FUTEBOL MASCULINO ANOS 2000
Campeão desde 1907
1906 , neste primeiro ano de disputa do Campeonato Carioca, o Botafogo amargou seu grande rival levando o título, o Fluminense. Conquistada a experiência, no ano seguinte o Fogão entra na disputa para ganhar. Formado por Álvaro, Raul e Octávio, Norman, Ataliba e Lulu Rocha, Rolando, Flávio Ramos, Canto, Gilbert e Emanoel Sodré, o time vence cinco partidas e perde apenas uma. Fica na liderança com o Fluminense e o campeonato seria decidido em uma partida extra, que o Flu não aceita. Injustamente, o título não é concedido ao Botafogo. A justiça só foi feita em 1991, quando o clube ganhou os direitos ao campeonato. Fato este que obrigou até a mudança no hino que antes era: "...campeão desde 1910...", e teve que ser reformado para "... campeão desde 1907...".
Nos dois anos seguintes, o clube consegue um bi-vice-campeonato. Apenas uma amostra do que viria em 1910.
Neste ano, o time entra com força total. Nas dez partidas do torneio, vence nove, e o que é melhor, todas de goleada . Os resultados menos expressivos conquistados foram dois 3 a 1, sobre o América e o Fluminense. Agora não tinha como negar, o Botafogo era, realmente, o campeão.
Campeão, mas sem campo. O dono do terreno onde o clube montava sua primeira arquibancada não renovou o contrato de aluguel. Cinco sócios - Luís Rebelo, Antônio Mota Júnior, Alfredo Couto, Eduardo Alexandre e Paulo Martins - não se conformam e encontram um novo terreno em uma área abandonada onde seria construída a Universidade do Brasil. Os familiares influentes dos jogadores interferem junto ao Ministério da Justiça e conseguem permissão para que o clube alugasse o terreno por 300 mil-réis mensais. O Botafogo instala-se em General Severiano.
O novo local anima o time que conquista o campeonato de 1912. Só que existe uma divergência em torno desta questão: o Botafogo foi campeão pela Associação de Futebol do Rio de Janeiro (AFRJ), enquanto o Paissandu conquistou o título pela Liga Metropolitana de Sports Atléticos (LMSA). O que importa mesmo é que a campanha havia se repetido: dez jogos, nove vitórias e urna derrota.
Nos anos seguintes, as conquistas não se repetem. O clube passa um longo período sem ganhar torneios mas, apesar disso consegue montar o Palácio de General Severiano, entre 1925 e 1928, e dá início à construção do estádio próprio.
Animado com a sede nova, o clube retoma a trajetória de conquistas em 1930. Sob a presidência de Paulo Azeredo, o time disputa 20 jogos, ganha 15 e perde três. Retornar o caminho das vitórias é apenas modo de fala pois o que se viu nos anos seguintes foi a hegemonia do Glorioso no futebol carioca.
ASSIM SURGIU O "GLORIOSO"
Vice-campeão de 1908 e 1909, o Botafogo atinge seu apogeu com a conquista do título carioca de 1910. Um time nobre para um ano de ouro, estremecido apenas por uma derrota para o América. Foi o ano da consagração do genial Mimi Sodré, símbolo de uma equipe inesquecível de Coggin, Pullen e Dinorah; Roland, Lulu Rocha e Lefvre; Emanuel, Abelardo, Décio Vicarri, Mimi Sodré e Lauro Sodré.
Adversário
América América 4x1
Riachuelo Botafogo 9x1
Fluminense Botafogo 3x1
Hadock Lobo Botafogo 7x0
Rio Cricket Botafogo 6x0
Riachuelo Botafogo 15x1
América Botafogo 3x1
Fluminense Botafogo 6x1
Hadock Lobo Botafogo 11x0
Gols
Emanuel
Abelardo(4), Mimi (2) Lefreve,Lulu e Lauro, Abelardo, Décio e Mimi
Abelardt,(3), Déccio (3) e Mimi
Flávio (2), Mimi, Décio e Abelardo
Abelardo(7), Décio(3), Mimi (3), Emanoel e Rolando
Lauro, Décio e Mimi
Abelardo (3), Décio (2) e Mimi
Rolando (4), Abelardo (3), Décio (2), Lulu e Dinorah
TRI TODOS SÃO; MAS TETRA SÓ O BOTAFOGO
O clube vence quatro campeonatos seguidos, entre 1932 e 1935, alcançando o tetracampeonato, marca que os outros times cariocas tentam igualar até hoje. Além disso, o time mostra ao País um elenco de craques inesquecíveis. Entre eles: Carvalho Leite, Patesko e Leônidas da Silva, o Diamante Negro.
Leônidas pode não ter jogado muito tempo com a camisa do Fogão, mas mostrou , neste curto período, futebol suficiente para integrar a lista de seus maiores jogadores em todos os tempos.
Participou da campanha de 1935, o ano do tetra. Depois destes, o Botafogo ficou outros 14 anos sem títulos. Fora a falta de conquistas, uma das maiores injustiças desse período foi o fato de que nele apareceu Heleno de Freitas, o craque-galã que não teve a honra de ser campeão com a camisa alvinegra.
Nascido em São João Napomuceno, no estado de Minas Gerais, em 1920, Heleno mudou-se aos 13 anos para o Rio e logo entrou de sócio no Botafogo. Quando já se destacava nos juvenis, este departamento foi extinto, o que obrigou-o a transferir-se para o Fluminense. De volta ao Glorioso, marcou época como um dos maiores craques e goleadores do futebol brasileiro em todos os tempos. Tinha um defeito grave: o espírito altamente rebelde e o temperamento explosivo, o que faziam-no arrumar brigas onde quer que ,fosse. O que não imaginavam é que por trás dessa irritação toda estava a sífilis cerebral, doença que levou-o à loucura e acabou matando-o, aos 39 anos, em um hospício mineiro.
Além disso, esses anos também marcaram a união entre o Botafogo Football Club e o Clube de Regatas Botafogo, em 1942, Até aí, apesar do nome, eram dois clubes independentes. Dessa associação, no dia 8 de dezembro, ocorrem duas mudanças: o time passa a jogar com calções negros e surge o novo escudo, a Estrela Solitária, já que antes era usado um monograma das letras B.F.C. entrelaçadas no peito dos jogadores.
O clube passa a ter, com isso, três datas para festejar: dia 1º de julho, fundação do Clube de Regatas e comemoração dos esportes aquáticos; dia 12 de agosto, fundação do Football Club e festa dos esportes terrestres; e dia 8 de dezembro, data da fusão. Mas o que interessava mesmo era o título, e ele só veio em 1948.
A semana da decisão contra o Vasco foi marcada pelo jogo de nervos. Diz-se até que o saudoso presidente Carlito Rocha obrigou o mascote do time, o cachorro Biriba, e seu dono a ficarem trancados na torre da sede do clube, no Mourisco, por alguns dias, com medo de seqüestro.
Valia tudo para ficar com a taça. O vestiário que seria usado pelo Vasco, em General Severiano, foi pintado no dia da decisão com cal virgem para irritar os olhos dos jogadores. A água foi cortada e os vasos sanitários, entupidos. Mas é só começar o jogo que os dirigentes percebem que tudo aquilo havia sido feito à toa.
Logo a dois minutos, Braguinha faz, de cabeça, o primeiro gol do Fogão. Antes de terminar o primeiro tempo, o mesmo Braguinha amplia para 2 a 0.
O "Expresso da Vitória" vascaíno vinha tomando um show do Botafogo de Osvaldo Baliza; Gérson dos Santos e Nílton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirillo, Otávio e Braguinha. E é só começar o segundo tempo para o Glorioso acabar de vez com as esperanças vascaínas. Logo aos cinco minutos, Otávio chuta de fora da área e faz 3 a 0. Ávila ainda faz um gol contra, descontando para o Vasco, mas o campeão já era o Botafogo.
Depois disso, o Botafogo retoma um tendência que é a de ficar por períodos sem conquistar títulos. Após levar a taça de 1948, outra, só nove anos depois, em 1957, época em que o Botafogo começou a montar uma das maiores equipes que o mundo Já viu jogar.
O esquadrão alvinegro
Sob a presidência de Paulo Azeredo e o comando do técnico João Saldanha, o Fogão vence 16 de seus 22 jogos, perdendo apenas dois; marca 64 gols e sofre 21. Em campo, alguns craques insuperáveis: Nílton Santos, Didi, Quarentinha e Garrincha, entre outros. Nílton Santos já não era um novato. Havia sido revelado nove anos antes. Mesmo assim, era indispensável que fizesse parte deste esquadrão. Considerado o maior lateral-esquerdo da história do futebol brasileiro, foi também inovador ao subir ao ataque e tentar os gols em uma época na qual a única função do lateral era marcar o ponta adversário. Ficou conhecido como a Enciclopédia do Futebol.
Armador clássico, com ótima visão de jogo e toque de bola perfeito, Didi foi comprado, em 1956, junto ao Fluminense, por 1,85 milhão de cruzeiros, na maior transação do futebol brasileiro até então. Valeu cada centavo. Além de inventor da "folha seca"- chute no qual a bola sobe bastante e cai de repente no gol -, ficou famoso pelas suas desculpas: às vezes, quando não queria nada com o treino, colocava as mãos na cintura e permanecia estático no meio-campo. "Os fluidos não estão bons. Não adianta correr", tentava explicar.
Já Quarentinha foi o maior artilheiro da história do clube: marcou 302 gols em 423 jogos. Só isso já lhe valeria a citação, não fosse tão bom jogador. Só tinha um defeito, se é que isso pode ser considerado defeito: era extremamente frio, como o foi recentemente Sócrates, por exemplo. Pouco vibrava com os gols que fazia, o que não agradava a torcida. "Eu era pago para marcar gols e não fazia mais que minha obrigação", respondia.
Entre os craques que merecem uma análise especial, falamos também de Garrincha. Só que este merece um capítulo especial mais à frente.
Voltando à decisão de 1957, para tentar barrar o timaço do Fogão, chega à final o Fluminense, que leva a vantagem do empate. Com isso, o otimismo toma conta dos tricolores e o dirigente Aílton Machado manda avisar que é melhor o Botafogo esperar outra oportunidade. Os alvinegros só esperam para dar a resposta em campo. E que resposta!
Quase 100 mil pessoas vão ao Maracanã, naquele dia 23 de dezembro. Logo aos três minutos, Paulo Valentim abre o placar: 1 a 0 para o Botafogo. Antes de terminar o primeiro tempo, mesmo com o jogo disputado, Paulo Valentim faz mais dois: um de joelho, após cruzamento de Garrincha, e o outro lindo, uma bicicleta no ângulo direito de Castilho.
A segunda etapa começa e o Fluminense desconta através de Escurinho. Mas a tarde era mesmo de Paulo Valentim que, antes de marcar o quarto gol, deixa o beque Pinheiro sentado com dois dribles. Garrincha amplia para 5 a 1 e, mesmo com um resultado inabalável, os jogadores, mordidos com a provocação tricolor, ainda querem mais.
Aos 23 minutos, Garrincha dribla Altair e Clóvis antes de cruzar para Paulo Valentim. O artilheiro da tarde, livre diante do goleiro, só empurra a bola no canto: Botafogo 6 a 1. O Maracanã explode e o segundo gol do Fluminense, marcado por Valdo, só serve para os alvinegros começarem a gozação com uma rima: "E 6 a 2, no pó-de-arroz".
Paulo Valentim, grande jogador, é o craque da decisão, e Garrincha, o craque inesquecível.
Como craque atrai craque, nos anos seguintes o Botafogo ainda contaria com a segurança de Manga no gol, a forte marcação de Rildo, o inovador ponta Zagalo que, além de cumprir as funções normais de sua posição, ainda recuava para ajudar na marcação e o oportunismo e talento de Amarildo, o Possesso. Com tantos craques em um time só, o bicampeonato, conquistado em 1961 e 1962, foi só uma conseqüência natural.
Em 1961, o time disputa 25 jogos, vence 18 e perde apenas um; marca 54 gols e sofre 18 . E no ano seguinte, o campeonato foi ganho com a marca do talento de Garrincha. Era o ano dele outro bicampeonato: o mundial pela Seleção. Nela, a presença, entre os titulares, de cinco craques alvinegros: Nílton Santos, Didi, Zagalo e os destaques Garrincha e Amarildo. Na decisão do estadual, uma partida inesquecível contra o Flamengo .
O Fogão entra em campo como favorito, mas é o Flamengo que assusta primeiro través de Dida. O empate favorecia o Flamengo mas a pressão rubro-negra continuou até que Garrincha dispara pela direita e chuta cruzado, sem chances para o goleiro Fernando: Botafogo 1 a 0.
Ainda no primeiro tempo, Garrincha dribla Jordan, Gérson e cruza para Quarentinha completar de perna esquerda.
Dando números finais ao placar, aos dois minutos do segundo tempo, Amarildo toca para Zagalo que cruza para a área. Quarentinha pega de primeira, a bola bate no peito do goleiro Fernando e sobra para Garrincha completar: 3 a 0 e festa do Glorioso.
Ainda nessa década, o Fogão consegue mais um bi, só que com outros craques. Chegam, para ocupar os lugares dos craques inesquecíveis, Leônidas, para a zaga; Gérson, o Canhotinha de Ouro, para o meio-campo;
além de Paulo César Caju e Jairzinho para o ataque.
Em 1967, o alvinegro leva a taça após vencer, de virada - 3 a 2 - o América na final. Já em 1968, conquista o estadual e a Taça Brasil, uma competição que já havia vencido em duas oportunidades, só que nenhuma ( sozinho: em 1964, ao dividir o título com o Santos, e em 1966, dividindo o título com Corinthians, Santos e Vasco; as duas vezes por não haver datas para a disputa das partidas finais. Só que, a partir daí, viria o jejum de 21 anos sem títulos.
O Botafogo ainda consegue dar algumas alegrias à torcida: derrota, em 1972, o Flamengo por 6 a 0, no dia do aniversário do rival; conquista alguns títulos de menor expressão como o Triangular de Caracas, em 1970; os Internacionais de Genebra e Berna, em 1984 e 1985; o Pentagonal da Costa Rica, em 1986; o Palma de Mallorca, em 1988 , e outros. Mas, título de maior expressão, só em 1989.
Em 1993, Sinval é um dos heróis da primeira taça sul-americana levantada pelo Glorioso. Ainda assim, o time se uniu e, sob o comando de Carlos Alberto Torres, tirou forças não se sabe de onde para levantar sua primeira taça sul-americana. A Copa Conmebol — que revelou o artilheiro Sinval, autor de um gol na decisão contra o Penarol —foi uma conquista sofrida. O alívio veio nos pênaltis, quando, numa atitude pra lá de bacana, o goleiro William honrou o apelido e espalmou duas cobranças uruguaias. Estava provado: raça, brio e amor à camisa, teu nome é Botafogo.
Fonte: Revista Lance – Série L Grandes Clubes 2005
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Boa tarde nação alvinegra. Continuando com nossa rica e maravilhosa história. Contra tudo e contra todos (narrador Luiiz Roberto da globo torceu descaradamente e sem qualquer compromisso com a imparcialidade para o Atlético) chegamos ao ápice da Copa Libertadores da América. Tudo se mostrou contra desde o "pontapé" inicial do jogo mas o Glorioso numa demonstração rara de garra, tenacidade, força e resiliência chegou ao fim dos 97 minutos de jogo levantando a taça a tantos anos cobiçada. Parabéns Glorioso. "Tu és o Gloriuoso não podes perder perder pra ninguém".
Quando se fala que tem coisas que só acontecem com o Botafogo tem horas que paro para pensar e realmente alguns fatos querem comprovar tal frase. Entrou na pré libertadores (toda a mídia desacreditava sempre se referindo ao ano de 2023). Passou esta fase e a mídia ainda desacreditava. Continuou sua escalada cada vez mais sólida mas a mídia ainda assim desacreditava. Eliminou times com histórico vencedor na competição mas a mídia... Chegou a final contra o Atlético, time que vai muito mal no campeonato brasileiro, mas cada competição é diferente das demais. Início de jogo menos de 1 minuto Gregore expulso e Atlético por consequência com um a mais. Time se recompôs sem que o tecnico Arthur Jorge fizesse qualquer substiutuição e em 2 contra ataques fulminantes 2x0. Começa o segundo tempo e em menos de 5 minutos goal do Galo numa das poucas falhas de nossa defesa. Não se apavorou, não deixou seu modelo de jogo deixando a posse de bola com o controle do Galo que do mesmo modo do jogo anterior entre os dois (em situação inversa) insistiu no jogo aéreo onde a defesa do Glorioso em praticamente todas as vezes foi superior e aí aontece o "sobre natural de almeida" personagem do saudoso tricolor Nelson Rodrigues e entra em campo Junior Santos artilheiro do time na competição e que passou longo período afastado em recuperação de uma grave contusão. Ainda fora de forma mas com o ímpeto e a força de vontade de sempre deu uma arrancada, driblou 2 entrou a área mas foi desarmado. A menos de 3 minutos para o encerramento do jogo, já nos acréscimos, em outra jogada de pura raça e determinação recebe um passe e parte em direção a área adversária, novamente dribla 2 chuta, a bola vai em direção a defesa do Galo que corta mas a sobra volta para ele que de pé esquerdo decreta com o 3º gol a vitória e a conquista da Libertadores. E ainda de sobra confirma a artilharia do Fogão na competição. Garra, luta, tenacidade, resiliência, competência, nervos controlados, muita mas muita disposição Esse foi o Glorioso no jogo da decisão.
Fonte: Angelo Antonio Seraphini autor do blog
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