FUTEBOL MASCULINO DECADA DE 80
Bola de Ouro Para Lídio Toledo
No salão de festas do Hotel Intercontinental/Rio, o Dr. Lidio Toledo, médico do Botafogo e da seleção brasileira, recebeu o troféu "Bola de Ouro", homenagem concedida àqueles que prestam relevantes serviços ao desporto nacional.
Na foto, o Dr. Lidio Toledo, em, companhia do presidente Charles Borer, seu padrinho, por ocasião da entrega da referido troféu, uma vitoriosa iniciativa de J. J. Relações Esportivas.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 238 de maio de 1980
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SERÁ QUE ELE EXISTIU MESMO?
Por LAMANA
Porque estrangeiros hão de ser aqueles que nos dias de hoje burilam o verdadeiro extrema e procuram engrandecê-lo, aperfeiçoando-o com modernos planos táticos? Enquanto em nossa terra ninguém nasce ponta.
E logo em cima de nós, irmão, possuidores no setor daquele que em dúvida estou se existiu ou não.
A medida que o tempo passa, se o vi, creio que foi num sonho relacionado com "O Mágico de Oz". Nesse delírio ele alegrava a vida de todos os brasileiros - principalmente a dos botafoguenses. Esse humilde honrava a terra em que nasceu e nos fazia chorar de alegria em 2 Copas. O Brasil orgulhoso assomava com ares de superioridade num mundo futebolístico que nos dias atuais apresenta sintomas nada alentadores para nós.
Citar o nome desse herói quixotesco seria apenas parca lembrança e ele merece muito mais.
Perácío e Patesko. Que ala, companheiro! No tempo em que a senhora Ala ainda vivia. Mas, falemos de Patesko. Velocidade e arremate, o seu forte. Um bólido a serviço da Estrela Solitária. O "Diabo Louro", era demasiado para este torcedor cuja paixão pelo bom futebol o embriaga desde garoto.
Creio que a nova geração desconhece a beleza de um ponteiro arrancando em velocidade, com fintas desconcertantes, rumo a zona do arremate. Talvez o fenômeno seja explicado pela exigüidade de espaço que a cada dia que passa mais se acentua. Na maioria dos campos, depois de alcançar a linha de fundo o extrema esbarra, com o indefectível paredão. E isso lhe corta as asas da velocidade e da criação.
Se a inteligente observação feita vingar - canchas de dimensões máximas - o extrema renascerá na plenitude de sua pujança. Rezo para que isso aconteça.
Acervo particular: Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim do Botafogo no 239 de outubro de 1980
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Botafogo FR Campeão do Torneio Governador Magalhães Pinto de 1964
A competição homenageou o Governador Magalhães Pinto e foi disputada em Belo Horizonte (MG). Além de Atlético e Cruzeiro, os dois maiores de Minas Gerais, Botafogo e Corinthians (SP) foram convidados para o mata-mata.
O time-base campeão: Manga; Joel, Zé Maria, Nílton Santos e Rildo; Élton e Gérson; Garrincha, Arlindo, Jairzinho e Zagallo. Técnico: Zoulo Rabello.
Os Participantes
MG: Atlético e Cruzeiro.
RJ: Botafogo.
SP: Corinthians.
1ª Fase
30/01/1964
(MG) Cruzeiro 0-1 * Corinthians (SP)
(MG) Atlético 2-3 * Botafogo
Final 3º e 4º
02/02/1964
(MG) Cruzeiro * 3-1 Atlético (MG)
Final
02/02/1964
Botafogo ** 2-2 Corinthians (SP) (-) (4-2)
Fonte: https://esporterio.blogspot.com
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BOTAFOGO X PALMEIRAS
Na noite do sábado 17 de março de 1962, o Maracanã abriu seus portões para receber um grande público, ansioso para assistir a grande decisão do Torneio Rio-São Paulo daquele ano, entre as equipes do BOTAFOGO e do Palmeiras.
O BOTAFOGO jogou com Manga, Joel (Cacá), Zé Maria, Nilton Santos e Rildo; Airton e Didi; Garrincha, Quarentinha (China), Amarildo e Zagalo (Neivaldo). O Palmeiras atuou com Valdir, Djalma Santos, Valdemar, Ademar e Jorge; Zequinha e Chinesinho; Gildo (Zeola), Américo, Vavá e Geraldo II.
O GLORIOSO, com o empate, levantaria o título. Mas o quadro dirigido por Marinho Rodrigues entrou em campo decidido a proporcionar mais um show de futebol à sua torcida, obtendo a vitória, para não deixae dúvida sobre qual era a melhor equipe.
Com apenas 40 segundos de jogo, o BOTAFOGO abriu a contagem. Quarentinha deu a saída, entregando a Didi. Este retardou para Airton e nosso ataque colocou-se em posição ofensiva. A bola foi a Amarildo, que encontrava-se pela ponta-esquerda. Amarildo centrou para a área e a zaga do Palmeiras parou e Quarentinha cutucou a esfera de leve, com a perna esquerda. A bola passou raspando a trave e se aninhou mansamente no fundo das redes.
O BOTAFOGO entusiasmou-se com o gol e, ante o entusiasmo e vibração de nossa torcida, passou a deslumbrar com um grande futebol a platéia presente ao Maracanã, com Amarildo e Garrincha fazendo um verdadeiro carnaval na área palmeirense.
Nossa equipe estava com ampla superioridade nas ações quando, aos 3 minutos, foi surpreendido com um gol do Palmeiras, assinalado por Zequinha.
O Palmeiras se inflamou, cresceu de produção, equilibrou as ações e com isto, o jogo ganhou um colorido excepcional. Era, realmente, um grande clássicoi, à altura de grande decisão.
Aos 12 minutos, Garrincha venceu espetacularmente a Zequinha, bateu também a Jorge, centrou para Amarildo, colocando na marca do pênalti. Situação de grande perigo, mas Valdemar apareceu e limpou o lance. A esta altura, o Palmeiras estava com ligeira supremacia nas ações.
Logo em seguida, Vavá recebeu de Zequinha, arrematou e Manga defendeu. Na verdade o BOTAFOGO estava correndo grande perigo, pois o Palmeiras jogava bem, com ótimo desenvolvimento coletivo e, sobretudo, muita garra. Aos 15 minutos, Vavá recebeu de Zequinha, desferiu uma bomba e Manga defendeu. Depois era o BOTAFOGO que estava na frente. Amarildo chutou pela linha de fundo. O treinador Marinho Rodrigues substituiu Quarentinha por China, para o comando da ofensiva. Aos 27 minutos, Garrincha venceu todo mundo, penetrou na área, estava para marcar, mas foi derrubado pelas costas por Jorge. Pênalti claro, mas Romualdo Arppi Filho nada marcou. Aos 34 minutos, apesar das sarrafadas que vinha recebendo de Jorge, Garrincha criou grande oportunidade de gol, que China desperdiçou. Aos 40 minutos, em bonita jogada, China desferiu violento chute. Valdir espalmou, a bola estourou na trave e saiu a escanteio. E o primeiro tempo se encerrou com o placar de 1x1.
Iniciada a segunda fase da partida, logo aos 6 minutos o BOTAFOGO passou à frente no marcador. Didi esticou excelente bola a Amarildo que correu e penetrou na área. O goleiro Valdir saiu, tentando a defesa. Amarildo chutou, Valdemar tentou salvar, mas o que fez foi enviar a bola ao fundo da sua própria rede, tendo o árbitro assinalado na súmula, gol de Amarildo. Logo depois, Amarildo, recebendo outra vez de Didi, venceu espetacularmente a Valdemar Carabina. Era pênalti. Indiscutível. Mas o árbitro marcou apenas escanteio, ante as vaias indignadas da torcida. Amarildo foi seguro com as duas mãos e derrubado na área.
O BOTAFOGO continuava com amplo domínio das ações. Aos 13 minutos, Garrincha venceu vários marcadores, invadiu a área e desferiu forte chute. Valdir segurou, largou, a bola voltou a China, que chutou para fora. Depois, recebendo de Didi, China entrou na área, dando chance ao arqueiro Valdir de praticar outra grande defesa. Logo depois, outra grande trama do Alvinegro. Garrincha, deslocado pelo centro do ataque, entregou a Amarildo e este a China, que chutou e Jorge desviou a escanteio. Aos 17 minutos, Garrincha deu um baile na defesa do Palmeiras, virou-a pelo avesso, foi à linha de fundo, cruzou para os pés de Amarildo, que desferiu um tirambaço, estufando a rede.
Era o terceiro gol. O Palmeiras tentou reagir, mas não conseguiu. O BOTAFOGO teve chances para marcar mais gols e a grande decisão chegou ao final com o placar em 3x1.
O ano de 1963 começou com a fase final da Taça Brasil de 1962. O Botafogo chegou até a decisão contra o Santos, seu maior rival da época, mas acabou derrotado. Na Copa Libertadores, mais uma derrota para os santistas, dessa vez na semifinal. A grande conquista da temporada ficou por conta do Torneio Internacional de Paris, quando desbancou o Racing Paris com um gol de Quarentinha aos 40 minutos do 2.° tempo.
A revanche diante dos santistas veio no Torneio Rio-São Paulo de 1964. Após terminarem a fase inicial empatados na liderança, Botafogo e Santos se enfrentariam em dois jogos extras para decidir o campeão. Na primeira partida, no Maracanã, o time carioca derrotou o rival por 3–2. O jogo de volta, porém, nunca aconteceu, uma vez que os dois clubes foram excursionar no exterior. Assim, tanto Botafogo quanto Santos foram declarados campeões. Em territórios internacionais, o Glorioso conquistou dois títulos: a Panamaribo Cup, no Suriname, e o Torneio Jubileu de Ouro, em La Paz. Já no Torneio Íbero-Americano, em Buenos Aires, o clube enfrentou Barcelona, River Plate e Boca Juniors. O time brasileiro e a dupla argentina terminaram empatados em pontos e, sem datas suficientes para jogos extras, não houve campeão.
O final do ano de 1964 marcou a despedida de Nilton Santos, que se aposentava do futebol. Com 721 jogos pelo Glorioso, sem nunca ter jogado por outra equipe além da Seleção Brasileira, o lateral-esquerdo fez sua última partida pelo Botafogo em vitória por 1–0 contra o Flamengo. Em 1965, mais uma saída: assombrado por muitas dores no joelho direito, Garrincha já não conseguia apresentar seu melhor futebol. No ano anterior, o camisa 7 decidira fazer uma cirurgia no menisco para tentar resolver o problema. Contudo, o jogador escolheu fazer a operação com o médico do America, o que gerou insatisfação nos dirigentes alvinegros. A relação entre clube e ídolo já não era mais a mesma e, em setembro de 1965, Garrincha fez sua última partida pelo Botafogo, em vitória magra por 2–1 diante da Portuguesa-RJ.
Mesmo com a saída dos maiores ídolos, o Botafogo continuou sua trajetória de vitórias: com dois triunfos sobre o Santos, venceu a Taça Círculo de Periódicos Esportivos, em 1966. No mesmo ano, conquistou também a Copa Carranza de Buenos Aires. No final da década, conquistou três vezes o Troféu Triangular de Caracas, em 1967, 1968 e 1970, além do Torneio Hexagonal do México, em 1968.
Em 1967 e 1968, comandado pelo agora técnico Zagallo, o alvinegro foi bicampeão da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca, com vitórias históricas diante de America e Bangu e sonoras goleadas em cima de Vasco da Gama e Flamengo. Em 1969, o Botafogo foi campeão da Taça Brasil de 1968. Mais de 30 anos depois, a CBF reconheceu o torneio como uma edição do Campeonato Brasileiro e a conquista passou a ser considerada o primeiro título brasileiro do clube.
Durante 21 anos, o Botafogo não conquistou nenhum título oficial. Desde a Taça Brasil de 1968 até o Campeonato Carioca de 1989, o clube colecionou vice-campeonatos, terceiras e quartas posições, sem celebrar um título.
A reta final do Campeonato Carioca de 1971 ficou marcada negativamente. O Botafogo contava com quatro atletas que haviam conquistado a Copa do Mundo no ano anterior (Carlos Alberto Torres, Brito, Paulo César Caju e Jairzinho) e dominava a competição, com liderança folgada para o segundo colocado Fluminense. No entanto, o alvinegro tropeçou nas últimas rodadas e não conseguiu garantir o título antecipadamente. Na última partida, justamente contra o tricolor, o Botafogo precisava de pelo menos um empate. Aos 43 minutos do 2.° tempo, o Fluminense marcou o gol da vitória em lance polêmico envolvendo o lateral tricolor Marco Antônio e o goleiro alvinegro Ubirajara, que alega ter sido empurrado. Na sobra, Lula fez o gol do título, acabando com as esperanças alvinegras. No Campeonato Brasileiro, o Botafogo chegou ao triangular final com São Paulo e Atlético Mineiro, mas perdeu as duas partidas e ficou com a terceira colocação.
No ano seguinte, mais uma vez o título escapou por pouco. O Botafogo chegou à final do Campeonato Brasileiro após eliminar o Corinthians na semifinal. Na decisão contra o Palmeiras, o empate em 0–0 deu o título à equipe paulista, que havia somado mais pontos durante a competição. O Brasileirão de 1972 também ficou marcado para os alvinegros pela goleada aplicada no maior rival Flamengo: impiedosos 6–0, no dia do aniversário rubro-negro.
Em 1973, o Botafogo voltou a disputar a Copa Libertadores após dez anos. Na primeira fase, o alvinegro liderou seu grupo, formado por times uruguaios e brasileiros. Porém, como havia empatado em número de pontos com o Palmeiras, o regulamento previa um jogo-extra para definir o classificado. No Maracanã, o alvinegro derrotou o alviverde por 2–1 e avançou na competição. Na fase semifinal, foi eliminado em um triangular ao lado de Cerro Porteño e Colo Colo, que viria a ser o vice-campeão. Dois anos depois, o Glorioso conquistou a Taça Augusto Pereira da Mota, equivalente ao segundo turno do Campeonato Carioca. Na decisão do Estadual, porém, mais um vice-campeonato, novamente diante do Fluminense. Na temporada seguinte, venceu outra vez o segundo turno do Campeonato Carioca, dessa vez denominado Taça José Wânder Rodrigues Mendes.
Em 1976, envolvido em uma grave crise financeira, o Botafogo vendeu a sede de General Severiano para a Vale do Rio Doce. O fato evidenciou a situação caótica do clube e gerou revolta de muitos torcedores e dirigentes, como o ex-presidente Carlito Rocha. O ex-lateral Nilton Santos, eterno ídolo alvinegro, chegou a afirmar que "estavam matando as glórias do Botafogo" e que "seu Botafogo não existia mais". Antes de transferir o departamento de futebol para o bairro de Marechal Hermes, o Glorioso chegou a ficar sem campo até para treinar, uma vez que o novo estádio só foi inaugurado em 1978.
Nessa época, o Botafogo acabou recebendo o apelido de Time do Camburão, pois deixou de ter grandes craques e revelações em sua equipe e passou a contar com jogadores mais rodados e problemáticos que, mesmo com algum talento, não conseguiam permanecer muito tempo em uma equipe. Porém, foi nesse período que o clube estabeleceu dois recordes do futebol brasileiro: o maior número de partidas invicto do futebol nacional (52 jogos) e a maior série invencível em jogos do Campeonato Brasileiro (42 jogos). Apesar das marcas expressivas, o clube terminou o Brasileirão na 5.ª posição em 1977 e em 9.° lugar na edição de 1978. Em 1979, o Botafogo disputou apenas sete jogos e terminou na 53.ª posição, sua pior colocação na história da competição.
Já em 1981, o clube voltou a fazer campanha de destaque. Com jogadores como Paulo Sérgio, Mendonça e Marcelo Oliveira no elenco, o Botafogo chegou à semifinal do Campeonato Brasileiro, contra o São Paulo. Na primeira partida, no Maracanã, vitória por 1–0. No jogo de volta, no Morumbi, muita confusão: os dirigentes e jogadores do Botafogo acusaram a equipe paulista de coagir o árbitro no intervalo, quando o alvinegro vencia por 2–1. O jogo demorou 35 minutos para recomeçar e, na volta, o São Paulo conseguiu virar o placar, eliminando o clube carioca. Além disso, a partida ficou marcada por vários lances polêmicos e um pênalti mal marcado pelo árbitro Bráulio Zannoto a favor dos donos da casa.
Botafogo coloca 4 estrelas na camisa
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PROTESTO
O BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS apresentou seu mais formal e veemente protesto contra as lamentáveis ocorrências do jogo realizado contra a equipe do São Paulo em seu estádio, no Morumbi.
É que, antes de iniciado o jogo assistiu-se um bombardeio pirotécnico de fogos de artifícios, estando o gramado tomado por centenas de pessoas, mais parecendo um espetáculo de feira de vilarejo, do que campo de disputa de uma partida semifinal do Campeonato Nacional.
O placar eletrônico do estádio de propriedade do São Paulo F. C. ironizava a equipe do Botafogo, quase chegando ao achincalhe. O estádio era um tumulto só, dentro e fora do campo, bastando lembrar que a partida teve início com retardo de 15 minutos, tendo as equipes e o árbitro esperado houvessem as condições mínimas necessárias ao início do jogo, diante da invasão do campo por pessoas estranhas ao espetáculo.
Ao término do primeiro tempo, o árbitro foi agredido por DUAS PESSOAS, reconhecidas pela unanimidade dos presentes como FUNCIONÁRIOS DO SÃO PAULO, quando, então, declarou o árbitro QUE NÃO REINICIARIA A PARTIDA PELA INEXISTÊNCIA DE CONDIÇÕES QUE GARANTISSEM SUA INTEGRIDADE FÍSICA.
Foi presenciada a agressão por DEZENAS DE PESSOAS que, ao relatarem o fato, acrescentaram a informação de que OS AGRESSORES TIVERAM ESCAPADA GARANTIDA POR DIRIGENTES DO SÃO PAULO.
Mas não é só. Além da agressão, os agressores e pessoas que cercavam o árbitro, gritavam-lhe que não sairia com vida do estádio casa o São Paulo perdesse sua classificação.
Este o clima que cercou o árbitro ao término do primeiro tempo, dentro do estádio com mais de 100 mil pessoas.
Em seu vestiário, depois da insólita agressão, o árbitro teve que ser atendido pelo médico do Botafogo. Ele não tinha mais condições para continuar o jogo. Mas a coação era grande em torno do árbitro, ele teria que prosseguir de qualquer maneira.
E a despudorada exigência de que o árbitro retornasse a campo e reconsiderasse sua anterior decisão de suspender a partida, foi coação irresistível a que se, submeteu o Sr. Zanoto, em lamentável demonstração de falta de preparo para enfrentar situação difícil. Um covardão.
Para o segundo tempo o circo já estava armado. No campo distinguiam-se, claramente, os elementos estranhos. Os "gandulas" eram robustos latagões, mal encarados, que devolviam ou não as bolas, com maior ou menor rapidez, na medida em que as modificações do placar favoreciam a equipe do São Paulo. Atrás do gol do BOTAFOGO, de dentro do campo, pessoas insultavam o goleiro PAULO SÉRGIO, procurando distrair-lhe a atenção. O árbitro tem duas ocasiões disse aos jogadores do BOTAFOGO que a partida tinha que acabar para que todos pudessem sair com vida do estádio. Os desacertos do árbitro sucediam-se um atrás do outro, sempre em detrimento do BOTAFOGO culminando com a mais plena demonstração de. desequilíbrio ao EXPULSAR da competição o lateral esquerdo LIMA, e colocar na cópia das infrações encaminhada ao BOTAFOGO haver expulso o central esquerdo ZÉ EDUARDO. Como demonstração de falta de equilíbrio e serenidade nada poderia ser mais eloqüente: se após o jogo ao fazer a súmula, o estado do árbitro era tal que TROCOU o nome do jogador expulso, como estaria ele DURANTE a partida, depois de ter levado, publicamente, uma garrafada e uma bofetada. Erros na súmula existem, como por exemplo:
1 — O juiz apontou Mendonça como o autor dos dois gols do Botafogo, quando o primeiro foi marcado por Jérson;
2 — Colocou Luís Cláudio como substituto de Ademir Lobo, quando quem entrou no segundo tempo foi Gilmar, e no lugar de Mendonça;
3 — Citou Mirandinha como outro jogador aproveitado no segundo tempo, sem dizer no lugar de quem, quando a outra modificação foi a entrada de Edson no lugar de Ziza;
4 — Rasurou a declaração sobre o jogador expulso, indicado inicialmente e erradamente como o Zé Eduardo. O jogador expulso foi Gaúcho Lima e no documento enviado ao vestiário do Botafogo após a partida, para conhecimento dos dirigentes, o citado era Zé Eduardo, que jogou os 90 minutos;
5 — E atribuiu ao Botafogo o atraso de um minuto na entrada em campo, no início da partida, e não fez qualquer referencia ao São Paulo, que foi o segundo time a aparecer no gramado, três minutos depois.
Já havia errado o árbitro quando deu o pênalti a favor do São Paulo, apenas por ele visto. Já havia errado quando não expulsou o atleta Serginho do São Paulo que empurrara e chutara o goleiro do Botafogo depois de marcado o gol de penalti. Errou quando sujeitou-se à coação que lhe foi feita por dirigentes. Errou ao não suspender a partida depois de agredido. Errou ao não mandar tirar de campo os estranhos.
Registrou, por fim, o representação à CBF, que o técnico do São Paulo, punido com SUSPENSÃO DE 40 DIAS PELO TRIBUNAL ESPECIAL, compareceu ao estádio, orientou a equipe do São Paulo na mais aberta desobediência à decisão da Justiça Desportiva, sendo visto e reconhecido por todos os que presenciaram o jogo. Ante o exposto, porque a partida não foi suspensa antes de iniciado o segundo tempo, diante da coação ao árbitro; sendo manifesto que o árbitro não dispunha do necessário equilíbrio para prosseguir com seu trabalho, porque foi agredido por funcionários do São Paulo; diante do fato de haver participado, ainda que fraudulentamente, o técnico suspenso; face a inexistência de segurança no estádio, comprovada pela agressão ao árbitro, o presidente Charles Borer requereu fosse anulada a partida para que fossem adjudicados os pontos nela disputados ao BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS ou, pelo menos, para que fosse determinada a realização de nova partida, em estádio verdadeiramente neutro.
Para comprovação do alegado juntou o noticiário de todos os jornais do Rio de Janeiro e requereu fossem ouvidos como testemunhas os profissionais de imprensa IATA ANDERSON e LOUREIRO NETO que declararam ter assistido a todos os lamentáveis acontecimentos então narrados.
Mas o que adiantou tudo isso, se o Tribunal Especial da CBF decidiu apenas em parte atender a medida cautelar do Botafogo? Foi negada a suspensão do campeonato, que prosseguiria com os dois jogos finais entre São Paulo e Gremio. Decidiu, no entanto, que a CBF não proclamasse o campeão da competição enquanto não fosse julgado pelo TE o pedido de impugnação do Botafogo. Tipo da decisão política, para ganhar tempo. Por que não suspendeu o campeonato? Por que não se reuniu antes dos jogos para julgar a impugnação? Complicou tudo e enganou a todo mundo. Depois, o Tribunal Especial da CBF julgou o recurso do Botafogo. Já sabíamos qual o seu resultado. Os juizes ouviram testemunhas, viram o "tape", examinaram fotografias e chegaram à conclusão que já se esperava, pois ela tem fortes cores políticas: não resolver nada e deixar tudo como está. Nosso pedido foi rejeitado. Acolhido na data da reunião, traria um sério desfecho, não convinha a eles, juízes. Estava na cara. O auditor já havia, inclusive, antecipado seu parecer, sem qualquer respeito ético-profissional. Uma lástima. O Tribunal dito Especial entendeu que as irregularidades apontadas e comprovadas apenas motivavam a abertura de inquérito para apurarão de todos os fatos, mas não a impugnação do resultado do jogo contra o São Paulo F. C. Está claro que já estava pré-determinado. E, para completar sua falta decisão, puniu Zé Eduardo e Gaúcho Lima por dois jogos, aplicou apenas advertência a Serginho, reincidente e expulso no jogo contra o Grêmio e, por "benevolência" absolveu o Botafogo por atraso na entrada em campo. E incrível, mas foi só. O São Paulo, todo mundo viu, entrou depois do Botafogo mas nem foi mencionado. Depois dessa...
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CARLITO ROCHA
UMA LEGENDA DO BOTAFOGO
Carlito Rocha e o famoso "Biriba", mascote que no pensar do saudoso dirigente, ajudou o Botafogo a ganhar o campeonato de 1948. E todo mundo acabou acreditando.
A notícia entristeceu a todo botaguense. Morreu Carlos Martins da Rocha, aos 86 anos de idade, dos quais 70 dedicados ao clube. Botafogo e Carlito Rocha se confundiam. Não se podia falar em Botafogo sem se falar em Carlito Rocha, ligado ao clube desde sua meninice. Ainda garoto, praticou o futebol entre os infantis e juvenis ao tempo em que estes últimos tinham um limite de idade bem menor de 20 anos.
Acendeu ao time principal e brilhou intensamente, como excelente centro-médio, acumulando vitórias que fizeram, nos primórdios do século, o Botafogo admirado e distinguido entre seus co-irmãos. Integrou selecionados cariocas e brasileiros. Era conhecido como um, dos botafoguenses mais apaixonados e dedicados que o Botafogo já, possuiu. Foi um homem que durante toda sua vida sacrificou a família e seus negócios particulares para se dedicar ao Botafogo. Carlito Rocha era o próprio Botafogo, tão ligado estava à história e às glórias do clube.
Histórias, curiosas, tristes ou alegres, serão sempre relembradas pelos que viveram as fases mais intensas de Carlito Rocha. E ele morreu lutando pelo melhor para o Botafogo, como fez em toda a sua vida. Voltar a General Severiano, recuperar a antiga sede e o campo de tantas glórias e recordações, foi a sua última campanha, seu último desejo.
De atleta dos mais brilhantes e eficientes; surgiu o grande dirigente. Destacou-se como presidente e diretor de futebol, somando em seu acervo de vitórias, o sensacional e sempre lembrado campeonato carioca de 1918, feito épico que grangeou para o Botafogo uma projeção sem par. Depois de se desfazer de um dos maiores ídolos de todos os tempos no clube — o falecido Heleno de Freitas — armou um time aparentemente modesto, entregando-o a Zezé Moreira. Apareceu, então, um personagem surpreendente: o cão "BIRIBA", que Carlito considerava uma força nos seus princípios de superstição. Depois de perder o primeiro jogo para o São Cristóvão (a única derrota), por 4 a 0, em General Severiano, ganhou o titulo de 1948 derrotando o famoso "Expresso da Vitória" do Vasco da Gama, por 3 a 1, no último jogo do campeonato. Quem ainda não se lembra dessa estrondosa vitória e suas histórias?
Carlito, católico praticante, era um místico, capaz de acreditar em tudo. Principalmente nas coisas que achava que davam sorte. Por isso mesmo, durante a temporada triunfal do Botafogo jamais se vestiu com outro terno que não fosse aquele pesadíssimo, de puro tecido inglês, azul risca de giz. Carregava na cabeça o enorme chapéu cinza e, na lapela, um escudo do River Plate, de Buenos Aires. Tudo tinha sua razão de ser, pensava ele. E, assim, há limites e muitas histórias a seu respeito, culminando com o pequeno "Biriba", que acabou transformando na mascote do time, seu talismã maior.
Naturalista, achava que o atleta só se completava comendo rapadura, tomando mel e gemada. Mas, aos que costumavam se exceder em bebida, Carlito obrigava a comer manga em jejum, e depois recomendava: — "Eu só digo uma vez, manga com cachaça mata." A Revista seria muito pequena para contar tudo sobre o saudoso Grande Benemérito do Botafogo. É preciso um livro.
Duas vezes ferido no seu amor botafoguense, mudou de ares. Numa foi campeão de remo pelo Guanabara; noutra, ajudou o Canto do Rio a armar um bom time, nos anos 40, cujo destaque era o meia-esquerda, Perácio, ex-botafoguense. No primeiro jogo contra e Botafogo, o Canto do Rio venceu por 6 a 3 e Perácio marcou três gois. "Tenho que voltar para lá (referia-se ao Botafogo) para mostrar que meu sangue é bom" — afirmou a amigos sem demonstrar a mínima euforia pela vitória sobre o seu clube, inteiramente abatido, consternado.
E ainda tem muito mais na vida de Carlito. Arbitro de futebol da Liga Metropolitana, de saudosa memória, de honestidade ilibada, quando apitava partidas não distinguia litigantes, a ponto de não contentar adeptos do Botafogo que entendiam erradamente, que, para ser bom botafoguense é se obrigado a proteger o clube, em detrimento de uma reputação e um prestigio adquiridos por muitos anos.
Saudosos tempos em que, no Botafogo pontificavam o árbitro Carlos Martins da Rocha e no Fluminense, o Afonsinho de Castro, considerados na época expoentes das arbitragens! E aqui, nos faz lembrar, com real tristeza, a última arbitragem desse péssimo Juiz de futebol que apitou o jogo do Botafogo, no Morumbi, cujo nome nos recusamos a publicar aqui. Ele era mesmo juiz? Convém notar que as paixões no passado perturbavam os torcedores muito mais que hoje, e o pavilhão dois clubes era respeitado como um corifeu, somente cedendo lugar à bandeira nacional. Carlito expungia-se dessa flama e da paixão que conturbava todos e serenamente cumpria o seu dever, em que pese, como já foi dito, os "fogaréus que incendiavam seu cérebro botafoguense." Sua vida desportiva, como já frisamos, não cabe evidentemente num simples registro. Mas o Carlito, um "homem do Botafogo" sobrava ainda tempo para ocupar cargos em entidades.
Foi o homem que salvou a CBD, empenhando-se em memorável campanha pela sobrevivência da entidade "mater", mantendo, mercê de seu trabalho junto a seus amigos desportistas estrangeiros, as filiações internacionais, concorrendo decisivamente para que a CBD egressa de uma dura campanha, surgisse vitoriosa da crise, retendo até hoje a hegemonia dos desportos praticados no Brasil.
Foi presidente da decana, das federações brasileiras— a Federação Metropolitana de Remo, que conseguiu reerguer de uma crise em que agonizava o seu prestígio.
Foi benemérito de entidades e sua vida de desportista sempre foi de assinalados serviços prestados Botafogo, clube onde se fez homem, dentro de um clima de lealdade e abnegação. "Pelo Botafogo, sem desfalecimentos, deu de coração tudo que pode."
Ao Botafogo dedicou sua mocidade, saúde, situação financeira. Seu nome e seus feitos ficarão inscritos na história do Botafogo com letras de ouro. Sua biografia, repetimos mais uma vez, não cabe neste simples resumo que tem um precípuo objetivo: fazer que os moços de hoje e de amanhã do botafogo conheçam "um homem do Botafogo”. E um simples registro da sua vida colhida apressadamente.
É ele o próprio Botafogo no seu passado, como um exemplo de desportista que dignifica e eleva. É uma legenda do Botafogo. É um símbolo a ser respeitado.
Ao Cemitério de São João Batista compareceram figuras de prestígio do Botafogo, de ex-presidentes, ex-jogadores e funcionários. Por determinação do presidente Charles Borer, que estava viajando, o Botafogo decretou luto oficial por três dias e todos os vice-presidentes e dirigentes estiveram no enterro e atletas uniformizados com as cores do clube. O caixão levou a nossa bandeira que ele tanto amou. Antes da partida contra o Mixto, em Marechal Hermes, o Botafogo pediu a todos um minuto de silêncio, o que ocorreu com o maior respeito e carinho. Na antiga sede de Wenceslau Braz, realizou-se uma missa de sétimo dia por alma de Carlito Rocha e também de Ney Palmeiro e Salim Simão, outros dois grandes botafoguenses, falecidos semanas antes. Nos jardins da antiga sede ainda está de pé a Capelinha inaugurada em 12 de agosto de 1964, onde Carlito Rocha costumava rezar pelo bem do Botafogo.
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BOTAFGO BOTA QUATRO ESTRELAS NA CAMISA
O Botafogo estreou, em seu jogo com a Desportiva Ferroviária, pela primeira rodada da Taça de Ouro, seu novo uniforme, que tem como novidade quatro estrelinhas douradas, representando o tetracampeonato conquistado na AMEA, nos anos de 1932, 33,34 e 35. Como todos sabem, é o único clube carioca que tem esse título.O uniforme número um continuará a ser de listras verticais brancas: e pretas, um pouco mais finas que as antigas; os calções serão pretos com frisos laterais brancos, e as meias pretas com frisos brancos. O segundo uniforme será de camisas brancas, também com as quatro estrelas de ouro sobre o escudo da estrela solitária. Para o segundo uniforme os calções e as meias serão iguais aos do primeiro. Nas fotos, os dois uniformes oficiais do BFR e o nosso Mendonça com a camisa de cinco estrelas. Carvalho Leite, antigo craque do passado, e que participou desses quatro campeonatos, vai, receber a camisa 9 no próximo jogo, em Marechal Hermes.
Acervo Particuloar Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR no 240 de maio de 1981
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BOTAFOGO FOI O CAMPEÃO DO TORNEIO DE GENEBRA
(De Ricardo Carpenter, jornalista da delegação)
Em agosto ultimo, o Botafogo derrotou o Everton, da Inglaterra, por 1 a 0, no Estádio des Charmines, e conquistou o Torneio de Genebra, reabilitando-se completamente de sua participação no Torneio de Paris. A exemplo do que ocorreu, quando venceu o Paris Saint-Germain por 3 a 1 arrancou aplausos dos torcedores suíços, o time brasileiro voltou a atuar bem, principalmente no segundo tempo, fase em que passou a pressionar o adversário.
O gol da vitória foi marcado pelo zagueiro Paulo Guilherme, de cabeça, aos 40 minutos da fase final, no momento em que maior era a pressão do Botafogo. Baltazar chutou para a meta de Shaouthall e a bola desviou na zaga, saindo a escanteio. Berg cobrou com perfeição e Paulo Guilherme surpreendeu a defesa inglesa, garantindo a vitória e o título do torneio, bastante festejado pelo bom número de brasileiros que se encontravam no estádio.
No primeiro tempo, no entanto, o Botafogo escapou da derrota, pois o Everton, explorando os contra-ataques, chegou a atirar uma bola na trave de Paulo Sérgio. Na etapa inicial, o time Inglês atuou fechado e marcando por pressão, o que dificultou o plano tático dos brasileiros. No segundo tempo, o técnico Humberto Redes pediu que os pontas — Roberto e Helinho — passassem a atuar bem abertos e que os laterais Josimar e Vágner — apoiassem mais o ataque. Então, o Botafogo começou a insistir nos ataque, até que no finalzinho da partida conseguiu o gol e o titulo do Torneio de Genebra. O árbitro foi Mr. Galier e o Botafogo atuou com: Paulo Sérgio; Josimar, Osvaldo, Paulo Guilherme e Vágner; Ademir, Ataíde, Berg; Robertinho, Baltazar e Helinho. O Everton formou assim: Shaouthall, Steves, Ratclife, Mountfield e Balley; Steve, Reid e Braceuell; Heath, Shar e Marshall. Na preliminar, o Paris Saint-Germain venceu o Servette, da Suíça, por 2 a 1, e ficou em terceiro lugar. O troféu conquistado no Torneio foi entregue ao Botafogo num coquetel após o jogo no Hotel Intercontinental. O prêmio aos jogadores pelo título foi de 200 dólares — Cr$ 400 mil. O atacante Baltazar, por ter sido o principal goleador do Torneio de Genebra, com 2 gols, ganhou dos organizadores um relógio Rolex, no valor de 1.500 dólares — Cr$ 3 milhões.
A delegação do Botafogo para essa excursão a Europa foi chefiada por Alternar Dutra de Castilho, grande benemérito e presidente do Conselho Deliberativo do clube. O diretor de Futebol Luisinho Drumond também viajou com a delegação, juntamente com o técnico Humberto Redes; o médico Armando Gonçalves; os preparadores César Couto e Lula; o massagista Vantuil. O repórter Ricardo Carpenter, do, "Jornal dos Sports", foi o jornalista da delegação. Foram 18 jogadores: Paulo Sérgio, Josimar, Osvaldo, Ademir, Vágner, Alemão, Ataíde, Berg, Robertinho, Baltazar, Helinho, Luis Carlos, Paulo Verdan, Cristiano, Ondina, Paulo Guilherme, Luizinho das Arábias e Elton.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 244 de novembro de 1984
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O Botafogo na Dinamarca
João Saldanha
E de repente todos descobrem que o Botafogo tem um bom time. Não excepcional, mas creio que devemos estar convencidos de que se trata de bom.
Foi outro dia, aqui mesmo no jornal, na porta do elevador do sexto andar que o Paulinho ia saindo e batemos ligeiro papo. O treinador estava bem dentro da realidade. Um time que é seguro, mas que se bancar o afoito se estrepa.
Eu diria que todos os nossos são assim exceto, talvez, o Flamengo que mesmo tendo levado a cipoada que tomou é o único que pode mandar bala sem ter que temer muito. Boa defesa, bom meio-campo e bom ataque logo que resolver o problema das pontas.
Mas amanhã falaremos disto. Julgo importante falar sempre em nosso melhor time.
Então, o Botafogo é um time seguro que está muito bem armado e joga com um tremendo espírito de solidariedade. Deste tipo que a gente sabe no começo da competição que dá para ir até o fim e talvez ganhar. É isto ai, qualquer treinador sente no seu time o cheiro de vontade de ganhar. Sabe-se perfeitamente se o time está ou não a fim.
Pode até ser derrotado. O time com cheiro da vontade de ganhar luta sempre com modéstia. O jogador mais metido, o mais mascarado, como se dizia, não cabe no time. E tem mais: não bota manga de fora. Se fizer isto, sobra e a turma não aceita.
Mas conversamos que no Botafogo, um cracão, um jogador que nem se sabe onde deve entrar ao certo, pode fazer o Botafogo novamente de um bom time em um grande time. Nós estamos mal acostumados com o futebol brasileiro e nos tornamos os torcedores mais exigentes do mundo. Não há mal nenhum nisto. Se um time inglês, destes que estão disputando a Liga na primeira divisão, tivesse uma equipe como a do Botafogo, seus torcedores estariam falando de boca cheia. Mais fechada ainda do que os pernósticos de Cambridge ou Oxford. É que eles se satisfazem amplamente com atuações boas e firmes. Como o Botafogo está fazendo, como fez o Fluminense ou o Flamengo. Talvez condenassem a falta de espírito ofensivo do Vasco na disputa com a Ponte Preta, mas, mesmo assim, comprariam todos as assinaturas para os jogos do próximo campeonato do clube, sabendo que seria na certa candidato ao titulo e, principalmente apresentador de bons jogos. Aqui, ou o título de campeão ou nada. Não existe segundo lugar. Segundo aqui é último.
O Botafogo tem um bom time. Isto ninguém mais tira. Nem a famosa "Fla-imprensa", que senta em fila na tribuna do Maracanã. E se o Botafogo arruma o cara, quem, não sei, mas sei que um dia pinta, estará novamente com o timão. O Botafogo já tem o Rocha, um dos melhores meio-campistas do Brasil, tem Gaúcho Lima, Marcelo, Ziza, este excelente Édson, o craque baiano Perivaldo, que quando joga com sobriedade é pedra da melhor água, Eduardo, o outro Gaúcho. Não é por acaso que um time chega onde o Botafogo está. Se fosse na Dinamarca, já estaria consagrado. Aqui é mais difícil. Mas fez a torcida voltar de novo e isto é que é importante. O Botafogo bateu o recorde de renda do campeonato e bateu o recorde de renda de jogos noturnos do mesmo campeonato. Aí está o ganho. O resto é lucro.
(Transcrito do "Jornal do Brasil")
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Acervo particular Roberto Castro Barbosa
Fonte: Boletim Oficial BFR setembro de 1986
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TRADIÇÃO É "FOGO"
O Botafogo tem a honra de ser o clube que mais cedeu jogadores para a Seleção Brasileira nos campeonatos mundiais.
De 1930 (primeira copa disputada) até 1986 (última), o nosso Glorioso cedeu 47 jogadores. Este feito, nenhum clube no Brasil conseguiu igualar.
Nas 3 Copas conquistadas, a participação dos jogadores alvinegros foi de vital importância. Quando o Botafogo não foi a base do selecionado, certamente contribuiu com o valor individual de seus craques.
Além de jogadores, o Botafogo cedeu membros de sua comissão técnica sendo a mais importante no Tricampeonato de 70; onde figuraram o técnico Zagalo, o médico Lídio e o preparador Chirol.
A seguir, damos a noção exata da tradição alvinegra no futebol brasileiro e mundial; com a relação completa de todos os jogadores que vestiram a camisa da seleção em todas as Copas:
1930: Benedicto, Carvalho Leite e Nilo, tendo inscrito na relação dos 40, o jogador Pamplona.
1934: Canále, Martin Silveira, Patesko, Pedrosa. Inscritos: Ariel, Âtila, Carvalho Leite e Octacílio.
1938: Martim Silveira, Nariz, Patesko, Perácio e Zezé Procópio.
1950 a 1954: Nílton Santos e na fase classificatória o zagueiro Gérson.
1958: Didi, Garrincha e Nílton Santos (Zagalo foi comprado durante a Copa).
1962: Amarildo, Didi, Garrincha, Nílton Santos e Zagalo (tendo sido inscritos Airton, Quarentinha, Rildo e Joel).
1966: Garrincha, Gérson, Jairzinho, Manga e Rildo.
1970: Jairzinho, Rogério, Paulo César, Roberto e Gérson, na fase classificatória. Leônidas, Zequinha e Moreira foram inscritos e Brito foi comprado logo após a Copa.
1974: Dirceu, Jairzinho e Marinho.
1978: Gil e Rodrigues Neto e na fase classificatória Dirceu e Paulo César.
1982: Paulo Sérgio.
1986: Alemão e Josimar. É. .. tradição é "FOGO".
Acervo particular Roberto Castro Barbosa
Fonte: Boletim Oficial BFR ano 1 nº 2 de 1987
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BOTAFOGO 88: DE VOLTA O CAMINHO DA GLÓRIA
Nove de junho de 1968. O Botafogo entra em campo, sob os olhares de mais de cento e quarenta mil torcedores no Maracanã, para decidir o título de campeão carioca, ou melhor, o de bicampeão. O adversário era o Vasco, para quem no turno, o Botafogo havia perdido por 2 a 0, e contra quem, diz a história, não costumava dar muita sorte. Mas aquele era um timaço e não temia ninguém, não acreditava em superstições e, em poucos minutos, o jogo estava liquidado com um contundente 4 a 0 e um inesquecível olé. Cao, Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto, Gerson; Rogério, Jairzinho, Roberto e Paulo César. Era o time que todo botafoguense orgulhosamente escalava e fazia os adversários tremer de medo toda vez que tinham de enfrentá-lo. O que nenhum botafoguense ou inimigo podia prever é que aquela seria a última vez, em dezenove anos, que o Botafogo iria decidir um título carioca e daí em diante viver tantas e tantas decepções, a ponto de em vez de ser o time mais temido do futebol carioca e brasileiro, passar a ser motivo de chacotas e, pior ainda, de uma falsa pena que seus inimigos fingem ter. O resultado de tanto sofrimento só podia ser um. O descrédito que cada ano vem tomando conta de torcedores e sócios, muito embora reste o consolo de ver que a torcida alvinegra em todo o Brasil, ao invés de diminuir, só faz crescer. Alguma coisa tinha de ser feita, e, felizmente, esse verdadeiro "milagre" começou a se desenhar no negro horizonte que teimava em não abandona os céus do Botafogo. É como se de repente a luz da estrela solitária voltasse a brilhar e apontar um novo caminho, um caminho que leve outra vez o Botafogo às manchetes dos jornais, a ocupar o maior espaço nos noticiários das rádios; a ver uma nova e radiosa imagem invadir as telas dos milhares de aparelhos de televisão, espalhados por este imenso país. Para se chegar a este estado de espírito, foi preciso fazer urna verdadeira revolução no futebol do Botafogo implantar-se uma nova filosofia de trabalho, mais condizente com a evolução do futebol profissional no Brasil. Esse trabalho começou a ser feito no segundo semestre do ano passado, depois que o presidente Althemar Dutra de Castilho e o vice-presidente, Emil Pinheiro, sentiram que era agora ou nunca. Os primeiros frutos dessa nova política, de forma tímida, é verdade, se fizeram sentir já na disputa da Copa União, onde ao contrário de 1986, o time não deu vexame. Chegou até a obter vitórias significativas como as frente ao São Paulo, Grêmio e Corinthians. Se nem todas as contratações feitas deram o resultado esperado, algumas se firmaram aos olhos da torcida e dos próprios adversários. É o caso do goleirão Alvez, sem dúvida, depois de Manga, o melhor que já passou pelo Botafogo. É também o caso do grande zagueiro Vágner, do apoiador Carlos Alberto e dessa grande promessa chamada Jéferson, atacante de apenas vinte e um anos, que o Fluminense tudo fez para tirar do nosso time. E ainda de Éder, cujo valor ninguém pode por em dúvida, e de quem muito se pode esperar para este ano, já que ele agora vai ter tempo para melhor se preparar fisicamente e voltar a ser o mesmo Éder da Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Vencida no fim do ano uma batalha decisiva, a das eleições, que tanto ameaçava dividir ainda mais o clube, Emil Pinheiro pôs-se a trabalhar para cumprir a próxima etapa a que se propôs: investir em novas contratações. Mas contratações dessas que dão manchete de primeira página, dessas que levam a torcida a ficar de plantão na sede do clube. A primeira delas foi concretizada ainda antes do Natal do ano passado: Cláudio Adão. Era como se o Botafogo fosse uma criança à espera de um presente que nunca tivera. Afinal, há alguns anos, o Botafogo não via vestir sua camisa número nove um artilheiro indiscutível, desses que não desperdiçam a chance, que em todos os clubes — e foram tantos — por onde passa, torna-se um artilheiro não só do time, mas do campeonato. Ao chegar à sede do Mourisco e ser festivamente recebido pela torcida, Cláudio Adão, trinta e dois anos bem vividos, avisou logo: Dessa vez vim para ser o artilheiro do Botafogo e para acabar com essa história de dezenove sem título. Nós vamos ganhar o campeonato e retribuir todo o esforço da diretoria e o apoio que só a torcida do Botafogo sabe dar ao seu time. Podem me cobrar. Pelo visto, nos primeiros treinos do time, Cláudio Adão vai cumprir tudo que promete. Já no primeiro jogo oficial, um amistoso contra o Entrerriense, fez quatro gols e levou o Botafogo a dar uma goleada que há muitos anos não constava nos anais do clube: 8 a 0. Mas uma andorinha só não faz verão. Enquanto os inimigos anunciavam contratações que não se concretizavam e, por força do hábito, partiam para ironias do "cadê o tal Fogão 88, até agora só ficou mesmo é no Cláudio Adão", Emil Pinheiro agia. E no dia 11 de janeiro estourava a bomba, que virou manchete: Marinho, Mauro Galvão e Paulinho Criciuma — o trio de ouro do Bangu — eram jogadores do Botafogo. Três craques de uma só tacada. No dia seguinte, muitos ainda duvidavam. Mas tiveram mesmo é de se conformar com a gostosa realidade. As rádios, os jornais e as televisões ao invés de badalar o clássico de abertura do campeonato, entre Vasco e Flamengo, falavam mesmo é de Botafogo e Volta Redonda, nosso jogo de estréia, dia 30 de janeiro no estádio de São Januário. A euforia que muito justamente tomou conta da torcida alvinegra explodiu de vez na chegada dos novos craques á sede do Mourisco para assinar contrato. É essa mesma euforia tomou conta dos craques, a começar por Mauro Galvão, jogador da seleção brasileira, acostumado a ganhar muitos títulos desde que subiu dos juniores ao time principal do Internacional de Porto Alegre: — Não pensava que fosse começar 88 vivendo tanta felicidade, como essa de vestir a camisa do Botafogo, meu clube de coração, desde os tempos das peladas do Sul. Não acreditava que fosse sair do Bangu este ano, muito menos para um time que tem uma torcida como essa do Botafogo. Agora é retribuir tudo isso com muita luta em campo e, lógico, com o título que o Botafogo tanto sonha e merece. Se. Mauro Galvão provocou no coração botafoguense uma alegria há muito não vivida, Marinho fez esse mesmo coração explodir de tanta felicidade, com sua irreverência e a lembrança de que vai fazer o Botafogo reviver a mística da camisa sete (veja a matéria na página 8). — Não vou dizer que sou Botafogo desde criancinha, que isso não cola. Mas sou Atlético doente e as cores são as mesmas. De uma coisa, a torcida alvinegra pode estar certa. Com o Marinho na ponta e com tantos craques em volta, o Botafogo encontrou finalmente o atalho que conduz à vitória. E só não faltar combustível. E isso a gente sabe que seu Emil tem de sobra. O catarinense Paulinho Criciúma, apontado por Zico como o futuro dono da camisa 10 da seleção brasileira, não fez por menos, depois de assinar o contrato com o Botafogo: — Vim não só para ajudar o Botafogo a ser o campeão carioca e brasileiro, mas para voltar a ser o time capaz de dar um ataque inteiro para a seleção brasileira.
Pau linho Criciúma tem razão. Agora com o elenco de que dispõe é só o técnico Zé Carlos entrosar os cobras e soltá-los em campo. E você torcedor alvinegro já pode ir sonhando em ter um timaço para decolar e cantar em prosa e verso como aquele de 1968! Alvez, Josimar, Vágner, Gotardo e Renato; Mauro Galvão, Carlos Alberto e Paulinho Criciúma; Marinho, Cláudio Adão e Éder. E ainda tem Jorge Lourenço, Gabriel, Vanderlei, Jocimar, Mongol, Vitor, Carlos Magno, Berg, Jeferson, Maurício, Zé Roberto, Élder, Edilson, Gustavo, Márcio Antônio e Luís Cláudio. É esse novo Botafogo de cabeça erguida, cheio de fé e esperança no presente e no futuro, orgulhoso de seu glorioso passado, que começa o ano de 1988 disposto a reocupar o seu lugar, e não ser um mero participante no campeonato. E sim a maior atração da competição, aquele que todo mundo vai querer vencer, mas que vai tremer de medo outra vez. Toda vez que tiver de enfrentá-lo. Axé, Botafogo!
Acervo particular Roberto Castro Barbosa
Fonte: Boletim Oficial BFR ano 1 nº 4 de 1988
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A ETERNA CAMISA 7
A história de Garrincha começa em 1953. Em seu segundo treino no Botafogo, ele encontra a sua frente o maior lateral esquerdo do mundo, Nilton Santos. Naquele tempo, o irreverente e principiante garoto de pernas tortas, iria aplicar dribles incríveis no já consagrado zagueiro. Um treino bastou para que na semana seguinte Garrincha estreasse contra o São Cristóvão, jogando no time de aspirantes e marcando 3 gols. Jogou tão bem que Gentil Cardoso, técnico da época, promoveu-o logo à equipe principal. Resultado: mais três gols de Garrincha e vitória de 6 a 3 contra o Bonsucesso. Começava aí a história de um casamento perfeito: Garrincha e Botafogo. Um casamento com milhares e milhares de filhos, torcedores botafoguenses. Em 1957, no início do ano, Garrincha já estava na Seleção Brasileira para disputar um campeonato sul-americano. Por incrível que pareça, foi convocado para a reserva de Joel, um aplicado ponta direita do Flamengo. Ainda em 1957, Garrincha teve uma participação brilhante no campeonato Carioca, culminando com uma goleada histórica no Fluminense por 6 a 2. Naquele jogo, cada vez que o "Mané" pegava na bola, o grande goleiro tricolor Castilho levava as mãos à cabeça. Veio a copa de 1958 e Garrincha, estranhamente, foi novamente colocado na reserva. Não por seu futebol, mas por opinião de um psicólogo que o julgava irresponsável. Após o segundo jogo, os três cobras do time (Zito, Didi e Nikon Santos) resolveram imprensar a Comissão Técnica e exigir a escalação de Garrincha e Pelé na equipe principal. O terceiro jogo, foi um massacre na seleção russa, com Garrincha levando os adversários à loucura. Resultado: a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título mundial. Em 1958, o Botafogo, com Garrincha, disputa o supercampeonato com Vasco e Flamengo. Em 1959, o clube vende Didi para o Real Madri e a equipe sentiu. Com a volta de Didi, em 1960, o Botafogo se reencontrou e foi Bicampeão carioca (61 e 62). Em 1962, Garrincha quase sozinho, pois Pelé se contundiu no início da competição, levou o Brasil a conquistar o Bi-Campeonato mundial, disputado no Chile. Garrincha foi um dos artilheiros da Copa. Fez gol de direita, de esquerda, de cabeça, etc. Garrincha foi até expulso de campo, pela única vez na vida. Após apanhar o jogo todo (marcá-lo era impossível, mesmo usando de violência), resolveu revidar, e deu um chute na bunda de um chileno. Mas foi absolvido e voltou no jogo seguinte, para desespero dos adversários. Garrincha ainda brilhou nos anos seguintes, mas começava a entrar em decadência pois, por sua ingenuidade, não cuidou como devia de uma contusão, o que provocou sua despedida prematura do futebol.
Erraram Garrincha por ser ingênuo e inocente; o Botafogo, por tê--lo deixado sair do clube; e alguns daqueles que se diziam seus amigos, com os maus conselhos que lhe davam. Em dezembro de 1973, com o Maracanã lotado, o jogo da despedida. Uma justa homenagem do torcedor ao homem que viveu para fazer a galera vibrar. Em janeiro de 1983, Garrincha se despede definitivamente, após uma queda em sua residência. Foi, sem dúvidas, o maior de todos os craques.
A Camisa número 7 deveria ser adotada como símbolo do Botafogo, colocada numa vitrine, na sala de troféus do Clube.
Acervo particular Roberto Castro Barbosa
Fonte: Boletim Oficial BFR ano 1 nº 4 de 1988
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