  15x1; com o River 15x2 e com o Ruy Barbosa 13x1, tendo Augusto marcado 7 ;goals contra o Ideal e 8 contra o River; em 1943, com o Bangu 10x13 e em 1944, com o Bonsucesso 10x3 e com o São Cristovão 13x0.

 Nossa equipe juvenil assinalou, em 1942, 17x1 sobre o Andaraí (Dario Sholl obteve 8 tantos) e em 1949, sobre o Madureira 10x0 (Dino fez 5) .

O nosso quadro de reservas obteve, em 1942, sobre o Bonsucesso 12x1; em 1945, sobre o Bangu 13x11 e o Bonsucesso 10x1; em 1948, com o Madureira 10x2.

A equipe de aspirantes também assinalou grandes contagens, em 1943, na taça 
«F. Loreti», 15x1 sobre o Bangu (Gute 7) e no torneio  10x1 sobre o Bonsucesso; em 1944, sobre o mesmo clube 13x0; em 1945, sobre o Andaraí, a 1º de setembro, escandalosa, contagem, que, na época, estranhamente, nem foi comentada e que muito se aproximou do máximo: 20x10, goals de Dario 5, Rubinho 4, Orlando Regazzi  4, Afonsinho 3, Limeeiro  3 e de um adversário; em 1946, na “F. Loreti" 14x3, com o Canto do Rio e no torneio, 11x1 com o Bangu.

Também o nosso segundo quadro de amadores, em 1942, obteve 11x0 com o Bangu; 11x0 com o Ideal e 18x1 com o Ruy Barbosa, quando Carlos da Silva Fafiães marcou 9 goals.

Entre os matches amistosos e para, encerrarmos, relembremos um que fez o seu sucesso na época: 17x0 de nosso quadro infantil de 1925 sobre o de escoteiros do
Fluminense, goals marcados por Geraldo Hungerbuhler (Baianinho) 9, Elsyo Couto 5 e Halley Del Amico 3 e um interestadual de primeiros quadros, em 16 de março de 1930, quando em Petrópolis vencemos o Petropolitano por 15x2, pontos
de Nilo 6, Benedito 5, Celso 3 e Alkindar 1.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 121 de dezembro de 1956
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CAMPEONATO CARIOCA -1957 

Jogos América (3 a 1 e 2 a 1), Bangu (0 a 0 e 1 a 0), Bonsucesso (3 a 1 e 3 a 1), Canto do Rio (4 a 0 e 3 a 0).; Flamengo (3 a 3 e 1 a 1), Fluminense (0 a 1 e 6 a 2), Madureira (6 a 1 e 4 a 2), Olaria (2 a 0 e 4 a 1), Portuguesa (5 a 1 e 5 a 0), São Cristóvão (2 a 0 e 5 a 0), Vasco da Gama (2 a 2 e 0 a 3). Total de jogos 22, vitórias 16, empates 4, derrotas 2. Gosa pró 64, contra 21, saldo 43. Jogaram: Tomé (22), Nílton Santos (22), Paulo Valentim (22), Pampolini (21), Garrincha (21), Quarentinha (21), Édison (20), Servilio (20), Beto (20), Didi (17), Adalberto (13), Amauri (9), Rossi (7), Ronald (3), Nei Rosa (2), Matias (1), Cañete (1), Neivaldo (1). Total: 18 jogadores. Artilheiros: Paulo Valentim (22), Quarentinha (13), Didi (12), Garrincha (6), Édison (4), Nílton Santos (3), Beto (1), Pampolini (1),  adversários (2). 

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Os grandes clubes brasileiros nº 13 
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COMPETIÇÕES AMISTOSAS

A 19 de maio, nossa equipe exibiu­-se em Lavras (Minas), onde derrotou a Associação  Olímpica   por   4x1, pontos marcados por Paulinho 2, Garrincha 1 e  Amoroso  1,  formando:  Amaury  (José Carlos) Domício e Santos, Beto (Ademar), Mathias e Pampolini (Nilson), Garrincha (Amoroso), Ary, Paulinho, Didi (Edison) e Quarentinha.
A 24, exibição em Juiz de Fora e empate de 3x3 com o Sport Clube, goals de Geraldo, Quarentinha e Paulinho, tendo sido esta equipe: Amaury, Domício e Santos, Beto, Mathias e Pampolini, Garrincha, Geraldo, Paulinho, Didi e Quarentinha (Cañete).
A 28, jogo em  Três  Rios e  vitór1a de 7x3 sobre o América (local) com Amaury (Ailton), Domício (Nilson) e Santos, Beto, Pampolini (Ademar) e Mathias, Garrincha; Didi, Paulinho (Amoroso), Geraldo (Ary) e Quarentinha (Neivaldo), marcando os goals Didi 2, Beto 1, Pampolini 1, Amoroso 1, Geraldo 1 e Neivaldo 1.
A 2 de junho, sob o comando de João Saldanha, nossa equipe exibiu-se em Londrina, empatando por 1x1 com a equipe do Londrina F.C. Garrincha assinalou o tento, jogando Amauri, Domício (Ademar) e Nilson, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Geraldo (Ary), Paulinho, Didi e Quarentinha.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 129 de agosto de 1957
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BOA EXCURSÃO BOTAFOGUENSE

Brilhou o esquadrão botafoguense em sua excursão, com quatro jogos no norte do pais e seis internacionais em Caracas, onde se colocou como vice-campeão no torneio denominado "Pequena Copa do Mundo", disputado em dois turnos, com as equipes espanholas do Barcelona e do Sevilha e com a uruguaia do Nacional.

Nossa delegação teve como chefe, José Maria Cavalcanti de Albuquerque; como técnico, o dedicado diretor de futebol, João Saldanha; como médico, o Dr. Carlos Carvalho Leite e como jornalista, o nosso conselheiro Geraldo Borges, tendo seguido a 19 de junho, para estreiar no Recife, no dia seguinte, contra o forte quadro do Náutico Capibaribe, que tombou vencido por 3x2.

Paulinho assinalou dois goals e Edson completou a contagem, atuando Amaury, Domicio e Santos, Beto, Pampolini e Nilson, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison (Amoroso) e Quarentina (Neivaldo).

A 22 de junho, em Fortaleza, empatamos com o Ceará S. C. por 2x2, goals de Garrincha, Didi, jogando Amaury, Thomé e Santos, Beto, Pampolini e Nilson, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison (Ary) e Quarentinha.

No dia seguinte, 23, no mesmo local, derrotamos o Ferroviário, por 2x0, tentos de Garrincha e Edison apresentando Amaury, Thomé e Santos, Beto, Pampolini e Nilson (Mathias), Garrincha, Didi, Paulinho, Edison e Quarentinha.

A 25, em São Luiz do Maranhão, encerramos os jogos no norte do Brasil, sobrèpujando a seleção local por 4x0, goals de Garrincha, Paulinho, Amoroso, Quarentinha tendo jogado Amaury, Thomé e Santos, Beto Pampolini (Mathias) e Nilson, Garrincha Didi, Paulinho (Amoroso), Edison (Ary) e Quarentinha (Neivaldo).

Voou o BOTAFOGO para Caracas, onde estreou a 29 de junho, com sensacional vitória sôbre o F. C. Sevilha por 2x0, pontos consignados por Pampolini e Paulinho, tendo atuada Amaury, Domicio e Santos, Beto, Pampolini e Nilson, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison e Quarentinha.

A 4 de julho, frente ao Barcelona, sofremos, por 3x0, o único revez da temporada, apresentando-se a equipe com Natero, Domicio (Thomé) e Santos, Beto, Pampolini e Nilson (Mathias), Garrincha, Didi, Paulinho Edison e Quarentinha.

Entretanto, não demorou a reabilitação, pois a 6, tombava fragorosamente por 4x0 o Nacional, campeão uruguaio, frente à Amaury, Thomé e Santos, Mathias, Pampolini e Beto, Garrincha, Didi Paulinho (Amoroso), Edison (Geraldo) e Quarentinha (Neivaldo), tendo assinalado nossos goals Paulinho 2, Didi e Quarentinha.

A 9, iniciamos o returno e com a equipe inicial, que abatera o Nacional, sem substituições, vencemos o Sevilha também pela significativa contagem de 4x0, pontos de Garrincha 2, Didi e Paulinho.
Ainda com a mesma equipe e pontos de Paulinho e Edison, empatamos por 2x2 com o Nacional, a 14 de julho, encerrando o torneio a 18, frente ao Barcelona.

Perdiamos por 2x0, quando em esplendida reação, igualamos o marcador, para empatar por 2x2, goals de Garrincha e Neivaldo, tendo sido injustamente anulado o nosso terceiro ponto, feito também por Neivaldo.

Atuamos com Amaury, Thomé e Pampolini, Beto, Mathias e Santos, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison (Neivaldo) e Quarentinha, tendo a delegação regressado ao Rio na noite de 21 de julho, com lindo troféu de "sub-campeão" do torneio
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Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 130 de setembro de 1957
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CAMPEÕES CARIOCAS DE 1957 AS NOSSAS HOMENAGENS AOS PEQUENOS DEDICADOS ATLETAS BOTAFOGUENSES. BRAVOS CONQUISTADORES DO TITULO DE CAMPEÕES DE FUTEBOL INFANTO-JUVENIL, DE 195.
HONRA AO MERITO: Aos Diretores: Angelino Couto Simões e Julio Azevedo. Ao Técnico: Antonio Franco de Oliveira (Nenem). Campeões: José Reginaldo da Costa Filpi, Mario Savaget Pinto, Paulo Roberto Fiuza de Carvalho, Jaime Teixeira Lima, Ubiratan Alves, Domingos Antonio Alicata, João Dias, Mauro Ayrès e Silva, Octávio Gonçalves de Abreu, Décio Sá Vianna, Eduardo Lourenço Jorge, Paulo Guilherme Paranhos Januzzi, Amam Julio Parreira da Salva, José Ronaldo Martins Peçanha, Manoel Custódio Neto, José Américo da Silva, Luiz de Azevedo, Marcus Vinicius Figueiredo da Silveira, Fabio Coelho Januzzi, Alfredo Augusto Vieira Portela, Roberto Mamud Rhaddour, Nilton Onofro, Alceu Supha Carneiro. 

BOTAFOGO LEVANTA MAGISTRALMENTE O CAMPEONATO INFANTO-JUVENIL DE 1957 
Sob o magnífico comando de seus dedicadíssimos e eficientes diretores Angelino Couto Simões e Julio Azevedo e a excelente direção técnica de Antonio Franco de Oliveira, o popular "Nenem", o BOTAFOGO, repetindo a façanha de 1955, levantou esplendidamente o Campeonato Infanto-Juvenil de Futebol de 1957. A campanha se iniciou pela parte de classificação, onde o BOTAFOGO, incluido na Série Sylvio Pacheco, estreou a 14 de abril, em seu campo, esmagando o Astória por 6x1, com pontos de Ubiratan 2, Guilherme, Domingos, Décio e Joãozinho e a seguinte equipe: Reginaldo (Alfredo), Nilton (Mario) e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan, Eduardo, Guilherme, Domingos, Décio (Amaro) e Joãozinho. 
A 21, no campo do Sampaio, vitória sôbre o Galitos por 2x1, goals de Amaro e Domingos, formando Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan, Eduardo (Amaro), Guilherme, Domingos, Décio (Alceu) e Joãozinho.  
A 28 de abril, em General Severiano, a equipe demonstrou o seu valôr sobrepujando por 1x0 o forte quadro do Fluminense, com goal de Guilherme e a seguinte organização: Reginaldo, Mario e Fiuza (Luiz Azevedo), Jayme, Mauro e Ubiratan (Ronaldo), Eduardo (Amaro), Guilherme, Domingos, Octavio (Décio) e Joãozinho. 
A 5 de maio, ainda em nosso estádio, abatemos a A. A. Lisboa por 5x1, pontos de Decio 3; Domingos e Joãozinho, atuando Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme (Luiz Azevedo), Ronaldo e Ubiratan, Eduardo, Guilherme (Octavio), Domingos, Décio e Joãozinho (Roberto). 
A 11, em dramática peleja na Gávea, na qual o valoroso goleiro Reginaldo saiu machucado, encerramos o turno invictos, abatendo lindamente o Flamengo por 3x1, com belos pontos de Domingos 2, e Joãozinho e a seguinte equipe: Reginaldo (Alfredo), Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan, Eduardo (Octavio), Guilherme, Domingos, Décio e Joãozinho. 
A 19 de maio, em General Severiano, vitória sôbre o Astória 4x1, pontos de Eduardo, Octavio, Domingos e Décio, tendo atuado Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ub-ratan (Ronaldo), Eduardo, Octavio, Domingos, Décio e Joãozinho (Marcos) e a 26, no mesmo local, 5x0 sôbre o Galitos, com Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan (José Américo), Eduardo (Amaro), Octavio, Domingos, Décio e Joãozinho, e goals de Domingos 3, Amaro 1 e João 1. 
A 2 de junho, no Fluminense, sofremos nosso primeiro e único revés da fase de classificação — 1x0 frente ao tricolor, preliando Reginaldo, Mario e Fiuza (Ronaldo), Jayme, Mauro e Ubiratan (J. Americo), Guilherme (Amaro), Octavio, Domingos, Décio Joãozinho. 
A 9, em General Severiano, abatemos o Lisboa por 4x0, tentos de Domingos 2, Eduardo e Joãozinho, com Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan (Ronaldo), Eduardo (Amaro), Octavio, Domingos, Guilher-me (Décio) e Joãozinho e a 16, no mesmo local, com um empate de 0x0 com o Flamengo, classificamo-nos para a parte final, tendo atuado Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan, Eduardo, Octavio, Domingos, Guilherme (Amaro) e Joãozinho. 
A 26 de junho, no campo do São Cristovão iniciamos a fase final, sobrepujando os locais por 1x0, goal de Décio, com Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan (J. Americo), Eduardo, Octácio, Domingos, Décio (Guilherme) e Joãozinho e a 30, em nosso campo, repetimos a façanha pelo mesmo score, sôbre o Bangu, goal de Guilherme, jogando Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan; Eduardo, Octavio, Domingos, Guilherme (Amaro) e Joãozinho. 
A 7 de julho, com novo sensacional 1x0, em nosso estádio, abatemos o Fluminense, goal de Amaro, atuando Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan, Eduardo (Guilherme), Octavio, Domingos, Amaro e Joãozinho e a 14 em Olaria, frente aos locais, única derrota, por 3x0, com Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan, Eduardo (Roberto), Octavio (Fabio), Domingos, Guilherme (Marcus) e Joãozinho. 
A 21 de julho, no campo do E. C. São José, derrotamos o mesmo por 3x0, pontos de Amaro 2 e Domingos, formando Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan, Eduardo (Manoel), Octavio, Domingos, Amaro e Joãozinho e a 28, em nosso campo, iniciamos o returno, abatendo o S. Cristovão por 4x0, goals de Décio 3 e Joãozinho, com Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan (Ronaldo), Domingos, Octavio, Manoel (Fabio), Amaro (Decio) e Joãozinho. 
A 4 de agosto, em Moça Bonita, grande vitória sôbre o Bangu por 2x1, goals de Octavio e Décio e a seguinte equipe: Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan (J. Americo), Domingos, Octavio, Manoel, Décio e Joãozinho e a 11, no estádio do Fluminense, empatamos de 0x0 com os locais, participando Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan (J. Americo), Domingos, Octavio (Marcus), Manoel (Amaro), Décio e Joãozinho. 
A 18 de agosto, em nosso campo, garantimos o titulo, derrotando o Olaria, nosso seguidor, por 2x0, pontos de Octavio e Décio, com o concurso de Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan, Domingos, Octavio, Manoel (Guilherme), Décio (Amaro) e Joãozinho e a 25, encerramos a brilhante campanha com vitória sôbre o São José por 2x1, em nosso campo, goals de Ubiratan e Joãozinho e a seguinte equipe: Reginaldo, Mario e Fiuza (Luiz), Jayme, Mauro e Ubiratan, Domingos, Octavio, Manoel (Guilherme), Décio (Fábio) e Joãozinho. 
Eis os dados técnicos da belíssima façanha: Parte de classificação: Jogos — 10; Vitórias — 8; Empates — 1; Derrotas —1; Goals pró — 30; Contra — 6; Saldo — 24. Parte final: Jogos — 10; Vitórias — 8; Empates — 1; Derrotas — 1; Goals pró — 16; Contra — 5; Saldo — 11. Total: Jogos — 20; Vitórias — 16; Empates — 2; Derrotas — 2; Goals pró — 46; Contra — 11; Saldo — 35. Jogaram: José Reginaldo da Costa Filpi, Mario Savaget Pinto, Paulo Roberto Fiuza de Carvalho, Jayme Teixeira Lima, Ubiratan Alves, Domingos Antonio Alicata e João Dias Zulin, 20 jogos; Mauro Ayres e Silva, 19; Octavio Gonçalves de Abreu, 18; Décio Sá Vianna, 15; Eduardo Lourenço Jorge e Paulo Guilherme Paranhos Januzzi, 14; Amaro Julio Parreira da Silva, 13; José Ronaldo Martins Peçanha e Manoel Custódio Neto, 6; José Américo da Silva, 5; Luiz de Azevedo, Marcus Vinicius Figueiredo da Silveira e Fábio Coelho Januzzi, 3; Alfredo Augusto Vieira Portela e Roberto Hamud Rhaddour, 2; Nilton Onofre e Alceu Sapha Carneiro, 1. Total: 23 atletas. 
Artilheiros: Domingos, 12 goals; Décio, 11; Joãozinho, 7; Amaro, 5; Ubiratan, 3; Guilherme, 3; Octavio, 3; Eduardo, 2. Total — 46 goals. Na noite de 29 de agosto efetuou-se a festa de consagração dos campeões, que, em partida amistosa, empataram por 2x2 com a seleção infanto-juvenil. Manoel e Domingos marcaram os goals e a equipe foi a seguinte: Reginaldo, Mario e Fiuza, Jayme, Mauro e Ubiratan, Domingos, Octavio (Fábio), Manoel, Décio (Guilherme) e Joãozinho. 

Acervo particular Margarida Tereza Nunes Leite
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 131 de outubro de 1957
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BOTAFOGO CAMPEÃO 
Foi a frase arrebatadora bradada por milhares de vozes em delírio, no colosso do Maracanã, na inesquecível e tórrida tarde de 22 de dezembro, quando aos 23 minutos do segundo tempo, Paulinho beijou pela sexta vez as rédes de Castilho, na vitória máscula, gigantesca e aniquiladora: BOTAFOGO É CAMPEÃO! BOTAFOGO É CAMPEÃO! Efetivamente, poucos acreditavam no BOTAFOGO que, para a campanha de 1957, contratara apenas um jogador —Servilio — para compensar a falta dos que dispensara Bob, O. Mala, Binaba e Bauer e que, em fins de maio, ainda no Rio-São Paulo perdera o concurso de seu técnico Geninho, entregando o comando técnico da equipe ao próprio dhetor de futebol, João Saldanha. E João Saldanha, menino criado à sombra da bandeira alvi-negra desde 1930, seu modesto defensor de quadros secundários, proclamando que o futebol é um jogo simples e sem chaves, soube imprimir aos seus comandados um espírito de luta irresistível que tudo levou de roldão, perdendo apenas tres partidas, uma contra o Barcelona, na excursão a Caracas e duas no campeonato, e alcançando o título que a imprensa unânimemente lhe outorgou de "MAGO DO FUTEBOL CARIOCA". Cem por cento amador, João foi o artífice da vitória, apoiado decisivamente por seu heróico companheiro — o abnegado Renato Estelita — e por toda a diretoria, com o Presidente Paulo Azeredo e os Vice-Presidentes Adhemar Bebianno e Sergio Darcv em acentuado realce. Mago da vitória, nosso João levou sua modesta equipe a apoteose do Maracanã e ao Carnaval do Triunfo, mantendo a aça Líder nas sete rodadas iniciais, caindo, após, para as terceira e segunda colocações, perseguido inflexivelmente o líder, para, enfrentando-o, com um ponto abaixo, aniquilá-lo e arrebatar-lhe o título na última jornada, em revanche impressionante de 22 de dezembro de 1946! Passaram à História os SEIS A DOIS da tarde de ouro do desenlace, pois raramente sucede em decisões de títulos, tão impressionante contagem, que situa o seu autor como insofismável e gigantesco campeão! Portanto, não é excessivo o entusiasmo delirante do BOTAFOGO inteiro por seus bravos defensores e seus indomáveis comandantes, que fizeram jús à eterna gratidão botafoguense. E, entre tantos colaboradores do triunfo, não olvidamos o eficiente e dedicado médico Dr. Carlos Carvalho Leite, nosso grande campeão do passado; o preparador físico, Paulo Amaral; o massagista Aloisio e o roupeiro Gelvan, sempre atentos e dedicados. Salve, pois, GLORIOSO — CAMPEÃO DO RIO DE JANEIRO DE 1957! 

Foi no sábado, 27 de julho, que BOTAFOGO iniciou a sua campanha, no campo do Fluminense, derrotando o Bonsucesso por 3x1. Edison abriu score da temporada e Didi marcou os dois outros goals, atuando Amaury, Thomé e Mathias, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison e Quarentinha. A 4 de agosto, em General Severiano, com a estréia de Servilio, único elemento contratado para a temporada, o BOTAFOGO abateu o Canto do Rio por 4x0, goals de Santos, Edison, Didi e do adversário Paulo, contra suas cores, ao tentar desviar um tiro de Paulinho, formando a equipe com Amauty, Thomé e Santos, Beto, Pampolini e Servilio, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison e Quarentinha. Durante a semana ficou em definitivo afastada a hipótese da ida de Didi para a Espanha, pois o famoso meia renovou o seu contrato com o BOTAFOGO pela importância verdadeiramente impressionante de Cr$ 70.000,00 mensais, medida tomada como uma satisfação à torcida alvi-negra que não admitia o afastamento do extraordinário crack. 
E a 10 de agosto, no estádio de Alvaro Chaves, com a mesma equipe, abatiamos o Madureira por  6x1, goals, de Quarentinha 2, Didi, Nilton Santos, em uma de suas impressionantes arrancadas, Paulinho e Garrincha. A 18, no mesmo local e com o mesmo quadro, vencemos o Olaria por 2x0, goals de Paulinho e de Didi, com sensacional "folha seca", e a 24, contra a Portuguesa, em idêntico local, assinalamos 5x1, pontos de Didi, Quarentinha, Beto, Paulinho e Garrincha, assegurando a posse da Taça Lider pela segunda da semana. 
A 1 de setembro, sensacional peleja com o Flamengo, no Maracanã empate de 3x3, com todos os goals marcados na primeira fase e com impressionante demonstração do espirito de reação da equipe, que por tres vezes foi buscar o empate. Quarentinha dois e Paulinho, assinalaram os nossos tentos, formando a equipe com Amaury, Thomé e Servilio, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Didi, Paulinho e Edison e Quarentinha. A 7 de setembro, no estádio tricolor, vitória de 2x0 sobre o São Christóvão, tentos de Didi e Quarentinha, mantendo o BOTAFOGO a liderança e confirmando-a a 14, à noite, no Maracanã, em grande triunfo sobre o América por 3x1, tentos de Didi, Quarentinha e Helio, contra, ao desviar um tiro de Pampolini, continuando a Taça Lider em General Severiano pela sexta semana.
Infelizmente Didi machucou-se sériamente nessa peleja, ficando com a sua produção reduzida e a 22, no Maracanã, empatamos com o Vasco da Gama por 2x2, com um golaço de Garrincha e outro de Didi, de penalty, jogo que poderíamos ter vencido, mas em que a chance nos foi desfavorável. 
A 29, embora jogando magnificamente, sofremos o primeiro revés, por 1x0, frente ao Fluminense. Ainda uma vez a chance nos foi cruel, tendo Didi perdido um penalty nos minutos finais, defendido por Castilho, que, aliás, movimentou-se antes do apito. Em nossa meta, em lugar de Amaury, que adoecera estreou Adalberto, ex-tricolor, con-uistando a posição. 
Perdida a liderança para o tricolor, encerramos o turno na noite de 5 de outubro, empatando por 0x0 com o Bangu, em inexpressiva peleja, na qual Nilton Santos, que vinha assombrando, foi injustamente expulso de campo. 
O quadro atuou com Adalberto, Thomé e Servilio, Ronald, Pampolini e Santos, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison e Quarentinha, encerrando-se o turno com o Fluminense em primeiro lugar com tres pontos perdidos, o Flamengo em segundo, com quatro e o BOTAFOGO em terceiro com cinco.
A 13 de outubro, no Maracanã iniciamos o returno, esmagando o São Cristóvão por 5x0, goals de Paulinho 2, Garrincha, Edison e Quarentinha. Didi não jogou, entrando em sério tratamento e sendo bem substituído pelo jovem Rossi, formando a equipe com Adalberto, Thomé e Servilio, Ronald, Pampolini e Santos, Garrincha, Paulinho, Rossi, Edison e Quarentinha. 
A 20, no Maracanã, com um goal de Quarentinha, derrotamos o Bangu por 1x0 atuando Adalberto, Thomé e Ney, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Paulinho, Rossi, Edison e Quarentinha e a 27, em General Severiano, com Servilio reaparecendo em lugar de Ney, abatemos o Bonsucesso por 3x1, goals de Paulinho 2 e Quarentinha. 
Com "reentrée" de Didi, a 1 de novembro, no Maracanã, abatemos o Olaria por 4x1, goals de Didi 2, Paul-nho e Quarentinha, jogando Adalberto, Thomé e Servilio, Ronald, Pampolini e Santos, Garrincha, Paulinho, Rossi, Didi e Quarentinha. Lamentavelmente, não houve tempo para a renovação do contrato de Pampolini que, assim, não pode jogar contra o Vasco, a 10 de novembro, fazendo grande falta: perdemos por 3x0, tendo, Didi desperdiçado um penalty quando o score era de dois a zero, sendo que o azar perseguiu o grande meia que, na fase inicial, teve lindo tento de "folha seca", anulado pelo árbitro Eunápio que alegou que Didi batera a falta antes de seu apito.
O quadro assim se apresentou: Adalberto, Thomé e Servilio, Beto, Santos e Ney, Garrincha, Paulinho, Rossi, Didi e Quarentinha. 
A 17, ainda no Maracanã, grande luta com o Flamengo e empate de 1x0, goal de Paulinho, tendo Quarentinha, perdido um tento certo ao apagar das luzes, atuando Adalberto, Thomé e Servilio, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Paulinho, Edison, Didi e Quarentinha. 
Didi afastou-se novamente do quadro, para operar a garganta com o Dr. Costa Cruz e sem se impressionar, João Saldanha levou o seu quadro, quando tudo parecia perdido, à grande arrancada, iniciada a 24 de novembro, em General Severiano, quando nossa desfalcada equipe, com Adalberto, Thomé Servilio, Beto, Pampolini e Santos, Neivaldo, Paulinho, Rossi, Edison e Quarentinha, abateu a Portuguesa por 5x0, goals de Paulinho 2, Nilton Santos, Edison e Quarentinha. 
A 30 de novembro, à noite, no Maracanã ainda com a equipe desfalcada, grande vitória sobre o América por 2x1, goals magistrais de Paulinho, atuando Adalberto, Thomé e Servilio, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Paulinho, Rossi, Edison e Cañete.
Didi e Quarentinha reapareceram a 7 de dezembro, à noite, quando vencemos, no Maracanã, o Canto do Rio por 3x0, goals de Quarentinha, Garrincha e Paulinho, jogando Adalberto, Thomé e Servilio, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Paulinho, Edison, e Quarentinha. 
A 14, à tarde, no Maracanã, o BOTAFOGO manteve sua posição de vice-líder, a um ponto do Fluminense, ao derrotar o Madureira por 4x2, goals de Paulinho 2, Didi e Pampolini, tendo Quarentinha perdido um penalty. 
E a 22, com o Maracanã repleto, feriu-se a Festa Brava do Campeonato, na qual logo aos tres minutos, Paulinho deixou o seu cartão de visitas nas redes do grande Castilho, para, ainda no tempo inicial, repetir por mais duas vezes a façanha, a última das quais em fabulosa bicicleta e tudo isso, após assombrosa exibição de toda a sua equipe. 
Na fase final, goal do Fluminense, logo respondido com outro de Paulinho e com o quinto de autoria de Garrincha, de maneira magistral. Mais uns minutos e aos 23, o nosso sexto goal, o quinto de Paulinho, que, com esta espantosa façanha consagrava-se também, o artilheiro máximo da cidade! 
Com seis a um no placard, estava o BOTAFOGO CAMPEÃO e fato inédito, o grande João Saldanha, muito antes do término da luta, era arrebatado da boca do túnel e carregado em triunfo pela multidão eletrizada, enquanto os locutores sediados atrás de nosso arco, já entrevistavam Thomé, com a camisa em farrapos, Servilio e outros! 
Mais um goal tricolor e com a contagem apavorante de SEIS A DOIS fixava-se o NOVO CAMPEÃO CARIOCA, o BOTAFOGO INDOMAVEL E ETERNO, sob ovações estrondosas, sob um delírio apoteótico! 
E bem o mereceu, pois de Adalberto a Quarentinha, sua equipe moveu-se como uma só peça, em exibição primorosa, onde, embora todos estivessem no mesmo nível elevado, não podemos deixar de destacar as façanhas verdadeiramente maravilhosas de Garrincha, Didi e Paulinho e de nosso querido e inexgotável Nilton Santos.
 Salve, BOTAFOGO, CAMPEÃO DO RIO DE JANEIRO DE 1957! 
DADOS TECNICOS: 
SCORES: 
América   3x1 2x1 
Bangú      0x0  1x0 
Bonsucesso   3x1 3x1 
Canto do Rio   4x0 3x0 
Flamengo   3x3 1x1. 
Fluminense   0x1 6x2 
Madureira  6x1 4x2 
Olaria   2x0 4x1 
Portuguesa   5x1 5x0 
São Cristovão   2x0 5x0 
Vasco da Gama   2x2  0x3 
Total: Jogos: 22. 
Vitórias: 16 
Empates: 4. 
Derrotas: 2. 
Goals pró: 64.  Contra: 21. Saldo: 43. 
JOGARAM:  Antonio Corrêa Thomé, 22 jogos; Nilton Santos, 22; Paulo Valentim (Paulinho), 22; Américo Pampolini, 21; Manoel Francisco dos Santos (Garrincha), 21; Valdir Cardoso Lebrego (Quarentinha), 21; Edison de Assis Filho, 20; José Lucas (Servilio), 20; Alberto Pereira Pires (Beto), 10, Waldir Pereira (Didi), 17; Adalberto Leite Martins, 13; Amaury Fonseca, 9; Oswaldo Rossi 7; Ronald Alzuguir 3; Ney Rosa 2; Jose Mathias Gomes 1; Juan Leon Cañete 1; Neivaldo Pinto de Carvalho 1
Total: 18 atletas
Artilheiros: Paulinho 22; Quyarentinha 13; Didi 12; Garrincha 6; Edison 4; Santos 3; Beto 1; Pampolini 1; adversários 2
Total: 64 goals.

Acervo particular Roberto Castro Barbosa
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 134 janeiro de 1958
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EXCURSÃO PELAS AMERICAS 
Paulo Amaral, João Saldanha e Amaury

Embarcando logo após a magistral conquista do título de Campeão Carioca de 1957, para uma longa excursão de dois meses pelas três Américas, o BOTAFOGO estreou em S. José da Costa Rica no domingo, 29 de dezembro e com Adalberto, Thomé e Servilio, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison (Rossi) e Quarentinha, empatou por 0x0 com a seleção da Liga D. Alajuela. 
A 19 de janeiro do corrente ano, ainda com a equipe muito cansada e com a mesma constituição, exceção da substituição que foi de Edison por Neivaldo, perdemos por 3x0 para o quadro argentino do Huracan.
A 5, ainda em São José da Costa Rica, tivemos o mais agitado embate da excursão, contra o quadro local do Saprissa, tendo surgido em noss arco Amaury que, interrompendo sua lua de mel embarcara a 2, com o nosso querido conselheiro Canôr Simões Coelho, para incorporar-se à delegação, atuando Amaury, Thomé e Servílio, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison e Quarentinha (Neivaldo).
A fase inicial terminou empatada por 1X1, goal de Quarentinha, quando, logo ao início do tempo complementar, o juiz Mackena recusou-se a assinalar um magistral goal de Paulinho, porque a bola saiu da cidadela pela rêde que se achava furada surgindo grande discussão - e a arbitrária prisão de nosso diretor João Saldanha, sob a mentirosa imputação de haver agredido o árbitro, sendo o jôgo suspenso pelo referido juiz que, para os efeitos do torneio quadrangular considerou o Saprissa vitorioso. 
Entretanto, após acaloradas discussões, prosseguiu o jogo, com o relaxamento da prisão de Saldanha e com a substituição do juiz, assinalando, então, Paulinho, o goal de nossa vitória por 2X1, contagem real do prélio, como se verifica da notícia de “La Cancha", orgão especializado local, em cliché publicado em nosso "Jornal dos Sports" de 16 de janeiro, reproduzindo a primeira página do referido jornal e onde se lê com todas as letras: BOTAFOGO 2, Saprissa 1. 
                        Costa Rica - Na Embaixada do Brasil

De Costa Rica, o BOTAFOGO voou para a Colombia, onde atuando em Medelin, a 12 de janeiro com Adalberto, Thomé e Servilio, Beto, Pampolini e Santos, Garrinha. Edison, Paulinho, Didi e Quarentinha, sobrepujou o Nacional por 2x1, goals de Edison, para a 15, no mesmo local, empatar por 0x0 com o D. I. Medelin, atuando Amaury no goal e entrando Adhemar, durante o jôgo, em lugar de Beto.
Em Curação, a 19 de janeiro, vencemos a seleção local por 4x1, pontos de Garrincha, Didi, Quarentinha e Neivaldo, atuando Adalberto, Thomé e Servilio, Beto, Adhemar (Pampolini) e Santos, Garrincha, Rossi (Edison), Paulinho (Amoroso Quarentinha), Didi e Neivaldo. 
Dois dias após, a 21, confirmámos a vitória por 4x0, tentos de Garrincha, Amoroso, Quarentinha e Neivaldo, jogando Amaury, Domicio e Servilio, Lucas, Adhemar (Pampolini) e Santos (Beto), Garrincha, Didi, Amoroso, Rossi (Quarentinha) e Neivaldo.
                        O Botafogo em S. Salvador

Prosseguindo seus deslocamentos, eis a delegação em San Salvador onde, a 26 de janeiro, derrotou por 4x0 o F. A. S. de Santana, goals de Garrincha — 3 e Paulinho formando o quadro com Adalberto, Thomé (Domicio) e Servilio (Lucas), Beto (Adhemar), Pampolini e Santos, Garrincha, Didi (Rossi), Paulinho, Edison (Amoroso) e Quarentinha (Neivaldo). 
A 30, no mesmo local, abatemos o Atlético Marte por 3X1, goals de Garrincha, Paulinho e Quarentinha, atuando Amaury, Thomé (Amoroso) e Santos (Neivaldo), Adhemar, Pampolini e Servilio, Garrincha, Edison, Paulinho, Didi e Quarentinha e, a 2 de fevereiro, empatámos por 1X1 com o forte quadro argentino do Independiente, tendo Edison assinalado o nosso goal, jogando Adalberto (Amaury), Thomé e Servilio, Adhemar, Pampolini e Beto, Garrincha, Didi, Paulinho, Edison e Quarentinha.
                    Costa Rica - Jogo contra o Alajuela

Foi em San Salvador que Garrincha excedeu suas assombrosas atuações anteriores que, segundo Canôr, valeram-lhe o título de "Sputnik” e foi lá que a delegação foi fidalgamente acolhida pelo Embaixador do Brasil --- Lauro Muller Filho, nosso, antigo defensor. 
Voou, em seguida, nossa equipe para o México, afim de participar de um Torneio Pentagonal com três quadros locais e o River Plate, de Buenos Aires, tendo a satisfação de encontrar ó nosso Vice-Presidente e Grande-Benemérito Dr. Adhemar Alves Bebianno, senhora e filho e o abnegado alvi-negro Sandro Moreyra. 
Sentindo tremendamente os efeitos da enorme altitude local, não foram felizes os botafoguenses, em sua estréia, a 6 de fevereiro, perdendo por 2x0 para o Guadalajara, que seria o vencedor do torneio e atuando com Amaury, Thomé e Servilio, Adhemar (Beto), Pampolini e Santos, Garrincha, Edison (Rossi), Paulinho, Didi e Quarentinha. 
A nove, reabilitou-se o Glorioso, ao derrotar por 4x3 o Toluca, tendo Garrincha dado um verdadeiro "show" de bola, marcando dois goals e Quarenta outros dois, formando Adalberto (Amaury), Thomé (Domicio) e Servilio, Beto, Pampolini e Santos (Neivaldo), Garrincha, Edison, Paulinho, Didi (Rossi) e Quarentinha. 
                              Lindo goal de Garrincha

A 16 de fevereiro, abatemos o Zacatepec, campeão mexicano, por 3x1, pontos de Pampolini, Garrincha e Edison, jogando Amaury, Thomé e Servilio, Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Edison, Paulinho (Amoroso), Didi (Rossi) e Quarentinha. 
A 20, encerramos a campanha, com formidavel peleja com o River Plate, tri-campeão argentino, empatando por 1x1, golaço de Nilton Santos e apresentando Amaury, Thomé e Servilio, Beto, Pampolini (Neivaldo) e Santos, Garrincha, Edison, Paulinho, Didi e Quarentinha, Garrincha, "El Diablo" e "El Moreno", deu um verdadeiro baile no famoso médio Vairo e a torcida mexicana eletrizada, ao final, invadiu o campo, carregando-o em triunfo, tendo Garrincha recebido um troféu classificado como foi, o maior jogador do torneio, no qual o BOTAFOGO classificou-se como Vice-Campeão. 
E, a 23 de fevereiro, as 21,20,  desembarcava no Galeão, nossa gloriosa delegação, sendo carinhosamente recebida, pois que soube honrar magnificamente o seu título, embora extenuada pela campanha do campeonato carioca, assinalando em 14 duras pelejas, 8 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, com 28 goals pró e 15 contra, saldo de 13, tendo conquistado os goals botafoguenses Garrincha 9, Quarentinha 6, Edison 4, Paulinho 3, Neivaldo 2, Didi 1, Amoroso 1, Pampolini 1 e Santos 1. 
Encerrando, temos que assinalar, também, as inesquecíveis gentilezas que recebemos em México City, de Don Ramon e da linda atriz Maria Antonieta Pons que, como ninguem, recepcionaram inesquecivelmente a delegação. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 137 de abril de 1958
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TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA 

Com a sua equipe bastante castigada pelas árduas lutas do Campeonato Carioca de 1957 e pela longa excursão pelas Américas, o BOTAFOGO não foi feliz no torneio Rio - São Paulo que tem a denominação de nosso saudoso e inesquecível campeão Roberto Gomes Pedrosa. 
Ainda assim, fizemos uma grande estréia, na noite de 27 de fevereiro, no Maracanã, quando com Amaury, Thomé e Servílio; Beto, Ronald e Santos; Garrincha (Neivaldo), Paulinho, Edison, Didi e Quarentinha derrotamos o forte quadro do Corintians por 3 x 2, jogo no qual o BOTAFOGO dominou amplamente e impôs-se com relativa facilidade, tendo chegado mesmo aos três a zero, diminuídos nos cinco minutos finais em virtude de distrações de nossa defesa. 
Nossos goals foram conquistados por Paulinho, Quarentinha e Didi, éste em maravilhosa "folha sêca" em movimento e todos três provenientes de jogadas maravilhosas de Garrincha que, apesar dos fouls de Oreco, deu um show de bola . 
A 2 de março, à tarde, no Pacaembu transformado em lagoa devido às chuvas torrenciais, empatamos por 2x2 com o Santos, goals de Paulinho e Edison, em jogo sensacional que teríamos vencido não fôsse uma jogada infeliz de Didi que, ao atrazar uma bola a Amaury, aninhou-a em nossas próprias rêdes, quando aos 33 minutos da fase final, vencíamos por 2 x 1, tendo atuado Amaury, Thomé e Servilio, Beto, Ronald (Domício) e Santos, Garrincha, Paulinho, Edison, Didi e Quarentinha. 
A 8, novamente com o campo molhado e com muita pouca sorte, no Pacaembu, perdemos para a Portuguesa por 2 x 1, goal de Quarentinha, formando Amaury, Thomé e Servílio; Beto, Ronald (Neivaldo) e Santos; Garrincha, Paulinho, Edison, Didi e Quarentinha que passou para médio, em lugar do jovem Ronald, quando Neivaldo, entrando em lugar dêste, ocupou a ponta-esquerda. 
A 12 de março, à noite, no Maracanã, goleada espetacular de 7 x 3 sôbre o América, contagem que nos primeiros quinze minutos da peleja já era de 5 x 0. 
Nossos goals foram assinalados por Quarentinha 2, Paulinho 2, Garrincha 1, Didi 1 e Edison 1 e a equipe se exibiu com Amaury, Thomé e Servilio, Beto, Ronald ( Ademar) e Santos, Garrincha (Neivaldo), Paulinho, Edison, Didi e Quarentinha. 
A 16, no mesmo local, em tarde de impressionante calor e com uma arrecadação de Cr$ 1 . 011 .810,00, empatamos por 1 x 1 com o Fluminense, tendo Didi assinalado o nosso goal em penalty magistralmente cobrado contra Castilho, atuando a nossa equipe com Amaury, Thomé e Servílio, Beto, Ronald e Santos, Garrincha, Paulinho, Edison ( Rossi), Didi e Quarentinha. 
Nosso quadro, que revelara grande cansaço naquela tarde, a 20 de março, em noite negra, fracassou por completo frente ao Flamengo, tombando por 4 x 0, tendo Thomé, com verdadeiro azar, consignado dois goals contra nossas cores, atuando Amaury, Thomé e Servílio, Beto (Ademar), Pampolini e Santos, Garrincha, Paulinho, Edison (Rossi) , Didi e Quarentinha . 
A 27, à noite, ainda no Maracanã, em jogo tumultuado pela brutal marcação de Coronel em Garrincha, criminosamente permitida pelo árbitro, perdemos para o Vasco por 4 x 2, goals de Didi e Quarentinha, jogando Amaury, Thomé e Servílio; Beto, Pampolini e Santos; Garrincha, Paulinho, Edison, Didi e Quarentinha. Paulinho foi expulso por ter escorado o desleal Coronel e como consequência houve o clássico sururú, tendo sido também expulso Almir, do Vasco, que fôra insultar Paulinho e que recebera umas bolachas de um torcedor alvi-negro. 
Tudo lamentável, tendo se originado da complacência intolerável do juiz Amilcar Ferreira para com os fouls praticados no imarcável Garrincha, complacência, aliás, idêntica a de seus colegas, como em grande evidência foi ressaltado por toda a imprensa, que salientou com precisão a impossibilidade em que se encontra nosso estupendo extrema para atuar, marcado aos safanões, aos abraços e com a camisa segura por verdadeiras nulidades que perambulam em nosso futebol e que, em qualquer país civilizado, seriam sumàriamente expulsos de campo. 
Renato Estelita, nosso abnegado diretor de futebol, em 28 de março, declarou a "O Jornal", com indignação: "As sucesivas agressões de que Garrincha vem sendo vítima, terão que terminar. Os árbitros terão que tomar medidas enérgicas pois não é po-sível mais a Garrincha futebol eficie-te com o sistema de marcação que adotam sôbre êle, uma vergonha o que se verifica em campo com a complacência de todos os árbitros. É deplorável mesmo que tudo aquilo seja permitido sem a menor reação da autoridade em campo. Há já três jogos que Garrincha vem sofrendo implacável marcação na base da violência, a rigôr, legítimas agressões. Assim é fácil a qualquer um marcar o rapaz. Depois, vivem todos a dizer pelos quatro cantos da cidade que Garrincha não andou que Garrincha não viu a bola e que isso e mais aquilo. 
Ora, com êsses métodos estúpidos e anti-esportivos também eu, que não sei jogar futebol, sou capaz de marcá-lo. Aliás, êle não está sendo marcado, está, isso sim, sendo inutilizado por elementos cujo futebol é curto demais e que se limitam a dar pontapés durante os noventa minutos. Tomaremos providências imediatas. Vamos reagir contra isso e nos comunicaremos com o Departamento de Árbitros Não é possível que o crime seja praticado sem punição aos faltosos. 
Garrincha, hoje, já não pode mais jo gar futebol. Caçam-no como se fosse responsável pelo jôgo que possui. 
A 29 de março, à tarde, no Maracanã, em boa virada, abatemos o Palmeiras por 3 x 2, com dois magníficos goals de Didi e um de Paulinho, tendo o árbitro anulado um legítimo quarto tento assinalado por Rossi, formando Amaury, Thomé ( Domicio ) e Servílio ,Beto, Pampolini e Santos, Garrincha, Paulinho, (Edison) Didi e Quarentinha, e a 6 de abril, no mesmo local, com a mesma equipe e idênticas substituições, em luta em que falhou nossa defesa, perdemos para o São Paulo por 5 x 2, goals de Quarentinha e Paulinho. 
Em resumo, o BOTAFOGO preliou nove vêzes, com 3 vitórias, 2 empates e 4 derrotas, 21 goals pró e 25 contra, sendo nossos goals marcados por Didi 6, Paulinho 6, Quarentinha 6, Edison 2 e Garrincha 1

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 138 de maio de 1958
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Vitima de um colapso, faleceu na noite de 10 de agosto de 1958, em casa de seu dono, o veterano zagueiro Macaé, o querido cãozinho Biriba, que foi mascote invicta da formidável conquista do campeonato carioca de futebol de 1948. Biriba, que já vinha sofrendo do coração e estava p:aticamente cego, faleceu perto de doze anos e jamais será esquecido pelos botafoguenses que torceram e vibraram na memorável jornada supra citada.
Acervo particular: Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 142 de setembro de 1958
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 FOLHEANDO UMA RELIQUIA

Tivemos a satisfação de ter entre as mãos, nestes últimos dias, uma verdadeira relíquia, qual seja o pequeno álbum de recortes sobre jogos internacionais, de 1912 a 1914, do mais moço de nossos quatro gloriosos e abnegados irmãos Sodré - Emanuel, Lauro, Benjamin e Theodoro (Dorinho) - então um adolescente-e que depois brilharia em defesa da equipe principal do Glorioso, como seus três manos mais velhos já haviam feito fulgurantemente e não nos furtamos à alegria de aqui reproduzir os trechos infra:


"Jornal do Comércio", antes jogo Scratch Carioca x Corinthians, efetuado a 21 de agosto de 1913 -  "Rolando de Lamare - Half-back left - Por ocasião do jogo entre os Portugueses e o BOTAFOGO, assim nos referimos a este jogador, half direito da eleven alvi-negra: "Um dos melhores players do team. Calmo, infatigável, conhecendo perfeitamente o association, é extraordinário na sua posição. Precioso elemento na defesa, do qual muito se ufana o club Campeão. Lauro de Almeida Sodré - Outside left - É um excelente jogador na sua posição. Veloz e ágil, auxilia a defesa, como seu irmão Mimi, com o qual combina magistralmente. Seus centros são perigosos, pois tem em geral uma. precisão matemática. Benjamin de Almeida Sodré (Mimi) - Insid left - Pode-se considera-lo como  o melhor forward dos nossos campos. Pequenino, forte e insinuante, é corajoso e  cavador: nunca desanima, socorre eficazmente  a defesa do seu team, sendo o terror dos halves adversários. Praticando  um jogo admirável, é querido e festejado pelo publico que o aplaude com entusiasmo nos matches. Mimi é um jogador que honra sobremodo a eleven alvi-negra.
Êste jogo, como se sabe, foi vencido pela seleção da Liga Metropolitana por 2x1, goals de Sidney e Welfare, formando a equipe com Robinson, Pindaro e Nery, L. Andrew, Mutzembecker,  Rolando, Oswaldo Gomes, Sidney Welfare, Mimi e Lauro, comentando outro jornal, "Mimi jogou, corno é difícil imaginar, pelas coisas quase sobre-humanas que conseguiu fazer, levando em conta a sua pequena estatura, que o colocava sempre sob os ombros dos belos rapazes do Corinthians.


Mimi teve ensejo de executar magistrais driblings, com que tirou proveito imenso, pois que os rematava com, certeiros passes". 

No jogo seguinte, o Corinthians derrotou por 2x1 a seleção denominada brasileira ser constituídas  de  elementos exclusivamente nacionais e que formou com Marcos, Pindaro e Nery Rolando, Mendes e Pernambuco, Witte Batista, Borgerth, Mimi e Lauro.

E comentou “Jornal do Comércio" sobre um grande goal de Mimi e a sua atuação: “Os brasileiros duplicam seus esforços e alguns minutos mais, vêm suas tentativas coroadas de belo êxito com o magnífico goal feito por Mimi que driblando halves e backs, shoota a goal, vencendo também a Turner, o goal-keeper inglês”.

- "Benjamin Sodré (Mimi), cada vez que Mimi, o estupendo forward mignon apoderava-se da bola, um frêmito de emoção perpassava por toda aquela multidão, e era geral a ansiedade enquanto a bola estava em seu poder.Em driblings, em rushes, em passes e escapadas, multiplicando-se, enfim., por todas as formas, Mimi, no match de ontem, foi inexcedível.

No ano seguinte, a  20 de agosto de 1914, um combinado BOTAFOGO- Flamengo, com Baena, Píndaro e Nery Vilaça, Lulú e Galo, Arnaldo, Joca, Fontenelle, Riemer e Menezes, empatou por 1x1 com os italianos Pró Vercelí, comentando "O Imparcial” o seguinte sobre o herói da tarde, o nosso grande Lulú Rocha: "Lulú foi quem mais se salientou, tornou-se o terror dos adversários, que assim que o viam, tratavam de mandar para bem longe a esfera. Demais, o jogo ontem patenteado pelo player alvi-negro, não é, para os bons entendedores, coisa ,de admiração, ele sempre foi o melhor center-half dos grounds cariocas e se alguma vez esteve infeliz, isso em pouco importa, porquanto nem todos são infalíveis".

E novo grande elogio a Lulú Rocha quando o scratch da Liga, com Marcos, Dutra e Vilaça, Pernambuco, Lulu e Rolando, Witte, Ojeda, Welfare, Sidney e Brewerton,  derrotou os mesmos italianos por 4x1: "Quando foi reencetada a pugna, os italianos voltaram dispostos a destruir a inferioridade que possuíam, mas coisa alguma arranjaram, ante a perícia de Marcos, a vigilância de Dutra e Vilaça e a excelência do jogo de nossa linha de halves-becks, na qual se destacava, em primeiro plano, a figura máscula do seu admirável centerhalf".

Encerra-se o álbum com a extraordinária vitória da primeira seleção Rio-São Paulo, a 21 de julho de 1914, por 2x0, goals de Oswaldo Gomes e Osman, sobre os profissionais ingleses do Exeter City, quando se apresentou com Marcos, Pindaro e Nery, Lagreca, Rubens Sales e Rolando, Oswaldo, Abelardo
Friedenreich, Osman e Formiga, dizendo "Jornal do Comércio" sôbre os irmãos Delamare, nossos destacados defensores: - "Rolando - Bem conhecido dos nossos leitores. É o melhor half do Rio, atualmente, e não é preciso dizer mais. O seu jogo leal, calmo, e sua intervenção oportuna, tornaram-no muito apreciado por quantos entendem algo de futebol. Eis os três half-back  que ontem, numa luta de titãs, auxiliaram aos nossos a arrancar dos Ingleses, à custa de gigantescos esforços, a sua mais linda vitória até esta data. Quer individual, quer coletivamente estiveram estes três players, de parceria com os dois backs, acima de todo e qualquer elogio, e a ineficácia do terrível ataque inglês prova bem o que acabamos de dizer. Abelardo - O laureado campeão do BOTAFOGO esteve bastante infeliz em suas investidas. Como todos os demais, esforçou-se muito e por diversas vezes emocionou a seleta assistência, com o seus shoots e passes prontos.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
 Fonte: Boletim Oficial do BFR no 147 fevereiro 1959
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MANÉ GARRINCHA 
Ídolo de todas as torcidas 


No futebol tambem existem várias dos "melhores". Mas, este ano um nome vai estar em tôdas as relações do "melhor craque" — Garrincha! O extrema campeão do mundo, pelas suas espetaculares atuações no campeonato mundial e no certame carioca, aparece como o maior cartaz do futebol carioca e divide com o paulista Pelé, outro herói da Copa do Mundo, as honras de maiores atrações do futebol nacional. 
CRAQUE DO ANO 
Outro dia, a "Sport Press", uma das que pesquisa a opinião dos cronistas sobre os "melhores do ano", distribuiu na redação as cédulas da enquete. A escolha não é secreta. Vimos os votos dos nossos companheiros — eram para Garrincha. O Mané vai ser finalmente o craque do ano! Ele, que a cinco anos joga tudo isso que está jogando agora. 
Não é de muito pensar o nosso, Mané. Por isso, dá de ombros quando ouve as lôas de agora. 
"E, parece que passaram a acreditar no meu jogo- — diz. E vai para campo dar seus "shows". 
QUASE NÃO FOI A SUECIA 
O que muita gente não sabe é que o ano de Mané Garrincha podia ter sido bem diferente. A verdade é que ele por pouco não vai a Suécia. Esteve para ganhar, em vez do titulo, uma séria punição da CBD. Não fosse a intervenção de Renato Estelita e João Saldanha, era o que teria acontecido. 
Foi pouco antes do embarque do "schatch". Garrincha estava concentrado nas Paineiras, sem ilusões. O que acontecera no passado, no seu passado de seleções repetia-se desta vez pois os homens de cima, os que mandavam no time não faziam a menor fé no seu jogo. Mas iria para a Suécia fazer numero. Completaria os vinte e dois da relação e seria um torcidor dos outros. Ora, Mané não é de máscara, mas tambem não, é de ficar de fora, olhando. O drama que viveu no sul-americano de Lima, quando viajou por viajar, já que Brandão não aproveitou o seu futebol, não queria viver de novo. Por isso, na concentração das Paineiras, era um desanimado. Nilton Santos, que o conhecia hem, procurava despertá-lo. Citava o seu próprio exemplo. Ele tambem tivera de lutar pela posição, que todos sabiam sua. Mané Garrincha, porém, não se convencia. Disse ao companheiro que estava certo de não ser incluido no time. — Eles não acreditam em mim. O melhor será dar o fora enquanto é tempo. É o que eu vou fazer. Vou sumir para Pau Grande".
 Santos contou a conversa a Estelita e Saldanha. Os dois foram às Paineiras. E, por sorte, no dia e, na hora em que Mané Garrincha fazia as malas para dar o fora, com ou sem dispensa. 
Se não largou tudo e se não toe-. para Pau Grande, foi porque os dois dirigentes e amigos, não sem trabalho o convenceram a ficar. 
ENTRAR NO TIME, OUTRO DRAMA 
Mané, foi... Foi sem esperanças. Foi para não criar caso. No embarque que disse isto a Ademar Bebiano, que o animava. E tinha r razão o nosso Mané Garrincha. Claro que entrou no time e que se tornou a grande figura da Copa, a chave da arrancada do Brasil para a gloriosa conquista. Mas até entrar, o que só aconteceu no terceiro jogo e depois do quadro ter empatado com os ingleses, foi um drama. Pela sua escalação lutaram Didi, Nilton Santos, a maioria dos jornalistas que acompanhavam a seleção e o doutor Hilton Gosling. Cada um colaborava com os mais convincentes argumentos junto a alta direção do selecionado. Felizmente, para o time, conseguiramressionar Paulo de Carvalho e Feola. Mané entrou contra os soviéticos. Feliz como um passarinho. Já campo Santos quis testar os seus nervos. Disse-lhe da responsabilidade. "Muita gente se mexeu para você entrar, vê lá como joga. Mané não respondeu a pergunta. Mas de pé na fila olímpica, esperando o hino, virou-se para Santos e disse, apontando um dos bandeirinhas: — Olha aquele careca como se parece com "seu" Carlito... Evidentemente, não estava nervoso. Momentos depois, daria o maior -show" de futebol que os europeus assistiram. Não seria justo separar um apenas daquela seleção chamada de ouro, que deu ao esporte brasileiro a maior glória e a maior alegria de todos os tempos.. Mas, todos sabem que fez Mané Garrincha para a retumbante conquista. Depois que ele entrou, o time mudou completamente. Seus dribles em um instante liquidaram com poderio da defensiva soviética, um quadro treinado contra qualquer surpresa. O "baile' de Mané Garrincha, fazendo virar "João" todos os marcadores contagiou os brasileiros. AqueIe  quadro medroso, defensivo, muito sobre o britânico, dos dois primeiros jogos desapareceu. Em seu lugar surgiu uma vibrante equipe marcada pela malícia brasileira. Mané desencabulou todo mundo. E foi sambando que o Brasil passou, por russos, galeses, franceses e suecos até ver um rei descer da sua tribuna para entregar ao capitão da nossa equipe a taça de ouro dos campeões do mundo. 
Por isso e pelo que continua fazendo no seu Botafogo é que Mané Garrincha é o craque do ano. 
Agora não há quem pense em outro extrema para as seleções do Brasil. Mané tem razão. Custaram, mas acabaram acreditando. Hoje Mané Garrincha é o idolo de todas as torcidas. O craque de todas as camisas. Quando chegar a hora de ser chamado para o sul-americano de Buenos Aires, pode ir tranquilo. Não há mais o risco de ficar à margem, ouvindo dizer que é um jogador de pelada. Mané não precisará mais pensar em fugir da concentração. É o dono da ponta direita e dono da bola. Ele e Pelé vão atrapalhar todos os planos de reabilitação e vitória que os argentinos estão traçando para março, em Buenos Aires. 

SANDRO MOREYRA — "Diário da Noite” de 26-12-1958 

Acervo particular Alceu Oliveira  de Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 148 de março de 1959
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GOLEIRO BOTAFOGUENSE REVELA: PREFERE VER 0 DIABO DO OUE TER PELÉ DIANTE DELE.
Dentro de campo só um atacante me faz tremer: Pelé. E o goleiro Adalberto do Botafogo acrescentou: 
- É um verdadeiro demônio aquêle rapaz. Dificilmente o futebol brasileiro será capaz de produzir outro Pelé. É um craque com "C" maiúsculo. Se fico atento aos menores movimentos dos atacantes contrários, quando é Pelé quem está de posse da bola, minha atenção é mil vêzes maior, pode acreditar, pois do atacante santista tudo se pode esperar, até mesmo verdadeiros "canhonaços" de fora da área. Outra coisa me chama a atenção nesse rapaz: sua facilidade de cabecear, é sempre com perigo. Vocês já repararam que, embora sua estatura não seja das mais elevadas, êle geralmente salta quase meio metro acima dos jogadores da defesa? Mesmo quando Pelé apanha a bola no meio do campo, sinto-me temeroso — não me envergonho de confessar. Foi pelo E.C. Cocotá que Adalberto Leite Arantes em 1946, comecou a jogar futebol, como goleiro. Há 22 anos êle mora na Ilha do Governador e sempre atuou no arco. Em 1948 ingressou no Fluminense, levado pelo Braguinha (João Coelho Neto) e lá ficou jogando nos juvenis, sob as ordens de Otto Vieira. Disputou os campeonatos de 1948, 49 e 50, ano em que o tricolor sagrou-se campeão nessa categoria. 
- Dois anos depois é êle quem fala , substituindo Castilho e Veludo, fui campeão da Copa Rio. Em 1954 o Fluminense conquistou o tetra-campeonato na categoria de aspirantes e o titular do arco era eu. Ainda nesse mesmo ano fui campeão do Torneio Início, por ter-se contundido Castilho. 
- Quanto você ganhava no tricolor, Adalberto? 
- 7.000 cruzeiros. Mas fui para o Jabaquara, onde meus vencimentos totalizavam 20.000 cruzeiros mensais. Defendendo o arco do Jabaquara, durante dois anos, fui, além do goleiro mais vazado, "lanterna" do campeonato paulista. Em 1957, a convite do Paulo Amaral, entrei para o Botafogo com 9.000 cruzeiros mensais. Em julho, renovei (e fui aumentado para 20.000) por dois anos, e aqui estou, muito contente. 
- Quantos pênaltis você já defendeu até hoje? 
- Uns quinze, mais ou menos, sem contar os que agarrei no Torneio Início de 1955, jogando pelo Botafogo. Só pelo Jabaquara, defendi uns oito. 
- Quais são as bolas mais difíceis de defender: as altas ou as rasteiras? 
- As rasteiras, porque são necessários dois movimentos: o de abaixar e o de impulsionar o corpo; ao passo que as altas exigem um movimento só, que é o de saltar na direção do couro. 
- Você gosta de barreiras na cobrança de faltas? 
- Depende muito da localização da falta. Se ela é muito próxima, está claro que uma barreira ajuda bastante. No entanto, se a falta foi cometida além da linha média, a barreira só serve para atrapalhar, já que encobre parcialmente a visão do arqueiro.
— Qual foi o juiz mais justo que já encontrou até hoje? 
- Mário Viana. 
- E o menos justo, Adalberto? 
- Não quero dizer que Amilcar Ferreira seja um árbitro injusto, mas êle falhou, lamentavelmente, uma vez, prejudicando o meu time. No transcorrer de uma partida entre o Botafogo e o Fluminense (eu defendia o arco tricolor), o atacante Vinícius apanhou a bola, em nítido impedimento, e fulmlnou-me, sem apelação. Amilcar sem dar atenção aos acenos do bandeirinha, que acusara o impedimento, consignou o gol. 
— Qual é o atacante mais violento que conhece? 
- Leônidas, do América. Já levei cada tranco dêle, que, se eu não fôsse muito esperto, tinha ido para o estaleiro. 
- Qual é seu maior anseio atualmente? 
- Vestir a camisa da nossa seleção. Farei tudo para conseguir isso. Para finalizar, alguns detalhes sôbre a vida particular de Adalberto: o goleiro botafoguense é casado com D. Beatriz Martins e tem dois filhinhos, Carlos Alberto e Adalberto.

Fonte: Revista do Esporte nº 11 de 23 de maio de 1959
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BETO
AINDA JOGO  FUTEBOL PORQUE SOU TEIMOSO
CONTINUO JOGANDO futebol porque sou teimoso, pois se fôsse creditar na sorte já estaria liqüidado. Se tivesse abandonado o meu emprêgo no I.A.P.E.T.C., em proveito da bola, não sei como estaria hoje. Quem, está falando à R.E. é Beto, vigoroso defensor do Botafogo. Ele continua com a bola: 
- A minha carreira tem sido atrapalhada sempre pela mudança de diretoria: no Flamengo, no Vasco e, agora, no Botafogo a história é sempre a mesma e não deixo de ganhar o nome de reserva. Alberto Pereira Pires é carioca de Botafogo e adora muito o seu bairro e (disse) ficará satisfeito se nêle fechar os olhos. Os três apartamentos (que tem mais ou menos pagos) não foram comprados facilmente, pois suas contas são puxadas a ponta de lápis. Há 13 anos atua na fiscalização, no Instituto dos motoristas, e jamais pensou em abandoná-lo pelo futebol. D. Mirtes, sua esposa, também trabalha na mesma autarquia. Estão residindo atualmente no Ed. Rajá e, mais um pouquinho, estarão em seu apartamento próprio do Ed. Hindu (ao lado da Sears).

-  E o contrato? 
- Espero que os homens renovem, mas se tal não acontecer ficarei quieto em meu cantinho e não deixarei de lado as peladas na praia. O que ganho os "cobras” ganham muito mais no Botafogo não é o essencial para matar minha fome. Estou cansado de ser desvalorizado. 
- Já se sente no ponto de parar? 
- Não. Infelizmente no Brasil os dirigentes têm mêdo de jogadores velhos. 30 anos, em nessa terra, é velhice absoluta. Já estou na fila para sobrar, mas me sinto inteiramente à vontade para jogar mais dez. Velho ou môço com ótima assistência médica vai pras quatro linhas com a mesma categoria. É claro que toda regra foge à exceção. Ele nos disse que só depois que deixar a bola é que vai pensar em herdeiros, pois as excursões e as concentrações não dão oportunidade à maior dedicação ao lar. Pescaria é o seu xodó, pois, à menor folga no alvi-negro, ele embarca no "Boa Sorte" (barco) e sai pela Guanabara assustando os que moram dentro d’agua.
Aponta Amarildo e Airton como dois autênticos craques da nova geração e que merecem ser aproveitados. Não tem a mínima queixa do Saldanha, bom amigo e treinador, sempre conselheiro. No Botafogo é reserva de todas as posições da defesa. Mas nem sempre joga em cima.
Beto dá o chute final: 
-  A melhor que fizeram até do hoje comigo foi no Vasco. Vindo de uma boa campanha em 56, Martim Francisco (técnico que parece se guiava pela imprensa começou a se livrar dos elementos que (para êle) ainda sentiam saudades de Flávio Costa. Haroldo (ótimo zagueiro) e Pelegrine foram juntos comigo para o olho da rua. Martim nunca me passou pela garganta como orientador técnico.

Fonte: Revista do Esporte nº 14 de 13 de junho de 1959
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TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA

O BOTAFOGO estreou no Torneio Roberto Gomes Pedrosa, na noite de 9 de abril, no Maracanã, enfrentando o poderoso esquadrão do Santos, para o qual perdeu por 4x2, goaIs de Didi e Paulinho.

O Antes de iniciado o encontre no qua] foi disputada também, a taça João Citro, o BOTAFOGO homenageou os cracks de ambas as equipes que haviam participado do Sul Americano, ofertando-lhes lindas canetas-tinteiro tendo sido este o nosso  conjiunto: Ernani, Florindo e Paulista, Cacá, Ronald e Pampolini, Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Macalé).


A 15, no Pacaembu, atuando mal, perdemos para o Palmeiras por 4x1, qoal de Garrincha, formando a equipe com Adalberto, Florindo e Paulista, Pampolini (Ronald) e Beto, Garrincha, Didi, Paulinho, Macalé e Quarentinha .

Na tarda de domingo, 19 de abril no Maracanã, o BOTAFOGO reabilitou-se ao abater o São Paulo por 3x1, tantos de Paulinho 2 e Quarentinha, atuando Adalberto, Florindo (Thomé) e Paulista, Cacá, Ronald e Pampolini, Garrincha, Macalé, Paulinho, Quarentinha (Amarildo) e Zagalo  (Neivaldo).

À 25 de abril, à noite, também no Maracanã, assinalamos boa vitória sobre o América por 3x1, tentos de Garrincha 2 a Quarentinha, jogando o quadro com a seguinte constituição: Adalberto, Thomé e Paulista (Santos), Cacá, Ronald e Pampolini, Garrincha, Macalé, Paulinho, Quarentinha e Zagalo.

Mas a 30, atuando mal, perdemos para o Vasco por 2x0, atuando Adalberto (Ernani), Thomé e Saintos, Cacá, Ronald (Paulista) e Pampoliní, Garrincha, Macalé, Amarildo, Paulinho, Quarentinha e Zagalo.

Nessa altura, dentro da lamentável e habitual falta de planejamento do futebol nacional, a C.B.D. desmoronou um torneio fadado a grande sucesso técnico e financeiro, em virtude de convocação dos cracks para o selecionado que jogaria com os ingleses a 13 de maio ficando quase todas as equipes esfaceladas, a nossa em Santos, Didi, Garrincha,  Paulinho e Zagalo e, consequentemente, o certame transformado em luta de equipes mixtas.

Nossa nova equipe, onde estreou José Ortiz Cetali, vindo do Comercial de Ribeirão Preto, foi feliz em sua primeira apresentação, quando, a 3 de maio, no Pacaembu, abateu a Portuguesa por 3x0, goals de Edison e Macalé, formando com Adalberto (Ernani), Thomé e Beto, Cacá, Pampolini e Cletali, Edison, Macalé, Quarentinhal (Bruno), Rossi e Neivaldo ( Amarildo).

A 7 de maio, a noite, com muito azar, no Maracanã, perdemos por 3x2 para o Flamengo, que teve o seu ponto de vitória obtido pelo nosso defensor Augusto. Amarildo foi brutalmente atingido por Jadir, nossos pontoss foram consignados por China e Neivaldo e a equipe apresentou-se com Ernani, Thomé e Beto, Cacá Airton e Cetali (Augusto), Edison, Macalé, Bruno, Amarildo (China) e Neivaldo.

A 10 de maio, à tarde, no Maracanã, vencemos Iindamente a equipe, quase completa do Fluminense, por 1x0, goal de China, com esplendida cabeçada, atuando Adalberto, Cetali e Chicão, Lucas, Airton e Ademar, Neivaldo, Macalé, China (Amoroso), Edison e Bruno (Rossi), tendo estreado Chicão, adquirido ao Bonsucesso.

Encerramos o torneio a 12 de maio, à noite, em General Severiano, perdendo para o Corintíans por 1x0, quando jogaram Adalberto, Cetali e Chícão, Lucas, Airton e Ademar, Neivaldo, Macalé, China (Amoroso), Edison e Bruno (Rossi).

Em conclusão, disputamos nove fogos, com quatro vitórias, cinco derrotas, 15 goals pró e 16 contra, tendo assinalado os nossos pontos - Paulinho 3, Garrincha 3, Quarentinha 2, Edison 2, China 2, Didi 1, Macalé 1 e Neivaldo 1.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 151 junho 1959
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SALDANHA NÃO ME DEIXOU IR PARA A ITÁLIA
PILOTAR UMA baratinha de corrida é o meu maior desejo. Vou juntar dinheiro pra tirar a carteira de chofer e comprar a "bichinha". Assim, em questão de horas, vou ver minha família em Belo Horizonte.
— A frente da R.E. está o miúdo Rossi, meia que vem fazendo bela carreira no Botafogo. Com onze anos êle sentiu que podia ganhar a vida com os pés, apesar de ir tenteando-a como pautador na Gráfica Oliveira Costa. Seu primeiro clube foi o Quinze de Novembro do bairro de Santa Teresa, na capital mineira. Já mais crescidinho, foi treinar no Asas (fugindo do trabalho às quartas e sextas de Lagoa Santa e logo foi notado pelo botafoguense Coronel Dirceu que, desejando mandá-lo para o Rio, quatro vêzes falou sério com D. Maria Limeris, (sua genitôra), que se mostrava irredutível. Mas conseguiu trazê-lo para o Botafogo no fim de 55. Do juvenil subiu logo passou para os aspirantese, um pouco mais, passou a integrar o quadro titular.
- Voce custou muito a se ambientar?
- Graças a Deus, não. Tudo deu certo a mim e a oportunidade chegou na hora certa. Não posso deixar de citar, entretanto, Nilton Santos e Pampolini, que logo me colocaram à vontade entre a turma.
Osvaldo Rossi, que já tem uns lotes em Belo Horizonte, não pensa casar tão cedo e seu irmão, Odak, (outro comedor de bola), que ainda joga no Quinze de Novembro, já está sendo "assuntado" para mudar-se para General Severiano. O próprio Rossi é quem vai tratar do seu caso.
- E o dinheiro? —Quando renovar meu contrato vou ver sé cavo um aumentozinho. A vida está muito cara e mesmo assim pretendo construir umas casinhas na minha terra. Certa vez (os boatos retornam), queriam levá-lo para a Itália (via Modesto Roma), mas João Saldanha achou mais prático guardá-lo em seu celeiro. Outra vontade sua: assim que deixar o futebol comprará uma farmácia, pois acha que é um comércio bastante lucrativo. No tempo de garoto (hoje êle já está com 21 anos) torcia pelo Flamengo, mas agora, sendo profissional, dá tudo pelo Botafogo. Não se considera um sujeito pão-duro, mas também não se mete em farras prejudiciais. Êle volta a falar sobre o Glorioso:
— Sinceramente, ainda não acertei no Botafogo. Tenho certeza que posso render muito mais. Não me encontrei; quero fazer mais do que já fiz. E dando o chute final: 
— Sou muito nervoso em campo, não gosto de perder de jeito nenhum. Nem em treinos eu concebo a derrota. Comigo não tem cobras nem menos cobras: pra me vencer têm que correr muito atrás da redonda.

Fonte: Revista do Esporte nº 18 de 11 de julho de 1959
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DESEJO DO MÉDIO BOTAFOGUENSE
QUER TRABALHAR COM SOLICH EM QUALQUER CLUBE CARIOCA

ATÉ AOS DEZESSEIS anos, só pensava em soltar pipas. Depois (eu que sempre fui barrado nas peladas por ser muito ruim) comecei a controlar bem a bola. Aí meus amigos deram em cima de mim e fui tratar da vida sèriamente como jogador de futebol. 
— Estamos ouvindo Airton, centro-médio botafoguense, agora bem cotado para a posição titular no quadro de João Saldanha, já que passou bom tempo esquecido. Com um futebol bem apreciado, Airton esperou que a sua oportunidade na equipe chegasse. Oscar Saraiva levou-o para o América (juvenil) em 53. No fim do ano de 57 foi pedir ao Paulo Amaral (que dirige os aspirantes) para lhe dar uma chance no Botafogo. Valeu a intenção e êle passou a atuar em General Severiano. Hoje é um dos elementos mais prestigiados pela direção técnica e assinou compromisso em condições bem interessantes. Ele fala dos que o incentivaram.
 - Todos os meus amigos me animaram bastante, mas o falecido Maneco foi um grande orientador para mim: previu que eu seria um bom jogador e de maneira nenhuma pretendo contrariá-lo. Se não desisti, foi por causa dêle. Atualmente, Paulo Amaral é o meu conselheiro, ótimo praça, também. A todos agradeço de coração o incentivo. Airton Povil dos Santos é um cidadão pacato. É muito dedicado ao lar (é casado com D. Janete e pai de Ronaldinho, com 5 meses) e seu casamento foi epílogo de uma história começada há vários anos trás, quando o craque andava de calças curtas pelas ruas do Estácio. As resistências paternas foram vencidas e os dois corações se uniram. 
- Você teme os chamados "cobras"? 
- Não vejo porque: somos iguais, temos o campo inteiro para correr e somos profissionais do mesmo jeito. Isso de ganhar mais um pouco não quer dizer nada. O importante é dominar a redonda com categoria. Antes de abraçar o futebol, Airton tencionava seguir a carreira de contador (já é formado), mas o outro lado deu mais certo e preferiu deixar os números para quando largar as chuteiras. 
- Ê verdade que você não gosta de Perder? 
- Sei que sou um sujeito calmo, mas fico nervosíssimo quando o meu time perde. Desculpem-me: não aceito derrota de jeito nenhum. Adoro a vitória. 
O chute final: 
- Tem algum desejo que espera realizar?
- Acenou com a cabeça e: 
- Trabalhar com Fleitas Solich. Não importa em que clube êle esteja. A questão é servir sob as ordens dele.

Fonte: Revista do Esporte nº 19 de 11 de julho de 1959
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 O BOTAFOGO NA EUROPA

O Botafogo vem de encerrar a sua longa temporada em gramados europeus, trazendo para o Brasil um bom e expressivo saldo de vitórias que bem atesta o poderio da sua equipe e o valor indiscutível do futebol brasileiro.

Foram 46 dias de jornada, durante os quais disputou 16 partidas, visitando a Suécia, Dinamarca, Bélgica, Áustria, Holanda, Alemanha, Itália e Espanha.
Retorna o alvinegro com 10 vitórias, 2 empates e 4 derrotas, tendo marcado 44 tentos contra 26 dos adversários.


A DELEGAÇÃO BOTAFOGUENSE

A delegação  botafoguense partiu do Rio de Janeiro no dia 16 de maio, sob a chefia do General Saddock de Sá, integrada pelos seguinte membros: José Cavalcante, tesoureiro; Hílton Gosling, médico; João Saldanha, técnico; Paulo Amaral, preparador físico; Aluísio, roupeiro e massagista; Geraldo Escobar e Jorge Leal, jornalistas; e dos jogadores Ernâni, Adalberto, Cacá, Tomé, Nilton Santos, Cetale, Pampolini, Ronald, Chicão, Airton, Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha, Zagalo, Rossi,  Édison, Amarildo, Neivaldo e Tião Macalé .

A DERROTA DA ESTRÉIA

A estréia ocorreu no dia 18 de maio, em Estocolmo, frente ao AÍK. Foi o Botafogo derrotado por 1x0, tento consignado pelo sueco Skoeld. A representação alvinegra formou com Adalberto, Caá, Tomé e Nilton Santos, Airton e Chicão; Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e  Neivaldo (Tião).

EM UMA PRIMEIRA VITÓRIA

Quatro dias após, mais precisamente no dia 22 de maio, ainda na Suécia, jogando na cidade de Umea, o Botafogo alcançou o seu primeiro triunfo, frente ao quadro do Gimonas, por 3x1. O primeiro tempo terminara com a igualdade de 1x1, tentos de Didi e Peterson,  este último cobrando um “foul-penalty" de Tomé em lngvar Olsson.
Na fase final, Didi e Garrincha construíram o marcador da vitória. Formou o Botafogo com Ernani (Adalberto), Pampolini, Tomé, e Nilton Santos; Airton e Chicão; Garrincha, Didi, Paulinho (Tião), Quarentinha (Edison) e Zagalo.

VOLTOU A PERDER

No dia 24, em Copenhague, Dinamarca, o Botafogo voltou a perder, desta feita para o quadro do Stavenet, por 2x1. Ole Madsen e Erik Jensen, aos 21 e 40 minutos da fase inicial, construíram o placar de 2x0, cabendo a Garrincha, aos 38 do segundo tempo, marcar o tento de honra dos alvinegros. A equipe botafoguense formou com Adalberto, Cacá, Tomé e Nilton Santos; Airton (Pampoliní) e Chicão; Garirncha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo.

O INÍCIO DA REABILITAÇÃO: GOTEMBURGO

Retomando a Suécia, o Botafogo, em Gotemburgio, iniciou a sua reabilitação, derrotando, por 3x0, o Aliansen (seleção local), escore construído no primeiro tempo, por intermédio de Paulinho, aos 14 e 20 minutos, e Didi, aos 35, cobrando uma penalidade máxima. Alinhou o Botafogo nessa partida, disputada no dia 26 de maio, com Ernani(Adalberto), Cacá, Tomé e Nilton Santos, Pampolini e Chicão, Garrincha, Didi, Paulinho (Rossi), Quarentinha e Zagalo (Tião).

NOVA VITÓRIA NA SUÉCIA

No dia 28, em Malmoe, o Combinado Malmoe Norkoping foi derrotado por 3x1. Os primeiros 45 minutos terminaram com a igualdade de 1x1, com Quarentinha inaugurando o marcador aos 5 minutos e Harrybild empatou aos 8. No período complementar, Didi, aos 23, e Quarentinha aos 32, fixaram a vantagem final do alvinegro. O qúadro jogou com a seguinte constituição: Ernani, Cacá, Tomé e Chicão; Airton (Ronald) e Nilton Santos; Garrincha, (Edison), Didi (Tião), Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Neivaldo).

DERROTADO O LIEGE POR 3x1

Da Suécia, a delegação rumou para a Bélgica, onde estreou, jogando em Liege, no dia 30 de maio, contra o quadro local do mesmo nome. Venceu o Botafogo por 3x1, terminando o primeiro tempo com 2x1 no placar, com tentos de Quarentinha e Paulinho, para os brasileiros, e Chantraine, para os belgas. No período final, Garrincha completou o marcador. O quadro alinhou com Ernani, Cacá, Tomé e Chicão; Pampolini e Nilton Santos; Garrinclia, Didi, Paulinho, Quarentinha, (Amarildo) e Zagalo.

EMPATE COM A SELEÇÃO DA ÁUSTRIA

Um dos mais significativos resultados foi aquele obtido no jogo com a seleção nacional da Áustria, realizado em Viena, no dia 3 de junho. Após os 90 minutos de luta, o marcador registrava a igualdade de 2x2, marcando Skerlan, aos 4 minutos, e Garrincha, aos 35, na fase primeira. No final, Horak, aos 8, fez 2x1 e Quarentinha encerrou o marcador, aos 27. Jogou o Botafogo com Ernani, Cacá, Tomé e Chicão; Pampolini e Nilton Santos; Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Rossi).

GOLEADA EM  BRUXELAS

Voltando a Bélgica, exibiu-se o Botafogo em Bruxelas, no dia 6, derrotando o Anderlecht por 5x0. O primeiro tempo terminou com a vantagem de 4x0, cabendo a Paulinho, aos 7 minutos, inaugurar o marcador, e a Quarentirlha, aos ,14 e 22, encerra-lo. No período final, o zagueiro local Lippens marcou contra, aos 21, e Quarentinha, aos 30, encerrou a contagem. Jogaram: Ernani (Adalberto), Airton, Tomé (Cetale) e Chicão; Ronald e Nilton Santos; Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Neivaldo).
NA HOLANDA, 4x3

A nona apresentação do Botafogo teve lugar na cidade holandesa de Geleen, no dia 10 de junho, frente ao quadro do Fortuna 054. Venceram os alvinegros por 4x3, depois dos 2x1 registrados ao fim da fase inicial. Paulinho, aos 6 e 19 minutos, marcou os tentos do Botafogo nessa fase, cabendo a Appel a autoria do único "goal" do Fortuna. No segundo tempo, Paulinho; voltou a marcar ,aos 19, conseguindo os locais, por intermédio de Appel, aos 21, e Ansenent, aos 23, fixar o placar em 3x3. Finalmente aos 31, Quarentinha conquistou o tento da vítória. Alinhou o Botafogo com Ernani, Cacá, Tomé e Chicão; Nilton Santos
(Ronald) e Pampolini; Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentínha e Zagalo (Neivaldo) . 

NOVA VITÓRIA NA HOLANDA

No dia 12 de junho, o Botafogo voltou a jogar na Holanda, desta feita contra o Willem II, na cidade de Tilburg. Venceram os alvinegros por 4x1, com tentos de Quarentinha, aos 5, 8 e 12 minutos, e Garrincha, aos 23, todos marcados no segundo tempo. O único tento dos locais foi obtido por Canjels, aos 3 minutos da fase final. O Botafogo formou corn Ernani, Cacá, Cetale e Chicão; Ronald e Airton; Garrincha, Didi (Tião), Paulinho (Rossi), Quarentinha e Zagalo.

BOA VITÓRIA NO SARRE

Jogando no dia 14, no Sarre, contra a seleção local, os alvinegros venceram por 4x0, com tentos de Paulinho, aos 7, 16 e 39 minutos do primeiro tempo, e Garrincha, aos 40 da fase final. Jogou o Botafogo com Ernani, Cacá, Cetale e Chicão; Ronald e Airton; Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo.

O EMPATE EM MILÃO

No dia 17, o quadro  alvinegro exibiu-se em Milão, enfrentando o campeão italiano Milan, no estádio  de San Siro. O  escore foi aberto pelo ponteiro Da Nova, aos 29 minutos do primeiro tempo, tendo Didi, cobrando uma penalidade de fora da área, aos 25, igualado o marcador. Novamente Da Nova, aos 30, marcou para o Milan, terminando a fase inicial com a vantagem dos locais, de 2x1. No período complementar, Paulinho, aos 30, encerrou a contagem, registrando-se o empate de 2x2. Formou o Botafogo com Ernani, Cacá, Cetale e Chicão, Nilton Santos (Ronald) e Pampolini (Airton); Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Neivaldo).

"TERESA HERRERA"

No domingo, dia 21 de junho, jogando em La Coruña, em disputa da Taça Teresa Herrera, o Botafogo sofreu derrota frente ao Santos, por 4x1. O primeiro tempo terminou com a vantagem santista de 1x0, tento de Pepe, cobrando um  “fool-penalty” de Tomé em Pelé.. Na fase complementar, aos 16 minutos, Pelé aumentou para 2x0 e Coutinho, aos 22, marcou o terceiro tento dos praianos. Zagalo, aos 24, consignou o tento de honra dos alvinegros, cabendo a Pepe, aos 34, encerrar o marcador. Jogou o Botafogo com Ernâni, Cacá, Tomé e Chicão, Airton (Pampolini) e Nilton Santos, Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo.

BOM RESULTADO CONTRA O TIME DE VAVÁ

A nova apresentação do Botafogo teve lugar em Madrid, no dia 21 de junho, frente ao Atlético, clube do comandante Vavá. Venceram os alvinegros por 6x4, numa partida cheia de alternativas, com tentos de Didi (2), Rossi 2 e Quarentinha (1) e Zagalo (1).
Os quatro "goals” da equipe espanhola foram consignados por Vavá, Hullaus e
Puskas'(2). O Botafogo alinhou com Ernani (Adalberto), Cacá, Tomé (Cetale) e Chicão, Ronald (Tião) e Nilton Santos, Garrincha, Didi, Rossi, Quarentinha e Zagalo (Neivaldo).

ESTRANHA DERROTA EM ROTERDÃO

Voltando a jogar na sexta-feira, dia 26, o Botafogo foi surpreendido pelo Feynerood, em Roterdão, caindo derrotado por 3x1. O escore foi inaugurado pelo atacante local Moulijn,  aos 18 minutos da etapa inicial e igualado, aos 4 do período final, por intermédio de Quarentinha. Os holandeses marcaram mais dois tentos, todavia, por intermédio de Temming e Van Deer Gipj, respectivamente aos 20 e 26 minutos. Alinhou o Botafogo com Ernâni,,Cacá, Cetali (Ronald) e Chicão, Pampolini e Nilton Santos; Garrincha, Didi, Rossi (Tião), Quarentinha e Zagalo.

VITÓRIA NA DESPEDIDA: SEVILHA

N o dia 29 de junho, em Sevilha, enfrentando o quadro local do mesmo nome, o Botafogo encerrou a sua campanha, vencendo por 2x1. Marcaram os tentos do alvinegro Quarentinha, aos 6 minutos do segundo tempo, e Amarildo aos 42. O único tento do Sevilla foi consignado por intermédio de Navarro aos 43. Jogou o Botafogo com Ernani, Cacá, Cetale (Ronald) e Chicão,  Pampolini e Nilton Santos, Garrincha, Tião, Rossi (Edison), Quarentinha (Amarildo) e Zagalo; (Neivaldo).

CHICÃO, GARRINCHA E QUARENTINHA, PARTICIPARAM DE TODOS OS JOGOS

Os 20 jogadores que integraram a delegação foram utilizados pela direção técnica de acordo com o seguinte levantamento: Chicão, Garrincha e Quarentinha 16 vezes; Nilton Santos, Didi e Zagalo 15; Ernani e Cacá 14; Paulinho 13; Tomé  11; Pampolini 10; Airton 9; Neivaldo 8; Cetale 7; Adalberto, Ronald e Rossi 6; Edison 3 e Amarildo 2.

QUARENTINHA O ARTILHEIRO

Os 14 tentos do Botafogo foram consignados por Quarentinha (14); Paulinho (11); Didi (7); Garrincha (6), Zagalo (2); Rossi (2), Amarildo (1) e pelo defensor do Anderlecht, Lippens (contra).

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR no 153 agosto de 1959
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O CAÇULA DO ELENCO DE SALDANHA QUER SER CAMPEÃO CARIOCA ESTE ANO


FRANCISCO Amâncio dos Santos (Chicão) disse presente e a R.E. atacou: 
- Você substituiria (bem) Nilton Santos ? Espanto do rosadinho: 
- Acho difícil. Nilton é um craque sem igual no mundo. Sou calouro, ainda, para assumir tão pesado encargo. Além do mais, quando jogo ao seu lado, êle me dá tôda cobertura possível. Melhor dizendo: é o meu professor.. João Saldanha viu Chicão amaciando bem a redonda na equipe modesta do Bonsucesso e não teve dúvidas em levá-lo para General Severiano. Logo na excursão à Europa, João recebeu o sim das boas qualidades do Chiquinho que os locutores esportivos (dado o seu tamanho) transformaram em Chicão. “Barriga", um grande, praça, foi quem me levou para Teixeira de Castro, onde fui de juvenil a profissional. Não fôra êle e eu teria continuado nas peladas de Vicente de Carvalho, onde resido — disse Chicão num agradecimento. Menino macio, fala moderada, dá a vida para estar em casa brincando com sua irmazinha (Lílian), de 4 anos. Além dela ainda tem mais quatro irmãos. Com vinte anos apenas. já acerta detalhes com Aldinha (um jambinho do outro mundo, disse), para um enlace não muito distante, já que, agora jogando no (Real) Botafogo F.R. pode pensar em chutes mais altos. Chicão ficou encantado com os países europeus, principalmente a Suécia, pois achou seu povo o fino da educação e carinho. Seu pai não era muito favorável a que êle seguisse o futebol, mas mudou de opinião quando viu que o filho tinha jeito. Chicão volta: 
- Farei tudo para ficar no time de cima. Não darei chance aos meus reservas. Quero fazer tôda a temporada no time dos cobras. Tenho que fazer jus aos 20 mil cruzeiros que ganho por mês. E saindo de nossa marcação: 
- Quando passei a titular, assumi um compromisso comigo mesmo: quero ser campeão carioca. Estamos com um time bem armado e acho que o negócio não vai ser difícil. Chicão vai colaborar todinho pra dar um título ao Botafogo.

Fonte: Revista do Esporte nº 24 de 22 de agosto de 1959
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EXCURSÃO A EUROPA

Temos a satisfação de publicar os seguintes trechos do brilhante e minucioso relatório do General Saddocc de Sá, relativo à excursão à Europa: 
-Senhor Presidente do BOTAFOGO F.R. 
Com o presente relatório dou por finda a missão que V. Exa. houve por confiar-me, qual seja a de chefiar delegação do nosso glorioso Clube, em sua excursão à Europa, nos meses de maio e junho últimos. 
Sem dúvida, Senhor Presidente, essa foi a mais importante excursão já feita por um clube brasileiro, quer pela sua duração, pelo longo itinerário percorrido, pelo número de países e cidades do velho mundo visitados, quer, ainda, pela receptividade e interêsse que o plantel do BOTAFOGO despertou em todos os lugares por nós visitados. Também, Sr. Presidente, pelos magníficos sucessos técnico, disciplinar, social e financeiro, a excursão do BOTAFOGO ficará indelévelmente marcada com letras de ouro nos anais das atividades esportivas do nosso país. Tornar-se-ia por demais enfadonho, alongar o presente relatório com detalhes e pormenores da excursão. 
PARTIDA — 14 de maio de 1959, às 17,30 horas; REGRESSO — 5 julho de 1959, às 12,30 horas. DELEGAÇÃO — Presidente, General Saddok de Sá, tesoureiro, Sr. José Maria Cavalcanti de Albuquerque; médico, Dr. Hilton Gosling; técnico, Sr. João Saldanha; preparador físico, Sr. Paulo Amaral; massagista-roupeiro, Sr. Aloysio de Araujo; jogadores: Hernani, Thomé, Cacá, Pampolini, N. Santos, Chicão, Garrincha Didi, Paulinho, Quarentinha, Zagalo, Adalberto, Cetalle, Ronaldo, Ayrton, Neivaldo, Tião, Edison, Rossi e Amarildo. 
Número de jogos realizados: 16; vitórias, 10; empates, 2; derrotas, 4. Goals pró, 44; contra 26. Número de países visitados 13; numero de cidades visitadas, 25. Meios de transporte: avião, ônibus e trem. 
Companhias de aviação: Panair, Air France e Scandinavia. 
Às 17 horas e trinta minutos da ensolarada e quente tarde de 14 de maio próximo passado, em magnífico avião DC 7 C, da não menos magnífica Companhia Panair do Brasil, partimos com destino a Estocolmo, escalando em Recife, Lisboa, Paris Londres (onde pernoitamos) e Copenhague. 
Limito-me, pois, a um resumo das nossas atividades em quatro campos distintos: técnico disciplinar, social e financeiro. 
Chegamos a Estocolmo às 22 hs. do dia 16 e os nossos jogadores foram hospedados na mesma "Escola de Educação Física", onde estiveram concentrados os jogadores brasileiros, para o último jôgo da "Copa do Mundo", em 1958.
Tudo ótimo, confôrto cem por cento e instalações magníficas, para manutenção técnica e física do nosso plantei. 
ASPECTO SOCIAL 
Destacado, brilhante e proveitoso, foi o aspecto social da excursão do BOTAFOGO à Europa. Desde o embarque no Galeão, onde nossos dirigentes numerosos associados, famílias, representantes da imprensa falada e escrita, além de inúmeros adeptos do nosso pavilhão, até nosso regresso ao Rio, foi a nossa delegação cumulada de gentilezas e alvo de atenções especiais. Em quasi todas as cidades onde tocávamos, ou permanecíamos a presença do BOTAFOGO com seus — 4 — campeões mundiais, era o assunto do dia. E, a afluência de curiosas e solicitantes de autógrafos, tornou-se caso de polícia às portas dos hotéis e estações de desembarque, exigindo a interferência de guardas para possibilitar a entrada ou saída de, nossa delegação. 
O interêsse despertado pela presença do BOTAFOGO nos diferentes países e cidades da Europa, dificilmente poderá ser igualado. 
Inúmeros banquetes e festas foram oferecidos ao BOTAFOGO, onde a expontaneidade do carinho e da amizade foram patentes, quer nas palavras dos oradores, quer nas gentilezas de cada instante. A chefia da delegação viu-se obrigada a usar da palavra por mais de uma dezena de vezes, para agradecer e retribuir o cavalheirismo e as palavas de alta consideração e amizade dispensadas ao nosso Clube. Coube, então, ora ao Sr. Gunner, ora ao nosso medico, Dr. Hilton Gosling, a árdua tarefa de intérpretes, no que foram, sem dúvida, felicíssimos. 
Além das homenagens citadas, foram, o BOTAFOGO e os seus delegados e atletas, contemplados com valiosos presentes, além de escudos e flamulas dos clubes ou selecionados com os quais preliamos. 
Justo é destacar a distinção da consulesa brasileira em Milão, D. Margarida Nogueira que, acompanhada do adido à imprensa, Dr. Amado, e de outros funcionários do consulado, compareceu à gare daquela cidade por ocasião do nosso embarque. Ainda, a mesma autoridade consular brasileira, ofereceu a nossa delegação e aos dirigentes e atletas do Milano F. C., um aperitivo sua residência particular, por coincidência, a casa onde viveu e morreu o grande Toscanini. 
Cabe ressaltar, ainda, as mais homenagens e excepcionais gentilezas que nos dispensaram os organizadores da excursão à Escandinávia e aos dirigentes do selecionado do Sarre e do Milano F.C.
Também um diretor do Sporting de Lisboa, compareceu ao nosso hotel levando o abraço cordial do seu clube.
Tôdas essas situações, em ambientes seletos e amigos, contribuíram, se dúvida alguma, para elevar o nível social dos nossos atletas, tornando-os mais aptos a um convívio que mais se codune com a classe do clube cuja camisa envergam.  
DADOS TÉCNICOS 
1º jogo - Estocolmo — 18-5-59. Contra o A. I. K. — Resultado: A. I. K., 1x0. Equipe: Adalberto, Thomé e Santos, Cacá, Airton e Chicão, Garrincha, ( Didi, Paulinho Quarentinha ,Tião) e Neivaldo. 
2º jogo -  Umea - 22-5-59. Contra o Gimonas. — Resultado: BOTAFOGO, 3x1. Equipe: Ernâni (Adalberto), Thomé e Santos, Pampolini, Airton e Chicão, Garrincha, Didi, Paulinho (Tião) Quarentinha e Zagalo. — Artilheiros: Didi, 2; Garrincha, 1. 
3º jogo — Copenhague. - 2-1-5-59. Contra o Staevenet. Resultado: Staevenet, 2x1. Equipe: Adalberto, Thomé, e Santos, Cacá, Airton (Pampolini) e Chicão, Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo. Artilheiro: Garrincha, 1.
4º jogo -  Goteburgo. — 26-5-59. Contra o Aliansen. Resultado: BOTAFOGO, 3x0. Equipe: Ernani (Adalberto), Thomé e Santos, Cacá, Pampolini e Chicão, Garrincha, Didi, Paulinho (Rossi), Quarentinha e Zagalo (Tião). 
Artilheiros: Paulinho 2, Didi 1. 
5º jogo – Malmoe - 28-5-59. Contra o Malmoe. - Norkoping. Resultado: BOTAFOGO, 3x1. Equipe: Ernani, Thomé e Santos, Cacá, Airton (Ronald) e Chicão, Garrincha (Edison), Didi (Tião), Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Neivaldo). Artilheiros: Quarentinha 2, Didi 1. 
6º jogo - Liége - 30-5-59. Contra o Liége Resultado: BOTAFOGO, 3x1. Equipe Ernani, Thomé e Santos, Cacá, Pampolini e Chicão, Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha (Amarildo) e Zagalo. Artilheiros: Quarentinha 1. Paulinho 1, Garrincha 1.
7º jogo - Viena - 3-6-59. Contra a seleção da Áustria. - Resultado: Empate, 2x2. Equipe: Ernani, Thomé e Santos, Cacá, Pampolini e Chicão, Garrincha Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Rossi). Artilheiros: Garrincha 1, Quarentinha 1. 
8º jogo - Bruxelas - 6-6-59 - Contra o Anderlecht. - Resultado: BOTAFOGO, 5x1. Equipe Ernani (Adalberto), Thomé (Cetali) e Santos, Airton, Ronald e Chicão, Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Neivaldo). Artilheiros: Quarentinha 3 Paulinho ,1, adversário 1. 
9º jogo - Gleen 10-6-59 - Contra o Fortuna "054". - Resultado: BOTAFOGO, 4x3. Equipe: Ernani, Thomé e Santos (Ronald), Cacá, Pampolini e Chicão, Garrincha, Didi, Paulinho Quarentinha e Zagalo (Neivaldo).Artilheiros: Paulinho 3, Quarentinha 1. 
10º jogo - Tilburg – 12-6-59 - Contra a Willen II. - Resultado: BOTAFOGO, 4x1. Equipe, Ernani, Cetali e Chicão, Cacá, Airton e Ronald, Garrincha, Didi (Tião), Paulinho (Rossi), Quarentinha e Zagalo (Neivaldo). Artilheiros: Quarentinha 3, Garrincha 1. 
11º jogo - Sarrebruck - 14-6-59 - Contra a seleção do Sarre - Resultado: BOTAFOGO, 4x0. Equipe: Ernani (Adalberto), Cetali e Santos (Ronald), Cacá, Airton e Chicão, Garrincha Didi, Paulinho (Amarildo), Quarentinha e Zagalo (Edison). 1 Artilheiros: Paulinho 3, Garrincha 1.
12º jogo - Milão - Contra o Milano. - Resultado: Empate 2x2. Equipe: Ernani, Cetali e Santos, (Ronald), Cacá, Pampolini (Airton) Chicão, Garrincha, Didi, Paulinho Quarentinha e Zagalo (Neivaldo). Artilheiros: Didi 1, Paulinho 1, 
13º jogo - La Coruna 21-6-59 - Contra o Santos F. C. - Resultado Santos, 4x1. Equipe: Ernani Thomé e Santos, Cacá, Airton (Pampolini) e Chicão, Garrincha, Didi, linho, Quarentinha e Zagalo. Artilheiro: Zagalo 1. 
14º jogo - Madrid - 24-6-59 - Contra o Atlético de Madrid. Resultado: BOTAFOGO, 6x4. Equipe: Ernani (Adalberto), Thomé (Cetali) e Santos, Cacá, Ronald (Tião) e Chicão, Garrincha, Didi, Rossi e Zagalo (Neivaldo). Artilheiros: Didi 2, Rossi, 2, Zagalo, 1; Quarentinha 1.
15º jogo -  Roterdam - Contra o Feynerood. Resultado: Feynerood, 3x1. Equipe: Ernani, Cetali (Ronald) e Santos, Cacá, Pampam e chic(ão, Garrincha, Drdx, Rossi Tião), Quarentinha e Zagaia. Artilheiro: Ouarentinha 1. ti 
16.° JÔGO Sevilha — 29-6-59 - Contra o Sevilha. — Resultado: OTAFOGO, 2x1. Equipe: Ernan. Adalberto), Cetali (Ronald) e Santos, Pampolini e Chicão, Garrincha, Rossi (Edison), Tião, Qurentinha (Amarildo) e Zagalo (Neivaldo). Artilheiros: Quarentinha 1, Amarildo 1. 
RESUMO: Jogos: 16. Vitórias: 10. Empates 2. Derrotas: 4. Goals pró: 44. Contra: 27. Saldo: 17. jogaram: Chicão, Garrincha e Quarentinha, 16 jogos; Santos, Didi e Zagalo, 15; Cacá e Ernani, 14; Paulinho 13; Thomé, 11; Airton e Ronaldo 9; Adalberto, Tião e Neivaldo, 8; Cetali, 7; Rossi 6; Edison e Amarildo, 3. Total: 19 jogadores. Artilheiros: Quarentinha, 14 goals: Paulinho, 11; Didi, 7; Garrincha, 6; Zagalo, 2; Rossi, 2; Amarildo, 1; adversário, 1. Total: 44 goals. 

Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungted
Fonte: Boletim Oficial do BFR n° 154 de setembro de 1959
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LUA DE MEL DO CRAQUE FOI A CONCENTRAÇÃO
ás vésperas de enfrentar o Bangu, Pampolini o médio botafoguense levou a Srta. Licéia Duque Estrada ao altar da Igreja de Sta. Teresinha, no Túnel Novo. As 18 horas pontualmente os noivos entraram no templo. Oficiou a cerimônia o capelão do 1º Distrito Naval, Padre Guilherme Ferreira dos Santos, que veio especialmente de Nova Friburgo para o ato.
Era o presente dele aos nubentes. 
- Das trezentas pessoas convidadas, apenas umas dez faltaram. A residência dos Duque Estrada, na Rua Duvivier, compareceram inúmeras pessoas de destaque, como sejam o Cmte. Orlando Paul (vindo dos Estados Unidos), do QG do Corpo de fuzileiros, e a família Moacir Rezende, vinda de Minas. 

- No civil foram padrinhos, peIa  noiva : o acadêmico Henrique Duque Estrada (seu irmão e Sra. Afra Seabra (sua avó); pelo noivo Sr. Rubens do Couto e Sra. Maria Pampolini. No religioso por Licéia, foram seus pais, Sr. Noel Duque Estrada e D. Lourdes Seabra Duque Estrada; por Pampolini, Santinho Pampolini (seu irmão) e Srta. Marta Duque Estrada, irmã da noiva. 
- Cerca de cem presentes foram ganhos pelo casal, que residirá à Rua lnhangá, 10, apto. 108. É um apartamento pequeno, que tem de tudo um pouco. Aliás, foi presente de Pampolini à Licéia. 
- Os jogadores do Botafogo compareceram quase todos, chefiados pelo técnico João Saldanha. Um bom número de paredros alvinegros também estêve presente.
- A noiva não gostou muito do noivo ter que voltar às Paineiras para a concentração, entretanto, ficou solidária com êle, que disse "contrato é contrato" pois é cumpridor de seus deveres.
- Marta  de 22 anos sentirá muitas saudades de Licéia, pois se davam muito bem. A outra mana, Maria Alice Duque Estrada (vestida de rosa ), abriu o cortejo segurando apenas um botão de rosa. O ato civil foi realizado, às 15 horas, na residência da noiva. 
- Apesar de se terem conhecido há apenas dois anos, todos predizem para êles uma felicidade bem grande. São calmos, compreensivos se entendem perfeitamente. 
- Quando dá cerimônia religiosa, os noivos estavam bem calmos. Somente as empregadas, muito afeiçoadas à Licéia, choraram. Os sogros, entretanto, reagiram bem... 
- Quando do noivado, em Belo Horizonte, no dia 16 de maio de 58, Licéia e Pampolini receberam uma grande homenagem. 

- O bolo  muito bonito, com um buquê em cima tinha 1 metro e pouco de altura por 70 de largura. Padre Guilherme os abençoou na hora de partirem o bolo. 
- Domingo (26) após o retorno do noivo, foi oferecido um jantar às famílias Duque Estrada Pampolini. Na segunda-feira, no avião das 17 horas (Real) êles foram para Belo Horizonte, onde também lhes foi oferecido um jantar. 
- Oficialmente, o Botafogo só mandou uma corbeille para os noivos. Individualmente, porém, vários jogadores enviaram presentes. Renato Estelita, também, enviou objetos de prata. 
- O vestido de Licéia era todo de sêda pura; os sapatos também. A grinalda era de véu francês. Os botões de laranjeira e as pedras também eram franceses. 
- A noiva era Conselheira da Pia União das Filhas de Maria da Basílica de Santa Teresinha de Mariz e Barros. Só não casou lá por ser muito longe. A Srta. Maria Pia Marcili foi à igreja buscar a fita da União para colocá-la no altar. O buquê da noiva foi para a Basílica, também. 
- O casal Duque Estrada estava todo eufórico com o acontecimento. Era a primeira filha levada ao altar. A ausência de Licéia será sentida porque ela sempre foi muito caseira. Segundo soubemos, a família Duque Estrada espera encher a casa de alegres netinhos... Isso porque o novo casal também pensa da mesma forma.

Fonte: Revista do Esporte nº 26 de 05 de setembro de 1959
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Equipe que, na memorável tarde de 6 de julho de 1913, sob a arbitragem de Alberto Borgerth, que se vê de branco, na foto, derrotou a do América, que seria a campeã do ano, por 2 x 0, com “goals” magistrais do grande Mimi Sodré, assinalados nos dois últimos minutos de luta.

Foram estes os quadros: BOTAFOGO: Álvaro, Pullen e Dutra; Rolando, Lulú e J. Couto; Raul Figueira, Abelardo, Facchine, Mimi e Lauro. AMÉRICA: Marcos, Luiz e Belford; Mendes, Jonathas e Lincoln; Witte, Juquinha, Ojeda, Gabriel e Osman. 

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
(Foto do arquivo do Dr. Rivadavia Corrêa Meyer).
Fonte: Boletim Oficial do BFR n° 157 dezembro de 1959
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